A vida em Cuba: veja como o contexto político do país afeta sua viagem

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Atualizado em 18 de junho de 2021

A vida em Cuba

Entender a vida em Cuba não será tão fácil quanto você imagina. O país, que viveu sob o domínio espanhol durante séculos, foi um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo.

Em sua maioria, o trabalho era desenvolvido por escravos, que chegavam sem parar aos portos do país. Só para você ter uma ideia, em 1840, já existiam mais de 400 mil africanos em Cuba. Isso mudou, para sempre, as características do país.

Os conflitos envolvendo Cuba e Estados Unidos não são recentes. O açúcar cubano era tão valorizado que os norte-americanos tentaram, por duas vezes, comprar a ilha da Espanha.

Mais tarde, depois da Guerra pela Independência, que começou em 1868 e durou dez anos, começaram as manifestações cubanas para que a ilha fosse anexada aos Estados Unidos.

Entretanto, José Martí, o líder da independência, depois de viver por 15 anos em Nova Iorque, estava convicto de que essa não seria a melhor saída para Cuba. Então, com outros companheiros, iniciou os embates que resultaram na libertação do país em 20 de maio de 1902.

Antes, os Estados Unidos já haviam tentado comprar a ilha pela terceira vez. Foi depois que uma de suas embarcações explodiu “misteriosamente” no porto de Havana.

Novas regras

Em 1900, quando era governada por um interventor norte-americano, como previa o tratado de Paris, assinado por Estados Unidos e Espanha, Cuba escreveu sua primeira constituição. Na verdade, não foi bem assim. Naquela época, as tropas americanas ocupavam várias cidades cubanas.

Isso significa que o governo estadunidense tinha grande influência sobre a ilha. Foi assim que eles incluíram na Carta Magna uma cláusula que garantia aos Estados Unidos o direito de intervir militarmente em Cuba.

A vida em Cuba

Sem muita escolha, Cuba aceitou as novas regras. Logo depois, em 1903, os Estados Unidos tomaram a base naval de Guantánamo. Onde, ainda hoje, mantém uma cadeia para presos acusados de terrorismo.

Desde sua abertura, já passaram pela polêmica prisão de Guantánamo mais de 750 prisioneiros. Esses, sem acusação formal, sem processo constituído e, portanto, sem direito de defesa e julgamento.

Corrupção e revolução

Depois que se tornou independente, Cuba passou a ser governada por uma série de presidentes envolvidos em casos de corrupção. Com uma ou outra exceção, todos esses governos foram muito prejudiciais para o país. Com isso, aos poucos, começou a crescer em sua população o desejo por mudança.

Depois do golpe de estado aplicado por Fulgêncio Batista, em 1933, esse sentimento foi mais fortemente ancorado no Movimento 26 de Julho, liderado por Fidel Castro. Derrotados em sua primeira investida, o grupo paramilitar persistiu pelo interior do país.

Nessa época, o médico argentino Ernesto Guevara, que ficou mais conhecido como Che Guevara, se uniu ao grupo que tinha, ainda, Raúl Castro, irmão de Fidel e atual presidente cubano.

Depois de muitos conflitos contra o exército de Batista, a revolução triunfou em 1º de janeiro de 1959, com a tomada de Santiago de Cuba e de Havana, no dia seguinte.

Governo revolucionário

Em seus primeiros anos no poder, Fidel Castro sancionou leis reduzindo o valor dos alugueis, da eletricidade e de outros serviços básicos. Aboliu a discriminação racial e estatizou grandes propriedades rurais que, em sua maioria, pertenciam a empresas americanas.

As principais áreas de investimento eram a saúde e a educação, que, ainda hoje, são modelo para o resto do mundo: Cuba tem uma das melhores taxas de alfabetização do planeta e o serviço de saúde é universalidade e de qualidade – embora os salários dos profissionais seja baixo.

O desemprego é baixíssimo, mas aqui se sobrevive com pouco e produtos essenciais para uma vida digna, como papel higiênico e sabonete, são racionados. Muitos profissionais, inclusive, precisam fazer uma segunda jornada para garantir uma renda extra.

A vida em Cuba

Mesmo sendo claramente esquerdista, Fidel Castro nunca foi comunista. A opção pelo regime dos soviéticos só foi feita bem depois dele chegar ao poder e, para muitos, foi resultado da falta de opção: com os Estados Unidos apontando para medidas contrárias ao país, Fidel acabou se aproximando da ex-União Soviética que, naquela época, travava uma guerra ideológica com o mundo capitalista.

Como contrapartida, Cuba recebeu investimentos e apoio militar dos soviéticos. Por outro lado, em janeiro de 1961, os Estados Unidos cortaram relações diplomáticas com a ilha e passaram a proibir viagens de americanos a Cuba.

Depois de uma nova e frustrada tentativa de tomar a ilha, o governo americano declarou embargo total ao país de Fidel. Era o começo do isolamento que só deu sinais reais de enfraquecimento com o presidente Barak Obama, décadas mais tarde.

Racionamento e crise

Há mais de meio século, Cuba é governada pelo Partido Comunista, liderado por Raúl e Fidel Castro sob um sistema rígido que impede, na prática, a eleição de candidatos opositores.

O governo de Fidel Castro foi marcado por questões polêmicas e de agressão aos direitos humanos. Entre elas, práticas contrárias à liberdade de expressão e a perseguição de homossexuais. Fato, último, reconhecido pelo ditador em entrevista à imprensa internacional.

Símbolo do racionamento de alimentos no país, a caderneta que dá acesso a toda população a itens básicos, como pão, leite, ovos e até cigarro, ainda gera polêmica até dentro do próprio governo: gasta-se muito com o programa e ele ainda é insuficiente. Entretanto, extinguir a livreta de uma hora para a outra ainda é impossível, visto que muitos dependem dessa fonte de alimentos.

Muitos cubanos, que foram afetados diretamente pelo novo modelo governamental, deixaram o país. Entre 1959 e 1970, mais de 500 mil fugiram de Cuba. Esse era um sinal de que algo estranho acontecia nesta ilha caribenha.

Com o passar dos anos, longe do mercado americano e com a crise no mundo socialista, Cuba se viu isolada e distante da globalização. Afetada por racionamentos e blecautes programados, os cubanos começaram a experimentar o revés no jogo.

Uma nova onda de imigrantes deixou o país. As cenas de embarcações improvisadas cruzando o Estreito da Flórida rumo a terras americanas corre o mundo e muitos morrem no caminho.

 A vida em Cuba hoje

Nos últimos anos, principalmente depois que Fidel Castro decidiu não mais se candidatar à presidência, o país tem experimentado certa evolução em sua política externa.

Durante o governo de Barack Obama os Estados Unidos decidiram restabelecer o diálogo com o país reabrindo sua embaixada em Havana, mas as sanções do embargo econômico permaneceram.

Infelizmente, as negociações não avançaram depois da eleição do magnata Donald Trump para a Casa Branca. Depois da eleição de Joe Biden, tudo ainda permanece suspenso.

Em janeiro de 2021, Cuba unificou as moedas oficiais. Até a data, o peso cubano era usado pelos cubanos e o peso convertível, que tinha a mesma cotação que o euro, era exclusiva dos turistas.

A vida em Cuba

Outras reformas foram anunciadas depois da eleição de Miguel Díaz-Canel. Ele é o primeiro presidente que nasceu depois da Revolução – que aconteceu em 1959 – e que não faz parte da família Castro.

Ainda hoje, a vida em Cuba se desenvolve a passos lentos. Os salários são insuficientes, produtos necessários para a vida cotidiana são controlados, a maioria das instituições é comandada pelo governo e a corrupção continua sendo varrida para debaixo do tapete.

Não há eleições diretas para presidente e a imprensa continua sendo censurada.

Depois que Cuba unificou a moeda, produtos e serviços têm tido aumentos consideráveis. Portanto, é importante saber que os preços apresentados servem apenas como base para seu planejamento, que deve incluir com uma margem de segurança de 10% a 20%.
Informações Básicas
Visto | Brasileiros precisam de visto para entrar em Cuba. Veja como obter o visto no aeroporto.
Documentos | É preciso apresentar o passaporte dentro do prazo de validade. Carteira de identidade não é aceita.
Dinheiro| Cuba unificou as duas moedas que circulavam no país em janeiro de 2021. O peso cubano tem câmbio fixo: CUP 24 valem USD 1. Saiba mais: Dinheiro em Cuba.
Vacinas | A vacina contra febre amarela é obrigatória e, sem o Certificado Internacional de Vacinação, você não entra no país. Veja como solicitar o certificado.

SEGURO VIAGEM

O seguro viagem é obrigatório para entrar em Cuba. Sem ele, você pode ser impedido até mesmo de embarcar para o país.

Eu sempre indico o Seguros Promo, um site que compara os preços de várias seguradoras e nos mostra os melhores valores para cada cobertura.

No caso de Cuba, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem.

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O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

Você já imaginou quanto custa um tratamento médico para esses casos em Cuba? Dependendo da gravidade, o atendimento pode custar milhares de dólares, podendo gerar sérias dificuldades financeiras para você e seus familiares para o resto da vida.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Veja mais dicas de Cuba

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver mais dicas de Cuba.

SOBRE O AUTOR

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

4 Comentários

  1. Vejam Cuba e o Cameraman e aí não precisaram de relatos, distorcidos de turistas, de como vivem naquele país. Ganhou Emmy de melhor documentário e é sobre Cuba do início da revolução até dias atuais. O relatos daqueles que visitam uma das nação mais pobre do globo é importante para quem vai visitar mas não para quem quer saber como é a vida de lá.

    • Oi, Dunhas.
      Eu vi o documentário, assim como outros filmes cubanos. Eu não sei o que você quis dizer sobre relatos distorcidos, mas tudo bem.

      Me responde uma pergunta? Você já esteve em Cuba quantas vezes? Pergunto isso por que vi pessoas pedindo sabonete na rua, vi que o governo constrói bairros longe das áreas doa resorts para que turistas e moradores não interajam. E tb vi que faltava gasolina nos postos, leite nos mercados, e ovos, que são vendidos no “açougue”.

      Por fim eu tb vi de perto que não há eleições diretas em Cuba, que a Justiça não é independente e que a imprensa não é livre.

      Sem qualquer desses três, é inegável que a Revolução se transformou em uma ditadura.

      É isso. Boa sorte!

  2. Aluisio Barbosa Jr on

    Seria interessante se nos contasse o lado miserável de Cuba, se é que ele existe mesmo, como tal existe até mesmo nos EUA e Japão, com moradores de rua sem acesso ao básico para sobrevivência. O lado político já é bastante explorado e conhecido, porém, muitas vezes nos chega distorcido da realidade.
    Abração

    • Oi, Aluisio.
      No tempo que estive em Cuba não vi moradores de rua, pessoas totalmente abandonadas e “na miséria”, como você sugere.
      Há sim, muita pobreza, pessoas vivendo com o mínimo possível. Isso eu vi especialmente em Havana, já que nas cidades de praia as coisas são mais “organizadas”.
      O lado político existe e tem impacto na viagem desde o momento que a gente coloca os pés na ilha.
      Uma viagem a Cuba muda completamente a nossa cabeça sobre tudo o que pensamos sobre a ilha.
      Mesmo que tentasse explicar, não conseguiria. Só vivendo mesmo!
      Um abraço.

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