Safári no sul da África: roteiro de seis incríveis dias de aventura em acampamento

Atualizado em 25 de outubro de 2022 – 6 min de leitura

Safári no sul da África

Fazer um safári no sul da África a bordo de veículos especialmente equipados para esse tipo de viagem – os trucks – é cada vez mais comum.

Quem busca uma jornada com certa dose de aventura e não liga para o conforto de um quarto de hotel vai experimentar bons momentos.

É verdade que nem tudo será tão fácil ou tão prazeroso: posso dizer que montar e desmontar sua barraca será um dos momentos mais chatos da viagem. Nesse caso, a experiência é o que conta.

Neste artigo, eu vou explicar sobre:

Safári no sul da África

O meu safari no sul da África começou em Joanesburgo, na África do Sul, e terminou em Livingstone, na Zâmbia. Nesse meio, passai por todo o leste de Botsuana.

O roteiro foi desenhado para que eu aproveitasse um safári no Kruger National Park, a maior área de conservação ambiental da África do Sul.

Além do Chobe National Park, o primeiro parque criado em Botsuana e o terceiro maior do país, e a gigantesca Victoria Falls, cataratas que ficam na divisa entre a Zâmbia e o Zimbábue.

No ônibus que viajei estavam dezoito viajantes: brasileiros, alemães, ingleses, canadenses, australianos e um polonês.

Todos fomos conduzidos por Robinson, um esperto guia que tem larga experiência em viagens pelo sul do continente africano.

Quem dirigiu a maior parte do tempo foi Captain D, como é chamado carinhosamente. O nosso motorista sul-africano tem habilidades em diversas línguas – entre elas, a portuguesa. Apaixonado por gastronomia, foi ele quem alimentou o grupo durante os seis dias de viagem.

Dia 1 – De Joanesburgo ao Kruger National Park

Deixamos Joanesburgo com 1h30 de atraso. Na noite anterior, o truck teve uma pane mecânica e foi preciso consertá-lo antes da partida.

Por sorte, o trânsito de saída de Joanesburgo estava tranquilo e a viagem rendeu. Depois de quase 350 quilômetros, paramos para almoçar em Nelspruit, onde também foi feita a primeira parada para abastecimento.

Safári no sul da África

Compramos comida, água e artigos essenciais para os longos seis dias em reservas ambientais, longe da grande civilização.

De volta à estrada, tocamos direto até chegar ao nosso primeiro acampamento por volta das 16h.

Nkwathle Bush Camp era bem legal e tinh uma boa infraestrutura.

Os atrativos são uma pequena cachoeira, uma lagoa onde termina uma tirolesa e um simples bar. Até tem internet, mas é cobrada por minuto de acesso.

O acampamento foi a minha casa por duas noites.

Safári no sul da África

No jantar do primeiro dia, eles organizam uma apresentação especial, com músicas, danças e comidas típicas. Esse momento serviu também como um quebra-gelo.

Eu aproveitei para conhecer melhor os outros aventureiros que que me acompanhariam no safári no sul da África.

Dia 2 – Safári no Kruger National Park

O dia começou cedo para aproveitarmos o safári no Kruger National Park. Este é considerado a melhor experiência de vida selvagem da África do Sul.

O passeio dentro do Kruger é chamado de game e, desta vez, o nosso truck fica para trás.

O carro que nos levou para esta aventura era uma caminhonete com a carroceria aberta, protegida no teto e nas laterais.

Deixamos o acampamento às 5h20, e não demora meia hora até chegarmos ao portão e eu já expliquei como é o safári no Kruger National Park.

Dia 3 – Cruzando a fronteira com Botsuana

Depois de desmontar a barraca, tomar café e colocar todos os equipamentos no truck, a viagem seguiu em direção à fronteira com Botsuana – mas nem tudo saiu como previsto e fomos obrigados a fazer uma parada de emergência.

Safári no sul da África

Eu já expliquei com foi cruzar a fronteira com Botsuana, mas, para você não ficar curioso, eu adianto que tudo deu certo e, no fim da tarde, a gente já estava em Botsuana.

Brasileiros não precisam de visto para entrar no país, portanto o processo foi rápido e sem muita burocracia.

Frutas, verduras e carnes cruas podem ser retidas na alfândega e, por isso, fomos orientados a esconder nossas guloseimas até pisarmos no país vizinho.

Safári no sul da África

Para falar a verdade, esconder os alimentos é apenas uma medida preventiva, pois eles não revistaram nada. Nem chegaram perto do nosso carro!

Dia 4 – Uma noite entre elefantes e outros animais

Minha aventura de fazer um safári no sul da África continuou cortando as belas paisagens de Botsuana.

Diferentemente de outros países desta região, os parques nacionais do país não têm cercas e, portanto, os animais podem trafegar livremente. Também é comum vê-los atravessando rodovias e estradas.

Foi justamente essa peculiaridade de Botsuana que me permitiu viver uma das aventuras mais amedrontadoras da viagem: dormir em uma barraca no meio de uma reserva ambiental onde vive solto o maior grupo de elefantes de todo o continente.

Sem falar, é claro, nos outros predadores, como leopardos e leões que também circulavam naquela terra.

O Elephant Sands, que fica dentro do Chobe National Park, é muito legal, e uma estrutura bem bacana estava a meu dispor – tinha até piscina.

Além da cerca – ou da falta dela –, eu achei um pouco diferente o fato de toda a água do acampamento ser salobra. Nos chuveiros, nas pias e até na piscina tudo tinha um gosto salgadinho.

Dia 5 – O Chobe National Park

O Rio Chobe nasce nas montanhas angolanas e divide o território de Botsuana com a Namíbia. Em uma de suas margens que começa o passeio de barco pelo Chobe National Park, que é, provavelmente, a melhor opção para contemplar os gigantes elefantes africanos em seu habitat natural.

Safári no sul da África

O parque tem a maior concentração desses animais em todo o continente: são mais de 120 mil vivendo nos 11.700 quilômetros quadrados de área preservada.

Mas não são apenas os elefantes que reinam no destino mais visitado de Botsuana. Durante o passeio, vi famílias inteiras de hipopótamos nas margens do rio.

Safári no sul da África

No parque ainda vivem milhares de outros animais, como crocodilos, leões e muitos tipos de aves. Eu também já explqiuei como é o safári no Chobe National Park.

Dia 6 – Victoria Falls e safári com elefantes

Depois de cruzar a fronteira com a Zâmbia, atravessando o Rio Zambezi, era hora de ver uma das mais espetaculares cataratas do mundo: Victoria Falls.

Elas podem ser apreciadas a partir de Livingstone, na Zâmbia, ou da pequena cidade também chamada Victoria Falls, no Zimbábue.

Safári no sul da África

Victoria Falls têm 1,7 quilômetro de comprimento e 128 metros de altura. Com tanta beleza, as cataratas foram reconhecidas como Patrimônio da Humanidade.

Quem visita as Victoria Falls fica completamente molhado – eu já contei em detalhes como é visitar as Victoria Falls.

No último dia dessa minha aventura de viajar pelo sul da África, eu ainda experimentei algo muito inusitado: fazer um safári montando um elefante – algo que eu não repetiria hoje em dia.

Safári no sul da África

Neste passeio eu não apenas observei os animais, mas aprendi também um pouco mais sobre suas espécies. Eu também tive a oportunidade de tocá-los, alimentá-los e de andar por cerca de uma hora e meia nas costas de um deles.

O meu companheiro de aventura foi o Dunny, um macho dominante com cerca de 40 anos e quase quatro metros de altura.

O passeio na savana africana reserva surpresas: outros animais podem ser encontrados pelo caminho e, por isso, os guias instruem o que fazer e o que não fazer de acordo com a reação dos elefantes.

Safári no sul da África

Para saber os detalhes, veja como é safári com elefantes na Zâmbia.

Como viajar pelo sul da África

Quem leva

Para viajar pelo sul da África, eu contratei os serviços da Acacia Africa, empresa especializada em viagens por essa região. Eles oferecem vários roteiros, e aqui você encontra todas as opções e preços.

Quando ir

Uma boa época para viajar pelo sul da África é entre junho e agosto, pois quase não chove.

Com a vegetação menos exuberante e com a água mais escassa, fica mais fácil ver os animais, já que eles se aglomeram próximos a rios e lagos.

Nessa época faz frio – especialmente pela manhã e à noite –, com os termômetros chegando quase a zero.

Portanto, é imprescindível estar bem agasalhado. No verão, entre dezembro e fevereiro, a alta temperatura faz com que seja mais fácil observar os filhotes que nasceram na primavera.

O que levar

Fazer em safári no sul da África pode ser cansativo e, até mesmo, um pouco corrido, mas sem dúvida é uma forma bem econômica de conhecer os principais lugares deste lado africano.

Estar bem equipado é simplesmente essencial para sua viagem não ter imprevistos desagradáveis – claro que eles podem acontecer, mas a ideia é tentar se prevenir.

Portanto, além dos itens usuais para qualquer viagem, eu sugiro que você leve também o seguinte:

  • Protetor solar;
  • Repelente;
  • Lanterna;
  • Cadeado;
  • Saco de dormir;
  • Roupas leves (camisetas e bermudas);
  • Relógio com despertador;
  • Máquina fotográfica (com bateria e cartão de memória extras);
  • Alimentos de fácil consumo (frutas com casca, biscoitos, amêndoas etc.);
  • E água, muita água.

Informações Básicas

Visto

Brasileiros não precisam de visto para entrar no país e o prazo máximo de permanência é de 90 dias.

Documentos

É exigido passaporte com validade de pelo menos seis meses da data de chegada e 30 dias da data de saída.

Dinheiro

O rand (ZAR) é a moeda local. Para sua viagem, leve dólares ou euros e troque nas casas de câmbio.

Vacinas

A vacinação contra febre amarela é obrigatória. Veja como emitir o Certificado Internacional de Vacinação.

Informações sobre covid-19

Todos os viajantes internacionais que chegam à África do Sul devem observar as seguintes instruções:

  1. Estar vacinados contra a covid-19 e apresentar um certificado de vacinação válido veja como emitir o comprovante nacional e internacional; ou
  2. Apresentar um certificado válido de teste RT-PCR negativo, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde, que tenha sido obtido até 72 horas antes da data de partida; ou
  3. Apresentar um certificado válido de um teste de antígeno (teste rápido) negativo realizado por um médico, autoridade de saúde pública registrada ou laboratório credenciado e que tenha sido obtido até 48 horas antes da data de partida; ou
  4. Apresentar um certificado válido de um teste RT-PCR positivo, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, para uma data de teste inferior a 90 dias antes da data de chegada e mais de dez dias antes da data de chegada, juntamente com uma carta assinada de um profissional de saúde, registrado no país de origem, declarando que a pessoa se recuperou totalmente da covid-19, não apresenta novos sintomas e está apta a viajar.

Se o viajante não cumprir a regulamentação, ele poderá ser submetido a teste de antígeno (teste rápido) no momento da chegada. Mesmo que o viajante teste positivo, ele será admitido no país, mas, se estiver apresentando sintomas, deverá fazer quarentena obrigatória de dez dias após a chegada.

Essas regras não se aplicam a crianças e adolescentes menores de 12 anos.

O governo sul-africano passou a reconhecer todas as provas de vacinação verificáveis ​​com QR-Code, em papel ou eletrônicos, em 27 de maio de 2022.

Os detalhes no certificado devem corresponder às informações do viajante conforme aparecem no passaporte.

Seguro viagem

Nem todos os países têm um sistema de saúde público e gratuito. Na verdade, na maioria deles, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem –, mesmo que ele não seja obrigatório.

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

→ Faça uma cotação do seguro viagem

Você já imaginou quanto custa um tratamento médico para esses casos em outros países? Dependendo da gravidade, o atendimento pode custar milhares de dólares, podendo gerar sérias dificuldades financeiras para você e seus familiares para o resto da vida.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

Veja mais dicas da África do Sul

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da África do Sul.

Sobre o Autor

<a href="https://www.penaestrada.blog.br/author/altier/" target="_self">Altier Moulin</a>

Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

comentários

15 Comentários

  1. Vera Corrêa

    Oi Altier. Legal o seu relato. Estou pesquisando um overland para a África, a partir de abril de 2019, e seu post foi muito útil. Estou vendo justamente com a Acacia. Obrigada pelas dicas. Abraços. Vera Corrêa.

    Responder
    • Altier Moulin

      Obrigado, Vera.
      Eu gostei muito do trabalho deles.
      Os guias eram ótimos e a experiência foi inesquecível.

      Um abraço.

      Responder
  2. Ana Moura

    Ola Altier! Amei seu blog… estou indo em abril/2017 e fiquei com muita vontade de me aventurar em 7 dias como você.

    Entrei no site, mas fiquei um pouco perdida. Você sabe exatamente o nome do pacote que você fechou? Ou você montou? Em fim, se puder me ajudar, vou ficar feliz 🙂

    Responder
      • Ana Moura

        Então, eu mandei um e-mail (para Acacia) passando exatamente o percurso que você fez e eles me responderam com o valor de $1.100. Entrei no site que você enviou agora e percebi que parece uma empresa mais estruturada, certo? Você pode me falar qual você acha melhor? Desculpa tantas perguntas :)… E agradeço a sua atenção.

        Responder
        • Altier Moulin

          Ana,

          Na verdade, a Acacia Africa opera os passeios da TopDeck nessa região do continente africano. É tudo a mesma coisa. 😉

          Um abraço.

          Responder
        • Alex Freire

          OI Ana tudo bem?
          Eu sou um guia de lingua portuguesa com seda na Africa do Sul.
          Esse tipo de “Tour”a gente chama de “Overlanding” e tem inumeras companhias que fazem todo o tipo de roteiro.
          Nao hesite em me contatar se precisar de ajuda.
          Abracos
          Alex

          Responder
  3. RAFAEL FELIPE SANTOS

    Altier, parabéns pelo site, muito bem escrito, organizado e com belas imagens. Se aceita uma crítica/sugestão….senti falta de valores em dólar ou real para que os leitores tenham uma ideia do “custo da experiência. Mas parabéns! Abs

    Responder
    • RAFAEL FELIPE SANTOS

      Acabei de achar os valores!!! VALEU

      Responder
      • Altier Moulin

        Eu iria lhe responder exatamente isso. 😉

        Abraço!

        Responder
    • Altier Moulin

      Eles estão descritos no item Quem leva, já no final do post.

      Um abraço.

      Responder
  4. Jota Pê

    que aventura, véi… ah eu numa dessa!!!!!
    Tudo de bom!!!!!

    Responder
    • Altier Moulin

      Vamos na próxima, Jota Pê.

      Responder
  5. Guilherme - Viajando com Eles

    Fala Altier,

    Fiz safaris no Kruger e Serengueti, mas fiquei com muita vontade de entrar numa trip como essa depois de conhecer uma galera que havia feito.

    Vou acompanhar por aqui.

    Parabéns pelo blog…tá show!!!

    Grande abraço

    Responder
    • Altier Moulin

      Pow Guilherme, é maneiro mesmo. Experiência bacana e com gente animada é melhor, né não?! Vamos nos falando…

      Abraço!

      Responder

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