O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

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Atualizado em 9 de maio de 2018

Eu tenho certeza de que você já ouviu falar de A lista de Schindler, famoso filme de Steven Spielberg que comoveu o mundo com a história dos judeus perseguidos durante a Segunda Guerra Mundial. Mas o que, talvez, você não saiba é que dá para visitar o Museu Schindler, que funciona, em Cracóvia, na fábrica onde toda a história do filme aconteceu.

SOBRE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A Segunda Guerra Mundial teve como motivação principal a conquista de territórios por parte da Alemanha nazista, que tinha o claro objetivo de repovoar toda a Europa com a raça alemã.

O primeiro passo para a maior guerra de todas as eras aconteceu em 1º de setembro de 1939, quando o exército de Hitler invadiu a Polônia. Dezesseis dias depois, o exército vermelho da ex-União Soviética também entrou no combate avançando pela fronteira oriental do país, já que a maioria das tropas polonesas se concentrava na porção ocidental, por onde avançavam os militares alemães.

O que o mundo ainda não sabia, até então, é que toda essa trama de ocupação e de divisão da Polônia já tinha sido acordada entre Stalin, líder da antiga União Soviética, e Hitler, comandante das forças alemãs, no Pacto de Não-Agressão.

Disputando o mesmo território, os dois países protagonizaram uma guerra que devastou grande parte das cidades polonesas. Para ter uma ideia, Varsóvia, a capital da Polônia, teve mais de 85% de seu território destruído e sua população foi reduzida drasticamente para cerca de 10%: de 1,3 milhão de pessoas, a cidade passou a ter pouco mais de 150 mil.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Mapa da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

No lado nazista, dezenas de campos de concentração foram criados, inicialmente, para abrigar presos políticos – poloneses que se opunham ao regime nazista – e soldados soviéticos derrotados nos combates. Mais tarde, esses campos passaram a receber judeus vindos de diversas partes da Europa que, em 1941, já estava sob o domínio de Hitler.

Com o envolvimento de países como Estados Unidos, Inglaterra e França, os ataques ao domínio alemão se intensificaram, aumentando o número de civis mortos, tanto nos países ocupados, quanto na própria Alemanha. O maior conflito de todos os tempos acabou em 1945, com a rendição do Japão, país aliado da Alemanha, depois que Hiroshima e Nagazaki foram destruídas por bombas atômicas.

Oskar Schindler foi um empresário alemão que chegou à Polônia para lucrar com a guerra. Flertando com o partido nazista, Schindler construiu um pequeno império e ganhou muito dinheiro. Porém, não é essa parte de sua vida a mais interessante. Ele ajudou mais de 1.200 judeus a escaparem da morte durante o Holocausto, oferecendo emprego a profissionais que eram impedidos de trabalhar.

Mas Schindler foi além: ele protegeu seus funcionários judeus alegando que o trabalho desenvolvido por eles era indispensável nos tempos de guerra. Claro que essa estratégia funcionou porque o empresário sabia muito bem como pensavam os nazistas alemães.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

A mesa de Oskar Schindler.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

O ambicioso empresário que salvou centenas de judeus.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

Painel com a Lista de Schindler.

Durante a guerra – de 1939 a 1945 –, as restrições impostas a profissionais judeus eram muito severas. Para você ter uma ideia, médicos judeus só podiam atender a pacientes judeus, advogados foram proibidos de trabalhar, aposentados perderam a pensão, contas bancárias foram bloqueadas, escolas e universidades foram fechadas e até as ruas por onde os judeus podiam andar eram limitadas. Na prática, a vida da comunidade judaica de Cracóvia havia sido paralisada.

Além disso, todos os judeus deviam usar uma faixa no braço com a estrela de Davi. E, lojas, restaurantes e qualquer outro comércio judeu deviam estar identificados com o símbolo judaico.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

Judeus executados em Cracóvia.

O Gueto de Cracóvia

Durante os anos da guerra, a Polônia concentrava a maior quantidade de judeus da Europa e, em Cracóvia, eles estavam perfeitamente integrados à vida da cidade. Mas, com o avanço das tropas alemãs, muitos foram enviados para os campos de concentração. Aqueles que permaneceram em Cracóvia – cerca de 17.000 – foram enviados para o gueto.

SOBRE A IDEOLOGIA NAZISTA

Os princípios que nortearam a ideologia nazista foram o ódio aos judeus, a negação da democracia e do comunismo, e a convicção da superioridade da raça alemã sobre qualquer outro povo. Com a ideia de criar uma sociedade pura, livre de outras etnias, os nazistas perseguiram e mataram milhões de judeus, mas não apenas. Eslavos, russos, ciganos, homossexuais e tantos outros grupos foram capturados, escravizados e assassinados nas câmaras de gás, ou simplesmente fuzilados.

Liderado por Adolf Hitler, o Partido Nazista tomou o poder na Alemanha em 1933, e, desde então, a política de doutrinação da população por meio da propaganda, que mostrava uma realidade disfarçada, passou a ocupar os veículos de comunicação nacionais.

Isso criou, em parte dos alemães, uma forte simpatia com os ideais defendidos pelos nazistas. Em um de seus famosos pronunciamentos, durante o congresso do Partido Nazista de 1937, Adolf Hitler defendeu o seu modelo nada convencional de formação. “Estamos educando uma juventude diante da qual o mundo inteiro temerá. Eu quero uma juventude que seja capaz de realizar violações, e que seja forte, poderosa e cruel”, declarou o ditador.

Em busca de poder, a Alemanha nazista matou, invadiu territórios e levou a Europa e países como Estados Unidos e Japão a se envolverem na maior guerra de todos os tempos. Uma guerra que não apenas mudou as relações políticas, mas que, principalmente, marcou para sempre a história da humanidade.

Dentro dos muros onde ficaram confinados, vivia um número muito maior de pessoas do que as casas normalmente poderiam acomodar. Nesse esquema, era comum que duas ou três famílias compartilhassem a mesma moradia.

O muro tinha quatro portões e todos eram fortemente vigiados para que ninguém entrasse ou saísse sem permissão. Com a escassez de alimentos e de cuidados com a saúde, muitos judeus morreram de causas simples como sede, fome, frio e calor.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

A vida nas minúsculas casas do gueto.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

Réplica de uma cozinha do gueto.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

O que restou do muro do gueto de Cracóvia.

A fábrica de Schindler

Na visita ao Museu Schindler – originalmente, Fabryka Emalia Oskara Schindlera – a gente vê boa parte da antiga fábrica de utensílios domésticos. O empresário alemão a comprou de judeus perseguidos e, aqui, mais tarde, trabalharam os hebreus protegidos pelo empresário.

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Eu vi de perto o escritório de Oskar Schindler, os objetos que ele usava no dia a dia, fotos dele com seus cavalos – uma de suas paixões alimentadas pelo dinheiro – e muitos outros itens do acervo que lembram essa história. Isso tudo, incluindo os nomes da famosa lista de Schindler.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

Oskar Schindler e uma de suas paixões: cavalos.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

Equipamentos usados por Schindler.

Nos corredores do prédio estão, ainda, fotos, vídeos e cartazes que ilustram como era a vida dos judeus perseguidos durante a Segunda Guerra. E, também, como era vida dentro do gueto.

Durante a visita, eu entendi porque a cidade de Cracóvia não foi destruída – diferente do que acontece com Varsóvia. Os nazistas queriam fazer dela uma cidade modelo e, na guerra, o teatro virou um centro de artes nazistas e as praças passaram a ter o nome de Adolf Hitler. Felizmente, tudo isso acabou com o fim da guerra, em 1945, mas a memória desse lugar está preservada para sempre.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

Um dos tanques usados pelos nazistas na invasão da cidade.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

Standarts com o símbolo nazista.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

Réplica de máquina usada nos campos de trabalho nazistas.

Planeje sua visita ao Museu Schindler

Quanto custa | Os tíquetes custam PLN 10, mas o acesso é gratuito nas segundas-feiras. As entradas podem ser compradas na recepção ou pela internet, no site do museu.

Quem leva | Há várias empresas que oferecem visitas guiadas ao Museu Schindler. Eu estava acompanhado por uma guia e, com certeza, a visita foi muito melhor assim. Veja todos os preços e faça sua reserva.

Quando ir | O Museu Schindler abre de terça a domingo, das 9h às 17h. Nas segundas, o horário de funcionamento é de 10h às 14h. O museu fecha toda segunda terça-feira do mês.

O clima da Polônia é temperado, com as quatro estações bem definidas. O verão é bem curto, já o inverno é longo e muito frio. Os meses mais gelados vão de outubro a abril, quando os termômetros marcam temperaturas abaixo de zero.

Entre maio e setembro, os dias tendem a ser mais ensolarados, com temperaturas variando entre 20 e 27 graus. O mês mais quente é julho, e o mais frio é janeiro, com temperaturas chegando a menos cinco graus.

O Museu Schindler e os judeus de Cracóvia

A guia que me acompanhou explicando como era Cracóvia antes da Guerra.

Como chegar | O Museu Schindler fica a menos de três quilômetros do Centro Histórico de Cracóvia, e dá pra fazer esse trajeto caminhando, sem pressa. Mas, se preferir, você pode usar o transporte público. A estação de metrô mais próxima é a Kraków Płaszów.

O Aeroporto Internacional John Paul II (KRK), em Cracóvia, é o segundo mais importante do país. Além de conexões domésticas, há partidas e chegadas de voos internacionais nesse aeroporto. Cracóvia é a porta de entrada para quem quer visitar o antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Veja mais informações em: Voos para a Polônia: companhias aéreas e aeroportos.

Onde ficar | Cracóvia é o principal destino turístico da Polônia e, por isso, escolher bem onde ficar vai lhe ajudar muito a aproveitar o melhor da cidade: inclusive na hora de visitar Auschwitz. Para saber onde ficar na cidade, leia: Onde se hospedar em Cracóvia.

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Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até noventa dias, mas você precisará apresentar o passaporte dentro do prazo de validade. Carteira de identidade e quaisquer outros documentos brasileiros não serão aceitos. O seguro viagem é obrigatório e, sem ele, você pode ser proibido de entrar na Polônia. Veja como comprar seu seguro viagem com desconto.

Outras informações | Para ver outras informações sobre o país e planejar sua viagem com mais precisão, leia: Viagem para a Polônia: informações essenciais. Para quem gosta de cinema, uma boa dica é dar uma olhada nessa lista: Nove filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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