O que fazer em Potosí: os tesouros de uma das cidades mais altas do mundo

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Atualizado em 12 de abril de 2021

O que fazer em Potosí

Um roteiro ideal para conhecer as melhores cidades da Bolívia deve ter uma lista do que fazer em Potosí, porque ela é um grande símbolo do país. Eu vou explicar isso com detalhes.

Aos pés do Cerro Rico, uma gigantesca montanha de forma piramidal, Potosí leva consigo as fortes marcas de seu passado. Esta é uma das cidades mais altas do mundo, a 4.070 metros de altitude.

Ela se desenvolveu como sinônimo de prosperidade e de um ganha-pão garantido. Para você ter uma ideia da grandiosidade dessa terra, há quem diga que as ruas de Potosí eram feitas de prata.

E, se fosse possível juntar todo o metal extraído daqui, daria para construir uma ponte ligando a Bolívia à Espanha.

Tamanho exagero não é à toa. No século 17, metade da prata que circulava no mundo saia daqui. Mas, hoje, é difícil imaginar que no tempo da colônia, Potosí tinha o mesmo número de habitantes que Paris.

E a história de desgraça da cidade não para por aí. Ela é a capital do departamento mais pobre da Bolívia, e o Cierro Rico, que de rico mesmo só tem o nome.

Depois de 500 anos de exploração, a prata desapareceu e, com ela, mais de 8 milhões de pessoas abandonaram a cidade.

O pouco do precioso metal que ainda existe na montanha é perseguido dia e noite. São cerca de 15 mil pessoas – entre elas menores – que ainda trabalham nas minas.

Declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, Potosí ainda é um pontinho no mapa que muita gente pula. O espaço no roteiro vai para cidades mais interessantes como Sucre, Uyuni, La Paz e Copacabana.

Esse desinteresse é o resultado da primeira impressão que temos ao andar por suas ruas empoeiradas e ao ver sua gente quase sempre pobre e sofrida. Entretanto, o lado colonial da cidade pulsa forte.

Se você gosta de visitar templos e museus, a cidade vai lhe agradar.

O que fazer em Potosí

Arco de Cobija

Esse portal foi construído ainda do tempo colonial. Para mim, ele é um dos símbolos mais fortes do quanto a cidade e seus habitantes sofreram nas mãos dos exploradores espanhóis.

Conta a História que os indígenas que viviam do outro lado do rio podiam chegar até aqui apenas para vender os produtos que produziam. Mas, de forma alguma era permitido que um deles entrasse no terreno da burguesia espanhola sem ser convidado.

Muitas vezes, a pena para quem ousasse descumprir essa lei era a execução em praça pública.

Plaza 10 de Noviembre

Aqui está o coração de Potosí. Perto dessa praça estão quase todos os principais pontos de visitação da cidade, como a Catedral e a sede do governo local.

Ao anoitecer, a cidade fica cheia de gente, e nas datas comemorativas, o movimento triplica.

Convento y Museo Santa Teresa

Apesar de ainda funcionar como um convento, o Santa Teresa abre suas portas para visitas ao museu que celebra a história religiosa e colonial de Potosí.

O prédio, tingido de um vermelho telha, é absolutamente lindo. Internamente é dividido em dois pátios que são rodeados pelas salas do museu.

Há diversas peças em exposição. Entre elas um conjunto de órgãos e instrumentos musicais usados para o culto e uma grande quantidade de pinturas que descrevem santos e mártires.

Isso, além de uma sala de chaves e fechaduras e outra com objetos utilizados pelas freiras.

Há inúmeros quartos, no entanto, e seria fácil de se perder ou perder alguma informação importante sem o acompanhamento de uma guia. Na saída, não deixe de comprar um docinho feito pelas freiras. O Convento fica na Calle Santa Teresa, 15.

Ele funciona de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14 às 18h. A entrada custa BOB 21.

Ojo del Inca

O Ojo del Inca é a cratera de um vulcão inativo que jorra água a uma agradável temperatura de pouco mais que 30 graus.

Ojo del Inca

A lagoa é uma das várias fontes de águas termais que ficam a cerca de 30 quilômetros do centro de Potosí. Entretanto, esta é a única que permanece com um cenário mais natural, sem muita interferência humana.

Sem nada ao seu redor – a não ser algumas construções – a lagoa é a suprema protagonista. Se quiser ter mais detalhes sobre esse passeio, leia Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa.

Convento San Francisco

O Convento de São Francisco foi fundado em 1547 e é, hoje, o mais antigo mosteiro boliviano.

No altar do templo, há uma imagem de Cristo cujos cabelos crescem milagrosamente, dizem os mais religiosos.

O grande barato aqui é visitar o museu e subir até o mirante que funciona no telhado do convento. Além disso, uma passada pelas catacumbas que funcionam na cripta da igreja é indispensável. O convento fica na Calle Tarija, 47.

O funcionamento é de segunda a sexta, das 9h às 12 e das 14h30 às 18h. Aos sábados é das 9h às 12h. As visitas guiadas acontecem às 9h30, 11h, 15h, 16h e 17h. A entrada custa BOB 15.

Iglesia de San Lorenzo de Carangas

Esta é uma das mais belas igrejas de Potosí e está localizada bem perto do Mercado Central.

Sua fachada é uma incrível junção de peças esculpidas em pedra onde podemos ver figuras angelicais e humanas. Dez anos depois de ser construída, a nave pesada do templo desabou.

Reconstruída, a igreja deixou de se chamar La Anunciación e passou a ser destinada aos povos da etnia carangas que habitava os arredores da cidade.

Casa Nacional de Moneda

Esse museu tem uma grande coleção de arte religiosa, arte contemporânea e artefatos do tempo em que as moedas de prata eram cunhadas aqui para serem enviadas à Europa.

Ele é considerado um dos melhores museus da América do Sul. Ainda assim, eu fiz questão de não conhecê-lo por dentro.

O que fazer em Potosí

Minha decisão teve motivação no preço cobrado para entrada de estrangeiros: quatro vezes mais do que preço normal, cobrado para bolivianos que é BOB 10.

Se você for fotografar terá que pagar mais BOB 20. A visita guiada dura cerca de duas horas e meia.

O museu fica na Calhe Ayacocha, s/n, e abre de terça a sábado, das 9h às 10h30 e de 14h às 17h. Aos domingos, das 9h às 10h30. A entrada custa BOB 40.

Mercado Central

É um típico mercado público com tudo de bom – e de ruim – que eles sempre têm. São barraquinhas de comida e utensílios que os bolivianos usam em seu dia a dia.

O que fazer em Potosí

Todas espalhadas pelos corredores estreitos e pouco higiênicos do mercado. É uma mistura de cores e sabores que somente quem vem aqui pode experimentar.

O que fazer em Potosí

Eu me arrisquei e comi uma empanada de queijo vendida por uma das senhoras na calçada do Mercado. Ainda não morri.

Minas de prata

Um dos passeios mais procurados de Potosí é o que visita as minas que ainda estão ativas. Mas, apesar de ser tão famoso, eu não tive interesse por ele.

Os motivos pelos quais desisti são bem simples: as minas estão a uma altura de 4.070 metros, os corredores são baixos e você precisa andar praticamente de cócoras em boa parte do tempo.

O que fazer em Potosí

O passeio dura uma manhã inteira e, de verdade, não saberia dizer se uma mina teria tanta coisa bacana para ver assim.

Para completar, ao conversar com o guia do passeio, ele me contou todo animado que os mineiros bebem e usam maconha durante o trabalho dentro das minas.

Planeje sua viagem a Potosí

Quando ir

A melhor época para conhecer Potosí é no final de cada estação chuvosa: no fim de janeiro e de agosto. Mas, de outubro a maio, as chuvas colaboram para diminuir o calor.

Onde ficar

O Hostal La Casona foi a minha escolha em Potosí. Funcionando em um antigo casarão, ele fica a duas quadras da praça principal, em uma área de fácil circulação tanto durante o dia quanto à noite.

Apesar de o atendimento não ser o mais simpático que já experimentei, ele pode ser uma opção para se hospedar na cidade.

Onde come

Faça uma parada no Café la Plata que fica em uma das esquinas da Plaza 10 de Noviembre. Eles têm umas tortas espetaculares e também servem pratos executivos

Saúde

Tenha cuidado com o mal de altitude. Não exagere nos esforços físicos até se sentir adaptado. Proteja-se do sol adequadamente e evite comer em restaurante suspeitos.

INFORMAÇÕES BÁSICAS
Visto | Brasileiros não precisam de visto para entrar no país e o prazo de permanência é de 90 dias, podendo ser estendido por, no máximo, mais 90 dias.
Documentos | Você pode usar o passaporte, com validade mínima de seis meses, ou a carteira de identidade, emitida há menos de dez anos.
Dinheiro | A moeda oficial é o boliviano, representado pela sigla BOB. Para sua viagem, você pode levar reais ou dólares. Veja como usar seu dinheiro na Bolívia.
Vacinas | A vacina contra covid-19 não é obrigatória, mas é preciso apresentar teste RT-PCR (veja abaixo). A vacinação contra febre amarela é obrigatória: veja como solicitar o certificado.

INFORMAÇÕES SOBRE COVID-19

As regras para viajantes vacinados e não vacinados são um pouco diferentes. Por isso, é preciso ter atenção na documentação exigida pela imigração boliviana.

Além de todos os documentos básicos de uma viagem internacional, como passaporte ou carteira de identidade, passagem de ida e volta e comprovante de hospedagem, por exemplo, é preciso ter em mãos os seguintes comprovantes:

  1. Seguro viagem com cobertura para covid-19, obrigatório para todos os viajantes – faça uma cotação do seguro viagem;
  2. Certificado de vacinação contra covid-19 com, pelo menos, duas doses, sendo que a última deve ter sido aplicada, no mínimo, 14 dias antes da viagem – exigido apenas de viajantes vacinados;
  3.  Resultado negativo de teste RT-PCR, feito até 72 horas antes da viagem, ou antígeno (teste rápido), feito até 48 horas antes da partida para a Bolívia – exigido apenas de viajantes não vacinados maiores de cinco anos;
  4. Formulário de Localização de Passageiros, disponível no site da Direção-geral de Aviação Civil – apenas um por família.

De forma geral, viajantes brasileiros não precisam fazer quarentena na chegada ao país, mas é importante estar preparado para que restrições que afetem viagens internacionais entrem em vigor com pouco ou nenhum aviso prévio por parte das autoridades bolivianas.

Você pode acompanhar atualizações no site da Embaixada do Brasil em La Paz.

Apesar de não haver restrições nacionais para covid-19, os departamentos e municípios têm a autonomia para impor restrições em nível local.

Acesse o site oficial para acompanhar os números de casos de covid-19 na Bolívia.

SEGURO VIAGEM

Desde que reabriu suas fronteiras,  o seguro viagem com cobertura para covid-19 passou a ser obrigatório  para a Bolívia. Sem ele, você pode ser impedido de entrar no país.

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você também terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

→ Faça uma cotação do seguro viagem

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

Veja mais dicas da Bolívia

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida é só deixar sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Bolívia.