Salinas Grandes: o incrível deserto de sal com lagos sagrados do norte da Argentina

Atualizado em 5 de outubro de 2022 – 3 min de leitura

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Você já deve ter ouvido falar muito bem do norte da Argentina. É aqui, também, que ficam as Salinas Grandes, um daqueles lugares que a gente se orgulha o resto da vida por ter conhecido.

Paisagens deslumbrantes esperam por você em uma terra onde a simplicidade dos vilarejos e do povo que vive aqui é – sem qualquer demagogia – o que mais me tocou.

Esse deserto de sal é muito semelhante ao Salar de Uyuni, na Bolívia, mas é bem menor. Nem por isso, menos bonito. Se quiser comparar, dê uma lida nos posts que fiz sobre Uyuni.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Neste artigo, eu vou explicar sobre:

Salinas Grandes

Para chegar aqui, eu fiz base em Purmamarca, uma cidade de Jujuy que realmente conquistou meu coração, tanto que fiquei mais tempo do que previa inicialmente.

Da cidade até as Salinas Grandes, a gente percorre cerca de 65 quilômetros, mas, a distância, que parece pouca no mapa, se torna longa por causa das muitas curvas da estrada.

É que o carro vai subindo a Cordilheira bem devagar e é isso que faz a gente perder o fôlego.

Aliás, isso não é brincadeira: à medida que a altitude aumenta, as dificuldades de respirar aparecem. Isso é comum em regiões mais altas, como eu explico em: Aprenda como prevenir o mal de altitude.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

As Salinas Grandes estão a uma altitude elevada – o ponto mais alto da estrada fica a 4.170 metros acima do nível do mar – e o frio aqui é quase permanente: eu peguei nove graus no mês de junho, no começo do inverno.

Para saber mais, você deve ler: Quando ir a Jujuy, no norte da Argentina.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Como elas se formaram

Explicando de forma simples, as salinas são o resultado do acúmulo de sais minerais que descem da Cordilheira dos Andes.

Como essa região entre Salta e Jujuy, duas províncias do noroeste argentino, é um platô, a água da chuva se concentra e o sal fica quando ela evapora.

Acho que, com isso tudo, você já faz ideia de que conhecer essa parte da Argentina vai ser um marco em sua história de viajante: eu nunca tive dúvidas desde que vi as primeiras fotos das piletas de extracción.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Essas aberturas geométricas são feitas no chão do deserto para extrair o sal e logo se enchem de água, que, com o reflexo dos raios solares, ganham tons de azul turquesa. Com o tempo, o sal se acumula novamente e elas somem.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Os lagos sagrados do salar

Mas, muito mais do que isso, os ojos del salar me deixaram de boca aberta. Eles são lagos enormes que aparecem naturalmente. Por isso, é preciso caminhar com cuidado e sempre acompanhado de um guia, pois a gente nunca sabe quando o chão vai ceder.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

A cor da água também é impressionante e pode variar de acordo com cada lugar, com a intensidade da luz solar e com a concentração dos minerais: quanto mais azulada, mais arsênio, e quanto mais amarelada, mais zinco tem o lago.

Para fazer uma caminhada pelo salar com um guia local, eu tive que pagar ARS 100. A visita é rápida, cerca de 40 minutos. Ele me contou como é feita a extração e disse que ninguém pode tocar nas águas dos lagos, pois eles são sagrados, considerados um presente divino.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Como visitar as Salinas Grandes

Agora que você já sabe o que vai encontrar por aqui, eu explico tudo que você precisa para programar sua viagem para as Salinas Grandes.

Quanto custa

Eu fiz essa viagem com a ADN Travel. Eles têm passeios que saem de Jujuy e de Purmamarca e que incluem o guia e o transporte. O passeio mais longo, que também inclui uma parada para ver o Cerro de Siete Colores, custa ARS 1.100.

Como chegar

A principal base para quem quer visitar as Salinas Grandes é o povoado de Purmamarca, na província de Jujuy. De ônibus, há chegadas e partidas, praticamente, a cada meia-hora e a passagem saindo de Jujuy custa cerca de ARS 85. Não há transporte público regular de Purmamarca para as Salinas Grandes.

De carro, você deve seguir pela RN-09 e, depois, entrar na RN-52. O aeroporto mais próximo fica em Jujuy, a 83 quilômetros de Purmamarca.  Para saber mais, leia: Como chegar a Jujuy.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Onde ficar

Eu me hospedei no hotel Luna Daniela. Ele fica a dois quilômetros do centro de Purmamarca, de frente para as montanhas que são o grande atrativo deste lugar.

Como está em uma área mais tranquila, ele é excelente para quem viaja sozinho, em família ou com amigos. Os quartos são grandes, limpos e têm calefação – o que é importante demais nessa região – televisão, internet sem fio, chuveiro quente e banheira.

Se quiser saber mais detalhes, leia: Como é se hospedar no hotel Luna Daniela.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Quando ir

O período mais agradável para vir à região de Purmamarca é nos meses de abril a outubro, sendo que a estação mais seca se concentra nos meses de julho e agosto. Aliás, agosto é o mês mais seco e praticamente sem chances de chover.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Nos meses chuvosos há chances de encontrarmos o salar alagado. Se por um lado isso limita o nosso campo de exploração, por outro, dá para ver o plano como um espelho refletindo o céu.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Para saber mais, leia: Quando ir a Jujuy, no norte da Argentina.

Informações Básicas

Visto

Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até 90 dias. Esse prazo pode ser prorrogado por mais 90 dias.

Documentos

Brasileiros podem apresentar o passaporte ou a carteira de identidade, desde que tenha sido emitida há menos de dez anos.

Dinheiro

O peso argentino, identificado pela sigla ARG, é a moeda nacional. Para sua viagem, leve reais ou dólares.

Vacinas

Nenhuma vacina específica é obrigatória, independentemente do motivo da viagem.

Informações sobre covid-19

De acordo com o decreto publicado no dia 24 de agosto de 2022, não há mais nenhuma exigências quanto à covid-19. Portanto, não é necessário apresentar comprovante de vacinação nem resultados de exames RT-PCR.

Até então, era obrigatório preencher a Declaración Jurada Electrónica para el Ingreso al Territorio Nacional e ter  um seguro viagem com cobertura para a covid-19.

Retorno ao Brasil

Viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo, ou RT-PCR, coletado até 72 horas antes do embarque.

Seguro viagem

Apesar de não ser obrigatório,  viajar para a Argentina sem o seguro viagem não e uma boa ideia.  Sem ele, você poderá ter que pagar caro, caso precise de uma consulta médica ou de atendimento hospitalar.

Ter um seguro viagem é ainda mais importante se você for viajar para áreas mais remotas do país, como a Patagônia e o norte argentino – na região de Jujuy e Salta, muitas pessoas se sentem mal por causa da altitude.

Além disso, o custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

→ Faça uma cotação do seguro viagem

Antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

GOLPE NO TÁXI

Na hora de pegar um táxi – que ainda é a melhor opção para se locomover nas cidades da Argentina –, utilize veículos de frota e fique de olho na hora de pagar: sempre olhe para o motorista e diga qual o valor em espécie você está entregando a ele.

Esse cuidado tem uma razão: alguns motoristas trocam a sua nota e dizem que a que você o entregou é falsa. Há casos em que eles deixam o dinheiro cair no chão do carro e pegam uma nota falsa para lhe repassar.

Outro golpe praticado por motoristas de táxi contra turistas é alegar que você entregou a ele uma nota no valor inferior ao pretendido.

Uma amiga chegou a Buenos Aires à noite. Cansada, depois de tomar um táxi, ela fez o pagamento com uma nota de ARS 100. Entretida com as malas, ela não percebeu que o taxista tinha trocado a sua nota por uma de ARS 10.

Ela se desculpou, entregou-lhe novamente uma nota de ARS 100, e manteve a postura desatenciosa. O motorista aproveitou e, novamente, disse que tinha recebido outra nota de ARS 10. No final das contas, ela pagou ARS 300 por uma corrida de táxi que custou menos de ARS 100.

Infelizmente, carros de aplicativo ainda não são tão comuns em várias cidades argentinas e isso nos faz reféns dos taxistas.

Veja mais dicas da Argentina

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Argentina.

Sobre o Autor

<a href="https://www.penaestrada.blog.br/author/altier/" target="_self">Altier Moulin</a>

Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

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