Aventura em La Paz: como é descer a Estrada da Morte de bicicleta

Atualizado em 10 de outubro de 2022 – 3 min de leitura

Como é descer a Estrada da Morte

Se você está procurando um pouco de adrenalina em sua viagem pela Bolívia, descer a Estrada da Morte de bicicleta é tudo o que você precisa. Considerado um dos passeios mais incríveis da região de La Paz, essa estrada pitoresca tem paisagens, curvas e abismos impressionantes, e o grande barato aqui é fazer o downhill, descendo de 4.200 a 1.200 metros, percorrendo um total de 75 quilômetros.

A estrada, que tem o título de mais perigosa do mundo, já foi concorrida por carros, ônibus e motos que se espremiam na estreita rota. Atualmente, a Estrada da Morte não é mais tão utilizada por veículos, já que outra rota foi construída como alternativa mais segura.

Entretanto, mesmo de bicicleta, a estrada é perigosa e já registrou acidentes graves. Mas basta que você siga as instruções e não abuse da velocidade para que seu passeio termine sem imprevistos, pois ele é planejado para garantir sua segurança.

A Aline Cristina Firmino, de São Paulo, e o João  Bittencourt, de Roraima, fizeram a descida na Estrada da Morte. Leitores do blog, eles toparam contar como foi essa aventura e, claro, deixaram suas dicas para quem quer viver essa experiência.

O João conta que foi de van até La Cumbre del Cristo, onde começa a descida de bicicleta pela Estrada da Morte, e que a primeira parte é feita no trecho asfaltado e, por isso, tem trânsito moderado de carros e caminhões.

Essa é a parte em que alcançamos maior velocidade. Em alguns trechos, chegamos a 60 km/h. Depois, a rodovia começa a subir e, então, voltamos para a van que segue a gente o tempo todo como carro de apoio”, lembra.

Como é descer a Estrada da Morte

Na subida, todos entram na van, como conta João, até a parte onde a rodovia não é asfaltada. É aqui que a adrenalina vai lá no alto. A Aline lembra como foi divertido passar por esse trecho da Estrada da Morte.

Toda parada era momento de escutar o guia falando das mortes que ocorreram naquele trecho, justamente para salientar a importância do cuidado. Tínhamos que ser muito cautelosos com cada pedregulho na estrada, pois um erro poderia ser fatal”, conta.

A descida termina no povoado de Coroico, a 1.700 metros de altitude, onde os nossos amigos aventureiros puderam presenciar o dia a dia de uma comunidade tradicional boliviana.

Cuidados essenciais

Para ser divertido e seguro, você precisa tomar alguns cuidados na hora de descer a Estrada da Morte. A primeira delas é contratar uma empresa que tenha experiência e equipamentos em bom estado. As empresas que os nossos amigos viajantes indicam é a X Treme Down Hill e a Gravity Bolivia. No preço do passeio, estão inclusos os equipamentos, fotos e vídeos, lanche no meio do passeio e almoço no final.

Outro ponto importante é se vestir apropriadamente. Geralmente, as empresas oferecem macacões, luvas e capacete, itens essenciais para sua segurança. Mas um fator que pode lhe perturbar é o frio.

Como é descer a Estrada da Morte

No inicio, a 4.700 metros de atitude, o frio é muito grande, e as paisagens com neve predominam, mas, à medida que vamos descendo, a temperatura vai aumentando e a floresta amazônica vai mostrando a sua cara”, lembra João.

Como a variação de temperatura é grande e como o seu corpo se aquecerá por causa da atividade física, o ideal é que você use três camadas de roupa. Assim, você pode tirá-las de acordo com o clima.

Como é descer a Estrada da Morte

Descer a Estrada da Morte

Aline conta que não é uma viajante aventureira e que está acostumada com atividades mais tranquilas, porém, motivada pela amiga, ela topou descer a Estrada da Morte e não se arrependeu.

A paisagem é incrível! Fomos em julho, portanto o frio estava um pouco intenso pela manhã. E por causa da altitude, o corpo estranhou um pouco. Mas a sensação é única: um misto de liberdade, medo, felicidade. Um momento de bastante temor foi retornar de ônibus pela estrada, pois estava chovendo e com muita neblina. Só o ônibus cabia na estrada, e ver da janelinha o penhasco foi tenso”, conta.

João, por outro lado, encoraja os mais medrosos. “O guia sempre anda de acordo com o ritmo do mais lento. Então, não precisa ser veloz, pois não estamos disputando uma corrida. O passeio deve ser apreciado nos seus mínimos detalhes, já que a paisagem é belíssima”, sugere.

Como é descer a Estrada da Morte

Informações Básicas

Visto

Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até 90 dias. Esse prazo pode ser estendido por mais 90 dias.

Documentos

Você pode usar o passaporte, com validade de seis meses, ou a carteira de identidade, emitida há menos de dez anos.

Dinheiro

A moeda oficial é o boliviano, representado pela sigla BOB. Veja como usar seu dinheiro na Bolívia.

Vacinas

A vacinação contra febre amarela é obrigatória. Veja como emitir o Certificado Internacional de Vacinação.

Informações sobre covid-19

As regras para viajantes vacinados e não vacinados são um pouco diferentes. Por isso, é preciso ter atenção na documentação exigida pela imigração boliviana.

Além de todos os documentos básicos de uma viagem internacional, como passaporte ou carteira de identidade, passagem de ida e volta e comprovante de hospedagem, por exemplo, é preciso ter em mãos os seguintes comprovantes:

  1. Certificado de vacinação contra covid-19 com, pelo menos, duas doses, sendo que a última deve ter sido aplicada, no mínimo, 14 dias antes da viagem – exigido apenas de viajantes vacinados;
  2.  Resultado negativo de teste RT-PCR, feito até 72 horas antes da viagem, ou antígeno (teste rápido), feito até 48 horas antes da partida para a Bolívia – exigido apenas de viajantes não vacinados maiores de cinco anos;
  3. Formulário de Localização de Passageiros, disponível no site da Direção-geral de Aviação Civil – apenas um por família.

De forma geral, viajantes brasileiros não precisam fazer quarentena na chegada ao país, mas é importante estar preparado para que restrições que afetem viagens internacionais entrem em vigor com pouco ou nenhum aviso prévio por parte das autoridades bolivianas.

Você os detalhes das regras Resolución Multi-Ministerial 001, de 27 de abril de 2022.

Apesar de não haver restrições nacionais para covid-19, os departamentos e municípios têm a autonomia para impor restrições em nível local.

Acesse o site oficial para acompanhar os números de casos de covid-19 na Bolívia.

RETORNO AO BRASIL

Viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo, ou RT-PCR, coletado até 72 horas antes do embarque.

Seguro viagem

Apesar de não ser obrigatório,  viajar sem um seguro viagem com cobertura para covid-19 não é uma boa ideia. 

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você também terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

Se você for fazer qualquer atividade de risco – como trekking em vulcões, cruzar o Salar de Uyuni de carro ou conhecer a Amazônia boliviana, por exemplo – o seguro passa a ser essencial para sua viagem. Pode confiar em mim!

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Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

MAL DE ALTITUDE

Se você vai viajar para a Bolívia, já sabe que é importante se prevenir do mal de altitude. Também conhecido como soroche, ele é muito comum em viajantes que se aventuram por regiões próximas a 3.000 metros de altitude.

Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, enjoo, vômito, tontura, cansaço excessivo e mal-estar. Esses são os principais reflexos da dificuldade do nosso organismo em absorver o oxigênio, e, embora seja raro, em condições extremas, o mal de altitude pode levar à morte.

Isso acontece porque, à medida que a altitude aumenta e a pressão atmosférica cai, o ar fica mais rarefeito. Assim, a concentração de oxigênio diminui e o nosso corpo sente isso. Para prevenir ou diminuir seus efeitos, é bom evitar fazer movimentos rápidos e esforço físico nos primeiros dias.

Mascar folhas de coca é uma forma bastante eficaz de prevenir o mal de altitude. A forma correta de usar a folha é deixar a erva no canto da boca e sugar o sumo que ela libera quando em contato com a saliva. O uso do chá pode ser mais saboroso e nas farmácias é fácil encontrar pílula para soroche.

Veja mais dicas da Bolívia

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida é só deixar sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Bolívia.

Sobre o Autor

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Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

comentários

4 Comentários

  1. Dângelo Dantas

    Estive aí na semana passada, realmente é um dos visuais mais belos que já vi. E sim, a estrada é sinuosa,exige respeito, cautela e atenção triplicada. Quando descemos por Coroico, pegamos um visual incrível e tenso com muitas chuvas e lama. Quase houve uma baixa em nossa equipe, que ao escorregar em direção ao precipício foi salva pelo guia que a agarrou pela perna quando já estava com busto do lado do abismo. É seguro, porém a adrenalina e os riscos são constantes. Além de, a equipe de guias e as bicicletas serem extremamente preparados justamente para a sua segurança. A equipe que nos guiou foi a excelente NO FEAR.

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    • Altier Moulin

      Caramba, Dângelo. Que sinitro!

      Responder
      • Dângelo Dantas

        Sinistro é a palavra que define bem. Passagens estreitas, a estrada parece não ter fim pois são horas de bike descendo a montanha e nenhum trecho plano ao lado. Precipícios o tempo todo. Se quiser uma força, basta entrar em contato que conto pra você alguns relatos de carro pela interoceanica ate macchu picchu e de avião até la paz. Somos do Acre, poucos sabem, mas como você já esteve aqui, deve imaginar…partindo da fronteira bolivia pelo aeroporto de Cobija através de voos baratíssimos você chega a La Paz e de lá, caso queira, ganha o mundo, pois o aeroporto de El Alto tem voos que atravessam o oceano até a Europa também. Pessoas que moram em nossa região não fazem ideia do acesso e facilidades que temos em relação a viagens

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