Uma viagem pode mudar sua vida

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Atualizado em 21 de julho de 2015

Há muitos jargões e frases de efeito sobre viagem rodando pela internet, mas o que pouca gente pensa, de fato, é o quanto uma viagem pode mudar sua vida. Para falar a verdade ela pode bagunçar tudo o que você acha que está nos seus devidos lugares. Aquele emprego chato, mas que lhe garante um bom salário; um longo relacionamento que já está meio careta; opiniões e atitudes que você tinha como certas e que agora começa a revê-las. Tudo pode ir pro saco e, antes de viajar, você deve estar disposto a ter que abrir mão disso, se for o caso.

Mas, para mudar a sua vida, essa viagem tem que ser de verdade. Eu não estou falando daquelas férias que você passa em um resort de frente para uma praia paradisíaca. Eu falo de uma viagem livre, que lhe desafie e que lhe mostre um lugar novo cheio de pessoas e coisas interessantes.

Eu conheço um casal que planejou durante meses a sua primeira viagem internacional. O destino escolhido era a Europa. De malas prontas, eles partiram, mas o que não esperavam era que viveriam uma profunda crise depois de passarem vários dias viajando juntos.

Eu imagino que eles tenham conhecido lugares fantásticos – muitos deles pra lá de românticos, – mas nos últimos dias eles já praticamente não se suportavam. Um de cada lado, contava os minutos para a viagem acabar.

A explicação para essa crise fenomenal pode ser simples: eles nunca tinham passado tanto tempo juntos, mesmo depois de anos de casados. Pensando assim, foi o convívio que fez ambos repensarem suas escolhas e isso inclui a de estar casado.

Toda viagem é desafiadora e isso é potencializado ainda mais quando viajamos acompanhados. Nem sempre você acordará de bom humor ou com pique para enfrentar aquela fila quilométrica que todo lugar badalado por turistas tem. Nem sempre você vai querer torrar seus míseros reais em um restaurante famosinho, mas provavelmente terá que fazer para agradar quem lhe acompanha na viagem.

Felizmente esse casal de amigos conseguiu vencer a crise e aguarda a chegada do primeiro bebê. Será um menino.

Eu tenho um amigo que largou o emprego para fazer uma viagem de volta ao mundo e, para isso, ele gastou toda a sua reserva. O montante seria o suficiente para dar uma boa entrada em um apartamento ou até mesmo para montar uma microempresa. Porém, quando pergunto se ele se arrepende do que fez, a resposta você já deve imaginar: não, ele não se arrepende.

Ele não se arrepende porque nem um bom apartamento e nem uma empresa de sucesso podem oferecer o que uma boa viagem proporciona. E pode ter certeza que as coisas que mais lhe marcarão durante sua jornada são aquelas pelas quais dinheiro nenhum do mundo paga.

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O sorriso estrelado dessa mulher aí de cima que me ajudava a entender o dialeto dos moradores de Tarabuco, na Bolívia.  A espontaneidade da senhora que tentou me ajudar quando buscava algo no mapa em uma das ruas de Vancouver, no Canadá. O olhar profundo da menina peruana, na cidade de Ollantoytambo. O jeito comunicativo da vendedora na praia de Boca Chica, na República Dominicana. Os cochichos curiosos das crianças egípcias antes de me pedirem para tirar uma foto com elas. Nada tem mais valor do que essa relação que temos com o próximo quando estamos viajando.

Quando você viaja o tempo é seu. Nada é mais importante do que você e seu projeto para aqueles próximos dias. Projeto esse que, inclusive, pode ser o de não fazer coisa alguma ou de perambular sem destino certo pelas ruas de uma cidadezinha onde você acabou de chegar.

Uma viagem pode mudar sua vida porque, muitas vezes sozinho, você sabe que ali a única pessoa com quem você pode contar é consigo mesmo. Nessas situações, você descobre força onde não havia, desenvolve capacidades para superar seus medos e, até mesmo, fica mais sensível para reconhecer seus defeitos.

A realidade é que uma viagem testa nossos limites. Ela confronta as nossas verdades e nos tira do lugar de conforto, onde temos o controle da situação.

Numa viagem você descobre que é mais feliz do que imagina, mesmo sabendo que na volta das férias toda a cansativa rotina estará lhe esperando. Viajando, eu e você percebemos que a coisa mais gostosa da vida é ter um bom colchão e um banheiro limpo, de preferência o nosso, lá de casa, que usamos todos os dias e nem sempre valorizamos.

Depois de uma viagem pela África eu decidi que não queria mais passar oito horas dentro de um escritório e pedi demissão. Como eu fiz, sei que muitas outras pessoas fazem e esse é um movimento espontâneo, que vem com o tempo e que é o resultado de longas reflexões sobre prioridades.

Eu sinceramente desejo que você viaje mais. Que gaste mais tempo consigo e aproveite para reavaliar sua vida. Revisite sonhos adormecidos e descubra o quanto as pessoas ao seu redor são importantes para você. Isso vai lhe ajudar a deixar a sua vida mais ajustada com a sua personalidade. Porque viajar é bom, mas voltar para uma vida real que nos enche de felicidade é sempre muito melhor.