Kazimiers, o imperdível bairro judeu de Cracóvia

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Atualizado em 9 de maio de 2018

Na margem do Rio Vístula, o bairro judeu de Cracóvia é um destino indispensável para quem chega à cidade. Cheio de bares, cafés e restaurantes descolados, Kazimiers tem um aspecto meio largado, é verdade, mas eu garanto que você vai adorar esse lugar. No entanto, antes de falar de como é Kazimiers hoje, é muito importante entender um pouco da história desse lugar e das pessoas que vivem aqui.

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No início dos anos 1930, a Polônia era o país europeu com o maior número de judeus. Segundo o censo, mais de três milhões de israelitas viviam no país, e, em Cracóvia, eles estavam totalmente integrados à vida da cidade, apesar de se concentrarem nesta área.

Naquele tempo, grande parte dos hebreus ainda se vestia de modo mais tradicional. Os homens usavam solidéus – um pequeno círculo de pano que cobre a cabeça como forma de respeito à presença Divina – ou chapéus. Pelo mesmo motivo, as mulheres cobriam seus cabelos. No entanto, muitos jovens judeus já começavam a usar roupas e a adquirir costumes modernos.

Kazimiers, o imperdível bairro judeu de Cracóvia

A arquitetura do bairro judeu de Cracóvia.

Kazimiers, o imperdível bairro judeu de Cracóvia

O estilo mais largado de Kazimiers.

A chegada dos nazistas

Com a chegada do exército nazista, em setembro de 1939, a realidade dos judeus começa a mudar. Com isso, novas regras passam a vigorar na cidade e, praticamente, todas elas significavam restrições aos direitos do povo que habitava o bairro judeu de Cracóvia.

Comércios foram fechados, profissionais impedidos de trabalhar e todos, absolutamente todos, deveriam usar uma estrela de Davi no braço para indicar sua origem judaica. Era o começo de uma história trágica e sem precedentes.

SOBRE A IDEOLOGIA NAZISTA

Os princípios que nortearam a ideologia nazista foram o ódio aos judeus, a negação da democracia e do comunismo, e a convicção da superioridade da raça alemã sobre qualquer outro povo. Com a ideia de criar uma sociedade pura, livre de outras etnias, os nazistas perseguiram e mataram milhões de judeus, mas não apenas. Eslavos, russos, ciganos, homossexuais e tantos outros grupos foram capturados, escravizados e assassinados nas câmaras de gás, ou simplesmente fuzilados.

Liderado por Adolf Hitler, o Partido Nazista tomou o poder na Alemanha em 1933, e, desde então, a política de doutrinação da população por meio da propaganda, que mostrava uma realidade disfarçada, passou a ocupar os veículos de comunicação nacionais.

Isso criou, em parte dos alemães, uma forte simpatia com os ideais defendidos pelos nazistas. Em um de seus famosos pronunciamentos, durante o congresso do Partido Nazista de 1937, Adolf Hitler defendeu o seu modelo nada convencional de formação. “Estamos educando uma juventude diante da qual o mundo inteiro temerá. Eu quero uma juventude que seja capaz de realizar violações, e que seja forte, poderosa e cruel”, declarou o ditador.

Em busca de poder, a Alemanha nazista matou, invadiu territórios e levou a Europa e países como Estados Unidos e Japão a se envolverem na maior guerra de todos os tempos. Uma guerra que não apenas mudou as relações políticas, mas que, principalmente, marcou para sempre a história da humanidade.

Com o avanço das tropas alemãs, a maioria dos judeus que viviam em Kazimiers foi enviada para campos de concentração dentro e fora da Polônia. Incluindo os terríveis Auschwtiz e Auschiwitz-Birkenau.

Todos aqueles que permaneceram em Cracóvia – cerca de 17.000 – foram enviados para o gueto. Cercados por muros construídos no distrito de Podgórze, eles foram forçadamente confinados em moradias pequenas, mal-acabadas e sem conforto. Nesse esquema, era comum que duas ou três famílias compartilhassem a mesma casa.

O muro tinha quatro portões e todos eram fortemente vigiados para que ninguém entrasse ou saísse sem permissão. Com a escassez de alimentos e de cuidados com a saúde, muitos judeus morreram de causas simples como sede, fome, frio e calor.

O bairro judeu de Cracóvia

Com o fim da guerra, em 1945, poucos judeus retornaram para o bairro de Kazimiers. Isso poque, a maioria tinha sido exterminada pelo exército nazista ou morrido por causa das péssimas condições do gueto.

Com o passar dos anos, o espírito empreendedor dos judeus poloneses fez com que o Kazimiers emergisse como um dos mais efervescentes e tradicionais bairros da cidade. É onde gente do mundo todo se conecta com a cultura e com a história judaica.

Hoje, uma visita a esse lugar é indispensável para quem visita Cracóvia. Aqui, ao redor da Plac Noway – uma das áreas mais boêmias da cidade – estão bares, cafés e barraquinhas de comida de rua onde você pode se fartar.

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As barraquinhas que vendem aquelas famosas comidas de rua.

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O Alchemia, que fica na Plac Noway.

Eu experimentei e adorei o zapiekanka – que não tem nada a ver com a culinária judaica.  Ele é um pão aberto com uma cobertura que você mesmo escolhe. Eu comi no Gastro Zapiekanki e pedi creme de espinafre, peito de frango, cogumelos e queijo. Estava sensacional e custou apenas PLN 8,5.

Kazimiers, o imperdível bairro judeu de Cracóvia

O saboroso zapikanka.

Kazimiers, o imperdível bairro judeu de Cracóvia

Os cafés da Plac Noway são uma delícia.

Nesse mesmo lugar, aos domingos pela manhã, funciona uma feira onde você pode comprar de tudo: de verduras a bijuterias.

Outro lugar muito legal para comer e beber aqui é o Alchemia. Ele funciona num antigo casarão e reúne muita gente bonita e alternativa, especialmente nas noites do final de semana.

Se durante a noite o bairro judeu de Cracóvia é ferveção pura, durante o dia o mais legal aqui são os passeios culturais. Ou seja, visitar as sinagogas, as lojinhas, os cafés e conhecer melhor a cultura judaica, seja por seus símbolos religiosos ou pela culinária.

Nos arredores da Stara Synagoga funcionam bares e restaurantes muito concorridos – e também caros – onde você pode encontrar desde café da manhã até jantar. Um grande ponto positivo dessa região é que foi aqui que começou o bairro judeu de Cracóvia.

Kazimiers, o imperdível bairro judeu de Cracóvia

Os bares da região da Stara Synanogue.

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Aqui é um bom lugar para comer a tradicional comida israelita.

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Quem leva | Há várias empresas que oferecem visitas guiadas pelo bairro judeu de Cracóvia. Veja todos os preços nessa lista e faça sua reserva.

Quando ir | O clima da Polônia é temperado, com as quatro estações bem definidas. O verão é bem curto, já o inverno é longo e muito frio. Os meses mais gelados vão de outubro a abril, quando os termômetros marcam temperaturas abaixo de zero.

Entre maio e setembro, os dias tendem a ser mais ensolarados, com temperaturas variando entre 20 e 27 graus. O mês mais quente é julho, e o mais frio é janeiro, com temperaturas chegando a menos cinco graus.

Como chegar | Partindo do Centro Histórico, dá para chegar a Kazimiers a pé em uma caminhada de pouco mais de um quilômetro. Se preferir, você pode usar o sistema de transporte público. Os trens elétricos de Cracóvia cruzam as principais avenidas do bairro.

O Aeroporto Internacional John Paul II (KRK), em Cracóvia, é o segundo mais importante do país. Além de conexões domésticas, há partidas e chegadas de voos internacionais nesse aeroporto. Cracóvia é a porta da entrada para quem quer visitar o antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Veja mais informações em: Voos para a Polônia: companhias aéreas e aeroportos.

Onde ficar | Cracóvia é o principal destino turístico da Polônia e, por isso, escolher bem onde ficar vai lhe ajudar muito a aproveitar o melhor da cidade, inclusive na hora de visitar Auschwitz. Para saber onde ficar na cidade, leia: Onde se hospedar em Cracóvia.

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Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até noventa dias, mas você precisará apresentar o passaporte dentro do prazo de validade. Carteira de identidade e quaisquer outros documentos brasileiros não serão aceitos. O seguro viagem é obrigatório e, sem ele, você pode ser proibido de entrar na Polônia. Veja como comprar seu seguro viagem com desconto.

Outras informações | Para ver outras informações sobre o país e planejar sua viagem com mais precisão, leia: Viagem para a Polônia: informações essenciais. Para quem gosta de cinema, uma boa dica é dar uma olhada nessa lista: Nove filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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