Feira de Tarabuco: um imperdível mergulho nas tradições bolivianas

Atualizado em 10 de outubro de 2022 – 3 min de leitura

Feira de Tarabuco

Tarabuco fica a 60 quilômetros de Sucre, a capital constitucional da Bolívia. É nesse vilarejo que acontece, todos os domingos, a Feira de Tarabuco, famosa entre turistas, mas, principalmente, entre os moradores dos povoados vizinhos.

É que a feira é a  principal fonte para se abastecer de mantimentos  como arroz, macarrão, frutas e verduras, por exemplo. Mas a Feira de Tarabuco tem ainda artesanato, roupas, sapatos, eletrônicos e quase tudo o que você imaginar.

Feira de Tarabuco

Além disso, a feira é um dos melhores lugares para você fotografar bolivianos usando vestimentas típicas. E isso não é porque eles estão esperando os turistas.

Pelo contrário, os indígenas que visitam a feira quase sempre não gostam de ser fotografados e muitos deles falam apenas poucas palavras em castelhano, já que preservam a língua de seus ancestrais, o quéchua.

É dia de feira em Tarabuco

Assim como os visitantes, os feirantes muitas vezes se aborrecem quando fotografados. Conversando com uma senhora que vende artigos para festas, descobri duas razões pelas quais eles se recusam a ser fotografados.

Feira de Tarabuco

O primeiro é que a maioria das vendedoras é mulher e, geralmente, as tendas são negócios familiares. Então, se uma mulher é flagrada tirando fotos com turistas, as outras parceiras de venda – que são sogras, cunhadas, primas – a denunciam a seu esposo que briga freneticamente.

Mi esposo es chiquito, pero muy celoso”, contou a vendedora, revelando o ciúme de seu marido. Nessa hora, desconfiei que  poderia se tratar de violência doméstica .

Feira de Tarabuco

A segunda razão pela qual essa senhora disse se recusar ser fotografada, é que elas se consideram feias e nada fotogênicas. Quando ouvi isso tive que discordar.

Tentei argumentar, mas nada adiantou. Sua timidez e vergonha me impediram de ter um registro de sua simpatia.

Na vila,  os indígenas locais se diferenciam pelo chapéu que usam.  Há dois tipos de monteras: a mais colorida, feita com tecido e abundantes miçangas, é exclusiva das mulheres. A outra, mais simples, é feita de couro de boi e é usada por homens e mulheres.

Feira de Tarabuco

Depois de olhar tudo, se decidir comprar algo, pechinche. Algumas mercadorias podem sair pela metade do preço. O pagamento deve ser feito exclusivamente em bolivianos.

Como visitar a Feira de Tarabuco

Agora que você já sabe o que vai encontrar na Feira de Tarabuco, é hora de colocar os planos em prática.

Como chegar

Para chegar à Feira de Tarabuco, você tem três opções: de táxi privativo você pagará cerca de BOB 280, para ida e volta. Nessa opção, o taxista ficará ao seu dispor todo o tempo que desejar. De excursão, será necessário desembolsar BOB 35.

A van parte por volta das 8h30 e regressa em torno das 13h30. Ao redor da Plaza 25 de Mayo, em Sucre, há agências que oferecem o passeio. Além disso, você pode se informar na recepção do seu hotel ou hostel.

A opção mais barata – e também a melhor – é ir de transporte público. As vans partem do terminal de saída para Tarabuco, que na verdade é uma praça improvisada sem qualquer estrutura (você deve tomar um táxi até aqui).

A passagem custa BOB 10, cada trecho, e a viagem dura cerca de uma hora.

Para voltar a Sucre, eu tive a sorte de encontrar um taxista que cobrou apenas BOB 10 pela viagem. Acredito que ele tinha transportado algum turista até o vilarejo e, para não voltar vazio, me fez essa proposta.

Não sei se isso é comum, mas não custa tentar a sorte perguntando aos taxistas que encontrar por lá.

Feira de Tarabuco

O Aeroporto Internacional Mariscal Sucre (UIO) fica a cerca de dez quilômetros do centro de Sucre e opera apenas voos domésticos. Para chegar aqui, é preciso tomar um táxi.

Ônibus que partem das principais cidades bolivianas chegam ao terminal rodoviário que fica a dois quilômetros do centro. Como Sucre fica na Cordilheira dos Andes, qualquer viagem para cá é longa e cansativa.

Quando ir

A  Feira de Tarabuco acontece somente aos domingos, até umas 16h.  O ideal é chegar cedinho quando as mercadorias estão fresquinhas e quando há menos turistas. Nesse horário você vai encontrar mais moradores da região fazendo compras.

Feira de TarabucoFeira de Tarabuco

Acompanhando o relevo, o clima da Bolívia muda muito de uma região para a outra. Sucre fica na região central do país e o clima é mais ameno, com temperaturas variando entre 17 e 27 graus. O período mais chuvoso é entre novembro e março, mas é nesse período, também, que os dias ficam mais ensolarados.

O que levar

Para evitar ficar com fome, leve um lanche na mochila. Ele vai lhe salvar. Não se esqueça de protetor solar e de um casaco para lhe proteger do frio. Leve moedas. Algumas pessoas pedem uns trocados para serem fotografadas.

Informações Básicas

Visto

Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até 90 dias. Esse prazo pode ser estendido por mais 90 dias.

Documentos

Você pode usar o passaporte, com validade de seis meses, ou a carteira de identidade, emitida há menos de dez anos.

Dinheiro

A moeda oficial é o boliviano, representado pela sigla BOB. Veja como usar seu dinheiro na Bolívia.

Vacinas

A vacinação contra febre amarela é obrigatória. Veja como emitir o Certificado Internacional de Vacinação.

Informações sobre covid-19

As regras para viajantes vacinados e não vacinados são um pouco diferentes. Por isso, é preciso ter atenção na documentação exigida pela imigração boliviana.

Além de todos os documentos básicos de uma viagem internacional, como passaporte ou carteira de identidade, passagem de ida e volta e comprovante de hospedagem, por exemplo, é preciso ter em mãos os seguintes comprovantes:

  1. Certificado de vacinação contra covid-19 com, pelo menos, duas doses, sendo que a última deve ter sido aplicada, no mínimo, 14 dias antes da viagem – exigido apenas de viajantes vacinados;
  2.  Resultado negativo de teste RT-PCR, feito até 72 horas antes da viagem, ou antígeno (teste rápido), feito até 48 horas antes da partida para a Bolívia – exigido apenas de viajantes não vacinados maiores de cinco anos;
  3. Formulário de Localização de Passageiros, disponível no site da Direção-geral de Aviação Civil – apenas um por família.

De forma geral, viajantes brasileiros não precisam fazer quarentena na chegada ao país, mas é importante estar preparado para que restrições que afetem viagens internacionais entrem em vigor com pouco ou nenhum aviso prévio por parte das autoridades bolivianas.

Você os detalhes das regras Resolución Multi-Ministerial 001, de 27 de abril de 2022.

Apesar de não haver restrições nacionais para covid-19, os departamentos e municípios têm a autonomia para impor restrições em nível local.

Acesse o site oficial para acompanhar os números de casos de covid-19 na Bolívia.

RETORNO AO BRASIL

Viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo, ou RT-PCR, coletado até 72 horas antes do embarque.

Seguro viagem

Apesar de não ser obrigatório,  viajar sem um seguro viagem com cobertura para covid-19 não é uma boa ideia. 

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você também terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

Se você for fazer qualquer atividade de risco – como trekking em vulcões, cruzar o Salar de Uyuni de carro ou conhecer a Amazônia boliviana, por exemplo – o seguro passa a ser essencial para sua viagem. Pode confiar em mim!

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Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

MAL DE ALTITUDE

Se você vai viajar para a Bolívia, já sabe que é importante se prevenir do mal de altitude. Também conhecido como soroche, ele é muito comum em viajantes que se aventuram por regiões próximas a 3.000 metros de altitude.

Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, enjoo, vômito, tontura, cansaço excessivo e mal-estar. Esses são os principais reflexos da dificuldade do nosso organismo em absorver o oxigênio, e, embora seja raro, em condições extremas, o mal de altitude pode levar à morte.

Isso acontece porque, à medida que a altitude aumenta e a pressão atmosférica cai, o ar fica mais rarefeito. Assim, a concentração de oxigênio diminui e o nosso corpo sente isso. Para prevenir ou diminuir seus efeitos, é bom evitar fazer movimentos rápidos e esforço físico nos primeiros dias.

Mascar folhas de coca é uma forma bastante eficaz de prevenir o mal de altitude. A forma correta de usar a folha é deixar a erva no canto da boca e sugar o sumo que ela libera quando em contato com a saliva. O uso do chá pode ser mais saboroso e nas farmácias é fácil encontrar pílula para soroche.

Veja mais dicas da Bolívia

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida é só deixar sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Bolívia.

Sobre o Autor

<a href="https://www.penaestrada.blog.br/author/altier/" target="_self">Altier Moulin</a>

Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

comentários

9 Comentários

  1. sandra /macapá-ap

    vc sabe informar se tem agencia confiável de cambio em Corumba?
    e se ir no trem da morte pra santa cru, ainda é seguro

    Responder
    • Altier Moulin

      Oi, Sandra.

      As informações que tenho sobre a viagem são as que estão no texto.
      Desculpe não pode ajudá-la de outra forma.

      Um abraço.

      Responder
  2. Geandro de Jesus Dantas

    Muy rico, amigo!

    Responder
    • Altier Moulin

      Gracias.

      Responder
  3. Ira

    Quero ir à Bolívia e Peru em novembro agora. Mas estou temerosa em viajar sozinha. Tens dicas de grupo de viagens para esses destinos? Gracias.

    Responder
    • Altier Moulin

      Oi Ira,

      Olha, não há motivos para você ter medo a ponto de desistir de viajar. Basta se organizar e ser esperta. Eu encontrei várias mulheres viajando sozinha pela Bolívia e pelo Peru.

      Um abraço.

      Responder
    • Lorena

      Ira, também irei a Bolívia sozinha em novembro !!! 😀

      Responder
  4. Eduardo

    “correr o risco de comer algo preparado na feira” Oi? Qual é o risco de comer algo preparado na feira? Claro que tem que dar uma olhada em como preparam as coisas, mas credo, que comentário mais preconceituoso, ein? Acho que se está indo visitar a feira, além de tirar foto de tudo, tem que aproveitar o que tem, não é mesmo? Se não é só uma visita superficial turística e sem muita essência.

    Responder
    • Altier Moulin

      Oi Eduardo,

      Obrigado por seu comentário. Bom, você fala de uma opinião sua e eu respeito, mas para muita gente há hábitos que podem parecer estranhos. Eu comi de tudo na Bolívia, como sempre faço em qualquer lugar do mundo. Porém, como se trata de um texto informativo, jamais poderia omitir a informação de que os produtos preparados na feira são suspeitos quanto à manipulação e higiene. Esse assunto, aliás, eu abordo com mais clareza em outros posts e talvez você não tenha lido.

      Outra questão que discordamos é quando você fala em ‘essência’. Lembre-se que numa viagem não há certo ou errado, e cada um faz ou deixa de fazer o que quiser. Deixar de comer algo na feira não necessariamente fará a minha viagem melhor ou pior do que a sua ou de outra pessoa que prefere se alimentar ali. Assim também é com quem decide sentar-se na calçada para conversar com um vendedor ou quem compra um ‘produto local’. O fato é que uma experiência não pode ser baseada em outra, já que somos seres diferentes, com histórias diferentes e gostos muito peculiares às vezes. 😉

      De qualquer forma, obrigado por destinar um tempo para ler meu texto.

      Um abraço.

      Responder

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