Puno e o povoado de Sillustani

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Atualizado em 3 de abril de 2018

Chego a Puno compartilhando o mesmo pequeno espaço na van com quase duas dezenas de turistas. Esse é o símbolo de como ainda é precário o sistema de transporte público no Peru. E, isso fica mais evidente nas cidades menores, como é o caso de Puno. De Arequipa a Juliaca, que está a menos de 50 quilômetros de Puno, foram vinte e cinco minutos de voo.

Á medida em que o carro se aproxima da cidade, sua realidade se revela. Às margens do maior lado de água doce do mundo, o Titicaca, Puno tem um tom avermelhado. Isso é resultado da falta de reboco e pintura nas casas. Além disso, aqui, só há pavimentação nas principais ruas, por onde nós turistas andamos.

SOBRE O LAGO TITICACA

Estrategicamente localizado na fronteira entre o Peru e a Bolívia, o Lago Titicaca tem mais de 8.000 quilômetros quadrados. Ele está a 3.821 metros acima do nível do mar, o que o faz ser o lago navegável mais alto do mundo. Além disso, é o segundo maior da América Latina, perdendo apenas para o lago de Maracaibo, na Venezuela.

Para muitas culturas latino-americanas, o Lago é considerado sagrado. Também por isso, ele é cercado de histórias e mistérios. Por exemplo, conta a lenda que foi das águas do Lago Titicaca que emergiu Manco Capac, quem deu início à construção do Império Inca.

Embora estranho, dizem que o nome do lago pode ser traduzido como Pedra do Puma. Além disso, há quem diga que ele tem a forma de um puma correndo.

Quem vive perto do Lago depende quase totalmente dos recursos naturais e nutricionais que ele oferece. São mais de 2.000 espécies de peixes e aves que habitam as águas desse lago que mais parece um imenso mar.

Se, por esse lado ele é uma fonte de sobrevivência, para turistas do mundo inteiro o Lago Titicaca é um atrativo imperdível quando se trata de Peru e Bolívia. Embora a cidade de Copacabana também seja um importante centro turístico, a melhor visão do Lago é de Puno.

Mas Puno também tem o seu lado mais atrativo. Mudando de cenário, parto para Sillustani, um sítio arqueológico pré-inca que fica a 45 minutos do centro da cidade. Os povos que habitavam Sillustani, antes da invasão inca, não enterravam os seus mortos. Eles os colocavam, sempre em posição fetal, dentro de torres de pedras edificadas no alto das montanhas. Isso pois acreditavam que, chamados pelo deus sol, os mortos  renasceriam para uma nova vida.

Puno e o povoado de Sillustani

o antigo povoado é uma imensidão de ruínas.

Puno e o povoado de Sillustani

As torres de pedras construídas no alto das montanhas de Sillustani.

Puno e o povoado de Sillustani

A paisagem vermelha das encostas de Puno.

Para evitar a guerra, os povos de Sillustani foram escravizados pelos incas. Em seguida, perderam os laços com a sua cultura original. Como resultado de um esforço comunitário para a manutenção do pequeno povoado, essa história tem sido recuperada lentamente nas últimas décadas. Mas, a arquitetura inca se destaca no cenário de Sillustani. A maior e mais imponente torre se diferencia das demais por seu estilo mais elaborado. É fácil perceber que os invasores tinham técnicas mais avançadas e arrojadas de construção.

Mesmo ameaçada no passado, Sillustani ainda está aqui pra quem quiser vê-la. Do alto do monte, a visão que alcanço com o Lago Umayo no horizonte é espetacular.

Puno e o povoado de Sillustani

A vista de quem chega à cidade de Puno.

Puno e o povoado de Sillustani

A arquitetura inca se destaca em Sillustani.

Puno e o povoado de Sillustani

A paisagem do Lago Umayo.

Outra maravilha de Puno é o arquipélago artificial onde vivem os uros. Eles habitavam o altiplano de Puno até a chegada dos incas. Depois, fugiram para o Lago Titicaca e construíram nele o seu lugar de habitação. A totora, uma planta abundante nos arredores do imenso lago, é matéria-prima para tudo o que os Uros necessitam. Tudo mesmo, como as ilhas, as casas, as embarcações, a alimentação e a arte das Ilhas de Uros são baseadas nela. Para saber mais sobre esse incrível lugar, leia: Ilhas de Uros: o mundo flutuante do Titicaca.

Puno e o povoado de Sillustani

A comunidade se reúne para as boas-vindas ao nós turistas.

Programe sua visita ao povoado de Sillustani

Quem leva | O povoado de Sillustani fica bem perto, a cerca de 45 minutos. Você pode fazer a reserva com uma das empresas que funcionam na Calle Lima. Mas, se você prefere ter tudo reservado, veja a lista completa de passeios saindo de Puno.

Quando ir | Como Puno está em uma altitude superior a 3.800 metros, o clima quase sempre é frio, especialmente à noite. Durante o dia, o sol é quente e, mesmo que você pense que não precisa, deve-se usar chapéu, óculos de sol e protetor solar para se proteger. Durante a alta estação, nos meses de que vão de julho e agosto, quase todos os dias um turista é hospitalizado com queimaduras. A temperatura média é de 8 graus, com máxima de 15, no verão, enquanto a mínima é de um grau no inverno.

Independentemente da época do ano, o clima em Puno sempre será frio e seco. Mesmo assim, fevereiro é o mês ideal para visitar a cidade. No dia dois, a Festa da Virgen de la Candelaria enche todos os cantos da cidade de fé e de manifestações religiosas. Durante as celebrações podem ser observadas uma grande variedade de danças e outras manifestações culturais de Puno e das cidades ao redor.

Como chegar | Ônibus diários partem de Cusco e de Arequipa com destino a Puno. A viagem de Cusco a Puno leva entre cinco e oito horas, dependendo da empresa de ônibus. Isso porque algumas param no caminho pegando passageiros, o que atrasa muito a viagem. Há também os ônibus turísticos, como os da Inka Express. Nestes, a viagem começa às 7h30 e tem várias paradas em pontos turísticos. Com isso, o percurso até Cusco é concluído em oito horas. Veja a lista com as principais companhias rodoviárias do país: Empresas de ônibus no Peru.

Se você estiver na Bolívia, há ônibus de Copacabana duas vezes ao dia. De La Paz, a viagem pode ser feita em duas rotas ligeiramente diferentes: a primeira é mais direta, passa por Desaguadero e dura cerca de cinco horas; a segunda é via ferry boat, através do Lago Titicaca e de Copacabana.

O aeroporto mais próximo está a pouco mais de uma hora de Puno, na cidade de Juliaca, e recebe voos de Lima, Cusco e Arequipa. Definitivamente, essa é a forma mais prática para chegar a Puno. Uma viagem de Lima a Juliaca dura aproximadamente 1h45. Para planejar seu voo, leia: Companhias aéreas do Peru.

De Cusco, durante os meses de abril a outubro, há partidas de trem nas segundas, quartas, sextas e sábados. Nos meses que vão de novembro a março, a viagem acontece nas segundas, quartas e sábados. A Peru Rail, empresa que opera o trem, aceita pagamentos com cartões de crédito, mas será necessário apresentá-los no ato do embarque.

A viagem de trem corta as montanhas andinas e o vale do rio Huatanay, proporcionando um cenário maravilhoso. O trem para em La Raya, o ponto mais alto da viagem. Em seguida, ele fica por cerca de dez minutos para permitir que os passageiros saiam para comprar artesanato, água e comida.

Onde ficar | Para escolher a sua hospedagem em Puno, é preciso levar em consideração que a cidade está sobre uma encosta bastante íngreme. Se a sua preocupação for apenas financeira, pode ser que você encontre ótimos preços em hotéis e hostels. Porém, muitos deles ficam bem no topo do morro, onde não há nada interessante.

Reserve já o seu hotel em Puno e garanta os melhores preços.

Em sua busca por um lugar para ficar, você vai ver que muitos anúncios citam uma bela vista para a cidade e para o Lago como um atrativo extra, porém isso é óbvio: a cidade inteira está voltada para o Titicaca. A minha sugestão, então, é escolher um lugar que fique o mais próximo possível da Plaza de Armas pois é aqui que está a melhor área da cidade. Veja todas as opções de onde se hospedar em Puno.

Saúde | O seguro viagem não é obrigatório, mas eu não aconselho que você viaje sem ele, já que é muito comum ser afetado pelo mal de altitude. Saiba como comprar seu seguro viagem com desconto. Veja mais dicas em: Dicas para cuidar de sua saúde no Peru.

Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no Peru por até 90 dias. Na chegada, você poderá apresentar a carteira de identidade. Mas, é preciso que ela tenha sido emitida há menos de dez anos e que esteja em bom estado de conservação. Outra opção é usar o passaporte.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

2 Comentários

    • Altier Moulin

      Oi Rose,

      Olha o mal de altitude pode te derrubar mesmo se você achar que está preparada para enfrentá-lo. O que quero dizer é que algumas pessoas sentem enjoo, dor de cabeça e um cansaço muito grande. Claro, isso acontece com a minoria das pessoas, mas acontece. Os riscos diminuem bastante quanto você é uma pessoa ativa e que pratica algum esporte.

      Para evitar que esses sintomas te deixem mal, eu sugiro que faça uma programação leve principalmente no primeiro dia que estiver em cidades mais altas, acima de 3.500 metros, como é caso de Puno. Além disso, leve remédios que possam te ajudar e beba o chá da folha de coca. Ele ajuda muito, mas tenha cuidado para não tomar demais. Em excesso ele pode causar taquicardia.

      Vai dar tudo certo. Viaje com fé.

      Um abraço!

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