Como é a visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro

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Atualizado em 11 de junho de 2018

É impossível chegar perto deste prédio e não ter vontade de ver como ele é por dentro. Considerada a principal casa de espetáculos do Brasil e uma das mais importantes da América do Sul, a visita ao Teatro Municipal do Rio é uma experiência bem interessante, principalmente para quem é apaixonado por arquitetura e artes.

Eu já tinha assistido ao espetáculo O Quebra Nozes aqui, com a fabulosa Ana Botafogo, em outra vez que vim ao Rio de Janeiro, mas, agora, eu voltei para conhecer tudo com mais calma, ouvindo as explicações da guia para cada sala.

Ah, é importante dizer que todas as visitas são guiadas e têm duração de cerca de uma hora – não há visitação livre. Os horários são pré-estabelecidos, como eu explico no final do texto.

Como é a visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro

O Teatro foi inaugurado em 1909 e foi inspirado na Ópera de Paris.

Um café no estilo persa

O Teatro foi inaugurado em 1909 e tem um jeitão europeu. É que, além de ter sido inspirado na Ópera de Paris, muito do que a gente vê, aqui, veio do Velho Continente. Os espelhos, os lustres, os vitrais e até os mármores vieram de longe.

Como é a visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro

O café funciona num salão com decoração persa e síria.

No subsolo, exatamente embaixo do palco, funciona o café do Teatro. Ele tem uma decoração bem exótica, com um painel persa que mostra a coroação do Rei Dario, uma réplica do original exposto no Museu do Louvre, em Paris. Muita gente acha que ele é egípcio, mas é persa.

Nas colunas do Salão Assyrio, você vai ver esculturas bem interessantes, como as de alguns touros. Elas representam força e poder. Nos corredores laterais, os grandes espelhos enfeitam ainda mais o ambiente pouco iluminado – pensado para dar mais aconchego e privacidade aos visitantes.

Aqui, também funcionava um restaurante, mas as atividades foram suspensas no final da década de 1990, como medida de prevenção: o calor da cozinha podia prejudicar os azulejos tão bem decorados.

No salão, também aconteciam bailes de carnaval e apresentações de cantores emblemáticos da música brasileira, como Pixinguinha. Hoje, o café funciona apenas nos dias de espetáculo.

Uma senhora plateia

O salão principal do Teatro é algo encantador. Na plateia, cabem, exatamente, 2.300 pessoas, incluindo os três pisos de cadeiras e os camarotes, alguns deles reservados para autoridades.

A pintura no teto e sobre o palco é outra riqueza deste lugar. Quando estiver aqui dentro, olhe para o alto e veja como o artista quis mostrar a passagem do tempo, usando as cores azul e rosa, no fundo da imagem.

Como é a visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro

A plateia do teatro tem capacidade para 2.300 pessoas.

Como é a visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro

O palco que recebe espetáculos desde 1909.

No teto, também está outra preciosidade que a gente pode ver com calma na visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro: o lustre principal, feito com 700 cristais belgas. Incrível, não acha?

A essa altura, você já deve estar pensando que deve ser muito caro assistir a um espetáculo aqui, não é mesmo? Bem, isso depende. Geralmente, as apresentações organizadas pelo corpo artístico do teatro têm preços populares, a R$ 10, mas há ingressos que custam a bagatela de R$ 600.

Como é a visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro

Corredor que da acesso aos camarotes.

Como é a visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro

A pitura do teto e o lustre são algumas das riquezas deste lugar.

Curiosidades do Teatro

O Teatro Municipal do Rio de Janeiro demorou quatro anos para ficar pronto, de 1905 a 1909. Além disso, quase tudo o que vemos, hoje, está como foi pensado – a não ser algumas intervenções feitas para ajustar prédio às necessidades da vida moderna. Entre elas: a inclusão de grades e portões, e algumas ampliações internas.

O projeto inicial foi a junção da ideia de dois arquitetos. Um deles, filho de Pereira Passos, o prefeito do Rio de Janeiro naquela época. Apesar de ter sido escolhido em um concurso, os vereadores suspeitaram que o projeto apresentado pelo filho do prefeito tinha sido feito pelo departamento de arquitetura da Prefeitura.

Como é a visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro

Fachada do Teatro Municipal do Rio e a estátua do compositor Carlos Gomes.

Outro motivo de grandes suspeitas e reclamações foi o custo da obra. É que para erguer algo tão glorioso assim o prefeito não economizou e gastou o equivalente a dois por cento do PIB nacional da época.

Hoje, apenas para manter o teatro gasta-se cerca de R$ 700 mil todo mês. Parte desse dinheiro vem dos espetáculos que acontecem aqui, muitos deles montados por grandes companhias internacionais.

Como é a visita ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro

A principal escadaria do prédio.

Aliás, isso sempre aconteceu. Até a década de 1930, a maioria dos espetáculos vinha de fora do país, principalmente da Itália. Mas, depois, o Teatro passou a ter seus próprios corpos artísticos: Orquestra SinfônicaCoro e Ballet, que são, até hoje, responsáveis pela realização das temporadas artísticas oficiais.

Planeje sua visita ao Teatro Municipal do Rio

Quanto custa | O ingresso para a visita guiada custa R$ 20 e estudantes pagam meia. A venda é feita na bilheteria do teatro, e a lotação é de 50 pessoas. Não há visitação livre.

Quando ir | As visita ao Teatro Municipal do Rio acontecem de terça a sexta, às 11h30, 12h, 14h, 14h30 e 16h, e nos sábados e feriados, às 11h, 12h e 13h.

Como chegar | O Teatro fica na Praça Floriano, na Cinelândia. Para chegar aqui, você pode usar a linha 1 ou 2 do metrô e descer na estação Cinelândia, saída para Avenida Rio Branco.

Onde ficar | O Rio tem muitas opções de hospedagem barata, mas é sempre bom saber quais as melhores áreas para ficar e – principalmente – como economizar, não é mesmo? Por isso, eu sugiro que leia: 10 melhores opções de hostel no Rio de Janeiro.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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