Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

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Atualizado em 22 de novembro de 2017

Potosí, na Bolívia, é uma das cidades mais altas do mundo. Aqui, seu coração bate a uma altitude de 4.070 metros e o ar, muitas vezes, parece fugir por entre os seus dedos causando uma constante sensação de cansaço e desânimo, que quase sempre vem acompanhada de dor de cabeça e náuseas. Mas, se a cidade pode lhe colocar para baixo, há também atrativos que lhe farão se sentir revigorado. Assim é o Ojo del Inca, uma lagoa de águas termais no meio das montanhas.

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O Ojo del Inca é, na verdade, a cratera de um vulcão inativo que jorra água a uma agradável temperatura de pouco mais que 30 graus. São quase cem metros de circunferência e o seu desenho é um círculo perfeito e, por isso, é chamada de olho do Inca, uma referência a Tupac Amaru, último líder do Império Inca que dizem ter repousado nessas águas antes de ter sido preso e condenado à morte durante a conquista espanhola.

A lagoa é uma das várias fontes de águas termais que ficam a cerca de 30 quilômetros do centro de Potosí. Entretanto, esta é a única que permanece com um cenário mais natural, sem muita interferência humana. Sem nada ao seu redor – a não ser algumas construções – a lagoa é a suprema protagonista.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

A cratera que virou lagoa.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

Mesmo no frio, um mergulho nessa água quentinha é uma boa pedida.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

Veja como o vapor sobe: a temperatura lá dentro está sempre acima dos 30 graus.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

E, além de nadar, ainda tem gente que passa lama vulcânica no rosto.

Mas se, por um lado, essa pouca interferência é sadia, por outro a desorganização pode ser um perigo. Não há um controle coerente dos visitantes, nem salva-vidas e muito menos qualquer sinalização sobre a profundidade da lagoa, que chega a 22 metros. Para conseguir relaxar, é preciso estar sempre encostado na borda, segurando na vegetação. Embora eu não tenha ouvido essa orientação enquanto estive lá, dizem não ser aconselhado nadar até o meio da lagoa. Sei lá, é um vulcão, né!?

Mas, calma. Os bolivianos não são tão relapsos assim. Há uma piscina construída na parte de trás da lagoa onde podemos nos acalmar e nos banhar com tranquilidade, já que a água não ultrapassa a altura da cintura.

Para quem procura mais conforto, a poucos quilômetros daqui estão o Complejo de Tarapaya e as piscinas de Miraflores, balneários públicos onde você pode nadar em piscinas artificias. Eu preferi me aquietar no Ojo del Inca cujas águas, como muitos acreditam, têm poderes medicinais. Para mim, elas fazem mesmo é muito bem à alma.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

O cenário natural do Ojo del Inca.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

O principal morador posando pra foto.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

Um mergulho pra lavar a alma.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

A piscina construída ao lado da lagoa é ideal para relaxar sem se preocupar com a profundidade.

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Quanto custa | É cobrada uma tarifa de BOB 10, mas não há um sistema regulamentado para essa cobrança – isso significa que não há recibo, bilheteria, controle de acesso. Nada disso. Com esse valor você pode tomar banho na lagoa e usar o vestuário. É possível acampar nos arredores da lagoa.

Quando ir | Independentemente da estação, sempre é possível chegar aqui. Nos dias mais ensolarados, o cenário fica mais bonito, mas no frio a água quentinha pode ser uma boa pedida. Evite ir nos finais de semana quando os moradores dos povoados vizinhos frequentam as piscinas naturais da região.

Como chegar | A forma mais tranquila e econômica de chegar ao Ojo del Inca é de transporte público. Nos arredores do mercado municipal de Potosí, tome um micro-ônibus até o Mercado Chuquimia – a passagem custa BOB 1,50.

No mercado, as vans partem para Miraflores assim que todos os lugares forem ocupados. Fique de olho porque rola uma fila – de tão desorganizada, nem sei se posso chamá-la assim. A passagem custa BOB 5. Não se esqueça: informe ao motorista que deseja descer na entrada do Ojo del Inca. A viagem dura cerca de 1h.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

A trilha da rodovia até a lagoa.

Ojo del Inca: a cratera que virou lagoa

O mercado de onde partem as vans.

A van para na rodovia e para chegar à lagoa é preciso caminhar por cerca de 15 minutos. Vá com calma. Como o Ojo del Inca está a 3.400 metros de altitude, qualquer esforço poderá causar mal-estar. A última van parte da lagoa por volta das 18h.

Poucas agências fazem excursão para cá, já que o custo acaba não sendo atrativo diante da facilidade de usar o transporte público.

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Onde ficar | O Hostal La Casona foi a minha escolha em Potosí. Funcionando em um antigo casarão, ele fica a duas quadras da praça principal, em uma área de fácil circulação tanto durante o dia quanto à noite. Apesar do atendimento não ser o mais simpático que já experimentei, ele pode ser uma opção para se hospedar na cidade.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

8 Comentários

  1. Avatar

    Adorei a indicação, pretendo passar por lá mês que vem! 😀
    Mas fiquei com uma dúvida: como exatamente faço para voltar? Porque pelo o que eu entendi temos que descer numa rodovia. As vans de volta saem do mesmo lugar?

    • Altier Moulin

      Oi Carol,

      É isso mesmo. Quando você descer da van, combine com o motorista. Eles param na rodovia, em frente à rua que dá acesso ao Ojo del Inca.

      Um abraço.

  2. Avatar

    Banhar-se no Ojo Del Inca está proibido em virtude de algumas mortes de turistas. Contudo, a fiscalização é realizada por uma moradora do local. Mesmo assim, se o banho for rápido vale o risco, rsrsrs. A piscina construída mais abaixo também é uma boa opção para um banho tranquilo.

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