A vida em Cuba: veja como o contexto político do país afeta sua viagem

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Atualizado em 7 de julho de 2022

A vida em Cuba

Entender a vida em Cuba não será tão fácil quanto você imagina. O país, que viveu sob o domínio espanhol durante séculos, foi um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo.

Em sua maioria, o trabalho era desenvolvido por negros escravizados, que chegavam sem parar aos portos do país. Só para você ter uma ideia, em 1840, já existiam mais de 400 mil africanos em Cuba. Isso mudou, para sempre, as características do país.

Os conflitos envolvendo Cuba e Estados Unidos não são recentes. O açúcar cubano era tão valorizado que os norte-americanos tentaram, por duas vezes, comprar a ilha da Espanha.

Mais tarde, depois da Guerra pela Independência, que começou em 1868 e durou dez anos, começaram as manifestações cubanas para que a ilha fosse anexada aos Estados Unidos.

Entretanto, José Martí, o líder da independência, depois de viver por 15 anos em Nova Iorque, estava convicto de que essa não seria a melhor saída para Cuba. Então, com outros companheiros, iniciou os embates que resultaram na libertação do país em 20 de maio de 1902.

Antes, os Estados Unidos já haviam tentado comprar a ilha pela terceira vez. Foi depois que uma de suas embarcações explodiu “misteriosamente” no porto de Havana.

Novas regras

Em 1900, quando era governada por um interventor norte-americano, como previa o tratado de Paris, assinado por Estados Unidos e Espanha, Cuba escreveu sua primeira constituição. Na verdade, não foi bem assim. Naquela época, as tropas americanas ocupavam várias cidades cubanas e a vida em Cuba ficou bem pior.

Isso significa que o governo estadunidense tinha grande influência sobre a ilha. Foi assim que eles incluíram na Carta Magna uma cláusula que garantia aos Estados Unidos o direito de intervir militarmente em Cuba.

A vida em Cuba

Sem muita escolha, Cuba aceitou as novas regras. Logo depois, em 1903, os Estados Unidos tomaram a base naval de Guantánamo. Onde, ainda hoje, mantém uma cadeia para presos acusados de terrorismo.

Desde sua abertura, já passaram pela polêmica prisão de Guantánamo mais de 750 prisioneiros. Esses, sem acusação formal, sem processo constituído e, portanto, sem direito de defesa e julgamento.

Corrupção e revolução

Depois que se tornou independente, Cuba passou a ser governada por uma série de presidentes envolvidos em casos de corrupção. Com uma ou outra exceção, todos esses governos foram muito prejudiciais para o país. Com isso, aos poucos, começou a crescer em sua população o desejo por mudança.

Depois do golpe de estado aplicado por Fulgêncio Batista, em 1933, esse sentimento foi mais fortemente ancorado no Movimento 26 de Julho, liderado por Fidel Castro. Derrotados em sua primeira investida, o grupo paramilitar persistiu pelo interior do país.

Nessa época, o médico argentino Ernesto Guevara, que ficou mais conhecido como Che Guevara, se uniu ao grupo que tinha, ainda, Raúl Castro, irmão de Fidel e ex-presidente cubano.

Depois de muitos conflitos contra o exército de Batista, a revolução triunfou em 1º de janeiro de 1959, com a tomada de Santiago de Cuba e de Havana, no dia seguinte. Isso mudou a vida em Cuba para sempre.

Governo revolucionário

Em seus primeiros anos no poder, Fidel Castro sancionou leis reduzindo o valor dos alugueis, da eletricidade e de outros serviços básicos. Aboliu a discriminação racial e estatizou grandes propriedades rurais que, em sua maioria, pertenciam a empresas americanas.

As principais áreas de investimento eram a saúde e a educação, que, ainda hoje, são modelo para o resto do mundo: Cuba tem uma das melhores taxas de alfabetização do planeta e o serviço de saúde é universalidade e de qualidade – embora os salários dos profissionais sejam baixos.

O desemprego é baixíssimo, mas se sobrevive com pouco e produtos essenciais para uma vida digna, como papel higiênico e sabonete, são racionados. Muitos profissionais, inclusive, precisam fazer uma segunda jornada para garantir uma renda extra.

A vida em Cuba

Mesmo sendo claramente esquerdista, Fidel Castro nunca foi comunista. A opção pelo regime dos soviéticos só foi feita bem depois dele chegar ao poder e, para muitos, foi resultado da falta de opção: com os Estados Unidos apontando para medidas contrárias ao país, Fidel acabou se aproximando da ex-União Soviética que, naquela época, travava uma guerra ideológica com o mundo capitalista.

Como contrapartida, Cuba recebeu investimentos e apoio militar dos soviéticos. Por outro lado, em janeiro de 1961, os Estados Unidos cortaram relações diplomáticas com a ilha e passaram a proibir viagens de americanos a Cuba.

Depois de uma nova e frustrada tentativa de tomar a ilha, o governo americano declarou embargo total ao país de Fidel. Era o começo do isolamento que só deu sinais reais de enfraquecimento com o presidente Barak Obama, décadas mais tarde.

Racionamento e crise

Há mais de meio século, Cuba é governada pelo Partido Comunista, liderado por Raúl e Fidel Castro sob um sistema rígido que impede, na prática, a eleição de candidatos opositores.

O governo de Fidel Castro foi marcado por questões polêmicas e de agressão aos direitos humanos. Entre elas, práticas contrárias à liberdade de expressão e a perseguição de homossexuais. Fato, último, reconhecido pelo ditador em entrevista à imprensa internacional.

Símbolo do racionamento de alimentos no país, a caderneta que dá acesso a toda população a itens básicos, como pão, leite, ovos e até cigarro, ainda gera polêmica até dentro do próprio governo: gasta-se muito com o programa e ele ainda é insuficiente. Entretanto, extinguir a livreta de uma hora para a outra ainda é impossível, visto que muitos dependem dessa fonte de alimentos.

Muitos cubanos, que foram afetados diretamente pelo novo modelo governamental, deixaram o país. Entre 1959 e 1970, mais de 500 mil fugiram de Cuba. Era um sinal de que algo estranho acontecia nesta ilha caribenha.

Com o passar dos anos, longe do mercado americano e com a crise no mundo socialista, Cuba se viu isolada e distante da globalização. Afetada por racionamentos e blecautes programados, os cubanos começaram a experimentar o revés no jogo.

Uma nova onda de imigrantes deixou o país. Cenas de embarcações improvisadas cruzando o Estreito da Flórida rumo às terras americanas correram o mundo e muitos morrem no caminho.

 A vida em Cuba hoje

Nos últimos anos, principalmente depois que Fidel Castro decidiu não mais se candidatar à presidência, o país tem experimentado certa evolução em sua política externa e a vida em Cuba teve melhoras significativas.

Durante o governo de Barack Obama, os Estados Unidos decidiram restabelecer o diálogo com o país reabrindo sua embaixada em Havana, mas as sanções do embargo econômico permaneceram.

Infelizmente, as negociações não avançaram depois da eleição do magnata Donald Trump para a Casa Branca. Depois da eleição de Joe Biden, tudo ainda permanece suspenso.

Em janeiro de 2021, Cuba unificou as moedas oficiais. Até a data, o peso cubano era usado pelos cubanos e o peso convertível, que tinha a mesma cotação que o euro, era exclusiva dos turistas.

A vida em Cuba

Outras reformas foram anunciadas depois da eleição de Miguel Díaz-Canel. Ele é o primeiro presidente que nasceu depois da Revolução – que aconteceu em 1959 – e que não faz parte da família Castro.

Ainda hoje, a vida em Cuba se desenvolve a passos lentos. Os salários são insuficientes, produtos necessários para a vida cotidiana são controlados, a maioria das instituições é comandada pelo governo e a corrupção continua sendo varrida para debaixo do tapete.

Não há eleições diretas para presidente e a imprensa continua sendo censurada.

NOTA
Depois que Cuba unificou a moeda, produtos e serviços têm tido aumentos consideráveis. Portanto, é importante saber que os preços informados servem apenas como base para seu planejamento, que deve incluir com uma margem de segurança de 10% a 20%.
Informações Básicas
Visto | Brasileiros precisam de visto para entrar em Cuba, mas é possível obter o visto no aeroporto.
Documentos | É preciso apresentar o passaporte com validade mínima de seis meses.
Dinheiro| Cuba unificou as duas moedas do país em janeiro de 2021. O peso cubano tem câmbio fixo: CUP 24 valem USD 1. Saiba como trocar e como usar o seu dinheiro em Cuba.
Vacinas | A vacina contra febre amarela é obrigatória e sem o certificado você não entra no país. Veja como solicitar o Certificado Internacional pela internet.
Seguro Viagem| O seguro viagem com cobertura para covid-19 é obrigatório. Veja quanto custa o seguro viagem.
Covid-19 | Todas as vacinas contra covid-19 são aceitas, mas a vacinação não é obrigatória. Veja as regras abaixo.

INFORMAÇÕES SOBRE COVID-19

Desde o dia 6 de abril de 2022, Cuba flexibilizou as medidas para o controle de entrada e saída de viajantes estrangeiros. Com isso, não é necessário apresentar certificado de vacinação ou testes negativos para covid-19, independente se você estiver vacinado ou não.

Atualmente, estas são as regras para entrar no país:

  1. Seguro viagem com cobertura para covid-19, exigido de todos os viajantes – faça uma cotação do seguro viagem;
  2. Testes de antígeno (teste rápido) podem ser realizados de forma aleatória e, caso o resultado dê positivo, as autoridades podem sugerir medidas cabíveis, como a quarentena;
  3. Enviar o Formulário de Saúde preenchido até 48 horas antes da chegada ao país;
  4. Certificado de vacinação contra febre amarela (CIVP) – veja como solicitar o CIVP pela internet.

Você pode acompanhar atualizações sobre o controle sanitário no Cuba Travel divulgado pelo governo cubano.

RETORNO AO BRASIL

Viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo ou RT-PCR, coletado até das 72 horas antes do embarque.

SEGURO VIAGEM

 O seguro viagem para Cuba é obrigatório.  Sem ele, você poderá ser impedido de entrar no país.

É que mesmo tendo um serviço de saúde pública considerado referência, os hospitais e clínicas de Cuba só atendem gratuitamente quem moram no país – até os cubanos que vivem no exterior precisam de um seguro viagem.

Esta regra é antiga, foi implementada em maio de 2010, como mostra este comunicado, e a estatal responsável pelo controle e oferecimento dos serviços é a Assistur.

Não é qualquer empresa que pode vender seguro viagem para Cuba. É que o governo controla os serviços e tem uma lista com as operadoras aprovadas. Eu sempre oriento comprar com a Seguros Promo, empresa com quem comprei e, por isso, indico.

→ Faça uma cotação do seguro viagem

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

INTERNET EM CUBA

Num país onde a imprensa é controlada com mão de ferro pelo governo, o acesso à rede mundial de computadores ainda é precário e está longe de satisfazer nossos desejos de conectividade. Na prática, a internet em Cuba é restrita a poucos pontos onde você pode se conectar. E já adianto: será preciso pagar por isso.

É que, em Cuba, não existe internet de graça, como encontramos em hotéis, restaurantes, cafés e até praças públicas ao redor do mundo. Então, mesmo que exista a rede wi-fi, você precisará pagar pelo cartão que dá acesso à internet.

Os cartões são vendidos nos comércios locais e nas lojas da ETECSA, a empresa estatal de comunicação, e custam entre CUP 12,50 e 125, mas pode ser que você encontre variações nos preços quando comprar os cartões na rua.

Eu vi gente cobrando o equivalente a CUP 70 pelo cartão de uma hora. Há também quem negocie o acesso no mercado paralelo. Nessa modalidade, o cartão de uma hora sai por mais ou menos CUP 25.

velocidade da internet em Cuba não é lá grandes coisas. O grande problema é que, como são poucos, os pontos de internet sem fio vivem cheios. E, como sabemos, o sinal nem sempre fica bom quando há muitas pessoas conectadas a uma mesma rede.

De forma geral, não percebi restrições às redes sociais. O Whatsapp funciona bem, apesar de ser um pouco difícil de enviar e receber arquivos por causa da velocidade da conexão. Instagram e Facebook também demoram um pouco para carregar.

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver mais dicas de Cuba.

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