Como visitar Auschwitz, o terrível campo de concentração nazista

24

Atualizado em 5 de setembro de 2021

Visitar Auschwitz foi, sem dúvida, a experiência mais triste que já tive. Mas, antes que você desista de embarcar na viagem para este antigo campo de concentração nazista, eu preciso dizer que valeu a pena.

Entrar naquele ambiente tão opressor e tão importante para a história recente da humanidade me proporcionou viver uma experiência transformadora, e é exatamente por isso que eu encorajo você a fazer o mesmo.

Como é visitar Auschwitz

A visita começa em Auschwitz I. Depois de cruzar o famoso portal com a frase arbeit macht frei – que significa o trabalho liberta –, você vai entrar num mundo onde tudo é horrível.

Tudo é tão horrível que é difícil acreditar que o ser humano tenha sido capaz de fazer tanta barbaridade com inocentes, pessoas comuns, como eu e você, que nada tinham a ver com o conflito liderado por Adolf Hitler.

Como é visitar Auschwitz

Para você entender melhor, o nome Auschwitz foi usado para identificar um conjunto específico de campos de concentração e de extermínio.

Ao todo, durante a Segunda Guerra Mundial, foram erguidos três campos nesse modelo: Auschwitz I, Auschwitz-Birkenau e Auschwitz-Monowitz.

Como é visitar Auschwitz

CLIQUE E SAIBA MAIS SOBRE A SEGUNDA GUERRA

A Segunda Guerra Mundial teve como motivação principal a conquista de territórios por parte da Alemanha nazista. O país tinha o claro objetivo de repovoar toda a Europa com a raça alemã.

O primeiro passo para a maior guerra de todas as eras aconteceu em 1º de setembro de 1939, quando o exército de Hitler invadiu a Polônia. Dezesseis dias depois, o exército vermelho da ex-União Soviética também entrou no combate avançando pela fronteira oriental do país, já que a maioria das tropas polonesas se concentrava na porção ocidental, por onde avançavam os militares alemães.

O que o mundo ainda não sabia, até então, é que toda essa trama de ocupação e de divisão da Polônia já tinha sido acordada entre Stalin, líder da antiga União Soviética, e Hitler, comandante das forças alemãs, no Pacto de Não-Agressão.

Disputando o mesmo território, os dois países protagonizaram uma guerra que devastou grande parte das cidades polonesas. Para ter uma ideia, Varsóvia, a capital da Polônia, teve mais de 85% de seu território destruído. Além disso, sua população foi reduzida drasticamente para cerca de 10%: de 1,3 milhão de pessoas, a cidade passou a ter pouco mais de 150 mil.

No lado nazista, dezenas de campos de concentração foram criados, inicialmente, para abrigar presos políticos – poloneses que se opunham ao regime nazista – e soldados soviéticos derrotados nos combates. Mais tarde, esses campos passaram a receber judeus vindos de diversas partes da Europa. Em 1941, o continente já estava sob o domínio de Hitler.

Com o envolvimento de países como Estados Unidos, Inglaterra e França, os ataques ao domínio alemão se intensificaram, aumentando o número de civis mortos, tanto nos países ocupados, quanto na própria Alemanha. O maior conflito de todos os tempos acabou em 1945, com a rendição do Japão, país aliado da Alemanha, depois que Hiroshima e Nagazaki foram destruídas por bombas atômicas.

O primeiro deles – que ficou conhecido como Auschwitz I – foi construído, a partir de 1940, na cidade de Oświęcim, a 67 quilômetros de Cracóvia, na Polônia.

O mais terrível e o maior de todos era Auschwitz-Birkenau, que começou a ser planejado quando o primeiro campo estava quase com lotação esgotada.

Neles, foram mantidos milhões de judeus, ciganos e outras minorias vindas de várias partes da Europa, além de soldados soviéticos presos durante a guerra. Mas, a principal função desses complexos era mesmo matar.

A visita aos alojamentos

O imenso Museu de Auschwitz, que na verdade é o próprio campo de concentração, foi aberto em 1955, dez anos depois do fim da Guerra, e seus principais atrativos estão espalhados por cinco dos 30 prédios que compõem o complexo.

Como é visitar Auschwitz

Para visitar Auschwitz é preciso caminhar bastante: além de entrar nos alojamentos 4, 5, 6, 7 e 11, você também vai conhecer a câmara de gás, o crematório e o local onde funcionou o escritório do exército nazista que comandava todo o campo.

Como é visitar Auschwitz

No primeiro alojamento, uma série de fotos da época mostra como era feita a seleção dos prisioneiros.

Aqui, estão também números e dados que contabilizam o que foi o maior massacre da história do mundo moderno.

Como é visitar Auschwitz

Como é visitar Auschwitz

Nas salas seguintes, há grandes vitrines onde estão montanhas de sapatos, óculos, malas e outros objetos pessoais.

Tudo aquilo foi confiscado dos prisioneiros assim que eles chegaram ao campo ou, como no caso dos óculos, foi retido antes deles serem enviados para a morte na câmara de gás.

Porém, nada me impressionou mais, nesta sala, do que os cabelos humanos amontoados. É tanto cabelo que, talvez, fosse possível encher um apartamento inteiro.

Nessa hora, a frieza dos números passou a fazer mais sentido e eu, realmente, me dou conta das milhares de pessoas que morreram em Auschwitz.

Como é visitar Auschwitz

Como é visitar Auschwitz

Como é visitar Auschwitz

A vida em Auschwitz

No caminho entre um prédio e outro, um silêncio sepulcral toma conta de Auschwitz.

A única coisa que se ouve por aqui é passo lento e meio arrastado dos visitantes, e a suave voz da guia que acompanha meu grupo – serviço imprescindível para quem quer visitar Auschwitz e entender melhor sua história.

Como é visitar Auschwitz

Chegamos a mais um alojamento e, aqui, percebo como era a vida dentro dos muros de Auschwitz.

Nas primeiras semanas de funcionamento, os dormitórios não tinham cama. Todos eram obrigados a dormir sobre uma fina camada de palha, sem o mínimo conforto e privacidade.

Mais tarde, os prisioneiros ganharam beliches de três andares que eram enfileiradas um ao lado do outro.

Como é visitar Auschwitz

No corredor, enquanto caminho até o antigo banheiro, vejo a foto de centenas de prisioneiros que não sobreviveram aos horrores da guerra.

Em dois cômodos pequenos há um lavabo e alguns sanitários que, sem divisórias, eram compartilhados por todos. Além disso, eles só podiam ser usados em horários determinados pelo comando nazista.

Como é visitar Auschwitz

Algumas áreas dentro de Auschwitz não podem ser fotografadas.

Uma delas é o interior do prédio onde o monstruoso médico Josef Mengele comandou uma série de experimentos com humanos.

O ambiente é pesado, frio e causa muita estranheza.

Como é visitar Auschwitz

Em nome da ciência, Mengele e seu grupo mataram gêmeos, injetaram substâncias estranhas em crianças e seguiram uma cartilha de horrores que não parecia ter limites.

Como é visitar AuschwitzComo é visitar Auschwitz

Ao lado desse prédio ficava a área de fuzilamento, onde eram punidos e executados prisioneiros revoltados e desobedientes.

Hoje, o muro que ainda carrega marcas de bala se tornou um local de homenagem às vítimas.

Como é visitar Auschwitz

Como é visitar Auschwitz

A câmara de gás

Os meus passos ficam pesados à medida que a guia vai nos contando mais sobre o lugar da nossa próxima parada: o complexo onde funcionava a câmara de gás que, daqui, foi replicada em vários outros campos de extermínio.

CLIQUE E SAIBA MAIS SOBRE O NAZISMO

Os princípios que nortearam a ideologia nazista foram o ódio aos judeus, a negação da democracia e do comunismo, e a convicção da superioridade da raça alemã sobre qualquer outro povo. Com a ideia de criar uma sociedade pura, livre de outras etnias, os nazistas perseguiram e mataram milhões de judeus, mas não apenas. Eslavos, russos, ciganos, homossexuais e tantos outros grupos foram capturados, escravizados e assassinados nas câmaras de gás, ou simplesmente fuzilados.

Liderado por Adolf Hitler, o Partido Nazista tomou o poder na Alemanha em 1933, e, desde então, a política de doutrinação da população por meio da propaganda, que mostrava uma realidade disfarçada, passou a ocupar os veículos de comunicação nacionais.

Isso criou, em parte dos alemães, uma forte simpatia com os ideais defendidos pelos nazistas. Em um de seus famosos pronunciamentos, durante o congresso do Partido Nazista de 1937, Adolf Hitler defendeu o seu modelo nada convencional de formação. “Estamos educando uma juventude diante da qual o mundo inteiro temerá. Eu quero uma juventude que seja capaz de realizar violações, e que seja forte, poderosa e cruel”, declarou o ditador.

Em busca de poder, a Alemanha nazista matou, invadiu territórios e levou a Europa e países como Estados Unidos e Japão a se envolverem na maior guerra de todos os tempos. Uma guerra que não apenas mudou as relações políticas, mas que, principalmente, marcou para sempre a história da humanidade.

Como é visitar Auschwitz

Originalmente, esse prédio foi construído para abrigar um necrotério e os fornos de incineração.

Mas, como precisavam encontrar uma forma mais rápida de eliminar os judeus, os nazistas começaram a fazer experimentos utilizando o Zyklon B, um potente pesticida capaz de matar um número maior de prisioneiros sem muito trabalho.

Como é visitar Auschwitz

Trancados nessa sala fechada e mal iluminada, os prisioneiros eram, aos poucos, sufocados pelo gás que invadia cada canto do ambiente.

Quando o veneno começava a fazer efeito, as pessoas tentavam fugir dos pontos de onde ele saia e, assim, crianças e idosos eram esmagados por causa do pânico que tomava conta de todos.

Em menos de 20 minutos, o gás interferia na respiração e a morte chegava lentamente em forma de sufocamento, crises convulsivas, sangramento e da perda dos sentidos.

Como é visitar Auschwitz

Quando já havia passado tempo suficiente para que todos estivessem sem vida, um grupo de prisioneiros que trabalhava no crematório – o sonderkommando – era encarregado de limpar a câmara deixando tudo pronto para o próximo grupo.

Antes de enviarem os corpos para serem queimados, os soldados-prisioneiros verificavam a boca e os dentes de cada vítima em busca de ouro e objetos de valor escondidos.

Depois disso, eles eram incinerados para que não restasse qualquer prova do crime que acabara de acontecer.

Como é visitar Auschwitz

Os nazistas chegaram a operar outros quatro crematórios semelhantes a este, só que, antes do fim da Guerra, a maioria foi destruída na intenção de eliminar provas.

O crematório e a câmara de gás desta visita permaneceram praticamente intactos – apenas a chaminé teve que ser reconstruída durante a criação do Museu de Auschwitz-Birkenau.

Como é visitar Auschwitz

Ao lado da câmara de gás ficava a sede administrativa do comando nazista que coordenava todos os campos de concentração do modelo Auschwitz.

Hoje, nesta área, há apenas uma forca.

Nela, o primeiro comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, foi executado, em 1947, depois de ter sido condenado à morte pela Suprema Corte Polonesa.

A visita ao complexo de Auschwitz tem, ainda, uma segunda parte, que acontece no campo de Auschwitz-Birkenau, que também é chamado de Auschwitz II.

Por isso, eu sugiro que você leia: Como é visitar Auschwitz-Birkenau.

Como é visitar Auschwitz

Como é visitar Auschwitz

Quanto custa

A entrada nos antigos campos de concentração de Auschwitz é gratuita, mas estar acompanhado de um guia é indispensável para que você possa entender melhor tudo o que vai ver aqui.

Você pode entrar em um grupo de visitantes pagando PLN 40. Consulte os horários dos passeios e as línguas disponíveis.

Como é visitar Auschwitz

Quando ir

O complexo de Auschwitz abre às 9h, mas o horário de fechamento varia durante o ano. Nos meses de verão, a visita se encerra às 18h e em dezembro às 14h.

A visita dura cerca de quatro horas.

O clima da Polônia é temperado, com as quatro estações bem definidas. O verão é bem curto, já o inverno é longo e muito frio. Os meses mais gelados vão de outubro a abril, quando os termômetros marcam temperaturas abaixo de zero.

Entre maio e setembro, os dias tendem a ser mais ensolarados, com temperaturas variando entre 20 e 27 graus. O mês mais quente é julho, e o mais frio é janeiro, com temperaturas chegando a menos cinco graus. Eu considero melhor planejar uma viagem para a Auschwitz entre os meses de maio e setembro.

Como chegar

Para chegar a Oświęcim, cidade que fica a 67 quilômetros de Cracóvia, você pode pegar um ônibus da empresa Lajkonik. Ela tem partidas diárias a cada uma hora – das 8h às 21h  – nas rotas que fazem parada no Museu de Auschwitz.

De carro, a viagem é tranquila e rápida, já que as rodovias estão em ótimas condições, mas há cobranças de pedágio no trecho saindo de Cracóvia. O museu tem estacionamento gratuito.

O Aeroporto Internacional de Katowice (KTW) é um dos mais movimentados da Polônia. Ele opera voos nacionais e internacionais partindo e chegando de outros países da Europa e é, também, muito usado por viajantes que querem visitar Auschwitz.

Como é visitar Auschwitz

O que levar

Não é permitido entrar com sacolas ou mochilas no museu. Se precisar, você pode deixar seus pertences no guarda-volumes. Uma garrafa de água, um lanche para o intervalo e sua câmera fotográfica são indispensáveis. Mas, se preferir, você poderá comprar algo para comer  nas lojinhas que funcionam na entrada, perto do estacionamento.

Onde ficar

Cracóvia é o principal destino turístico da Polônia e, por isso, escolher bem onde ficar vai lhe ajudar muito a aproveitar o melhor da cidade: inclusive na hora de visitar Auschwitz.

Outras informações

Para ver outras informações sobre o país e planejar sua viagem com mais precisão, leia: Viagem para a Polônia: informações essenciais.

Para quem gosta de cinema, uma boa dica é dar uma olhada nesta lista com 50 filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.

Informações Básicas
Visto | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer na Polônia por até 90 dias.
Documentos | É necessário apresentar o passaporte com  três meses de validade a partir da data de saída do país.
Dinheiro| A moeda da Polônia é o złoty, identificado pelas siglas PLN e zł. Veja como usar seu dinheiro na Polônia
Vacinas | Nenhuma vacina é exigida, mas o seguro viagem específico para países europeus é obrigatório.

Veja mais sobre a Polônia

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo e aproveite para ver outras dicas.