Como é visitar Auschwitz-Birkenau

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Atualizado em 16 de julho de 2018

A Polônia foi o país que mais sofreu com a Segunda Guerra Mundial. Nessas terras, milhões de judeus de várias partes da Europa foram presos, escravizados e exterminados de forma brutal e desumana. Hoje, você pode conhecer o maior símbolo do Holocausto, esse período trágico da nossa história, ao visitar Auschwitz-Birkenau.

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A Segunda Guerra Mundial teve como motivação principal a conquista de territórios por parte da Alemanha nazista, que tinha o claro objetivo de repovoar toda a Europa com a raça alemã.

O primeiro passo para a maior guerra de todas as eras aconteceu em 1º de setembro de 1939, quando o exército de Hitler invadiu a Polônia. Dezesseis dias depois, o exército vermelho da ex-União Soviética também entrou no combate avançando pela fronteira oriental do país, já que a maioria das tropas polonesas se concentrava na porção ocidental, por onde avançavam os militares alemães.

O que o mundo ainda não sabia, até então, é que toda essa trama de ocupação e de divisão da Polônia já tinha sido acordada entre Stalin, líder da antiga União Soviética, e Hitler, comandante das forças alemãs, no Pacto de Não-Agressão.

Disputando o mesmo território, os dois países protagonizaram uma guerra que devastou grande parte das cidades polonesas. Para ter uma ideia, Varsóvia, a capital da Polônia, teve mais de 85% de seu território destruído. Além disso, sua população foi reduzida drasticamente para cerca de 10%: de 1,3 milhão de pessoas, a cidade passou a ter pouco mais de 150 mil.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Mapa da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

No lado nazista, dezenas de campos de concentração foram criados. Inicialmente eles serviam para abrigar presos políticos – poloneses que se opunham ao regime nazista – e soldados soviéticos derrotados nos combates. Mais tarde, esses campos passaram a receber judeus vindos de diversas partes da Europa que, em 1941, já estava sob o domínio de Hitler.

Com o envolvimento de países como Estados Unidos, Inglaterra e França, os ataques ao domínio alemão se intensificaram. Com isso, aumentou o número de civis mortos, tanto nos países ocupados, quanto na própria Alemanha. O maior conflito de todos os tempos acabou em 1945, com a rendição do Japão, país aliado da Alemanha, depois que Hiroshima e Nagazaki foram destruídas por bombas atômicas.

Ele foi o mais horrível campo de concentração e de extermínio nazista de todos os tempos e, desde 1955, se tornou um imenso museu. Reconhecido como Patrimônio Mundial da Humanidade, o que restou dos inúmeros barracões e da câmara de gás está protegido.

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Visitar Auschwitz-Birkenau é realmente doloroso. Mas, é também um incentivo para que a gente não perca a esperança de construir um mundo mais tolerante. Por isso, eu lhe encorajo a conhecer mais da história desse lugar.

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A estrada de ferro que cruza o portal de Auschwitz-Birkenau.

Como é visitar Auschwitz-Birkenau

Os galpões onde ficavam os prisioneiros em Auschwitz-Birkenau.

Como é visitar Auschwitz-Birkenau

O portão de Auschwitz-Birkenau.

A lógica nazista

O nome Auschwitz foi usado pelos nazistas para identificar um conjunto de campos de concentração e de extermínio construídos, a partir de 1940. Eles ficam na pequena cidade de Oświęcim, a 67 quilômetros de Cracóvia, na Polônia. Durante todo o período da Segunda Guerra Mundial, foram erguidos, aqui, três campos nesse modelo: Auschwitz, Auschwitz-Birkenau e Auschwitz-Monowitz.

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Os princípios que nortearam a ideologia nazista foram o ódio aos judeus, a negação da democracia e do comunismo, e a convicção da superioridade da raça alemã sobre qualquer outro povo. Com a ideia de criar uma sociedade pura, livre de outras etnias, os nazistas perseguiram e mataram milhões de judeus, mas não apenas. Eslavos, russos, ciganos, homossexuais e tantos outros grupos foram capturados, escravizados e assassinados nas câmaras de gás, ou simplesmente fuzilados.

Liderado por Adolf Hitler, o Partido Nazista tomou o poder na Alemanha em 1933, e, desde então, a política de doutrinação da população por meio da propaganda, que mostrava uma realidade disfarçada, passou a ocupar os veículos de comunicação nacionais.

Isso criou, em parte dos alemães, uma forte simpatia com os ideais defendidos pelos nazistas. Em um de seus famosos pronunciamentos, durante o congresso do Partido Nazista de 1937, Adolf Hitler defendeu o seu modelo nada convencional de formação. “Estamos educando uma juventude diante da qual o mundo inteiro temerá. Eu quero uma juventude que seja capaz de realizar violações, e que seja forte, poderosa e cruel”, declarou o ditador.

Em busca de poder, a Alemanha nazista matou, invadiu territórios e levou a Europa e países como Estados Unidos e Japão a se envolverem na maior guerra de todos os tempos. Uma guerra que não apenas mudou as relações políticas, mas que, principalmente, marcou para sempre a história da humanidade.

O primeiro – que ficou conhecido como Auschwitz I – também foi transformado em museu. Uma visita a ele é indispensável para você entender melhor essa história. Então, eu sugiro que você leia: Como é visitar Auschwitz.

Porém, o maior e mais terrível de todos era Auschwitz-Birkenau. Aqui, cerca 1,1 milhão de pessoas morreram, quase todos judeus de vários países da Europa.

Deportados de suas cidades originais, os prisioneiros tinham seus destinos definidos ainda na estação de trem. Ali, chegavam vagões lotados, e muitos passageiros eram idosos e crianças.

Separados em filas, homens e mulheres eram rapidamente avaliados. Aqueles que eram considerados aptos para o trabalho, ganhavam mais alguns dias de vida servindo o comando nazista. Os inúteis – quase sempre mulheres, idosos, crianças e deficientes – eram enviados diretamente para a câmara de gás, onde morriam.

Como é visitar Auschwitz-Birkenau

Um dos vagões usados para transportar os prisioneiros.

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Crianças caminhando para a câmara de gás.

A visita nos barracões

Diferente de Auschwitz I, aqui todos os prédios tinham apenas um andar. Boa parte deles era de alvenaria, mas, como o volume de prisioneiros crescia a cada dia e a matéria-prima era escassa, os nazistas começaram a construir barracões de madeira.

Neles, centenas de judeus e ciganos – em sua maioria – eram confinados e tratados de forma desumana. O chão era de terra batida, não existiam janelas nem isolamento térmico e não havia banheiros. Além disso, cada barracão acomodava cerca de 40 beliches onde se espremiam mais de 500 prisioneiros.

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Os barracões de madeira de Auschwitz-Birkenau.

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O interior desumano dos barracões.

Em Auschwitz-Birkenau a estratégia de humilhar as raças não alemãs alcançou seu auge. Aqui, depois de terem todos os pelos do corpo raspados, de perderem seus próprios nomes e de serem obrigados a usar um uniforme listrado com uma identificação étnica no peito, os prisioneiros ainda tinham que trabalhar pesado na manutenção do campo e superar a fome.

Sobreviventes contam que as refeições aqui dentro eram um pedaço de pão, manteiga, chá ou café e uma sopa feita com carne e vegetais quase sempre estragados. Nessas condições, a desidratação e doenças, como o tifo, se multiplicavam trazendo consigo a morte.

Um dos barracões que mais me chocou, e que mostra muito bem esse modelo de desumanização pelo qual os prisioneiros passavam, foi o banheiro. Um enorme galpão com dezenas, centenas de sanitários improvisados era a única opção de todos os prisioneiros do campo.

Sem privacidade, jovens, idosos, doentes e pessoas sadias tinham que compartilhar o mesmo espaço nos horários estabelecidos pelo comando nazista. Isso geralmente acontecia no início da manhã, antes da jornada de trabalho.

Como é visitar Auschwitz-Birkenau

O banheiro comunitário do campo de concentração.

A hora da morte

Os que sobreviviam a tudo isso, quando não enlouqueciam, tinham uma única sentença: em Aschuwitz-Birkenau funcionou a maior fábrica de matar e de queimar gente em toda a história da humanidade.

Cada grupo de prisioneiros que servia ao comando nazista vivia por cerca de dois meses antes de ser levado à câmara de gás. Isso acontecia por dois motivos: o primeiro é que, depois desse tempo, os presos já estavam fracos demais para dar conta das atividades. O segundo e, talvez, a principal razão era que eles testemunhavam tudo o que acontecia aqui dentro e, portanto, deveriam ser eliminados.

Para os milhares de presidiários e deportados que chegavam ao campo e que acabavam na câmara de gás, a morte chegava lentamente em forma de parada respiratória, convulsão, sangramento e da perda dos sentidos.

Hoje, o único vestígio da câmara de gás e dos crematórios de Aschuwitz-Birkenau é um monte de ruínas. Antes de abandonarem o campo, os nazistas explodiram tudo na tentativa de apagar as provas de seus crimes.

Como é visitar Auschwitz-Birkenau

O que restou da câmara de gás e do crematório.

Como é visitar Auschwitz-Birkenau

Antes de fugir, os nazistas explodiram tudo para tentar acabar com as provas.

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Uma homenagem às vítimas da câmara de gás.

Funcionando dia e noite, esse processo de produção de defuntos incluía também outras formas de assassinato. Todas as noites, 70 mulheres eram fuziladas com um tiro na nuca e lançadas em valas comuns. Injeções letais e envenenamento com soda cáustica também estavam na lista de opções dos nazistas para acabar com a vida dos inocentes.

Além das doenças e dos assassinatos, a morte alcançava Aschuwitz-Birkenau por meio do suicídio. Atormentados e sem esperança, muitos prisioneiros se lançavam contra as cercas elétricas. Quando não morriam por causa do choque, eram fuzilados pelos guardas que faziam a segurança do campo.

Como é visitar Auschwitz-Birkenau

Quanto custa | Você não precisa pagar para visitar Auschwitz-Birkenau, mas estar acompanhado de um guia é indispensável para que você possa entender melhor tudo o que vai ver aqui. Você pode entrar em um grupo de visitantes pagando PLN 40. Consulte os horários dos passeios e as línguas disponíveis.

Quem leva | Há várias agências que fazem passeios saindo de Cracóvia para visitar Auschwitz-Birkenau, incluindo o acompanhamento do guia. Veja a lista com todas as opções e preços.

Quando ir | O complexo de Auschwitz abre às 8h, mas o horário de fechamento varia durante o ano. Nos meses de verão, a visita se encerra às 19h e em dezembro às 14h. Consulte os horários completos. A visita dura cerca de quatro horas.

O clima da Polônia é temperado, com as quatro estações bem definidas. O verão é bem curto, já o inverno é longo e muito frio. Os meses mais gelados vão de outubro a abril, quando os termômetros marcam temperaturas abaixo de zero.

Entre maio e setembro, os dias tendem a ser mais ensolarados, com temperaturas variando entre 20 e 27 graus. O mês mais quente é julho, e o mais frio é janeiro, com temperaturas chegando a menos cinco graus. Eu considero melhor planejar uma viagem para a Auschwitz entre os meses de maio e setembro.

Como chegar | Para visitar Auschwitz-Birkenau é preciso ir a Oświęcim, cidade que fica a 67 quilômetros de Cracóvia. É dali que partem os ônibus da empresa Lajkonik. Há partidas diárias a cada uma hora – das 8h às 21h  – nas rotas que fazem parada no Museu de Auschwitz. Daqui, para seguir até Auschwitz-Birkenau há ônibus gratuitos.

De carro, a viagem é tranquila e rápida, já que as rodovias estão em ótimas condições. Porém, há cobranças de pedágio no trecho saindo de Cracóvia. O museu tem estacionamento gratuito.

O Aeroporto Internacional de Katowice (KTW) é um dos mais movimentados da Polônia. Ele opera voos nacionais e internacionais partindo e chegando de outros países da Europa e é, também, muito usado por viajantes que querem visitar Auschwitz.

Como é visitar Auschwitz-Birkenau

O ônibus que vai de Auschwitz para Aushcwitz-Birkenau.

O que levar | Não é permitido entrar com sacolas ou mochilas no museu. Se precisar, você pode deixar seus pertences no guarda-volumes. Uma garrafa de água, um lanche para o intervalo e sua câmera fotográfica são indispensáveis. Mas, se preferir, você poderá comprar algo para comer  nas lojinhas que funcionam na entrada de Auschwitz I, perto do estacionamento. Em Auschwitz-Birkenau não há nada além do museu.

Onde ficar | Cracóvia é o principal destino turístico da Polônia. Exatamente por isso, escolher bem onde ficar vai lhe ajudar muito a aproveitar o melhor da cidade, inclusive na hora de visitar Auschwitz. Para saber onde ficar na cidade, leia: Onde se hospedar em Cracóvia.

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Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até noventa dias. Mas, você precisará apresentar o passaporte dentro do prazo de validade. Carteira de identidade e quaisquer outros documentos brasileiros não serão aceitos. O seguro viagem é obrigatório e, sem ele, você pode ser proibido de entrar na Polônia. Veja como comprar seu seguro viagem com desconto.

Outras informações | Para ver outras informações sobre o país e planejar sua viagem com mais precisão, leia: Viagem para a Polônia: informações essenciais. Para quem gosta de cinema, uma boa dica é dar uma olhada nessa lista: Nove filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

12 Comentários

  1. Avatar

    Hola
    Es una entrada estupenda, , sobre todo por la descripción que haces.
    Un gran placer que os acordéis de Cracovia porque aquí hay muchísimas cosas que ver y que hacer.
    Gran, gran abrazo

  2. Avatar

    olá! Muito bons os posts, estou utilizando no meu roteiro.
    Eu fiquei com uma duvida, os “passeios” vao para os dois campos, ou tem que se escolher 1 deles?
    Obrigada!

    • Altier Moulin

      Oi, Andreia.

      A visita passa pelos dois campos. Geramente, começa em Auschwitz I e, depois, vai para Auschwitz-Birkenau. Os dois camos ficam bem perto e o transporte está incluso no valor da entrada.

      Obrigado e um abraço. 😉

  3. Avatar
    Juliano Araújo on

    Eu sinceramente, explodiria todos esses infernos… ao menos, libertaria quem ficou, em espirito, que sonhava em ser livre, mas não conseguiu.

  4. Avatar

    Neste momento acabei de chegar a Varsóvia e tenho vindo a conhecer a Polónia! Estive nos campos de concentração e li o que escreveu… parabéns!!! Principalmente por ter escrito que é um lugar de horrores, onde acontecerem as maiores atrocidades a seres semelhantes a nós, um lugar que nunca deveria ter existido, mas sim! Um lugar de deve ser visitado! Que nos faz reflectir sobre a nossa existência, sobre o dever que temos de respeitar a dignidade humana!!! Grata pelas informações

  5. Avatar

    Estou pensando em ir e levar meus filhos, 17, 15 e 12 anos. Tem alguma restrição de idade? Tenho um pouco de receio, não sei como eles reagiriam.

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