Paracas, onde o deserto encontra o mar

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Atualizado em 19 de abril de 2018

Paracas é uma pequena vila perto de Ica, a 260 quilômetros ao sul da capital peruana. É aqui que fica a principal área de proteção ambiental do país: a Reserva Nacional de Paracas. Ela é um paraíso natural, reduto da fauna marinha, que deixa o continente e avança rumo a um conjunto de ilhas perto da costa do Peru.

Esse vilarejo de pescadores é realmente muito simples e, para piorar, ele ainda se recupera do terrível terremoto que sacrificou boa parte de suas construções, em 2007. Porém, apesar de toda a simplicidade de Paracas, novas redes de hotéis e grandes resorts chegam por aqui. Ou seja, já começam a transformar os padrões de vida da pequena cidade.

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Paracas, onde o deserto encontra o mar

A imensidão do deserto que cobre toda a região de Paracas.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

Flamingos se alimentam nas enseadas do deserto.

Banhada por praias de águas turvas e geladas, Paracas ainda é muito pouco explorada por brasileiros. Mas quem chega aqui não se arrepende: o deserto e o mar se encontram em uma paisagem espetacular e falésias ladeiam praias cheias de peculiaridades. Sem falar, é claro, dos milhões de pássaros que vivem nessa região – como os flamingos. E, de tantos outros que chegam do hemisfério norte durante a primavera e o verão.

SOBRE A HISTÓRIA DE PARACAS

A primeira descoberta de vestígios da etnia paracas se deu 1925, quando o antropólogo peruano Julio César Tello encontrou um cemitério, a necrópole de Wari Kayan. Lá, estavam exatamente 429 múmias embrulhadas em tecidos, e rodeadas por peças de cerâmica, pele de animais e alimentos.

Os paracas eram uma população de caçadores e pescadores e por isso se estabeleceram na península de Paracas. Foram eles que deram origem à civilização nazca, famosa pelas linhas desenhadas no deserto e que só podem ser vistas em sua plenitude do alto.

Segundo o pesquisador, a visão de mundo da cultura paracas tinha como fundamento a natureza. Assim foram definidos o seu calendário e seu modo de vida. Isso ficou evidente no artesanato e nos costumes da sociedade.

Hoje, a vida social de Paracas acontece ao redor de sua baía. Esse lugar tem um significado histórico muito especial para os moradores da cidade. Isso porque, foi aqui que José de San Martín desembarcou com as forças de libertação para começar a campanha pela independência do país.

Nas praias desta baía, especialmente em Sequión, é comum encontrar flamingos com sua bela plumagem em tons de vermelho e branco. Foram exatamente essas cores que inspiraram San Martín ao criar a bandeira peruana.

Rodeada por sítios arqueológicos e manifestações de civilizações passadas, como o misterioso candelabro, a cidade foi o principal centro da cultura paracas. As influências dessa comunidade ainda são vistas por aqui.

O deserto e o arquipélago

Paracas não é uma cidade com muitos atrativos turísticos. Mas, aqui, há duas atrações imperdíveis: o deserto de Paracas e as Ilhas Ballestas. São elas que recompensarão o seu deslocamento até esse pequeno vilarejo.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

Vista parcial da pequena vila de Paracas.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

A Baía de Paracas.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

A praias aqui são assim, mas há quem aproveite.

O arquipélago das Ilhas Ballestas – Islas Ballestas, no original – abriga mais de 200 espécies de aves, incluindo o famoso pelicano peruano, que chega a medir mais de um metro de altura. Além dele, você também vê o pinguim de Humboldt, ameaçado de extinção no país. É fácil observar leões-marinhos descansando sobre os rochedos e brincando nas pequenas enseadas, que se formam nesse santuário da vida no Oceano Pacífico.

O passeio para as Ilhas Ballestas parte do píer el Chaco, e o circuito completo dura em torno de duas horas. Para saber como é o sensacional passeio pelas Ilhas Ballestas, leia: Ilhas Ballestas: santuário da vida marinha.

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A paisagem natural das Ilhas Ballestas.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

Pinguins de Humboldt nas Ilhas Ballestas.

O deserto que surge no sul do Peru, e que se estende até o Chile, é considerado o mais alto e mais seco do mundo. Aqui, o legal é desfrutar das dunas, apreciar as praias, visitar os monumentos naturais – como la Catedral – e conhecer os sítios arqueológicos, como a antiga necrópole de Wari Kayan.

Os detalhes desse passeio eu explico no post: Conheça o encantador deserto de Paracas.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

A estrada que nos leva ao coração do deserto de Paracas.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

O encontro do deserto com o mar.

Comer e beber em Paracas

Há opções razoáveis de restaurantes por aqui, mas pode ser que você considere caro o preço dos pratos em alguns lugares. Entretanto, a maioria dos estabelecimentos tem um cardápio do dia com valores que giram em torno dos PEN 15. Então, quando chegar a um restaurante, sempre pergunte qual o menu do dia.

Em Paracas, os pratos preparados com peixes e frutos do mar são as melhores opções. Fresquinhos e em abundância, eles saltarão sobre sua mesa em fartura. Não deixe de experimentar o arroz con lagostins. Outras opções são o arroz con mariscos, o chicharron de pescado – que são gorjões de peixe frito – e o choritos a la chalaca. Este último é um prato preparado com mexilhão, tomate e cebola marinados no limão e servido com milho.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

O delicioso arroz con lagostin de Paracas.

Apesar de toda a simplicidade da cidade e da sequidão do deserto que a envolve, existe um oásis nas areias de Paracas. O Paracas Hotel é um resort que atende aos mais rigorosos padrões internacionais de hospedagem. É, seguramente, a melhor opção da cidade. Sua construção horizontal ocupa uma grande porção de terra de frente para a praia. Assim, tenho sempre o privilégio de ter por perto piscina, sombra e mar.

Daqui, desfruto de um fabuloso pôr do sol, assisto gaivotas voarem em bando e praticantes de ioga se despedirem da grande estrela. Da varanda, Paracas se revela um destino imperdível e ainda cheio de segredos.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

O incrível pôr do sol de Paracas.

Planeje sua visita ao deserto de Paracas

Quando ir | Paracas tem clima subtropical desértico com cerca de cinco milímetros de chuva por ano. Durante o dia, a temperatura pode chegar aos 30 graus, especialmente nos meses de novembro a março. Por outro lado, no inverno, de junho a setembro, os dias são ensolarados e têm temperaturas agradáveis. Mas, durante a noite, os termômetros podem marcar menos de 10 graus. Aqui, os ventos fortes são comuns, e a velocidade média é 25 km/h, mas pode subir para 65 km/h.

Em Paracas, como em qualquer ambiente típico de deserto, faz sempre muito calor durante o dia, e friozinho ao entardecer. A cidade não tem temporada de chuvas. Ou seja, você pode visitá-la em qualquer época do ano, mas os melhores meses são de janeiro a abril.

Nessa época, boa parte das aves e dos mamíferos deixa as Islas Ballestas em busca de águas mais frias. Mas, mesmo assim, você sempre vai encontrar muitos pássaros e leões-marinhos sobre as rochas e nas pequenas praias que se formam no arquipélago. No inverno, você vai sentir muito frio durante o passeio até às ilhas e pode ser que o mar esteja mais agitado.

O que para nós brasileiros pode ser uma ameaça aparente são os frequentes terremotos que balançam a cidade. A maioria deles não apresenta riscos para a população. Porém, é estranho acordar de madrugada sentindo o chão tremer, como aconteceu comigo. Para saber onde aconteceram os últimos tremores de terra e qual a intensidade de cada um deles, você pode acessar o site do Instituto Geofísico do Peru.

Quem leva | Você pode contratar um passeio para visitar o deserto de Paracas e as Ilhas Ballestas. Eu fiz isso em um único dia, mas, se estiver com tempo, faça um em cada dia. Veja as opções de passeios pelo deserto de Paracas.

Onde ficar | Os melhores hotéis estão em torno da baía de Paracas, muito perto de tudo, já que o vilarejo é bem pequeno. Alguns viajantes preferem ficar em Pisco, que está a 20 quilômetros.

O Hotel Paracas é a melhor opção da cidade. Sua construção horizontal, devido aos frequentes terremotos que abalam a região, ocupa uma grande porção de terra de frente para a praia.

O Paracas Backpackers House é um hostel com quartos básicos e ideal para quem não quer gastar muito. Bastante popular e cheio de gente jovem, ele pode ser barulhento demais para quem quer apenas descansar.

Paracas, onde o deserto encontra o mar

O pôr do sol na varanda do Hotel Paracas.

Como chegar | A cidade de Paracas está a 260 quilômetros ao sul de Lima. Uma viagem de carro de até aqui demora cerca de quatro horas, mas poderia ser feita em duas horas e meia se não fosse o difícil e caótico trânsito da capital peruana.

A Carretera Panamericana Sur, a rodovia que liga as duas cidades, está em bom estado de conservação e tem um cenário lindo, margeando o Oceano Pacífico. Boa parte do trecho entre Lima e Paracas está duplicado e bem sinalizado.

De uma forma geral, as rodovias peruanas estão em bom estado de conservação, principalmente aquelas que ligam grandes centros urbanos. Brasileiros podem dirigir no Peru usando a Carteira Nacional de Habilitação por até seis meses.

Paracas é ligada a Lima e às principais cidades peruanas por um serviço de transporte de passageiros moderno e que supera, em muitos aspectos, os oferecidos no Brasil. Para citar alguns exemplos, a maioria dos ônibus tem dois andares, cadeiras confortáveis, serviço de bordo com refeições, internet sem fio e boas opções de entretenimento. As melhores empresas rodoviárias são Cruz del Sur e Oltursa. Se você está planejando viajar de ônibus, leia: Empresas de ônibus no Peru.

Você pode conhecer boa parte da cidade a pé ou de bicicleta. O aluguel de uma bike para um dia custa em torno de PEN 50.

O aeroporto mais próximo é o Capitão Renán Elías Olivera (PIO). Ele fica na cidade de Pisco, a 20 quilômetros, mas não recebe voos internacionais. Portanto, será preciso fazer uma escala em Lima.

O Aeroporto Internacional Jorge Chávez (LIM) está a 30 minutos do centro de Lima. Há voos diários de diferentes companhias aéreas que partem do Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), em São Paulo, com destino à capital peruana. Sem escalas, a viagem dura aproximadamente cinco horas. De Lima, partem vários voos para as principais cidades do país. Para saber quais as principais empresas aéreas do país, leia: Companhias aéreas do Peru.

Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no Peru por até 90 dias. Na chegada, você poderá apresentar a carteira de identidade. Porém, ela deve ter sido emitida há menos de dez anos e estar em bom estado de conservação. Pode também, apresentar o passaporte.

O seguro viagem não é obrigatório, mas eu não aconselho que você viaje sem ele, já que é muito comum ser afetado pelo mal de altitude. Veja como comprar seu seguro viagem com desconto.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

14 Comentários

  1. Avatar

    Oii Altier!
    Seu post nos ajudou, já que o nosso próximo destino será Paracas.
    Nós tbm adoramos contar histórias. 🙂 se quiser conhecer as nossas é só conferir no instagram @mochiladehistorias

  2. Avatar

    Olá Altier, estou planejando viajar em novembro ao Peru, e aqui encontrei muitas dicas legais e importantes! Obrigada!
    Pretendo visitar Cusco-Machu Pichu, Lago Titicaca – Puno, Paracas e Lima.
    Mas estou com dificuldade de organizar como vou do Lago Titicaca (em princípio Vamos primeiro uma noite em Copacabana e depois uma noite em Puno), para Paracas. Tem alguma sugestão? Pegar voo ou ônibus? Já fiz busca na internet mas não encontro empresa com este serviço. Se puder nos ajudar seria maravilhoso!

    Obrigada pela atenção,

    Amanda Diniz

  3. Avatar
    Adriane Franklin on

    Olá.Iremos ao Peru nesse gim de ano.Alem de Lima,Cusco e Machu Picchu gostaríamos de conhecer as Ilhas Analistas,Icá e Huacaccina.
    Estou na duvida de onde seria melhor ficar para conhecer esses 3 últimos lugares?Tipo:qual seria melhor base pra conhecermos a ilha e os outros próximos?

    • Altier Moulin

      Oi, Adriana.

      Acho que você quis dizer Ilhas Ballestas, certo?

      Então, eu aconselho ficar em Paracas para conhecer as Ilhhas Ballestas e o deserto. São dois dias de passeios para ver tudo.
      Depois, você pode ficar em Ica e visitar Huacachina. Não sei se vale à pena dormir aqui.

      Um abraço.

  4. Avatar

    Ola, estamos pensando em descer de Ica para Paracas, e depois para Lima, dá pra chegar de manha em Paracas e ir embora no outro dia pela manhã? Ou fica muito corrido?

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    Ernesto Rossi - TutuRossi on

    Prezado Altier, antes de tudo quero lhe parabenizar pelas excelentes reportagens dos inúmeros lugares que estão muito bem descritos em seu blog. Viajamos juntos, PARABÉNS!!

    Gostaria de lhe perguntar como chegar exatamente no local onde o deserto com sua cor amarelada, se encontra com a areia vermelha/amarronzada da praia e a cor do mar verde esmeralda na região da cidade de Paracas.
    Fica na Reserva Nacional de Paracas. Mas é possível ir de moto até este local?
    Estarei viajando com um grupo de motociclistas. Neste caso é mais recomendável contratar um transporte até lá? Contrato este transporte em Paracas?
    De moto chega-se facilmente a este lugar ou tem muita areia pela estrada?
    No período da tarde após às14h, ainda é possível ir visitar este lugar? Terei somente um dia e na parte da tarde para visitar este lugar.

    Agradeço imensamente sua atenção.

    Um forte Abraço.
    TutuRossi

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