Descubra como é visitar Auschwitz

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Atualizado em 16 de julho de 2018

Auschwitz é, sem dúvida, o lugar mais triste que eu já visitei. Mas, antes que você desista de embarcar para esse campo de concentração nazista, saiba que visitar Auschwitz também foi, para mim, uma experiência transformadora. E, exatamente por isso, eu lhe encorajo a fazer o mesmo.

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A visita começa em Auschwitz I e, depois de cruzar o famoso portal com a frase arbeit macht frei – que significa ‘o trabalho liberta’ –, você vai entrar num mundo onde tudo é horrível. Tudo é tão horrível que é difícil acreditar que o ser humano tenha sido capaz de fazer tanta barbaridade com inocentes, pessoas comuns como eu e você, que nada tinham a ver com o conflito liderado por Adolf Hitler.

Como é visitar Auschwitz

O portal de entrada do campo de concentração de Auschwitz.

Como é visitar Auschwitz

A frase que estava presente em todos os campos de concentração nazista.

Para você entender melhor, o nome Auschwitz foi usado para identificar um conjunto específico de campos de concentração e de extermínio. Ao todo, durante a Segunda Guerra Mundial, foram erguidos três campos nesse modelo: Auschwitz I, Auschwitz-Birkenau e Auschwitz-Monowitz.

CLIQUE E SAIBA MAIS SOBRE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A Segunda Guerra Mundial teve como motivação principal a conquista de territórios por parte da Alemanha nazista. O país tinha o claro objetivo de repovoar toda a Europa com a raça alemã.

O primeiro passo para a maior guerra de todas as eras aconteceu em 1º de setembro de 1939, quando o exército de Hitler invadiu a Polônia. Dezesseis dias depois, o exército vermelho da ex-União Soviética também entrou no combate avançando pela fronteira oriental do país, já que a maioria das tropas polonesas se concentrava na porção ocidental, por onde avançavam os militares alemães.

O que o mundo ainda não sabia, até então, é que toda essa trama de ocupação e de divisão da Polônia já tinha sido acordada entre Stalin, líder da antiga União Soviética, e Hitler, comandante das forças alemãs, no Pacto de Não-Agressão.

Disputando o mesmo território, os dois países protagonizaram uma guerra que devastou grande parte das cidades polonesas. Para ter uma ideia, Varsóvia, a capital da Polônia, teve mais de 85% de seu território destruído. Além disso, sua população foi reduzida drasticamente para cerca de 10%: de 1,3 milhão de pessoas, a cidade passou a ter pouco mais de 150 mil.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Mapa da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

No lado nazista, dezenas de campos de concentração foram criados, inicialmente, para abrigar presos políticos – poloneses que se opunham ao regime nazista – e soldados soviéticos derrotados nos combates. Mais tarde, esses campos passaram a receber judeus vindos de diversas partes da Europa. Em 1941, o continente já estava sob o domínio de Hitler.

Com o envolvimento de países como Estados Unidos, Inglaterra e França, os ataques ao domínio alemão se intensificaram, aumentando o número de civis mortos, tanto nos países ocupados, quanto na própria Alemanha. O maior conflito de todos os tempos acabou em 1945, com a rendição do Japão, país aliado da Alemanha, depois que Hiroshima e Nagazaki foram destruídas por bombas atômicas.

O primeiro deles – que ficou conhecido como Auschwitz I – foi construído, a partir de 1940, na cidade de Oświęcim, a 67 quilômetros de Cracóvia, na Polônia. O mais terrível e o maior de todos era Auschwitz-Birkenau, que começou a ser planejado quando o primeiro campo estava quase com lotação esgotada. Neles, foram mantidos milhões de judeus, ciganos e outras minorias vindas de várias partes da Europa, além de soldados soviéticos presos durante a guerra. Mas a principal função desses complexos era mesmo matar.

A visita aos alojamentos

O imenso Museu de Auschwitz, que na verdade é o próprio campo de concentração, foi aberto em 1955, dez anos depois do fim da guerra. Seus principais atrativos estão espalhados por cinco dos 30 prédios que compõem o complexo. Para visitar Auschwitz é preciso caminhar bastante: além de entrar nos alojamentos 4, 5, 6, 7 e 11, você também vai conhecer a câmara de gás, o crematório e o local onde funcionou o escritório do exército nazista que comandava todo o campo.

Como é visitar Auschwitz

O padrão dos alojamentos de Auschwitz.

Como é visitar Auschwitz

Os alojamentos eram separados por cercas eletrificadas.

No primeiro alojamento, uma série de fotos da época mostra como era feita a seleção dos prisioneiros. Aqui, estão também números e dados que contabilizam o que foi o maior massacre da história do mundo moderno.

Como é visitar Auschwitz

Fotos ilustram a dor e a perseguição sofrida pelos judeus.

Como é visitar Auschwitz

Turistas ouvem a explicação da guia sobre uma das fotos.

Nas salas seguintes, eu presencio um dos momentos mais dolorosos da visita. Em grandes vitrines estão montanhas de sapatos, óculos, malas e outros objetos pessoais. Tudo isso foi confiscado dos prisioneiros assim que eles chegaram ao campo ou, como no caso dos óculos, foi retido antes deles serem enviados para a morte na câmara de gás.

Mas nada me impressionou mais, nesta sala, do que os cabelos humanos amontoados. É tanto cabelo que, talvez, fosse possível encher um apartamento inteiro. Nessa hora, a frieza dos números passou a fazer mais sentido e eu, realmente, me dei conta das milhares de pessoas que morreram aqui.

Como é visitar Auschwitz

O amontoado de óculos.

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A montanha de sapatos.

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Todos os prisioneiros tinham seus cabelos raspados.

A vida em Auschwitz

No caminho entre um prédio e outro, um silêncio sepulcral toma conta de Auschwitz. A única coisa que se ouve por aqui é passo lento e meio arrastado dos visitantes, e a suave voz da guia que acompanha meu grupo – serviço imprescindível para quem quer visitar Auschwitz e entender melhor sua história.

Chegamos a mais um alojamento e, aqui, percebo como era a vida dentro dos muros de Auschwitz. Nas primeiras semanas de funcionamento, os dormitórios não tinham cama. Todos eram obrigados a dormir sobre uma fina camada de palha, sem o mínimo conforto e privacidade. Mais tarde, os prisioneiros ganharam beliches de três andares que eram enfileiradas um ao lado do outro.

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Assim eram os dormitórios nas primeiras semanas do campo de concentração.

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Depois os prisioneiros ganharam beliches.

No corredor, enquanto caminho até o antigo banheiro, vejo a foto de centenas de prisioneiros que não sobreviveram aos horrores da guerra. Em dois cômodos pequenos há um lavabo e alguns sanitários que, sem divisórias, eram compartilhados por todos. Além disso, eles só podiam ser usados em horários determinados pelo comando nazista.

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Fotos de prisioneiros que passaram por Auschwitz.

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Os sanitários sem privacidade.

Algumas áreas dentro de Auschwitz não podem ser fotografadas. Uma delas é o interior do prédio onde o monstruoso médico Josef Mengele comandou uma série de experimentos com humanos. O ambiente é pesado, frio e causa muita estranheza.

Aqui, em nome da ciência, Mengele e seu grupo mataram gêmeos, injetaram substâncias estranhas em crianças e seguiram uma cartilha de horrores que não parecia ter limites.

Ao lado desse prédio ficava a área de fuzilamento, onde eram punidos e executados prisioneiros revoltados e desobedientes. Hoje, o muro que ainda carrega marcas de bala se tornou um local de homenagem às vítimas.

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O prédio onde Mengele fazia suas maldades.

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Detalhe do galpão cirúrgico, o centro médico de Auschwitz I.

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O pátio onde judeus eram punidos: quem desobedecia era pendurado nestas estacas.

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O muro de fuzilamento virou um memorial.

A câmara de gás

Os meus passos ficam pesados à medida que a guia vai nos contando mais sobre o lugar da nossa próxima parada: o complexo onde funcionava a câmara de gás que, daqui, foi replicada em vários outros campos de extermínio.

CLIQUE E SAIBA MAIS SOBRE A IDEOLOGIA NAZISTA

Os princípios que nortearam a ideologia nazista foram o ódio aos judeus, a negação da democracia e do comunismo, e a convicção da superioridade da raça alemã sobre qualquer outro povo. Com a ideia de criar uma sociedade pura, livre de outras etnias, os nazistas perseguiram e mataram milhões de judeus, mas não apenas. Eslavos, russos, ciganos, homossexuais e tantos outros grupos foram capturados, escravizados e assassinados nas câmaras de gás, ou simplesmente fuzilados.

Liderado por Adolf Hitler, o Partido Nazista tomou o poder na Alemanha em 1933, e, desde então, a política de doutrinação da população por meio da propaganda, que mostrava uma realidade disfarçada, passou a ocupar os veículos de comunicação nacionais.

Isso criou, em parte dos alemães, uma forte simpatia com os ideais defendidos pelos nazistas. Em um de seus famosos pronunciamentos, durante o congresso do Partido Nazista de 1937, Adolf Hitler defendeu o seu modelo nada convencional de formação. “Estamos educando uma juventude diante da qual o mundo inteiro temerá. Eu quero uma juventude que seja capaz de realizar violações, e que seja forte, poderosa e cruel”, declarou o ditador.

Em busca de poder, a Alemanha nazista matou, invadiu territórios e levou a Europa e países como Estados Unidos e Japão a se envolverem na maior guerra de todos os tempos. Uma guerra que não apenas mudou as relações políticas, mas que, principalmente, marcou para sempre a história da humanidade.

Originalmente, esse prédio foi construído para abrigar um necrotério e os fornos de incineração, mas, como precisavam encontrar uma forma mais rápida de eliminar os judeus, os nazistas começaram a fazer experimentos utilizando o Zyklon B, um potente pesticida capaz de matar um número maior de prisioneiros sem muito trabalho.

Como é visitar Auschwitz

Assim era o Zyklom B.

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O gás venenoso entrava na câmara por buracos como esse.

Trancados nessa sala fechada e mal iluminada, os prisioneiros eram, aos poucos, sufocados pelo gás que invadia cada canto do ambiente. Quando o veneno começava a fazer efeito, as pessoas tentavam fugir dos pontos de onde ele saia e, assim, crianças e idosos eram esmagados por causa do pânico que tomava conta de todos.

Em menos de 20 minutos, o gás interferia na respiração e a morte chegava lentamente em forma de sufocamento, crises convulsivas, sangramento e da perda dos sentidos.

Quando já havia passado tempo suficiente para que todos estivessem sem vida, um grupo de prisioneiros que trabalhava no crematório – o sonderkommando – era encarregado de limpar a câmara deixando tudo pronto para o próximo grupo.

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A fria câmara de gás.

Antes de enviarem os corpos para serem queimados, os soldados-prisioneiros verificavam a boca e os dentes de cada vítima em busca de ouro e objetos de valor escondidos. Depois disso, eles eram incinerados para que não restasse qualquer prova do crime que acabara de acontecer.

Os nazistas chegaram a operar outros quatro crematórios semelhantes a esse. Antes do fim da guerra, a maioria foi destruída na intenção de eliminar provas. O crematório e a câmara de gás dessa visita permaneceram praticamente intactos – apenas a chaminé teve que ser reconstruída durante a criação do Museu de Auschwitz-Birkenau.

Como é visitar Auschwitz

O crematório e a câmara de gás vistos do lado de fora.

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Os fornos do crematório.

Ao lado da câmara de gás ficava a sede administrativa do comando nazista que coordenava todos os campos de concentração do modelo Auschwitz. Hoje, nessa área, há apenas uma forca. Nela, o primeiro comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, foi executado, em 1947, depois de ter sido condenado à morte pela Suprema Corte Polonesa.

A visita ao complexo de Auschwitz tem, ainda, uma segunda parte, que acontece no campo de Auschwitz-Birkenau, que também é chamado de Auschwitz II. Por isso, eu sugiro que você leia: Como é visitar Auschwitz-Birkenau.

Como é visitar Auschwitz

Uma forca ocupa o lugar onde funcionou o comando nazista.

Como é visitar Auschwitz

Quanto custa | A entrada nos campos de concentração de Auschwitz é gratuita, mas estar acompanhado de um guia é indispensável para que você possa entender melhor tudo o que vai ver aqui. Você pode entrar em um grupo de visitantes pagando PLN 40. Consulte os horários dos passeios e as línguas disponíveis.

Quem leva | Há várias agências que fazem passeios saindo de Cracóvia para visitar Auschwitz, incluindo o acompanhamento do guia. Veja a lista com todas as opções e preços.

Como é visitar Auschwitz

As fotos que mostram como era o campo durante a guerra.

Quando ir | O complexo de Auschwitz abre às 8h, mas o horário de fechamento varia durante o ano. Nos meses de verão, a visita se encerra às 19h e em dezembro às 14h. Consulte os horários completos. A visita dura cerca de quatro horas.

O clima da Polônia é temperado, com as quatro estações bem definidas. O verão é bem curto, já o inverno é longo e muito frio. Os meses mais gelados vão de outubro a abril, quando os termômetros marcam temperaturas abaixo de zero.

Entre maio e setembro, os dias tendem a ser mais ensolarados, com temperaturas variando entre 20 e 27 graus. O mês mais quente é julho, e o mais frio é janeiro, com temperaturas chegando a menos cinco graus. Eu considero melhor planejar uma viagem para a Auschwitz entre os meses de maio e setembro.

Como chegar | Para chegar a Oświęcim, cidade que fica a 67 quilômetros de Cracóvia, você pode pegar um ônibus da empresa Lajkonik. Ela tem partidas diárias a cada uma hora – das 8h às 21h  – nas rotas que fazem parada no Museu de Auschwitz.

De carro, a viagem é tranquila e rápida, já que as rodovias estão em ótimas condições, mas há cobranças de pedágio no trecho saindo de Cracóvia. O museu tem estacionamento gratuito.

O Aeroporto Internacional de Katowice (KTW) é um dos mais movimentados da Polônia. Ele opera voos nacionais e internacionais partindo e chegando de outros países da Europa e é, também, muito usado por viajantes que querem visitar Auschwitz.

Como é visitar Auschwitz

Pisar o chão de Auschwitz é uma experiência transformadora.

O que levar | Não é permitido entrar com sacolas ou mochilas no museu. Se precisar, você pode deixar seus pertences no guarda-volumes. Uma garrafa de água, um lanche para o intervalo e sua câmera fotográfica são indispensáveis. Mas, se preferir, você poderá comprar algo para comer  nas lojinhas que funcionam na entrada, perto do estacionamento.

Onde ficar | Cracóvia é o principal destino turístico da Polônia e, por isso, escolher bem onde ficar vai lhe ajudar muito a aproveitar o melhor da cidade: inclusive na hora de visitar Auschwitz.

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Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até noventa dias, mas você precisará apresentar o passaporte dentro do prazo de validade. Carteira de identidade e quaisquer outros documentos brasileiros não serão aceitos. O seguro viagem é obrigatório e, sem ele, você pode ser proibido de entrar na Polônia. Veja como comprar seu seguro viagem com desconto.

Outras informações | Para ver outras informações sobre o país e planejar sua viagem com mais precisão, leia: Viagem para a Polônia: informações essenciais. Para quem gosta de cinema, uma boa dica é dar uma olhada nessa lista: Nove filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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