Porque não gostei da China

14

Atualizado em 3 de setembro de 2018

Primeiro, preciso dizer que este texto não tem a pretensão de lhe desanimar, de frustrar seus planos ou de denegrir a imagem de qualquer lugar que visitei. Eu resolvi escrever um pouco sobre porque não gostei da China, pois é muito normal que as pessoas contem e compartilhem apenas o lado bom de uma viagem. Mas, no mundo real, as coisas não são exatamente assim.

Tudo começou porque eu não escolhi a melhor época para visitar o país. Cheguei no começo do inverno e as temperaturas baixas me castigaram – logo eu que detesto frio. Então, por que eu fui parar na China no inverno? Simplesmente porque vi uma promoção de passagem aérea realmente muito boa – tipo essas da Black Friday – e resolvi arriscar.

Agora, eu apreendi a lição e mostro isso em: Quando ir a Pequim.

Além disso, eu já deixei o Brasil meio gripado, com a garganta ruim e a respiração pesada. Chegar assim a um dos países onde a poluição do ar é uma realidade absurdamente perigosa só piorou meu estado e tudo acabou se complicando.

Frio, doente e com fome

Com frio e doente, ainda tinha a diferença de fuso de 12 horas no relógio, que me fez trocar o dia pela noite nos primeiros cinco dias – algo que nunca tinha acontecido comigo.

As coisas só pareciam piorar quando eu procurava algo para comer. Nada me agradava, nada me parecia apetitoso e, assim, tentei sobreviver com o que achava numa esquina li e acolá: eu havia me proposto a não ir a restaurantes internacionais ou às famosas redes de fast food – McDonalds e Pizza Hut, por exemplo.

Porque não gostei da China

Não foi fácil comer como os chineses.

Eu estava na China e queria comer como eles – mesmo sabendo que eles comem até cachorro -, mas não consegui. É que, realmente, achei tudo muito ruim, como já mostrei em: Onde e o que comer em Pequim.

Porque não gostei da China

Isso era servido no café da manhã: vai saber se não tem pedaços de cachorro aí.

Aliás, não foi só na hora de comer que eu percebi a gritante diferença cultural que encontramos aqui. Para ir ao banheiro, acontece a mesma coisa: na Muralha da China, por exemplo, não há vaso sanitário e a pia nem torneira tem. Lavar as mãos para que, né? E olha que eu tinha preparado o roteiro, estudado tudo e já imaginava o que iria encontrar. Mas nada poderia controlar a forma como eu reagiria a tudo isso.

Não gostei da China

Para complicar ainda mais, o chinês não fala inglês. Na maioria dos restaurantes, o cardápio e os preços estão no idioma local. Nas lojas, os vendedores não compreendem o que falamos. Nas farmácias, pior ainda: eu ri muito com uma atendente fazendo mímica para me explicar como tomar um chá para garganta.

E se você está pensando que isso não acontece em grandes hotéis, está enganado. Me lembro que, quando cheguei a Pequim, tive dificuldade para encontrar meu hostel. Depois de pedir ajuda a várias pessoas na rua – isso porque eu tinha levado o endereço em chinês para mostrar a elas -, resolvi entrar num hotel grandão, desses de rede, para pedir ajudar.

Para minha infelicidade, havia oito profissionais da recepção do hotel e nenhum deles falava inglês. Tiveram que chamar o gerente para me ajudar.

Porque não gostei da China

Essa é uma ‘cafeteria’ de Pequim: aqui, um amigo chinês me trouxe para o desjejum.

Então, pense comigo, se em Xangai e em Pequim eu tive dificuldade para me comunicar com os chineses, imagina nas cidades menores do interior do país. Eu não fiquei para saber: antecipei meu voo e voltei para casa mais cedo. Um dia, quem sabe, retorne. Mas, desta vez, eu não gostei da China.

Veja todos os posts da China

CONPARTILHE COM SEUS AMIGOS

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

14 Comentários

  1. Olá Altier, foi muito curioso ler este seu post, porque a China é, até agora, o único país onde eu digo que me cansei de viajar. Tal como você, não “culpo” o país – no meu caso, acho que fiz as escolhas erradas (passei muito tempo em grandes cidades). Mas qualquer dia tenho de regressar para fazer as pazes com a China.
    Grande abraço desde Portugal, e continuação de boas viagens para você.

  2. Rachel Christina on

    Amo seus textos!! Muito bom como relata tudo. E só hoje descobri que tem como deixar um comentário por aqui 🤭. Tenho vontade de ir à China, e com certeza seus relatos ajudará como programar da melhor maneira.

  3. Não imaginava que tivesse acontecido isso. Foi grave mesmo, a ponto de você antecipar o voo (imagino a fortuna que pagou).
    Eu, depois de 35 países, ainda não me sinto “preparado” para a China, por isso ela nunca esteve nos meus planos. Mas no futuro, precisarei ver isso tudo com meus próprios olhos para formar minha opinião sobre o país, seu povo e costumes.

    • Altier Moulin

      Isso mesmo, Rozembergue.
      O ideal é ter as próprias conclusões.
      Eu nunca deixo de ir a um lugar apenas por causa das referências que ouço ou leio.
      Elas são importantes apenas para me dar outra visão das coisas, mas nada se compara ao fato de viver as próprias experiências.

      Um abraço.

  4. Confesso que me bateu um frio na barriga ao ler isso. Planejei um mochilão de 31 dias para a China em julho de 2019. Meu foco não são as maiores cidades, mas os parques nacionais como Jiuzhaigou e Zhangjiaje. Além disso, ficarei em varias cidades mais centrais como Chengdu, Fenghuang, Yinching. Estou tendo muita dificuldade em relação aos tours. Consegui contato de guias locais que demoram muito para responder. Você tem alguma dica em relação a passeios? Consigo fechá-los lá ou é melhor garantir os pacotes pelos sites daqui mesmo? Obrigada pelas publicações. Li varias do seu blog!

Escreva um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.