A curiosa história do Castelo de Devin

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Atualizado em 27 de julho de 2018

A Eslováquia é um país novo, ele surgiu da divisão da Tchecoslováquia, em 1993. Mas, se engana quem pensa que essas terras não têm histórias para contar. Ela é considerada uma das mais significantes nações em termos de sítios arqueológicos na Europa Central. As colinas eslovacas já eram habitadas desde a Idade do Bronze, ou seja, há pelo menos cinco mil anos. E o Castelo de Devin é um dos mais antigos remanescentes dessa época.

Para você ter uma ideia, os primeiros registros encontrados sobre o Castelo datam do ano 864. Mas, a movimentação por aqui começou muito antes disso.

A curiosa história do Castelo de Devin

Uma das primeiras visões que temos das ruínas do castelo.

A curiosa história do Castelo de Devin

O portão de entrada do complexo.

A curiosa história do Castelo de Devin

A parte exterior do prédio romano.

Na visita que fiz às ruínas do Devin, eu descobri que, na verdade, ele foi sendo construído em etapas. Cada povo que habitou essa região deixou um pouco de sua marca, de seu estilo e, assim, o Castelo acabou viram uma gigantesca estrutura edificada no alto de uma colina, a mais de 200 metros acima do nível do mar.

Justamente por isso, ele virou uma espécie de fortaleza que guardava o ponto onde se encontram o Rio Danúbio e o Rio Morava. Aliás, foi essa localização privilegiada que fez com que ele fosse habitado por tanto tempo, em vários períodos históricos: como todos os navios tinham que passar por essa parte do rio, estabeleceu-se uma relação comercial na qual os navegantes tinham que pagar uma espécie de pedágio para avançar rio adentro.

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O ponto de encontro dos rios Danúbio e Morava.

A curiosa história do Castelo de Devin

Detalhes da construção.

Modificações e novas construções

Estudos mostram que vários anexos foram adicionados à estrutura principal do Castelo de Devin, entre eles uma capela do século 4, mas a maioria das construções remanescentes aconteceram entre os séculos 13 e 17.

Um prédio no estilo romano é uma das partes mais preservadas do complexo, e foi descoberta por arqueólogos em 1930. Infelizmente, durante a Segunda Guerra Mundial boa parte do que havia sido encontrado pelos pesquisadores foi destruída.

De toda forma, esse é um lugar mais que especial, pois as ruínas que hoje vemos de pé resistiram ao tempo, às guerras e fazem parte da história de personagens famosos mundialmente. Dizem que Napoleão Bonaparte atacou ferozmente o castelo, destruindo quase tudo que existia, em 1809.

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A parte interna do prédio romano.

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Placas identificam cada parte do complexo de Devin.

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Ruínas da capela do século 4.

Exibições e demonstrações

Logo que entrei na área do Castelo de Devin, eu vi três cabanas montadas no gramado. De longe não conseguia identificar do que se tratava, mas depois de alguns passos vi que eram moradores da região – moças e rapazes – caracterizados como habitantes do Castelo. Dentro de suas tendas, eles manuseavam artefatos de guerra e costuravam peças em couro e lã.

Eu fiquei animado e me aproximei do grupo. Um rapaz me mostrou e explicou como eram feitas as ferramentas, as roupas e demonstrou um pouco da técnica usada para fazer fogo. Supergenial!

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Uma das tendas onde os moradores da região explicam a história do Castelo.

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Alguns artefatos semelhantes aos usados pelos povos que habitaram o Devin.

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Uma aula de como fazer fogo.

Lá no alto, em um dos quartos do prédio romano, funciona uma sala de exibições onde estão expostos alguns objetos, como peças de cerâmicas e outras ferramentas.

No meio do pátio do Castelo, há um poço. Como em todas as construções de época, ele era uma fonte de água potável segura e cômoda, mas hoje ele é mais um item que desperta a nossa curiosidade: de tempo em tempo, uma funcionária do Castelo joga uma caneca de água no poço, e olha para a gente com um ar de suspense. Contados sete segundos, a água alcança o fundo do poço, 55 metros abaixo da superfície.

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Uma das salas de exibição do Castelo.

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Em exposição, ferramentas e objetos de cerâmica.

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O misterioso poço que parece não ter fundo.

Planeje sua visita ao Castelo de Devin

Quanto custa | A entrada no complexo do Castelo custa EUR 4. Estudantes, crianças de 6 a 14 anos e idosos pagam EUR 2.

Quando ir | Você pode visitar o Devin de maio a setembro, das 10h às 18h, e de outubro a abril, das 10h às 19h. Para evitar as massas de turistas, eu sugiro que você visite o Castelo logo no começo do dia.

A Eslováquia tem um inverno frio, com muita neve, e um verão ameno, mas bastante chuvoso. O melhor período para visitar o país é na primavera, entre maio e junho, e no outono, entre setembro e outubro.

A curiosa história do Castelo de Devin

O tíquete de entrada no Castelo de Devin.

Quem leva | Se você é daqueles viajantes que prefere comodidade, há incríveis passeios incluindo uma visita ao Castelo de Devin. Há várias faixas de preços e serviços opcionais que você pode consultar neste site.

Como chegar | O Castelo de Devin fica a 12 quilômetros do Centro de Bratislava. Os ônibus da linha 29 têm paradas na entrada do Castelo. A passagem custa EUR 1,20 e as partidas acontecem a cada hora. No Uber, a tarifa fica entre EUR 6 e EUR 9.

De barco, navegando pelo Rio Danubio, as partidas acontecem duas vezes por dia, às 10h e às 14h30. Os horários de retorno de Devin para Bratislava são às 13h30 e às 18h30. O tíquete de ida e volta custa EUR 10, e quem faz a viagem é a empresa LOD.

O Aeroporto de Bratislava (BTS) é o único da cidade e o mais importante do país, mas ele não recebe voos partindo do Brasil, sendo necessário, portanto, fazer escala em outro país europeu.

Onde ficar O coração da capital eslovaca é a Cidade Velha e ficar aqui faz toda a diferença, especialmente se você tiver pouco tempo. Eu escolhi as melhores opções para ajudar você a decidir e, por isso, sugiro que você leia Onde se hospedar em Bratislava.

Visto e Documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar na Eslováquia, mas é preciso apresentar o passaporte com pelo menos seis meses de validade e um seguro viagem específico para países europeus.

Informações importantes | Para planejar sua viagem à Eslováquia com mais segurança, eu sugiro que você leia Eslováquia: informações que você precisa saber.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

2 Comentários

  1. Avatar

    vou acrescentar um comentário doce que um amigo local me disse, enquanto passeávamos às margens do Danubio. Na estrada, ha um coração (cerca de 1m de altura) feito com o arame que oa povos antigos usaram para cercar parte do Danubio na epoca das batalhas. Aos próximos que forem, vale uma foto no local.

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