Salta e Jujuy: o exuberante norte da Argentina

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Atualizado em 6 de agosto de 2018

Salta e Jujuy não são, nem de longe, os lugares mais famosos da Argentina. É que a gente já consagrou Buenos Aires, a patagônia e até o mítico fim do mundo – Ushuaia –, mas pouco se fala do norte da Argentina, um lugar de paisagens tão ricas que, certamente, você vai querer conhecer.

Embora, geograficamente, as províncias de Salta e Jujuy fiquem no noroeste do país, é comum que os argentinos se refiram a esta parte como norte. O fato é que toda esta área é a que mais tem influência da Cordilheira dos Andes, cadeia de montanhas que percorre o continente sul-americano de norte a sul.

Salta e Jujuy: o exuberante norte da Argentina

O norte da Argentina, apesar de pouco falado tem lugares fantásticos, como as Salinas Grandes.

Salta e Jujuy: o exuberante norte da Argentina

A paisagem se parece muito com o Salar de Uyuni, na Bolívia.

Salta e Jujuy: o exuberante norte da Argentina

Tem paisagem linda para cada lado que a gente olha.

Essas províncias – que, para nós, seriam como estados brasileiros – ficam na divisa com Chile, Paraguai e Bolívia, e é justamente por isso que a paisagem daqui se assemelha tanto com as do deserto do Atacama e do incrível Salar de Uyuni, dois ícones na vida de qualquer viajante.

Mas, se o que escrevi até agora não foi suficiente para lhe convencer a se mandar para cá, eu tenho muitas outras cartas na manga: as passagens são baratas, há muitas opções de hospedagem com preços que todo mundo pode pagar, e, daqui, você pode montar um roteiro muito interessante passando pelos países vizinhos.

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Para vencer a Cordilheira, a estrada dessa região tem muitas curvas.

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Humahuaca tem uma paisagem bem clássica do norte da Argentina.

Sem contar, claro, com as exóticas paisagens que vi em cada uma das principais cidades por onde passei. É isso que mostro a seguir:

Lugares para conhecer no norte da Argentina

San Salvador de JujuySan Salvador de Jujuy – ou simplesmente Jujuy – é a capital da província de Jujuy e, claro, a maior cidade dessa região. Ela não é um lugar daqueles que a gente se apaixona à primeira vista, mas, tem a infraestrutura ideal para nos receber: o aeroporto modesto, que fica a 33 quilômetros do centro, e a rodoviária – chamada de Terminal Nueva – fazem a ligação com o resto da Argentina e com os países vizinhos. Para saber mais, leia: Como chegar a Jujuy

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San Salvador de Jujuy é a capital da Província de Jujuy.

Como está a 1.259 metros acima do nível do mar, a cidade também serve para a gente se acostumar com o clima e com o ar, que só vai ficando ainda mais rarefeito à medida que subimos a Cordilheira.

Aqui, eu caminhei pelo centro e visitei o Jardim Botânico de Jujuy, que, na verdade, é um parque com um mirante de onde a gente tem uma vista linda da cidade e dos montes que a cercam.

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O mirante do Jardim Botânico de Jujuy.

Tilcara | San Francisco de Tilcara – ou, simplesmente, Tilcara – é muito cativante e, talvez, a principal atração para os turistas. É que ela fica num ponto central, de onde partem os passeios para a Quebrada de Humahuaca, uma região de vales e montanhas coloridas.

Eu fiquei duas noites nesta cidade e conheci, com o apoio da ADN Travel, vários lugares realmente lindos, como a cidadezinha de Humahuaca e o famoso Cerro El Hornocal. Todos esses lugares, a gente visita partindo de Tilcara num bate-volta.

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Humahuaca vista do alto.

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O Cerro El Hornocal é conhecido como a montanha de 14 cores.

Mas, uma dica que dou é ir com calma, porque a gente passa por altitudes superiores a 4.300 metros e, por isso, o corpo reclama: cansaço, sonolência, dor de cabeça, enjoo e vômito podem ser os sintomas do mal de altitude – que nem sempre aparece, como eu mostro em: Aprenda como prevenir o mal de altitude.

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Em Purmamarca, a gente vê outras montanhas coloridas.

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Um privilégio ter esse lugar só pra mim, não acha?

PurmamarcaDe todos os lugares que visitei na província de Jujuy, Purmamarca foi o que mais me agradou. Ela tem uma energia especial, com ruas calmas, sem calçamento – como várias outras cidades daqui –, um povo acolhedor e uma paisagem espetacular.

Eu fiquei três dias em Purmamarca, e, daqui, fui até as incríveis Salinas Grandes, um deserto de sal muito semelhante ao Salar de Uyuni, na Bolívia.

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Salinas Grandes: o deserto de sal do norte da Argentina.

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Os ojos d’agua são lagos naturais que se formam no meio do deserto de sal.

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Um dos ojos d’agua vistos do alto.

Salta | Esta é, certamente, a cidade mais famosa do norte da Argentina. Ela é também a mais desenvolvida – mais que Jujuy – e está no roteiro de praticamente todo viajante que vem para essas bandas.

Além de ter uma noite super agitada, cheia de baladas e festas sazonais, Salta tem um atrativo para lá de especial: o tren a las nubes.

Esse trem percorre paisagens belíssimas do interior do país, passando por vilarejos dos Andes argentinos e chega ao viaduto la Polvorilla, uma ponte de ferro que está a 4.200 metros de altitude. O Trem para as Nuvens é, reconhecidamente, um dos percursos ferroviários mais altos do mundo: exatamente, o sexto na lista.

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O ponto mais alto do trajeto está a 4.200 metros acima no nível do mar.

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O tren a las nubes chega ao viaducto Polvorilla.

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Vicunhas que vi pelo caminho: parente da lhama, elas são selvagens e protegidas.

Outro ponto positivo dessa viagem é que a gente conhece vários lugares bem pitorescos, como El Alfarcito, que ganhou fama nacional pela garra do padre Chifri, que lutou para construir uma escola que atendesse a 25 comunidades da região – se você está precisando de uma história inspiradora, leia: El Alfarcito e a história do padre Chifri.

E tem, ainda, San Antonio de los Cobres, o ponto de chegada e partida da minha viagem no trem. A cidade é reconhecida como a mais alta da Argentina e a capital nortenha da mineração.

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O centro do povoado de El Alfarcito, que tem uma bela história recente.

Iruya | Esta cidade fica na província de Salta, mas só dá para chegar aqui passando por Jujuy. É que o relevo dessa região é bem complicado, então, quem quiser visitar Iruya tem que passar por este lado.

A paisagem no caminho é coisa de louco – linda demais. A gente passa por vários povoados que parecem ter parado no tempo e chega a 4.000 metros acima do nível do mar, de onde temos uma vista adorável do Cerro Morado.

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O gigante Cerro Morado que encontrei no caminho pra Iruya.

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A igreja de Iruya, que fica na província de Salta.

Você vai precisar de tempo

Eu fiquei nove dias no norte da Argentina e não vi tudo – acredito que tenha visitado apenas metade dos lugares interessantes. Então, é indispensável otimizar seu tempo e determinar o que é prioridade para você.

De qualquer forma, não indico ficar menos de uma semana por aqui, pois para chegar a alguns povoados – como Iruya  –,  a gente faz uma verdadeira maratona: eu saí às 9h e voltei às 20h, só para você ter uma ideia.

É fácil chegar ao norte da Argentina

Você pode chegar ao norte da Argentina pelas cidades de Salta e Jujuy. Eu comprei uma passagem de São Paulo (GRU) a Jujuy (JUJ) por R$ 708 com a Aerolíneas Argentinas e ainda pude ficar três dias em Buenos Aires, na volta, sem custo adicional.

As duas cidades também têm conexões fartas entre si e com a capital argentina por terra: as rodovias são boas e há muitas empresas de ônibus que operam nesta área do país. Se quiser saber mais, leia: Como chegar a Jujuy.

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Chegar às principais cidades do norte da Argentina de carro e de ônibus é fácil.

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O hotel que fiquei em Purmamarca tinha uma vista sensacional.

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Minha viagem teve o patrocínio de ADN Travel e Hotel Luna Daniela.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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