Cruzando a fronteira com Botsuana

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Atualizado em 29 de agosto de 2017

Depois de desmontar a barraca, tomar café e colocar todos os equipamentos no truck, é hora seguir viagem em direção à fronteira com Botsuana. Mas, como nem tudo sai como planejamos, depois de meia-hora de estrada, nosso ônibus-caminhão para por causa de um problema mecânico. Sem nem uma grande árvore para nos acalentar na beira da estrada, o jeito é tentar manter o clima compartilhando histórias com os outros viajantes. Mas ainda bem que o problema foi logo resolvido e, então, voltamos à nossa rota.

Uma parada estratégica em São Petersburgo serve para a gente renovar o estoque para os próximos dias e, logo depois, paramos para almoçar. Debaixo de um frondoso Boabá, Robinson, o guia da expedição, prepara o almoço. Este dia será praticamente de deslocamento e, portanto, passaremos a maior parte do tempo dentro do truck.

Cruzo a fronteira com Botsuana já no final da tarde. Brasileiros não precisam de visto para entrar no país, por isso o processo é rápido e sem muita burocracia. Frutas, verduras e carnes cruas podem retidas na alfândega. Então, todos temos que esconder nossas guloseimas até pisarmos o novo país. Na verdade, esconder esses alimentos é apenas uma medida preventiva, pois eles não revistam o carro nem chegam perto.

Cruzando a fronteira com Botsuana

Nosso truck quebrado e Captain D resolvendo o problema.

Cruzando a fronteira com Botsuana

Aguardando o almoço à sombra do Boabá.

Cruzando a fronteira com Botsuana

Robinson preparando o nosso almoço.

Ao contrário de outros países africanos, Botsuana não foi completamente explorado pelos colonizadores britânicos, mas protegido pela Inglaterra com o mínimo de interferência na cultura e no estilo de vida dos primeiros habitantes. Em 1966, o país se tornou independente e, naquela época, era um dos mais pobres do mundo. Foi quando se descobriu aqui a primeira jazida de diamante.

O diamante de Botsuana tem alto valor no mercado internacional por duas razões: sua elevada qualidade e o modo de extração, que não agride severamente o meio ambiente nem sustenta a guerra civil, como acontece em Serra Leoa. Hoje, Botsuana é um dos países que mais crescem no continente africano.

Ambientalmente preservado, Botsuana tem a maior concentração de elefantes africanos do mundo. Por isso, é comum ver esses animais nas margens das rodovias. O país possui, na verdade, uma grande quantidade de animais selvagens, além de uma boa infraestrutura nos parques nacionais, o que proporciona o desenvolvimento da atividade turística. Um fato curioso aqui é que essas áreas ambientais não são cercadas, ou seja, os animais pode andar livremente por todo o território do país.

Uma forte estratégia das autoridades de Botsuana é incentivar o turismo sustentável, justamente para não atrair um número maior de turistas do que suas áreas protegidas podem suportar. Talvez seja por isso que países como Quênia, Tanzânia e África do Sul sejam os mais escolhidos por turistas brasileiros, enquanto Botsuana se mantém como um segredo relativamente bem escondido da África.

Cruzando a fronteira com Botsuana

Pausa para a foto que registra um momento muito especial da viagem.

Cruzando a fronteira com Botsuana

Em Botsuana, elefantes são comuns às margens da estrada.

Seguimos mais um pouco até o nosso acampamento. O Kwa no Keng é bem equipado, mas a energia elétrica só é ligada depois das 18h, assim como no Nkwathle Bush Camp, no Kruger National Park, na África do Sul.

Na manhã seguinte, tenho que repetir todo aquele ritual de desmontar a barraca e colocar tudo no caminhão para seguir viagem. A nossa próxima parada para compras é em Francistown, a três horas de viagem. Todos parecemos cansados. O sol nos castiga, mas nem por isso estamos menos empolgados.

Prepare-se para cruzar a fronteira com Botsuana

Visto | Brasileiros não precisam de visto para cruzar a fronteira com Botsuana e podem ficar no país por até 90 dias. A apresentação do Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela é obrigatória. O governo brasileiro recomenda ainda que você seja vacinado contra hepatite A, febre tifoide e tétano.

Como chegar | A principal porta de entrada do país é Gaborone, a capital. Outra cidade muito visitada é Kasane, por causa do Chobe National Park. É importante saber que, para visitar as áreas mais remotas, é preciso estar acompanhado de um guia especializado. O transporte público é precário e feito basicamente por vans e táxis.

Quando ir | Uma boa época para visitar Botsuana é entre junho e agosto, pois quase não chove. No verão, entre dezembro e fevereiro, faz muito calor. Nos parques nacionais, é nessa estação que se observa com mais facilidade os filhotes que nasceram na primavera.

Quem leva | Eu contratei os serviços da Acacia Africa, empresa especializada em passeios por esta parte do continente, e paguei USD 880 por seis dias de viagem, incluindo guia, transporte, hospedagem e alimentação. Eles oferecem vários roteiros e aqui você encontra todas as opções e preços. Se quiser saber mais detalhes do meu roteiro, leia este post.

Saúde e segurança | Na região norte de Botsuana, é mais comum a ocorrência de malária. Veja como se proteger aqui. O país é considerado relativamente seguro e tem baixos índices de criminalidade. Entretanto, à noite, é bom manter os cuidados habituais, já que não há um policiamento ostensivo. Evite andar com o seu passaporte e outros itens de valor.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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