Feira de Tarabuco: um imperdível mergulho nas tradições bolivianas

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Atualizado em 11 de abril de 2021

Feira de Tarabuco

Tarabuco fica a 60 quilômetros de Sucre, a capital constitucional da Bolívia. É nesse vilarejo que acontece, todos os domingos, a Feira de Tarabuco, famosa entre turistas, mas, principalmente, entre os moradores dos povoados vizinhos.

É que a feira é a  principal fonte para se abastecer de mantimentos  como arroz, macarrão, frutas e verduras, por exemplo. Mas a Feira de Tarabuco tem ainda artesanato, roupas, sapatos, eletrônicos e quase tudo o que você imaginar.

Feira de Tarabuco

Além disso, a feira é um dos melhores lugares para você fotografar bolivianos usando vestimentas típicas. E isso não é porque eles estão esperando os turistas.

Pelo contrário, os indígenas que visitam a feira quase sempre não gostam de ser fotografados e muitos deles falam apenas poucas palavras em castelhano, já que preservam a língua de seus ancestrais, o quéchua.

É dia de feira em Tarabuco

Assim como os visitantes, os feirantes muitas vezes se aborrecem quando fotografados. Conversando com uma senhora que vende artigos para festas, descobri duas razões pelas quais eles se recusam a ser fotografados.

Feira de Tarabuco

O primeiro é que a maioria das vendedoras é mulher e, geralmente, as tendas são negócios familiares. Então, se uma mulher é flagrada tirando fotos com turistas, as outras parceiras de venda – que são sogras, cunhadas, primas – a denunciam a seu esposo que briga freneticamente.

Mi esposo es chiquito, pero muy celoso”, contou a vendedora, revelando o ciúme de seu marido. Nessa hora, desconfiei que  poderia se tratar de violência doméstica .

Feira de Tarabuco

A segunda razão pela qual essa senhora disse se recusar ser fotografada, é que elas se consideram feias e nada fotogênicas. Quando ouvi isso tive que discordar.

Tentei argumentar, mas nada adiantou. Sua timidez e vergonha me impediram de ter um registro de sua simpatia.

Na vila,  os indígenas locais se diferenciam pelo chapéu que usam.  Há dois tipos de monteras: a mais colorida, feita com tecido e abundantes miçangas, é exclusiva das mulheres. A outra, mais simples, é feita de couro de boi e é usada por homens e mulheres.

Feira de Tarabuco

Depois de olhar tudo, se decidir comprar algo, pechinche. Algumas mercadorias podem sair pela metade do preço. O pagamento deve ser feito exclusivamente em bolivianos.

Como visitar a Feira de Tarabuco

Agora que você já sabe o que vai encontrar na Feira de Tarabuco, é hora de colocar os planos em prática.

Como chegar

Para chegar à Feira de Tarabuco, você tem três opções: de táxi privativo você pagará cerca de BOB 280, para ida e volta. Nessa opção, o taxista ficará ao seu dispor todo o tempo que desejar. De excursão, será necessário desembolsar BOB 35.

A van parte por volta das 8h30 e regressa em torno das 13h30. Ao redor da Plaza 25 de Mayo, em Sucre, há agências que oferecem o passeio. Além disso, você pode se informar na recepção do seu hotel ou hostel.

A opção mais barata – e também a melhor – é ir de transporte público. As vans partem do terminal de saída para Tarabuco, que na verdade é uma praça improvisada sem qualquer estrutura (você deve tomar um táxi até aqui).

A passagem custa BOB 10, cada trecho, e a viagem dura cerca de uma hora.

Para voltar a Sucre, eu tive a sorte de encontrar um taxista que cobrou apenas BOB 10 pela viagem. Acredito que ele tinha transportado algum turista até o vilarejo e, para não voltar vazio, me fez essa proposta.

Não sei se isso é comum, mas não custa tentar a sorte perguntando aos taxistas que encontrar por lá.

Feira de Tarabuco

O Aeroporto Internacional Mariscal Sucre (UIO) fica a cerca de dez quilômetros do centro de Sucre e opera apenas voos domésticos. Para chegar aqui, é preciso tomar um táxi.

Ônibus que partem das principais cidades bolivianas chegam ao terminal rodoviário que fica a dois quilômetros do centro. Como Sucre fica na Cordilheira dos Andes, qualquer viagem para cá é longa e cansativa.

Quando ir

A  Feira de Tarabuco acontece somente aos domingos, até umas 16h.  O ideal é chegar cedinho quando as mercadorias estão fresquinhas e quando há menos turistas. Nesse horário você vai encontrar mais moradores da região fazendo compras.

Feira de TarabucoFeira de Tarabuco

Acompanhando o relevo, o clima da Bolívia muda muito de uma região para a outra. Sucre fica na região central do país e o clima é mais ameno, com temperaturas variando entre 17 e 27 graus. O período mais chuvoso é entre novembro e março, mas é nesse período, também, que os dias ficam mais ensolarados.

O que levar

Para evitar ficar com fome, leve um lanche na mochila. Ele vai lhe salvar. Não se esqueça de protetor solar e de um casaco para lhe proteger do frio. Leve moedas. Algumas pessoas pedem uns trocados para serem fotografadas.

INFORMAÇÕES BÁSICAS
Visto | Brasileiros não precisam de visto para entrar no país e o prazo máximo de permanência é de 90 dias.
Documentos | Você pode usar o passaporte ou a carteira de identidade, emitida há menos de dez anos.
Dinheiro | A moeda oficial é o boliviano, representado pela sigla BOB. Veja como usar seu dinheiro na Bolívia.
Vacinas | A vacinação contra febre amarela é obrigatória. Saiba como solicitar o certificado.

SEGURO VIAGEM

Nem todos os países têm um sistema de saúde público e gratuito. Na verdade, na maioria deles, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem. No caso da Bolívia, o  seguro viagem passou a ser obrigatório  depois da pandemia de covid-19.

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

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Você já imaginou quanto custa um tratamento médico para esses casos em outros países? Dependendo da gravidade, o atendimento pode custar milhares de dólares, podendo gerar sérias dificuldades financeiras para você e seus familiares para o resto da vida.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

Veja mais dicas da Bolívia

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida é só deixar sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Bolívia.

SOBRE O AUTOR

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

9 Comentários

  1. Quero ir à Bolívia e Peru em novembro agora. Mas estou temerosa em viajar sozinha. Tens dicas de grupo de viagens para esses destinos? Gracias.

  2. “correr o risco de comer algo preparado na feira” Oi? Qual é o risco de comer algo preparado na feira? Claro que tem que dar uma olhada em como preparam as coisas, mas credo, que comentário mais preconceituoso, ein? Acho que se está indo visitar a feira, além de tirar foto de tudo, tem que aproveitar o que tem, não é mesmo? Se não é só uma visita superficial turística e sem muita essência.

    • Oi Eduardo,

      Obrigado por seu comentário. Bom, você fala de uma opinião sua e eu respeito, mas para muita gente há hábitos que podem parecer estranhos. Eu comi de tudo na Bolívia, como sempre faço em qualquer lugar do mundo. Porém, como se trata de um texto informativo, jamais poderia omitir a informação de que os produtos preparados na feira são suspeitos quanto à manipulação e higiene. Esse assunto, aliás, eu abordo com mais clareza em outros posts e talvez você não tenha lido.

      Outra questão que discordamos é quando você fala em ‘essência’. Lembre-se que numa viagem não há certo ou errado, e cada um faz ou deixa de fazer o que quiser. Deixar de comer algo na feira não necessariamente fará a minha viagem melhor ou pior do que a sua ou de outra pessoa que prefere se alimentar ali. Assim também é com quem decide sentar-se na calçada para conversar com um vendedor ou quem compra um ‘produto local’. O fato é que uma experiência não pode ser baseada em outra, já que somos seres diferentes, com histórias diferentes e gostos muito peculiares às vezes. 😉

      De qualquer forma, obrigado por destinar um tempo para ler meu texto.

      Um abraço.

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