Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

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Atualizado em 5 de setembro de 2018

Você já deve ter ouvido falar muito bem do norte da Argentina. Paisagens deslumbrantes esperam por você em uma terra onde a simplicidade dos vilarejos e do povo que vive aqui é – sem qualquer demagogia – o que mais me tocou. É aqui, também, que ficam as Salinas Grandes, um daqueles lugares que a gente se orgulha o resto da vida por ter conhecido.

Esse deserto de sal é muito semelhante ao Salar de Uyuni, na Bolívia, mas é bem menor. Nem por isso, menos bonito. Se quiser comparar, dê uma lida nos posts que fiz sobre Uyuni.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

A paisagem das Salinas Grandes se diferencia de Uyuni por causa dos lagos.

Para chegar aqui, eu fiz base em Purmamarca, uma cidade de Jujuy que realmente conquistou meu coração, tanto que fiquei mais tempo do que previa inicialmente. Da cidade até as Salinas Grandes, a gente percorre cerca de 65 quilômetros, mas, a distância, que parece pouca no mapa, se torna longa por causa das muitas curvas da estrada.

É que o carro vai subindo a Cordilheira bem devagar e é isso que faz a gente perder o fôlego. Aliás, isso não é brincadeira: à medida que a altitude aumenta, as dificuldades de respirar aparecem. Isso é comum em regiões mais altas, como eu explico em: Aprenda como prevenir o mal de altitude.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

A estrada que sobre até as Salinas.

As Salinas Grandes estão a uma altitude elevada – o ponto mais alto da estrada fica a 4.170 metros acima do nível do mar – e o frio aqui é quase permanente: eu peguei nove graus no mês de junho, no começo do inverno. Para saber mais, você deve ler: Quando ir a Jujuy, no norte da Argentina.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

A paisagem impressionante das Salinas Grandes.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

O platô de sal ocupa áreas das províncias de Jujuy e Salta.

Como se formaram as Salinas

Explicando de forma simples, as salinas são o resultado do acúmulo de sais minerais que descem da Cordilheira dos Andes. Como essa região entre Salta e Jujuy, duas províncias do noroeste argentino, é um platô, a água da chuva se concentra e o sal fica quando ela evapora.

Acho que, com isso tudo, você já faz ideia de que conhecer essa parte da Argentina vai ser um marco em sua história de viajante: eu nunca tive dúvidas desde que vi as primeiras fotos das piletas de extracción.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Olha que coisa interessante essas piletas.

Essas aberturas geométricas são feitas no chão do deserto para extrair o sal e logo se enchem de água, que, com o reflexo dos raios solares, ganham tons de azul turquesa. Com o tempo, o sal se acumula novamente e elas somem.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

A área onde é feita a visitação tem uma certa infraestrutura turística.

Os lagos sagrados do salar

Mas, muito mais do que isso, os ojos del salar me deixaram de boca aberta. Eles são lagos enormes que aparecem naturalmente. Por isso, é preciso caminhar com cuidado e sempre acompanhado de um guia, pois a gente nunca sabe quando o chão vai ceder.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Buracos se abrem no chão e, por isso, é preciso saber onde caminhar.

A cor da água também é impressionante e pode variar de acordo com cada lugar, com a intensidade da luz solar e com a concentração dos minerais: quanto mais azulada, mais arsênio, e quanto mais amarelada, mais zinco tem o lago.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Os Ojos del Salar foram, realmente, o que mais me chamaram atenção.

Para fazer uma caminhada pelo salar com um guia local, eu tive que pagar ARS 100. A visita é rápida, cerca de 40 minutos. Ele me contou como é feita a extração e disse que ninguém pode tocar nas águas dos lagos, pois eles são sagrados, considerados um presente divino.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

Um dos lagos visto do alto. Não é incrível?

Planeje sua viagem às Salinas Grandes

Quanto custa | Eu fiz essa viagem com a ADN Travel. Eles têm passeios que saem de Jujuy e de Purmamarca e que incluem o guia e o transporte. O passeio mais longo, que também inclui uma parada para ver o Cerro de Siete Colores, custa ARS 1.100.

Como chegar | A principal base para quem quer visitar as Salinas Grandes é o povoado de Purmamarca, na província de Jujuy. De ônibus, há chegadas e partidas, praticamente, a cada meia-hora e a passagem saindo de Jujuy custa cerca de ARS 85. Não há transporte público regular de Purmamarca para as Salinas Grandes.

De carro, você deve seguir pela RN-09 e, depois, entrar na RN-52. O aeroporto mais próximo fica em Jujuy, a 83 quilômetros de Purmamarca.  Para saber mais, leia: Como chegar a Jujuy.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

O guia local vai nos mostram tudo e explicando cada coisa. Ele ainda tira altas fotos.

Onde ficar | Eu me hospedei no hotel Luna Daniela. Ele fica a dois quilômetros do centro de Purmamarca, de frente para as montanhas que são o grande atrativo deste lugar. Como está em uma área mais tranquila, ele é excelente para quem viaja sozinho, em família ou com amigos. Os quartos são grandes, limpos e têm calefação – o que é importante demais nessa região – televisão, internet sem fio, chuveiro quente e banheira.

Se quiser saber mais detalhes, leia: Como é se hospedar no hotel Luna Daniela. Se precisar, aproveite para ver hotéis em Buenos Aires.

Salinas Grandes: o deserto de sal da Argentina

O hotel Luna Daniela, onde fiquem em Purmamarca.

Quando ir | O período mais agradável para vir à região de Purmamarca é nos meses de abril a outubro, sendo que a estação mais seca se concentra nos meses de julho e agosto. Aliás, agosto é o mês mais seco e praticamente sem chances de chover.

Nos meses chuvosos há chances de encontrarmos o salar alagado. Se por um lado isso limita o nosso campo de exploração, por outro, dá para ver o plano como um espelho refletindo o céu. Para saber mais, leia: Quando ir a Jujuy, no norte da Argentina.

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A melhor forma de chegar aqui é de carro ou contratando uma agência.

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Vicunhas, parente da lhama, que apareceram ao lado da estrada.

Veja todos os posts de Jujuy

Minha viagem teve o patrocínio de ADN Travel e do hotel Luna Daniela.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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