A herança dos judeus de Varsóvia

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Atualizado em 11 de maio de 2018

A história que os judeus de Varsóvia escreveram na cidade é, sem dúvida, um dos muitos motivos que fazem a capital da Polônia ser tão interessante. Pouco antes da Segunda Guerra Mundial começar, Varsóvia tinha o maior número de judeus da Europa. Além disso, era a única cidade do mundo com uma comunidade tão ativa e numerosa como a que ficava em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A vida dos judeus de Varsóvia começou a mudar com a perseguição nazista. É difícil acreditar, mas o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial mudaram a cidade para sempre, e as cicatrizes desse tempo jamais desaparecerão.

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A Segunda Guerra Mundial teve como motivação principal a conquista de territórios por parte da Alemanha nazista, que tinha o claro objetivo de repovoar toda a Europa com a raça alemã.

O primeiro passo para a maior guerra de todas as eras aconteceu em 1º de setembro de 1939, quando o exército de Hitler invadiu a Polônia. Dezesseis dias depois, o exército vermelho da ex-União Soviética também entrou no combate avançando pela fronteira oriental do país, já que a maioria das tropas polonesas se concentrava na porção ocidental, por onde avançavam os militares alemães.

O que o mundo ainda não sabia, até então, é que toda essa trama de ocupação e de divisão da Polônia já tinha sido acordada entre Stalin, líder da antiga União Soviética, e Hitler, comandante das forças alemãs, no Pacto de Não-Agressão.

Disputando o mesmo território, os dois países protagonizaram uma guerra que devastou grande parte das cidades polonesas. Para ter uma ideia, Varsóvia, a capital da Polônia, teve mais de 85% de seu território destruído e sua população foi reduzida drasticamente para cerca de 10%: de 1,3 milhão de pessoas, a cidade passou a ter pouco mais de 150 mil.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Mapa da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

No lado nazista, dezenas de campos de concentração foram criados, inicialmente, para abrigar presos políticos – poloneses que se opunham ao regime nazista – e soldados soviéticos derrotados nos combates. Mais tarde, esses campos passaram a receber judeus vindos de diversas partes da Europa que, em 1941, já estava sob o domínio de Hitler.

Com o envolvimento de países como Estados Unidos, Inglaterra e França, os ataques ao domínio alemão se intensificaram, aumentando o número de civis mortos, tanto nos países ocupados, quanto na própria Alemanha. O maior conflito de todos os tempos acabou em 1945, com a rendição do Japão, país aliado da Alemanha, depois que Hiroshima e Nagazaki foram destruídas por bombas atômicas.

Só que, além das histórias de dor e de destruição, os judeus de Varsóvia construíram também um legado de bravura e de superação. Essa coragem a gente vê nos combatentes do Levante de Varsóvia e nos inúmeros relatos de civis que se envolveram com os conflitos do Gueto de Varsóvia.

Mas a história dos judeus poloneses não ficou apenas no passado. Hoje, a ativa e vibrante comunidade judaica da cidade tem um teatro, sinagogas, escolas e realiza eventos periodicamente para promover a cultura e os princípios israelitas.

Para descobrir parte do incrível universo judeu da capital polonesa, eu sugiro que você visite os lugares que listo a seguir.

A herança dos judeus de Varsóvia

Gueto de Varsóvia | Criado pelos nazistas, em 1940, o Gueto de Varsóvia era um lugar nada agradável, onde judeus de toda a Polônia foram confinados. Cercado por muros de tijolos vermelhos, o espaço chegou ter a maior concentração de judeus marginalizados de todo o período da Segunda Guerra.

Durante a reconstrução da cidade, no pós-guerra socialista, vários prédios foram construídos na região onde ficava o Gueto. Os únicos sinais de sua existência são uma pequena parte do Muro do Gueto, que virou um memorial. E, também, o traçado no chão, que podemos ver em algumas áreas da cidade.

Eu explico todos os detalhes desse incrível lugar em: A triste memória do Gueto de Varsóvia.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

O que restou do Muro do Gueto virou um memorial aos judeus de Varsóvia.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

Foto que mostra a destruição do Gueto, em 1943.

Museu do Levante de Varsóvia | No auge do Gueto de Varsóvia, quase 400 mil pessoas em condições precárias viviam amontoadas dentro de seus muros. Viviam em meio a doenças e uma sujeira sem fim. Uma grande parte dessa terrível história é contada no Museu do Levante de Varsóvia.

Em três andares, ele exibe um incrível acervo sobre esse período histórico. Isso inclui a recriação de ambientes do Gueto, relatos e histórias de sobreviventes e um vídeo em 3D que mostra como a cidade ficou devastada depois da guerra.

Você pode saber mais sobre este e outros museus da cidade em: Os imperdíveis museus de Varsóvia.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

Um dos ambientes do Gueto recriados no Museu.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

Visitantes no Museu do Levante de Varsóvia.

Memorial do Pequeno Insurgente | No centro histórico de Varsóvia fica um dos monumentos mais intrigantes da Cidade Velha, e as histórias contadas a respeito dele são igualmente curiosas. Essa estátua de uma criança vestida com roupas militares e segurando um fuzil representa todas as crianças e adolescentes que lutaram no Levante de Varsóvia, em 1944.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

O Memorial do Pequeno Insurgente: dizem que homenageia as crianças que lutaram no Levante.

Memorial do Levante de Varsóvia | Em toda a cidade, vários pontos de memória, sempre identificados com a sigla WP, lembram os mortos do movimento de resistência doa judeus de Varsóvia, conhecido como Levante. Uma visita ao Memorial do Levante de Varsóvia também vai lhe ajudar a entender melhor essa história.

Ele é um monumento lindo, todo feito em bronze e sua maior peça tem dez metros de altura. Como é público e fica em um local aberto, dá para visitá-lo qualquer hora do dia e da noite.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

Detalhe do Memorial, que fica na Stare Miasto.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

O símbolo do Levante.

Museu dos Judeus Poloneses | O Polin: Museu da História dos Judeus Poloneses – como é oficialmente chamado – fica no antigo coração da comunidade judaica. Ele está localizado exatamente na área onde os nazistas construíram o Gueto de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial.

Se o museu já impressiona do lado de fora, dentro a gente fica deslumbrado com a forma que ele foi pensado e organizado. São três andares de exposições, incluindo uma réplica perfeita da antiga Sinagoga de Gwoździec, que ficava na Ucrânia e que foi incendiada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

A fachada do incrível Polin.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

Objetos que fazem parte do acervo e que contam a história dos judeus poloneses.

Prisão Pawiak | O que restou dessa prisão construída em 1835 virou um museu e você pode vista-lo. Em seus primeiros anos, a cadeia foi usada para abrigar os desafetos do regime político. Porém, foi nos anos da Segunda Guerra Mundial que esses muros desempenharam sua função mais cruel, quando abrigaram judeus antes de serem enviados aos campos de concentração.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

O que restou da pisão virou um museu.

Planeje seu passeio pela Varsóvia judaica

Quando ir | O verão na Polônia é bem curto, já o inverno é longo e muito frio. Os meses mais gelados vão de outubro a abril, quando os termômetros marcam temperaturas abaixo de zero. Entre maio e setembro, os dias tendem a ser mais ensolarados, com temperaturas variando entre 20 e 27 graus. O mês mais quente é julho, e o mais frio é janeiro, com temperaturas chegando a menos cinco graus.

Quem leva | A Free Walking Tour tem passeios gratuitos que nos levam à maioria desses lugares. Infelizmente, ainda não há guias que falam português, então você pode escolher entre inglês e espanhol. Veja mais informações.

Como chegar | O Aeroporto Frederic Chopin (WAW), em Varsóvia, é o mais importante da Polônia. Aqui, chegam voos nacionais e internacionais, mas não há voo direto do Brasil para o país. Veja mais informações em: Voos para a Polônia: companhias aéreas e aeroportos.

Um passeio pela herança dos judeus de Varsóvia

Aproveite para conhecer também as delícias da comida dos judeus de Varsóvia.

Onde ficar | Varsóvia é linda. Em suas avenidas largas, a arquitetura clássica contrasta com prédios modernos. Então, escolher um lugar para ficar por aqui será fácil. Para quem está interessado na parte histórica da cidade, a região da Stare Miasto – A Cidade Velha – é ideal. Para quem quiser aproveitar um pouco mais da vida moderna da cidade, o Centro, especialmente a área perto do Palácio da Cultura e Ciência, é sensacional.

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Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até noventa dias, mas você precisará apresentar o passaporte dentro do prazo de validade. Carteira de identidade e quaisquer outros documentos brasileiros não serão aceitos. O seguro viagem é obrigatório e, sem ele, você pode ser proibido de entrar na Polônia. Veja como comprar seu seguro viagem com desconto.

Outras informações | Para ver outras informações sobre o país e planejar sua viagem com mais precisão, leia: Viagem para a Polônia: informações essenciais. Para quem gosta de cinema, uma boa dica é dar uma olhada nessa lista: Nove filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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