De carro na Bolívia? Fique esperto com a polícia

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Atualizado em 23 de julho de 2020

O bancário Luiz Cláudio Mauro fez uma viagem de carro na Bolívia com a família. Ele saiu de Brasília, chegou a Corumbá, cidade do Mato Grosso do Sul que faz fronteira com o país, e passou por Santa Cruz de la Sierra, Sucre, Potosí, Uyuni, Oruro e Cochabamba, de onde retornou para Santa Cruz.

Um dos grandes problemas que ele relatou na viagem foi a atuação da polícia boliviana. “Fomos parados 14 vezes pela polícia. Ao contrário do Brasil, onde raramente você é parado, na Bolívia, é difícil passar por um posto policial sem que lhe peçam os documentos”.

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Paisagem do interior do país.

Ele conta que, em muitas cidades, há uma corda, com um pedaço de pano amarrado, atravessando a estrada e você só passa depois de mostrar os documentos. “A maioria dos policiais me pediu somente a habilitação e a Declaração Jurada. Mas, em dois casos, tive que apresentar o documento do veículo também”.

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A aventura começou em Brasília e chegou a Cochabamba.

Dois triângulos e primeiros socorros

Luiz Cláudio conta que, no posto policial chegando a Santa Cruz de La Sierra, as exigências foram maiores: era necessário, inclusive, ter dois triângulos no porta-malas e um kit de primeiro socorros.

Como eu tinha feito o dever de casa e estava com todos os documentos e equipamentos, eles disseram que minha ordem de circulação – que havia emitido na fronteira – era branca e que eu tinha que pagar R$ 50 pela ordem de circulação do formulário verde”, conta.

O bancário até tentou argumentar, mas, simplesmente, foi orientado pelo policial a trazer uma Brahma para eles da próxima vez e, assim, evitar problemas.

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O visual incrível da regão da Laguna Negra.

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O carro utilizado na expedição.

Gasolina com preço diferente

No posto policial de La Angostura, saindo de Santa Cruz, a família foi parada novamente. Desta vez, o policial exigiu os recibos dos postos de gasolina para provar que ele tinha comprado o combustível no valor de estrangeiro. “Isso me pegou de surpresa”, conta.

Eu expliquei ao policial que não tinha guardado os recibos e, no final, ele ficou com o galão de combustível extra, de 20 litros, que eu carregava no porta-malas, e me deixou passar”, lembra.

Não são todos os postos de gasolina que vendem combustível para estrangeiros, é necessário ter um sistema, no qual são inseridos os dados do carro e do motorista. Por lei, o posto deve cobrar um valor mais caro de estrangeiros.

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Cruzando o Salar de Uyuni.

Em janeiro de 2018, o preço cobrado de estrangeiros era de BOB 8,80, cerca de R$ 4,40. Para os bolivianos, o preço era de, aproximadamente, R$ 1,10”, informa.

O viajante de Brasília conta que, mesmo nas cidades maiores, é preciso ficar circulando de posto em posto até achar um onde é possível encher o tanque do carro. Isso aconteceu com Luiz Cláudio em Santa Cruz de la Sierra. Então, uma dica muito importante é nunca deixar o tanque na reserva. “E guarde a porcaria do recibo emitido pelo posto”, alerta.

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Almoço na maior planície de sal do mundo.

Vão parar seu carro na Bolívia

Depois disso, Luiz Cláudio e sua família passaram por outros onze postos policiais, que apenas pediram os documentos e os deixaram seguir sem custos adicionais. “A declaração jurada é o documento mais pedido de todos”, alerta.

CLIQUE PARA SABER MAIS SOBRE A DECLARAÇÃO JURADA

Para entrar e dirigir no território boliviano é preciso ter a Declaración Jurada de Ingreso y Salida de Vehículos de Uso Privado. Ela é emitida pela Aduana Nacional de Bolívia, geralmente, nos principais postos de fronteira.

O problema é que muitos brasileiros que viajam de carro na Bolívia ignoram essa obrigação. Eles entram no país livremente, sem o bendito documento, e seguem até serem parados pela fiscalização.

Como a lei boliviana garante ao Estado o direito de confiscar qualquer veículo com placa de outro país que trafegue por aqui sem a declaração, alguns policiais aproveitam para extorquir os motoristas.

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Luiz Cláudio e sua família.

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Borracharia em Sucre.

Na volta para casa, quando passou pelo posto La Angostura pela segunda vez, Luiz Cláudio conta que o policial disse que as duas ordens de circulação – a branca e a verde – tinham todas as cidades, mas não diziam que ele voltaria para Santa Cruz.

Ele me cobrou BOB 30 – cerca de R$ 15 – para emitir a terceira ordem de circulação. Enquanto eu estava discutindo com ele – inutilmente, só pelo prazer do debate –, o policial recebia propina de um boliviano, que, ameaçado de ter o veículo confiscado, pagou para seguir viagem”, desabafa o viajante.

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Rodovia de Corumbá a Santa Cruz de la Sierra.

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Estrada de Uyuni a Oruro: assim dá prazer em viajar de carro na Bolívia.

A polícia é corrupta mesmo?

Antes de viajar, Luiz Cláudio leu muitos relatos de corrupção por parte da polícia da Bolívia. Hoje, a impressão que tem é de que o problema está setorizado ao redor de Santa Cruz de la Sierra, pois, dos 13 postos policiais que os pararam, em dois, os policiais eram desonestos.

Carro com placa do Brasil é como uma galinha dos ovos de ouro: você será parado e achacado, principalmente, em Santa Cruz de la Sierra e La Angostura”, diz.

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Alguns trechos das estradas estão em obras.

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O grande problema são as pedras.

O viajante complementa seu relato dizendo que algumas estradas estão sendo asfaltadas – como a que liga La Palizada a Sucre. “São muitos trechos em obras e a estrada é cheia de pedras, isso é pior do que uma estrada de terra”, alerta o viajante.

Segundo ele, as melhores rodovias estão entre Corumbá e Santa Cruz de la Sierra, e entre Uyuni e Oruro. Mas, é importante atentar para que a maioria dos terrenos não tem cerca e os animais ficam livres para atravessar a estrada.

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Animais na pista exigem mais atenção ao ao viajar de carro na Bolívia.

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Algumas vias estão sendo feitas com apoio europeu.

No mais, tirando os trechos de estrada péssima e os postos policiais de Santa Cruz e La Angostura, viajar de carro na Bolívia foi ótimo, e os cenários são lindos, cheios de lhamas e vicunhas. Tenho vontade de repetir, mas daqui a alguns anos, quando as obras estiverem terminado”, conclui.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um viajante apaixonado pelas coisas desse mundo. Um jornalista que adora contar boas histórias e compartilhar informações de viagem. Meu propósito de vida é ajudar outras pessoas a conhecerem lugares novos e a viverem experiências inesquecíveis.

4 Comentários

    • Altier Moulin

      Oi, Marcella.

      É um documento que você tem que preencher na chegada à Bolívia, na primeira fronteira.
      Não deixe de fazer isso.

      Um abraço.

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