Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

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Atualizado em 27 de fevereiro de 2018

Soweto nasceu para unir todos os bairros negros de Joanesburgo, na África do Sul, numa época em que o severo regime do apartheid restringia o acesso de não brancos para além de seus limites. Anos mais tarde, esse território onde vivia um aglomerado de gente unida pela cor da pele se tornou uma cidade independente, mas a história de resistência contra a discriminação racial não ficou no passado. Ainda hoje se respira a memória daquele tempo de segregação, e isso pode ser visto quando decidimos conhecer Soweto caminhando por suas ruas.

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Regime de segregação racial que vigorou na África do Sul de 1948 a 1994, o apartheid suspendia os direitos da maioria da população negra e priorizava a minoria branca. Esse processo começou ainda no período colonial, mas virou política de Estado depois das eleições de 1948. De forma clara, a nova legislação separava brancos, negros, pardos e indianos, e atribuía privilégios e obrigações a cada um desses grupos. Saúde, educação e outros serviços públicos eram limitados a alguns deles, e até o direito à cidadania foi suspenso dos negros, por exemplo.

Depois de uma grande mobilização nacional com repercussão internacional, o apartheid começou a se enfraquecer. Inúmeros conflitos, protestos e mortos nos embates chamaram a atenção da mídia e das autoridades mundo afora. Em 1990, o então presidente cedeu à pressão e começou a negociar com Nelson Mandela para a transição do regime. Em 1994, foram realizadas eleições multirraciais democráticas, e Mandela foi eleito presidente do país, dando fim ao longo período de segregação racial na África do Sul. 

Logo na chegada, você vai perceber que há algo diferente no ar. Muito semelhantes, as casas construídas pelo governo tentam amenizar as privações sofridas pelos moradores de Soweto nas quatro décadas de império branco. Porém, é nesse mesmo ambiente que encontramos as suas peculiaridades.

Um exemplo é a Rua Vilakazi, a única do mundo onde dois ganhadores do Prêmio Nobel moraram. Aqui, Nelson Mandela e o arcebispo Desmond Tutu dividiram muito mais do que a mesma vizinhança. Eles compartilharam o sonho de viver em um país mais tolerante e com mais oportunidades para todos.

Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

Fachada da casa onde morou Nelson Mandela.

Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

A simplicidade de Soweto.

Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

A simpatia das crianças de Soweto, que adoram uma foto.

Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

A casa da família Mandela – Mandela House, em inglês – é, sem dúvida, o ponto mais visitado de Soweto. Reformada, hoje ela tem pouca coisa dos tempos em que o primeiro presidente negro do país aqui se abrigou. Mesmo assim, é possível entender um pouco da vida de Nelson Mandela naquele humilde casebre. Veja os detalhes em: Como é visitar a Casa de Mandela.

No centro de Soweto, está o maior templo católico da África do Sul, o Regina Mundi. Do púlpito da igreja, Tutu, em seus sermões, esforçava-se para manter acesa a chama da esperança no coração dos fieis. E foi aqui também que ele organizou encontros que promoviam a reconciliação entre negros e brancos, depois que o apartheid acabou.

Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

Fachada da casa de Nelson Mandela.

Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

Sala e cozinha da casa da Nelson Mandela.

Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

Placas e fotos nos muros contam a história da casa.

Como conhecer Soweto

Quanto custa | A visita à casa onde morou Nelson Mandela custa ZAR 60. Para visitar a Igreja Regina Mundi, é cobrada uma tarifa de ZAR 20.

Quando ir | A Casa de Mandela funciona diariamente, das 9h às 16h45. Na Igreja Regina Mundi, as visitas podem ser feitas todos os dias, exceto nos horários das missas, que acontecem nos domingos, às 7h e 9h, nas terças e sextas, às 8h, e na primeira sexta-feira de cada mês, às 18h.

Joanesburgo fica a 1.750 metros acima no nível do mar e isso influencia muito em seu clima. Nos meses de inverno, entre maio e setembro, há pouca chuva e as temperaturas caem bastante, chegando bem perto do zero. No verão, entre outubro e abril, faz calor e chove com mais frequência, sendo que de novembro a março as chuvas são bem mais frequentes. Nessa estação, os termômetros registram temperaturas próximas aos 30 graus. Julho é o mês em que menos chove, enquanto janeiro é o mais chuvoso.

Quem leva | Se preferir, você pode contratar um passeio para conhecer Soweto. Há diversas opções com saídas diárias. Consulte os preços e faça sua reserva on-line.

Como chegar | Talvez a sua tarefa mais difícil seja chegar a Soweto. O transporte público nessa região é extremamente precário e feito em vans. Não há metrôs ou trens ligando a parte central da cidade com os bairros habitados (ainda hoje) por maioria negra. Isso é uma herança do apartheid: lembra que os negros não podiam frequentar os ambientes destinados aos brancos? Sendo assim, avalie bem antes de decidir conhecer Soweto utilizando transporte público.

Alugar um carro é uma boa opção, mas também pode ser arriscado. Joanesburgo é uma das cidades mais desiguais do mundo e apresenta altíssimos índices de criminalidade. Portanto, ficar perdido nessa região pode ser perigoso.

Outra boa escolha para conhecer Soweto é contratar um passeio guiado – privado ou em grupo – para percorrer as ruas e os principais pontos de Soweto. Mas não se restrinja a ficar dentro do carro. Aproveite para interagir com os moradores, que são sempre simpáticos e nos tratam muito bem. Uma opção bastante interessante é o passeio de bicicleta por Soweto, oferecido pela Soweto Bicycle Tour.

Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

Vans: o transporte público é precário e sem segurança.

Como conhecer Soweto, o reduto de Mandela

O Soccer City também fica em Soweto.

Onde ficar | Joanesburgo é uma cidade grande, populosa e cheia de atrativos. Por isso, escolher bem onde se hospedar aqui é essencial para aproveitá-la melhor. Veja as minhas dicas de onde se hospedar na cidade.

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Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer na África do Sul por até 90 dias. Entretanto, é necessário apresentar o passaporte com validade de, pelo menos, um mês depois da data prevista para o retorno. É muito importante ter um seguro viagem enquanto estiver no país, para ser atendido em caso de incidentes. Veja como comprar o seguro viagem com descontos exclusivos.

O Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) contra a febre amarela é obrigatório. Sem ele, você pode ser impedido de entrar no país. Nessa região, há muitos insetos e, também, casos de malária. Veja como se proteger aqui.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

6 Comentários

  1. Avatar

    Fala bro,

    Fiquei somente um dia em Joanesburgo e não tive dúvidas, fui visitar Soweto. No albergue que fiquei, eles ofereciam um tour, mas acabei alugando um carro para aproveitar melhor o dia.

    Sei que dizem ser uma das cidades mais perigosas do mundo, mas sinceramente não vi nada muito diferente de São Paulo ou outras cidades do Brasil. Dirigi por grandes estradas e avenidas, ainda bem que não entrei para as estatísticas….rsrsrs

    Abração

    • Altier Moulin

      Guilherme, tive a mesma sensação durante o dia, já a noite ninguém arrisca dar bobeira, nem mesmo os locais. Então, melhor nem pensar em tentar a sorte. Abração!

  2. Avatar
    Vagnel Do Lidiomar on

    Bem legal essas fotos de Soweto e a história de Nelson Mandela. Continue postando, eu viajo com você nessas fotos lindas e ficamos bem informados. Um bom dia, esteja aonde você estiver.

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