Ilhas de Uros: o mundo flutuante do Titicaca

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Atualizado em 6 de abril de 2018

Os uros habitaram o altiplano de Puno até a chegada dos incas. Com isso, fugiram para o Lago Titicaca e construíram, aqui, o seu lugar de habitação. A totora, planta abundante nos arredores do imenso lago, é matéria-prima para tudo o que os uros necessitam. Desde as ilhas, as casas, as embarcações, a alimentação e até arte das Ilhas de Uros são baseadas nela.

SOBRE O LAGO TITICACA

Estrategicamente localizado na fronteira entre o Peru e a Bolívia, o Lago Titicaca tem mais de 8.000 quilômetros quadrados. Ele está a 3.821 metros acima do nível do mar, o que o faz ser o lago navegável mais alto do mundo. É o segundo maior da América Latina, perdendo apenas para o lago de Maracaibo, na Venezuela.

Para muitas culturas latino-americanas, o Lago é considerado sagrado. Também por isso, ele é cercado de histórias e mistérios. Conta a lenda que foi das águas do Lago Titicaca que emergiu Manco Capac, quem deu início à construção do Império Inca.

Embora estranho, dizem que o nome do lago pode ser traduzido como Pedra do Puma. Há quem diga que ele tem a forma de um puma correndo.

Quem vive perto do Lago depende quase totalmente dos recursos naturais e nutricionais que ele oferece. São mais de 2.000 espécies de peixes e aves que habitam as águas desse lago que mais parece um imenso mar.

Se por esse lado ele é uma fonte de sobrevivência, para turistas do mundo inteiro o Lago Titicaca é um atrativo imperdível quando se trata de Peru e Bolívia. Embora a cidade de Copacabana também seja um importante centro turístico, a melhor visão do Lago é de Puno.

A comunidade é formada por cerca de 60 ilhas e cada uma delas é governada por um presidente voluntário, que tem mandato anual. Em Capi Nativo, a ilha que visitei, assisti a uma breve explicação sobre os hábitos desse povo. Com isso, entendi melhor sua forma de organização e um pouco de sua história. Sentado sobre bancos de totora, experimento da vida dos uros com direito a provar da planta que dá vida ao povoado. O gosto da totora é semelhante ao do pepino.

A vida dos Uros é absurdamente diferente. Eles vivem em casas minúsculas – de no máximo três metros quadrados -, sem qualquer mobília ou tecnologia. As mulheres, aparentemente, trabalham muito mais que os homens. Nas poucas horas que estive na ilha, elas cozinharam, cuidaram das crianças, transportaram alimentos, venderam artesanato e foram elas, também, quem movimentaram a embarcação rústica que me levou para um passeio por cerca de meia hora pelo Titicaca. Mais tarde, descobri que aos homens cabe a tarefa de trazer o alimento, pela pesca ou pela caça.

Ilhas de Uros: o mundo flutuante do Titicaca

A comunidade se reúne para as boas-vindas a nós, turistas.

Ilhas de Uros: o mundo flutuante do Titicaca

Turista experimenta a totora na Ilha de Uros.

Ilhas de Uros: o mundo flutuante do Titicaca

O artesanato dos uros: história contada em tecido e linhas.

Cada ilha é o lar de uma unidade familiar. As crianças sempre estudam os primeiros anos em uma escola que funciona em uma ilha vizinha. Então, mais tarde, são enviadas para concluir os estudos no continente. Esse é um dos motivos que fazem com que a maioria dos descendentes dos Uros decida viver no continente.

E o que dizer das crianças das Ilhas de Uros? Elas, sim, comoveram o meu coração. Com o olhar distante, o sorriso simples, as bochechas rosadas pelo frio e com as roupas caindo – provavelmente aproveitadas de um irmão ou parente mais velho -, elas me tiraram o foco.

Naturalmente descontraídos, os pequenos se jogavam sobre mim, cantavam em sua língua nativa e distribuíam beijos a quem os desejasse. Deixo a ilha pensando nesta pequena menina que está na foto comigo. Infelizmente, não sei o seu nome, assim como ela não sabe como será o seu futuro nas Ilhas de Uros.

Ilhas de Uros: o mundo flutuante do Titicaca

Não sei o seu nome, assim como ela não sabe como será seu futuro.

Ilhas de Uros: o mundo flutuante do Titicaca

A espontaneidade das crianças das Ilhas e Uros.

Ilhas de Uros: o mundo flutuante do Titicaca

Mulher de Uros: todas elas têm na face um sentimento de tristeza.

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Quanto custa | A viagem até as Ilhas de Uros custa cerca de PEN 40, por pessoa. O passeio na embarcação tradicional dos uros custa cerca de PEN 15, por pessoa.

Quem leva | As Ilhas de Uros ficam bem perto, a cerca de 30 minutos de barco partindo de Puno. Muitas empresas de turismo oferecem passeios para cá e, quase sempre, não é necessário fazer reserva com antecedência. Isso porque a oferta de barcos é sempre grande. Mas, se você prefere ter tudo reservado, veja a lista completa de passeios saindo de Puno.

Quando ir | Como Puno está em uma altitude superior a 3.800 metros, o clima quase sempre é frio, especialmente à noite. Durante o dia, o sol é quente e, mesmo que você pense que não precisa, deve-se usar chapéu, óculos de sol e protetor solar para se proteger. Durante a alta estação, nos meses de que vão de julho e agosto, quase todos os dias um turista é hospitalizado com queimaduras. A temperatura média é de 8 graus, com máxima de 15, no verão, e mínima de um grau no inverno.

Independentemente da época do ano, o clima em Puno sempre será frio e seco. Mesmo assim, fevereiro é o mês ideal para visitar a cidade. No dia dois, a Festa da Virgen de la Candelaria enche todos os cantos da cidade de fé e de manifestações religiosas. Durante as celebrações podem ser observadas uma grande variedade de danças e outras manifestações culturais de Puno e das cidades ao redor.

Como chegar | Ônibus diários partem de Cusco e de Arequipa com destino a Puno. A viagem de Cusco a Puno leva entre cinco e oito horas, dependendo da empresa de ônibus. Algumas param no caminho pegando passageiros e isso atrasa muito a viagem. Há também os ônibus turísticos, como os da Inka Express. Com eles a viagem começa às 7h30 e tem várias paradas em pontos turísticos. Devido a isso, o percurso até Cusco é concluído em oito horas. Veja a lista com as principais companhias rodoviárias do país: Empresas de ônibus no Peru.

Se você estiver na Bolívia, há ônibus de Copacabana duas vezes ao dia. De La Paz, a viagem pode ser feita em duas rotas ligeiramente diferentes. A primeira é mais direta, passa por Desaguadero e dura cerca de cinco horas, enquanto a segunda é via ferry boat, através do Lago Titicaca e de Copacabana.

O aeroporto mais próximo está a pouco mais de uma hora de Puno, na cidade de Juliaca, e recebe voos de Lima, Cusco e Arequipa. Definitivamente, essa é a forma mais prática para chegar a Puno. Uma viagem de Lima a Juliaca dura aproximadamente 1h45. Para planejar seu voo, leia: Companhias aéreas do Peru.

De Cusco, durante os meses de abril a outubro, há partidas de trem nas segundas, quartas, sextas e sábados. Nos meses que vão de novembro a março, a viagem acontece nas segundas, quartas e sábados. A Peru Rail, empresa que opera o trem, aceita pagamentos com cartões de crédito. Porém, será necessário apresentá-los no ato do embarque.

A viagem de trem corta as montanhas andinas e o vale do rio Huatanay, proporcionando um cenário maravilhoso. O trem para em La Raya, o ponto mais alto da viagem, por cerca de dez minutos para permitir que os passageiros saiam para comprar artesanato, água e comida.

Onde ficar | Para escolher a sua hospedagem em Puno, é preciso levar em consideração que a cidade está sobre uma encosta bastante íngreme. Se a sua preocupação for apenas financeira, pode ser que você encontre ótimos preços em hotéis e hostels que ficam bem no topo do morro, onde não há nada interessante.

Reserve já o seu hotel em Puno e garanta os melhores preços.

Em sua busca por um lugar para ficar, você vai ver que muitos anúncios citam uma bela vista para a cidade e para o Lago como um atrativo extra, porém isso é óbvio: a cidade inteira está voltada para o Titicaca. A minha sugestão, então, é escolher um lugar que fique o mais próximo possível da Plaza de Armas pois é aqui que está a melhor área da cidade.

Saúde | O seguro viagem não é obrigatório, mas eu não aconselho que você viaje sem ele. É muito comum ser afetado pelo mal de altitude. Saiba como comprar seu seguro viagem com desconto. Veja mais dicas em: Dicas para cuidar de sua saúde no Peru.

Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no Peru por até 90 dias. Na chegada, você poderá apresentar a carteira de identidade, desde que ela tenha sido emitida há menos de dez anos e que esteja em bom estado de conservação, ou o passaporte.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

2 Comentários

  1. Avatar

    Oi Altier… estou partindo para um mochilão Bolivia-Peru em 2 dias e estou devorando seus posts e pegando mtas dicas. Parabéns pelo blog… é ótimo. Gosto muito do seu estilo de escrita.
    Em Puno terei pouco tempo. Pego um ônibus para Arequipa as 15hrs. É possivel fazer o passeio para as ilhas flutuantes apenas numa manhã certo? Qto tempo leva , vc lembra? Os barcos partem logo de manhazinha?
    Muito obrigada desde já… 🙂

    • Altier Moulin

      Oi Cinthia, obrigado por ler o blog.

      É possível sim fazer o passeio em uma manhã. O barco parte pela manhã e também a tarde.
      A viagem até às ilhas dura em torno de 30 minutos. O passeio todo não demora mais que três horas.

      Espero que consiga fazer porque é uma experiência muito interessante.

      Um abraço!

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