Bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

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Atualizado em 24 de julho de 2018

No extremo sul do continente africano, eu encontrei uma das paisagens mais bonitas e cheias de história de toda a minha viagem pela África do Sul. Isso aconteceu quando eu fiz um bate-volta até o Cabo da Boa Esperança. O nome veio depois que revelou a conexão entre os oceanos Atlântico e Índico.

Foi o navegador português Bartolomeu Dias quem venceu o antigo Cabo das Tormentas. Com a ajuda de seus homens, ele superou todas as histórias de marinheiros que enfrentaram tempestades ao tentar cruzar a passagem para o outro lado do continente. Vencida a batalha contra o agitado mar, a esquina ocidente-oriente passou a ser um posto de abastecimento para embarcações que faziam a rota até às Índias em busca de especiarias.

De lá para cá, muita coisa mudou. Entretanto, Cape Point, localizado a 50 quilômetros ao sul de Cape Town, ainda preserva a sua beleza natural. Aqui, há praias desertas banhadas por águas geladas e pintadas de azul transparente.

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Cape Point: bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

A belíssima paisagem de Cape Point.

Cape Point: bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

A região que liga os oceanos Índico e Atlântico.

O caminho até a última ponta do Table Mountain National Park, que se estende desde Cape Town até a última porção de terra de Cape Point, é lindo e por si só vale a viagem. Há vários mirantes em toda sua extensão, de onde você pode apreciar as praias e as encostas, sentindo-se a criatura mais feliz do mundo por estar aqui.

CLIQUE E SAIBA MAIS SOBRE O TABLE MOUNTAIN NATIONAL PARK

Reconhecido como um dos principais atrativos da África do Sul, o Table Mountain National Park é também um importante ícone mundial do turismo no país. E isso não acontece apenas por causa de sua impressionante beleza cênica, mas devido à sua biodiversidade e riqueza de vida. Nessa região, residem cerca de 20% de toda a diversidade de plantas do continente. Por esse motivo, a Unesco a considerou um Patrimônio Mundial da Humanidade.

Chamada pelos indígenas que habitavam a região de Montanha do Mar, essa imensa formação rochosa tem sua origem há 30 mil anos. Criado em 1998, o parque se divide entre áreas urbanas e terras de propriedade privada. Assim, vence o desafio de proteger 221 quilômetros quadrados e ainda ostenta o título de ser o parque nacional mais visitado da África do Sul. São mais de 4,2 milhões de visitantes a cada ano.

Dentro do Parque, apenas algumas áreas podem ser acessadas de carro particular: o Cabo da Boa Esperança e a Signal Hill. Mesmo assim, os veículos estão sujeitos aos limites de velocidade estabelecidos e devem manter-se nas estradas designadas.

Essa mesma estrada vai revelar ainda, além da beleza natural da região, os seus habitantes ilustres. Durante boa parte do trajeto, há placas informando sobre a presença de babuínos. Espaçosos, eles podem ocupar a estrada e interromper o trânsito por alguns minutos. Mas, o maior cuidado que você deve ter é não dar bobeira com seus pertences. Em busca de comida, eles entram nos carros estacionados, carregam bolsas, máquinas fotográficas e tudo o que encontrarem pela frente. Não são raros os casos de ataques desse tipo.

Cape Point: bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

A belíssima paisagem da Victoria Road.

Cape Point: bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

Montanha e mar estão lado a lado no caminho até Cape Point.

Cape Point: bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

O mar que me acompanha pelo caminho

Pelo caminho, encontro ainda os pinguins que habitam as praias de Simon’s Town. Assim como no caso dos macacos xeretas, as placas nos avisam sobre sua presença. Vale a pena descer do carro e caminhar até bem perto deles. Mas respeite os limites desses bichos que, apesar de serem uma fofura, são animais selvagens e podem ser agressivos, caso sintam-se ameaçados.

A rica vegetação do Table Mountain National Park é praticamente toda rasteira e é onde se registra uma das maiores concentrações de espécies de plantas do gênero em todo o continente africano.

Cape Point: bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

Placas avisam sobre a presença de babuínos.

Cape Point: bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

Pinguins em Simon’s Town.

Depois dessa belíssima viagem, chego ao ponto alto do passeio. Gravada em uma placa, a inscrição que me trouxe até aqui pode ser lida em inglês e africâner: Cabo da Boa Esperança, o ponto extremo do sudoeste do continente africano. Foi aqui que Bartolomeu Dias superou os seus medos e mudou a história para sempre.

Não há nada além da placa, e quase sempre há fila para tirar foto. É aquela rapidinha: pare, fotografe e dê espaço para o próximo. Afinal, é por isso também que todo mundo vem aqui.

Depois de algumas fotos e de uma longa parada para apreciar a paisagem, aproveito para subir a trilha de onde observo a bela vista das praias no entorno, como a que leva o nome do navegador português. O caminho me conduz ainda aos faróis construídos na ponta do Cabo da Boa Esperança.

Cape Point: bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

Trilha que leva até o Cabo da Boa Esperança e a Praia Bartolomeu Dias.

Cape Point: bate-volta até o Cabo da Boa Esperança

A placa do Cabo da Boa Esperança.

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Quanto custa | A entrada no parque custa ZAR 135. Crianças de até 12 anos pagam ZAR 70.

Quando ir |  Para fazer o bate-volta até o Cabo da Boa Esperança, é muito importante organizar seu tempo. De abril a setembro, os portões ficam abertos das 7h às 17h. Enquanto nos meses de outubro a março, os visitantes podem permanecer dentro do Table Mountain National Park das 6h às 18h.

Cape Town tem as quatro estações do ano bem definidas. O verão, entre novembro e fevereiro, é quente, seco e com pouca chuva. Nesse período, as temperaturas máximas ficam entre 25 e 27 graus. No inverno, os termômetros chegam a marcar sete graus, sendo os meses de junho a agosto os mais chuvosos. Em fevereiro, março e novembro, quase não chove.

Quem leva | Há inúmeras excursões que partem de Cape Town para Cape Point diariamente. Consulte os preços e faça sua reserva nos passeios de Cape Town.

Como chegar | Cape Point está a 50 quilômetros de Cape Town. O acesso é seguro e as estradas estão em ótimas condições. Há duas rotas que nos levam ao Cabo da Boa Esperança. A principal delas – a que as empresas de turismo preferem – fica a oeste da Table Mountain. Ela passa por bairros cheios de mansões construídas nas encostas da montanha Twelve Apostles (Doze Apóstolos) e segue pela Victoria Road e pela Chapman’s Peak.

Para chegar aqui, você pode comprar um pacote em uma das lojas de turismo no Waterfront. Há opções interessantes para fazer o trajeto final da estrada de bicicleta. Considere alugar um carro se estiver em grupo ou em família, pois o seu tempo poderá ser mais bem aproveitado.

Onde ficar | O centro da cidade ganha alguns pontos na hora de escolher onde se hospedar em Cape Town. Ele fica perto de lugares bastante visitados, como o Waterfront, e é recheado de museus e restaurantes. Além disso, essa região tem fácil acesso ao meios de transporte público e o preço da hospedagem aqui é mais camarada. Veja as minhas dicas de onde se hospedar em Cape Town.

Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer na África do Sul por até 90 dias. Entretanto, é necessário apresentar o passaporte com validade de, pelo menos, um mês depois da data prevista para o retorno. É muito importante ter um seguro viagem enquanto estiver no país para ser atendido em caso de incidentes. Veja como comprar o seguro viagem com descontos exclusivos.

O Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) contra a febre amarela é obrigatório. Sem ele, você pode ser impedido de entrar no país. Nessa região, há muitos insetos e, também, casos de malária. Veja como se proteger aqui.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

4 Comentários

  1. Diego Silveira on

    Estou planejando uma viagem para Cape Town no próximo ano. Achei muito boas as suas dicas!! Agora, deixa eu perguntar uma coisa, não sei se você vai poder responder: vc se lembra quanto custa um passeio por agência? Paga-se o passeio + a entrada do parque? É um passeio de quanto tempo mais ou menos?
    Abraço.

    • Altier Moulin

      Oi Diego,

      Eu fui de carro, com um amigo sul-africano, então pagamos apenas a entrada no parque. Mas eu sugiro que você contrate um passeio, porque acaba saindo mais barato, levando em consideração o transporte, o guia, a entrada e o conforto, é claro.
      Você pode dar uma olhada neste link. Aqui estão algumas opções de passeios com preços e opções bem diferentes.

      Aproveite! Um abraço.

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