O que fazer em Potosí

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Atualizado em 6 de março de 2018

Aos pés do Cerro Rico, uma gigantesca montanha de forma piramidal, Potosí leva consigo as fortes marcas de seu passado. Esta é uma das cidades mais altas do mundo, a 4.070 metros de altitude. Ela se desenvolveu como sinônimo de prosperidade e de um ganha-pão garantido. Para você ter uma ideia da grandiosidade dessa terra, há quem diga que as ruas de Potosí eram feitas de prata. E, se fosse possível juntar todo o metal extraído daqui, daria para construir uma ponte ligando a Bolívia à Espanha.

Tamanho exagero não é à toa. No século 17, metade da prata que circulava no mundo saia daqui. Mas, hoje, é difícil imaginar que no tempo da colônia, Potosí tinha o mesmo número de habitantes que Paris.  E a história de desgraça da cidade não para por aí. Ela é a capital do departamento mais pobre da Bolívia, e o Cierro Rico, que de rico mesmo só tem o nome. Depois de 500 anos de exploração, a prata desapareceu e, com ela, mais de 8 milhões de pessoas abandonaram a cidade. O pouco do precioso metal que ainda existe na montanha é perseguido dia e noite. São cerca de 15 mil pessoas – entre elas menores – que ainda trabalham nas minas.

Declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, Potosí ainda é um pontinho no mapa que muita gente pula. O espaço no roteiro vai para cidades mais interessantes como Sucre, Uyuni, La Paz e Copacabana. Esse desinteresse é o resultado da primeira impressão que temos ao andar por suas ruas empoeiradas e ao ver sua gente quase sempre pobre e sofrida. Entretanto, o lado colonial da cidade pulsa forte. Se você gosta de visitar templos e museus, a cidade vai lhe agradar.

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O que fazer em Potosí

Cerro Rico: a montanha que representa o sucesso e a desgraça de Potosí.

O que fazer em Potosí

Uma das empoeiradas ruas de Potosí.

O que fazer em Potosí

Essa cidade colonial é a capital do departamento mais pobre do país.

O que fazer em Potosí

Arco de Cobija | Esse portal foi construído ainda do tempo colonial. Para mim, ele é um dos símbolos mais fortes do quanto a cidade e seus habitantes sofreram nas mãos dos exploradores espanhóis. Conta a História que os indígenas que viviam do outro lado do rio podiam chegar até aqui apenas para vender os produtos que produziam. Mas, de forma alguma era permitido que um deles entrasse no terreno da burguesia espanhola sem ser convidado. Muitas vezes, a pena para quem ousasse descumprir essa lei era a execução em praça pública.

O que fazer em Potosí

O Arco de Cobija.

Plaza 10 de Noviembre | Aqui está o coração de Potosí. Perto dessa praça estão quase todos os principais pontos de visitação da cidade, como a Catedral e a sede do governo local. Ao anoitecer, a cidade fica cheia de gente, e nas datas comemorativas, o movimento triplica.

Convento y Museo Santa Teresa | Apesar de ainda funcionar como um convento, o Santa Teresa abre suas portas para visitas ao museu que celebra a história religiosa e colonial de Potosí. O prédio, tingido de um vermelho telha, é absolutamente lindo. Internamente é dividido em dois pátios que são rodeados pelas salas do museu.

Há diversas peças em exposição. Entre elas um conjunto de órgãos e instrumentos musicais usados para o culto e uma grande quantidade de pinturas que descrevem santos e mártires. Isso, além de uma sala de chaves e fechaduras e outra com objetos utilizados pelas freiras. Há inúmeros quartos, no entanto, e seria fácil de se perder ou perder alguma informação importante sem o acompanhamento de uma guia. Na saída, não deixe de comprar um docinho feito pelas freiras. O Convento fica na Calle Santa Teresa, 15. Ele funciona de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14 às 18h. A entrada custa BOB 21.

O que fazer em Potosí

Um dos pátios do Convento Santa Teresa.

O que fazer em Potosí

Um dos quartos que mostram a maneira simples como vivem as freiras.

O que fazer em Potosí

Um dos lugares mais tenebrosos do Convento é onde eram sepultadas as freiras.

O que fazer em Potosí

Os doces feitos pelas freiras.

Ojo del Inca | O Ojo del Inca é a cratera de um vulcão inativo que jorra água a uma agradável temperatura de pouco mais que 30 graus. A lagoa é uma das várias fontes de águas termais que ficam a cerca de 30 quilômetros do centro de Potosí. Entretanto, esta é a única que permanece com um cenário mais natural, sem muita interferência humana. Sem nada ao seu redor – a não ser algumas construções – a lagoa é a suprema protagonista. Se quiser ter mais detalhes sobre esse passeio, leia Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa.

O que fazer em Potosí

A cratera de vulcão que virou lagoa.

O que fazer em Potosí

Ojo del Inca é uma ótima opção para relaxar e aproveitar a natureza.

Convento San Francisco | O Convento de São Francisco foi fundado em 1547 e é, hoje, o mais antigo mosteiro boliviano. No altar do templo, há uma imagem de Cristo cujos cabelos crescem milagrosamente, dizem os mais religiosos. O grande barato aqui é visitar o museu e subir até o mirante que funciona no telhado do convento. Além disso, uma passada pelas catacumbas que funcionam na cripta da igreja é indispensável. O convento fica na Calle Tarija, 47. O funcionamento é de segunda a sexta, das 9h às 12 e das 14h30 às 18h. Aos sábados é das 9h às 12h. As visitas guiadas acontecem às 9h30, 11h, 15h, 16h e 17h. A entrada custa BOB 15.

Iglesia de San Lorenzo de Carangas | Esta é uma das mais belas igrejas de Potosí e está localizada bem perto do Mercado Central. Sua fachada é uma incrível junção de peças esculpidas em pedra onde podemos ver figuras angelicais e humanas. Dez anos depois de ser construída, a nave pesada do templo desabou. Reconstruída, a igreja deixou de se chamar La Anunciación e passou a ser destinada aos povos da etnia carangas que habitava os arredores da cidade.

O que fazer em Potosí

A vista do mirante do Convento San Francisco.

O que fazer em Potosí

A imagem que – dizem – cresce o cabelo.

O que fazer em Potosí

As catacumbas que ficam debaixo da cripta da igreja.

Casa Nacional de Moneda | Esse museu tem uma grande coleção de arte religiosa, arte contemporânea e artefatos do tempo em que as moedas de prata eram cunhadas aqui para serem enviadas à Europa. Ele é considerado um dos melhores museus da América do Sul. Ainda assim, eu fiz questão de não conhecê-lo por dentro. Minha decisão teve motivação no preço cobrado para entrada de estrangeiros: quatro vezes mais do que preço normal, cobrado para bolivianos que é BOB 10. Se você for fotografar terá que pagar mais BOB 20. A visita guiada dura cerca de duas horas e meia. O museu fica na Calhe Ayacocha, s/n, e abre de terça a sábado, das 9h às 10h30 e de 14h às 17h. Aos domingos, das 9h às 10h30. A entrada custa BOB 40.

O que fazer em Potosí

Pátio da Casa Nacional de Moneda.

Mercado Central | É um típico mercado público com tudo de bom – e de ruim – que eles sempre têm. São barraquinhas de comida e utensílios que os bolivianos usam em seu dia a dia. Todas espalhadas pelos corredores estreitos e pouco higiênicos do mercado. É uma mistura de cores e sabores que somente quem vem aqui pode experimentar. Eu me arrisquei e comi uma empanada de queijo vendida por uma das senhoras na calçada do Mercado. Ainda não morri.

O que fazer em Potosí

Fachada do Mercado Central de Potosí.

O que fazer em Potosí

Umas das coisas boas do mercado.

Minas | Um dos passeios mais procurados de Potosí é o que visita as minas que ainda estão ativas. Mas, apesar de ser tão famoso, eu não tive interesse por ele. Os motivos pelos quais desisti são bem simples: as minas estão a uma altura de 4.070 metros, os corredores são baixos e você precisa andar praticamente de cócoras em boa parte do tempo. O passeio dura uma manhã inteira e, de verdade, não saberia dizer se uma mina teria tanta coisa bacana para ver assim. Para completar, ao conversar com o guia do passeio, ele me contou todo animado que os mineiros bebem e usam maconha durante o trabalho dentro das minas.

Planeje sua viagem a Potosí

Quando ir | A melhor época para conhecer Potosí é no final de cada estação chuvosa: no fim de janeiro e de agosto. Mas, de outubro a maio, as chuvas colaboram para diminuir o calor.

Onde ficar | O Hostal La Casona foi a minha escolha em Potosí. Funcionando em um antigo casarão, ele fica a duas quadras da praça principal, em uma área de fácil circulação tanto durante o dia quanto à noite. Apesar de o atendimento não ser o mais simpático que já experimentei, ele pode ser uma opção para se hospedar na cidade.

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Onde comer | Faça uma parada no Café la Plata que fica em uma das esquinas da Plaza 10 de Noviembre. Eles têm umas tortas espetaculares e também servem pratos executivos

Saúde | Tenha cuidado com o mal de altitude. Não exagere nos esforços físicos até se sentir adaptado. Proteja-se do sol adequadamente e evite comer em restaurante suspeitos.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

22 Comentários

  1. Avatar
    Carol Rodrigues on

    Olá Altier,

    Gostaria de saber se sair ônibus de potosí direto para La paz, saberia me dizer?
    Agradeço desde já e parabéns pelo blog, tem me ajudado bastante a descobrir novos lugares pro meu roteiro pela Bolívia 😀

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    Boa Tarde ! Somos do blog viagem sem limites ! Tudo bem? Gostamos muito da sua matéria sobre Potosi! Foi muito útil e de bom conteúdo! Estaremos na Bolivia em breve fazendo uma grande roadtrip e Potosi sera a penúltima cidade que vamos parar. Realmente não são todos que param nesta cidade. Muito obrigado pelas informações! Se quiser chegar nosso site! , nós temos muita matéria ainda para publicar. Nosso site é novo, mas esta tomando cada vez mais forma.Se der entra la dar uma conferida!

    Obrigado e aguardo sua informação.
    Obrigado

    • Altier Moulin

      Oi, Fidelis.

      Como eu disse no texto:

      “As minas estão a uma altura de 4.070 metros, os corredores são baixos e você precisa andar praticamente de cócoras em boa parte do tempo, o passeio dura uma manhã inteira e, de verdade, não saberia dizer se uma mina teria tanta coisa bacana para ver assim. Para completar, ao conversar com o guia do passeio, ele me contou todo animado que os mineiros bebem e usam maconha durante o trabalho dentro das minas”.

      O que você acha?

      • Avatar

        Diria que o valor histórico desse local o faz valer, bem como todo o roteiro de Potosí.
        Tive a oportunidade de fazer esse passeio, como relatastes, o caminhar dentro da mina é complicado, a respiração também dificulta pela altitude, mas pode variar de pessoa a pessoa.
        Quando fiz minha visita, não fui alertado e tão pouco vi esse ato de uso de ilícitos.
        A bebida, mais bem definida como o álcool puro é utilizado no ritual de oferta ao “Tio” e também consumida pelos mineiros.
        Enfim, acho que pelo valor histórico, e toda a lenda e tradições contida nesse lugar a visita é valida. A leitura de “Veias abertas da América Latina” pode dar uma visão diferenciada.

        • Altier Moulin
          Altier Moulin on

          Oi, Luciano.

          Que bom que você conseguiu ter uma visão diferente da visita às minas.
          No meu caso, o guia falou abertamente do uso de álcool dentro da mina e até me ofereceu fumar maconha lá dentro.
          Depois de ler muitos relatos, decidi não ir. Por isso, não indico.
          Claro, sei do valor histórico do lugar e jamais desprezaria isso.

          Um abraço.

  3. Avatar

    Estou muito grato pelo seu blog no planejamento de minha segunda viagem à Bolívia. País lindo que luta bravamente para mantes suas tradições frente à pobreza e ao saqueamento que sofreu durante muito tempo. Porém esse trecho “Eu me arrisquei e comi uma empanada de queijo vendida por uma das senhoras na calçada do Mercado. Ainda não morri.” me deixou totalmente desnorteado sobre sua visão dos lugares. Me pareceu um tanto quanto preconceituosa, não? Posso estar errado, mas não sei se criticar a cultura de um povo (modos de realizar higiene ou cozinhar são absolutamente culturais) seja o melhor olhar ao conhecer um lugar. Os lugares são sujos? Para o seu olhar, provavelmente sim. Porém usar de ironia ao citá-los não me parece amigável. Bem, você pode usar o argumento de que o blog é feito com suas percepções. Sendo assim, talvez seja melhor você reorientá-las ao sair de casa para conhecer um novo povo/cultura.

    Desculpe se pareci grosseiro, talvez eu tenha sido. É porque estou realmente desapontado com um blog que tanto me divertia ler, de repente, me expor esse tipo de opinião.

    • Altier Moulin

      Oi, Juliano.

      Primeiro, obrigado por ler e comentar o blog. Sim, blogs são pessoais e carregam a opinião de quem os escreve. Por isso, somente por isso, eu coloco aqui o que penso, o que gosto e o que não gosto. Eu escrevi como brasileiro e para brasileiros. Portanto, me sinto muito a vontade para dizer que os padrões de higiene na Bolívia não são os mesmos do Brasil – pelo menos em sua maioria. Assim como os do Brasil não são os mesmos da Inglaterra, da Zâmbia, etc.

      Em momento algum eu disse que alguma coisa era melhor ou pior, apenas quis destacar aos viajantes que há riscos, pois basta você conversar com turistas e verás que muitos têm problemas intestinais durante as viagens. Aliás, isso aconteceu comigo no Canadá. Sim, no Canadá, país de primeiro mundo, rico, essas coisas. Na Bolívia, não!

      Além disso, acho que você não deve ter lido outros textos, ou, se leu, não prestou atenção em quantas vezes disse que a Bolívia é linda, que tem um povo amoroso, rico e que, apesar de já ter ido duas vezes, quero voltar outras tantas. Eu já falei também da comida de lá e indico, inclusive, que as pessoas devem comer de tudo, tendo os devidos cuidados. Eu fiz isso. Veja: https://www.penaestrada.blog.br/comidas-da-bolivia/

      Sobre a ‘ironia’, infelizmente você entendeu errado. Era apenas uma piada, que você realmente não tem a obrigação de entender. 🙂

      Sobre eu ter que ‘reorientar minhas percepções’, acho simplesmente que quem está sendo preconceituoso é você, pois não há percepções certas ou erradas. Elas são individuais e todas – absolutamente todas – são válidas quando viajamos. Afinal de contas, eu não viajo para pensar como os outros. Muito menos quero que pensem como eu penso.

      De qualquer forma, entendo seu ponto de vista, mas lamento que tenha percebido um certo preconceito de minha parte. Errado eu me sentiria se dissesse que, naquele momento, não fiquei preocupado em passar mal por causa das condições da comida.

      Um abraço.

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    Olá, Altier. Adorei seu relato sobre Potosí, e decidi incluí-la em meu roteiro, agora em janeiro. Uma dúvida, quanto tempo vc recomenda que se fique por lá? Pensei em só 1 noite.. o que acha?
    Obrigada e parabéns pelo blog!

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    Muito boa suas dicas,gostaria de saber como é o estado da estrada para chegar ai e até Sucre,são muito perigosas?E os ônibus são confortáveis?

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    Hermes Fellini Sebben on

    Parabéns Altier pelos relatos. Estou programando uma ida à Salta, Argentina, e penso em dar uma esticada para Uyuni e Potosí. Com teus relatos “ já estou viajando”. Estive em Cochabamba, La Paz e Tiahuanaco no longínquo 1994, depois de um Jamboree Escoteito. O povo de lá é nota 10. Realmente temos que ter cuidado redobrado na alimentação. Sem nenhum exagero. Quando cruzei a fronteira, em Desaguadero – Peru, tive que buscar ajuda médica. Eu estava literalmente desaguando. Não havia tomado o cuidado necessário com a comida e bebida. Mas a Bolívia é fantástica. Grato pelos relatos. Boas viagens.

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    Muito legal Altier você dividir sua experiência, seu olhar com todos. Estarei em La Paz e não tenho muito tempo. Potosi é a melhor opção ou o Salar de Uyuni? Ou qualquer outro lugar. Pergunto pois li que nessa época não existe um fio de água no último, logo..

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