O hábito de comer cachorro na China: mitos, verdades e imagens fortes

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Atualizado em 2 de fevereiro de 2022

Comer cachorro na China

Foto: Rhett Sutphin

À primeira vista, o prato da foto acima parece uma refeição normal, saborosa, preparada com carne e vegetais. Na verdade, é isso mesmo. O único problema – pelo menos para mim – é que ele é feito com carne de cachorro: sim, comer cachorro na China e muito mais comum do que a gente pensa.

→ Por que não gostei da China?

Mas, claro, existe uma explicação para isso. Uma, não. Existem várias versões para explicar o hábito dos chineses de comer cachorro e gato, animais que, para boa parte do mundo, jamais entrariam no cardápio.

Comer cachorro na China é comum?

Segundo organizações de defesa dos direitos dos animais, estima-se que 10 milhões de cães e gatos – felinos em menor número – são consumidos, por ano, na China.

Isso acontece, especialmente, nas regiões de Guangxi, Guizhou e Cantão, e em áreas do nordeste chinês, onde vive uma grande população da etnia coreana. Então, é errado achar que todo chinês come carne de cachorro ou que isso aconteça em todas as partes do país.

Comer cachorro na China

Foto: Rob Sheridan

Mas, nas áreas onde a matança e o consumo desses animais ainda é uma forte herança cultural, os movimentos de contestação por parte das autoridades parece ter resultados lentos: algumas regiões já até aprovaram leis proibindo o consumo de carne de cachorro, mas isso só fez o mercado negro crescer.

Shenzhen, na província de Cantão, foi a primeira cidade a proibir o consumo de cachorros e gatos.

Isso significa que boa parte dos cachorros que acabam nos pratos dos chineses vem das ruas ou foi roubada dos seus donos.

Eles comem qualquer coisa que se mexa

Quando estive na China, um dos meus grandes medos era entrar em um restaurante e encontrar um cachorro no prato. Claro que isso tem uma dose de exagero, mas, sem conseguir ler os cardápios e me comunicar com os garçons, tudo seria possível – principalmente nas cidades do interior do país.

Para ficar mais aliviado, conversei com Linyu Li, um amigo que fiz pelo CouchSurfing, sobre isso. Ele mora em Guilin, na província de Guangxi, onde o hábito de comer cachorro ainda é extremamente forte.

Falando com tranquilidade, ele me explicou que o povo de sua região é capaz de “comer qualquer coisa que se mexa”.

A nossa conversa sobre o tema foi longa e ele me levou a um de seus restaurantes preferidos em Pequim, um lugar que eu não apresentaria nem para o meu pior inimigo – só para você ter uma ideia de como o ambiente era pesado e nojento.

Faz bem para a saúde

A tradição de comer carne de cachorro começou há mais de 400 anos na China.

Naquela época, qualquer fonte de proteína era bem-vinda para matar a fome da população. Era, claramente, uma questão humanitária: pessoas – seres humanos – estavam morrendo de fome e a solução era aproveitar o que fosse possível.

Por este ponto de vista, as coisas até fazem algum sentido, mas isso foi há quase meio milênio, e a fome já não é um problema tão grave assim para os chineses.

Comer cachorro na China

Foto: Anna Koskela

Além disso, há uma corrente da medicina tradicional chinesa que acredita que a carne de cachorro faz bem para a saúde, afastando o calor sentido durante os meses de verão.

É importante lembrar que, além da China, outros países asiáticos, como o Vietnã, consomem carne de cachorro.

Na Malásia, as autoridades chegaram a incentivar o consumo de cachorros como controle da população dos animais.

Na Coréia do Sul, comer carne de cachorro só foi proibido em 2018.

Há relatos de que a carne de cachorro era consumida no México e na Antiga Roma.

O Festival de Yulin

Se tudo isso que eu expliquei parece pesado e triste, se engana quem pensa que a barbárie contra animais que, no Brasil, são tratados como parte da família, é algo velado ou secreto.

Todos os anos, em junho, nas ruas da cidade de Yulin, na província de Guangxi, onde acontece o Festival de Yulin, é comum ver vendedores  expondo, em gaiolas, os animais que serão abatidos para celebrar o solstício de verão.

O Festival é recente, começou em 2009, e nos dez dias de festa são sacrificados entre 10 e 15 mil cachorros.

Em 2020, com a pandemia de Convid-19, a fiscalização das leis sobre o comércio e consumo de animais foi reforçada.

Só para lembrar, o novo corona vírus surgiu, no final de 2019, em um mercado em Wuhan, na região central da China, onde eram vendidos animais vivos.

Comer cachorro na China

Foto: Maria Ly

RECOMENDAÇÕES DE VIAGEM - COVID-19

Devido à pandemia de covid-19, novas medidas de saúde e segurança foram adotadas. Elas são importantes para evitar o contágio, protegendo você, quem trabalha diretamente com o turismo e as comunidades locais.

Então, antes de viajar, verifique quais as medidas protetivas  estão sendo adotadas no seu destino. Alguns lugares exigem o comprovante de vacinação contra covid-19, o uso de máscara e até seguro viagem.

Veja algumas medidas adotadas:

  • Álcool gel disponível nos quartos e nas áreas comuns dos hotéis;
  • Uso obrigatório de máscaras nas áreas comuns;
  • Respeito às regras de distanciamento social;
  • Uso de produtos de limpeza eficazes contra o coronavírus;
  • Café da manhã pode ser servido no quarto;
  • Restrição de horários e de capacidade de público em museus e eventos.
INFORMAÇÕES BÁSICAS
Visto | Brasileiros precisam de visto para entrar no país. Veja mais detalhes em: Como solicitar o visto para China.
Documentos | Você precisa apresentar o passaporte dentro do prazo de validade.
Dinheiro | A moeda nacional é o yuan renminbi, que é chamado de yuan ou de renminbi. 
Vacinas | A vacinação contra febre amarela é obrigatória. Saiba como solicitar o certificado.

COVID-19

Brasileiros devem apresentar resultado negativo para o teste RT-PCR (NAAT) colhido até 48 horas antes do embarque para a China. Mesmo assim, todos os viajantes que partirem do Brasil precisam ficar em quarentena por 14 dias ao chegar no país.

SEGURO VIAGEM

Nem todos os países têm um sistema de saúde público e gratuito. Na verdade, na maioria deles, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem. No caso da Bolívia, o  seguro viagem passou a ser obrigatório  depois da pandemia de covid-19.

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

→ Faça uma cotação do seguro viagem

Você já imaginou quanto custa um tratamento médico para esses casos em outros países? Dependendo da gravidade, o atendimento pode custar milhares de dólares, podendo gerar sérias dificuldades financeiras para você e seus familiares para o resto da vida.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

Veja mais dicas da China

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida é só deixar sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da China.