Ilhas Ballestas, em Paracas: santuário da vida marinha no litoral peruano

Atualizado em 5 de outubro de 2022 – 7 min de leitura

Ilhas Ballestas, em Paracas

A pequena Paracas, a 260 quilômetros ao sul de Lima, é o ponto de partida para conhecer a maior área ambiental do Peru: a Reserva Nacional de Paracas. Nesta região, uma atração imperdível é um conjunto de ilhotas chamadas Ilhas Ballestas.

A Reserva Nacional de Paracas, com mais de 335 hectares, é o lar de um sistema marinho rico e muito importante para o planeta, já que em suas águas habita uma grande variedade de peixes.

→ O que fazer em Paracas

O pequeno arquipélago também abriga mais de 200 espécies de aves, incluindo o famoso pelicano peruano, que chega a medir mais de um metro de altura, e o pinguim de Humboldt, ameaçado de extinção no país.

Nas Ilhas Ballestas – Islas Ballestas em castelhano –, também é fácil observar leões-marinhos descansando sobre os rochedos e brincando nas pequenas enseadas desse santuário da vida marinha no Oceano Pacífico.

Ilhas Ballestas, em Paracas

Embora o Peru tenha um pequeno litoral, comparado com tantos outros países, a costa peruana tem uma das maiores biodiversidades do mundo. Isso reflete na quantidade de peixes que encontrada na região: cerca de 10% de todo o pescado consumido no mundo tem origem no país.

Neste artigo, eu vou explicar sobre:

Passeio pelas Ilhas Ballestas

O passeio para as Islas Ballestas começa no píer de El Chaco, que fica no centrinho do pequeno vilarejo de pescadores.

Alguns minutos depois de deixar o píer, uma montanha arenosa aparece do lado esquerdo da lancha. Erodidas pelo mar, as fendas são naturalmente esculpidas na rocha sedimentada.

Ilhas Ballestas, em Paracas

É nesta montanha que está uma das figuras mais misteriosas de todo o litoral peruano: o candelabro.

Essa imensa escultura – que tem mais de 170 metros de altura e 54 de largura – foi cuidadosamente desenhada por civilizações pré-colombianas sobre um solo argiloso e, por isso, ainda se mantém praticamente intacta, graças à escassez de chuva na região.

Ilhas Ballestas, em Paracas

Assim como as linhas de Nazca, o candelabro também é um mistério peruano que permanece sem resposta: estudos indicam que, na verdade, trata-se de um cacto, e não de um candelabro, e que o desenho servia para orientar a navegação.

Quem quiser ver essa misteriosa figura de perto pode caminhar até lá. Na verdade, a maior parte do trajeto é feita de carro e, pelo caminho, a gente vê várias espécies de aves – entre elas o belíssimo flamingo – leões-marinhos, pinguins e outros animais.

Santuário da vida marinha

Navegando por mais 20 minutos, a embarcação chega às Ilhas Ballestas.

Logo que os primeiros rochedos se erguem no mar, a primeira coisa que a gente nota é quantidade de aves. São incontáveis e elas povoam o céu azul das Ilhas Ballestas com uma grandeza sem fim.

Também é fácil perceber que as rochas estão cobertas por uma massa branca de cheiro forte – não é difícil de imaginar do que se trata, né? Com tantos pássaros concentrados em um mesmo lugar, é natural que as fezes se acumulem. Afinal, tudo que entra tem que sair.

E olha que o cocô dessas aves – chamado de guano – é valioso: periodicamente, ele é retirado por profissionais autorizados e é vendido para indústrias de fertilizantes.

GUANO QUE VALE MUITO

O guano vem se acumulando sobre as rochas das Ilhas Ballestas há séculos, mas foi apenas no século 19 que a economia peruana passou a absorver e a tirar proveito deste material orgânico precioso para a agricultura. Na época, o material também era exportado para a Europa e Estados Unidos.

Ilhas Ballestas, em Paracas

As extrações aconteciam não apenas na superfície, mas chegavam a 30 metros de profundidade, onde o material é abundante. Atualmente, a retirada do guano é limitada e só é feita a cada sete anos, com o acompanhamento de organismos de preservação ambiental do governo peruano.

Vale lembrar que, quando é verão no Hemisfério Sul, boa parte das aves e dos mamíferos migra em busca de águas mais frias.

Os que ficam nas Ilhas Ballestas são residentes e podem desfrutar com mais privacidade das quase 200 espécies de peixes que habitam as ilhas.

Os bichos das Ballestas

Entre as aves, é impossível negar que os pinguins de Humboldt ativam o nosso sensor de fofura.

A colônia que habita as Ilhas Ballestas não parece ser grande, mas é tão charmosa que a gente tem vontade de ficar observando seus movimentos por horas.

Ilhas Ballestas, em Paracas

Igualmente encantador é o tal pelicano peruano. Enorme, ele se destaca na multidão de penas.

Mas, os meus favoritos são os leões-marinhos. Eles são muitos e a gente consegue chegar bem perto enquanto eles descansam sobre as rochas. É, realmente, muito lindo!

Ilhas Ballestas, em Paracas

Depois de navegar por quase duas horas entre as ilhotas e de ter visto milhares de animais – muitos deles bem de perto –, a hora de retornar para terra firme chega com a sensação de gratidão por ter visitado um lugar tão especial como as Ilhas Ballestas.

Como visitar as Ilhas Ballestas

A viagem até as Ilhas Ballestas demora cerca de 30 minutos. As embarcações deixam o píer El Chaco, em Paracas, a partir das 7h30.

Você pode contratar o serviço no próprio local de saída das lanchas. O preço gira em torno de S/. 35 e a visita dura cerca de 3h.

Ilhas Ballestas, em Paracas

Você pode, também, fazer a reserva antecipadamente em uma das agências que funcionam no centrinho de Paracas para garantir seu lugar.

Isso é ideal para quem está com pouco tempo, ou está pensando em fazer um bate-volta, saindo e voltando para Lima no mesmo dia.

Se for possível, escolha lanchas menores.  Embarcações grandes não conseguem chegar muito perto das ilhas.  Protetor solar, óculos de sol e um chapéu são itens essenciais para o passeio.

No mapa acima você pode entender melhor a localização de cada lugar que descrevi.

Quando ir

Paracas tem clima subtropical desértico com cerca de cinco milímetros de chuva por ano. Só para fazer uma comparação, a média anual de chuva no Rio de Janeiro é de 1.252 milímetros.

Durante o dia, a temperatura pode chegar aos 30 graus, especialmente nos meses de novembro a março.

No inverno, de junho a setembro, os dias são ensolarados e têm temperaturas agradáveis. Durante a noite, os termômetros podem marcar menos de dez graus.

Os ventos fortes são comuns em Paracas: a velocidade média é 25 km/h, mas pode subir para 65 km/h.

A cidade não tem temporada de chuvas. Isso significa que você pode visitá-la em qualquer época do ano, mas  os melhores meses são de janeiro a abril. 

Nessa época, boa parte das aves e dos mamíferos deixa as Ilhas Ballestas em busca de águas mais frias.

Ainda assim, você sempre vai encontrar muitos pássaros e leões-marinhos sobre as rochas e nas pequenas praias que se formam no arquipélago.

No inverno, você vai sentir muito frio durante o passeio até as ilhas e pode ser que o mar esteja mais agitado.

O que para nós brasileiros pode ser uma ameaça aparente são os frequentes terremotos que balançam a cidade.

A maioria deles não apresenta riscos para a população. Porém,  é estranho acordar de madrugada sentindo o chão tremer , como aconteceu comigo.

Para saber onde aconteceram os últimos tremores de terra e qual a intensidade de cada um deles, você pode acessar o site do Instituto Geofísico do Peru.

Como chegar

A cidade de Paracas está a 260 quilômetros ao sul de Lima, e uma viagem de carro demora cerca de quatro horas. Na verdade, poderia ser feita em duas horas e meia se não fosse o difícil e caótico trânsito de saída da capital peruana.

A Carretera Panamericana Sur, a rodovia que liga as duas cidades, está em bom estado de conservação e tem um cenário lindo: a gente viaja margeando o Oceano Pacífico.

Boa parte do trecho entre Lima e Paracas está duplicado e bem sinalizado.

Ilhas Ballestas, em Paracas

De uma forma geral, as rodovias peruanas estão em bom estado de conservação, principalmente aquelas que ligam grandes centros urbanos.

Brasileiros podem dirigir no Peru usando a Carteira Nacional de Habilitação por até seis meses.

As melhores empresas de ônibus são Cruz del Sur e Oltursa.

→ Principais empresas de ônibus no Peru

Você pode conhecer boa parte da cidade a pé ou de bicicleta. O aluguel de uma bike para um dia custa em torno de S/. 70.

O aeroporto mais próximo é o Capitão Renán Elías Olivera (PIO). Ele fica na cidade de Pisco, a 20 quilômetros, mas não recebe voos internacionais. Portanto, será preciso fazer uma escala em Lima.

Ilhas Ballestas, em Paracas

O Aeroporto Internacional Jorge Chávez (LIM) está a 30 minutos do centro de Lima.

Há voos diários de diferentes companhias aéreas que partem do Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), em São Paulo, com destino à capital peruana.

Sem escalas, a viagem dura aproximadamente cinco horas. De Lima, partem vários voos para as principais cidades do país.

→ Principais companhias aéreas do Peru

Onde ficar em Paracas

Os melhores hotéis estão em torno da baía de Paracas. Essa região fica muito perto de tudo de interessante, já que o vilarejo é bem pequeno. Alguns viajantes preferem ficar em Pisco, que está a 20 quilômetros.

Hotel Paracas

O Hotel Paracas é a melhor opção da cidade. Sua construção horizontal, devido aos frequentes terremotos que abalam a região, ocupa uma grande porção de terra de frente para a praia.

É um hotel no estilo resort, com uma piscina incrível – os drinques com pisco são sensacionais –, os quartos são excelentes e muito confortáveis. De frente para o hotel tem um píer perfeito para assistir o pôr do sol.

Ilhas Ballestas, em Paracas

Paracas Backpackers House

O Paracas Backpackers House é um hostel com quartos básicos e ideal para quem não quer gastar muito. Ele fica muito bem localizado, na principal avenida da cidade, pertinho de onde os ônibus que vêm de Lima param.

Os quartos estão sempre limpos, assim como as outras áreas do hostel. Bastante popular e cheio de gente jovem, ele pode ser um pouco barulhento para quem quer apenas descansar.

Informações Básicas

Visto

Brasileiros não precisam de visto para entrar no país e o prazo máximo de permanência é de 90 dias, podendo ser prorrogado por mais 90 dias.

Documentos

Você deve apresentar o passaporte, com seis meses de validade, ou a carteira de identidade, emitida há menos de dez anos e em bom estado de conservação.

Dinheiro

A moeda peruana é o nuevo sol, identificado pela sigla PEN e pelo símbolo S/. Para sua viagem, leve dólares e troque nas casas de câmbio.

Vacinas

A vacina contra febre amarela é recomendada para quem for viajar para a região amazônica. Veja como solicitar o certificado pela internet.

Informações sobre covid-19

Desde que reabriu suas fronteiras, o Peru adotou várias regras de prevenção e controle dos casos de covid-19. Isso significa que é preciso cumprir alguns requisitos sanitários e legais para entrar no país.

De forma geral, os documentos exigidos para a entrada de brasileiros – além dos já citados acima – são os seguintes:

  1. Comprovante de vacinação contra covid-19 com esquema vacinal completo – a terceira dose é exigida para maiores de 40 anos –, esta regra vale para viajantes maiores de 12 anos;
  2. Resultado negativo de teste RT-PCR feito há, no máximo, 48 horas antes do embarque, exigido apenas de viajantes não vacinados;
  3. Formulário Declaração de Autorização de Saúde e Geolocalização preenchido e enviado eletronicamente até 72 horas antes da partida, exigido de todos os viajante.
  4. Comprovante de hospedagem, que pode ser solicitado para que as autoridades peruanas monitorem seu estado de saúde.

É importante saber que, para viajantes vacinados, a dose final deve ter sido administrada pelo menos 14 dias antes da viagem.

Todos os viajantes – vacinados ou não – podem ser submetidos a verificação de temperatura e a testes aleatórios para detecção de covid-19 na chegada ao Peru. Se o resultado der positivo, será necessário seguir as instruções das autoridades de saúde e pode ser necessário cumprir quarentena de até 14 dias.

No caso de crianças menores de 12 anos, basta que estejam assintomáticas para embarcar, não sendo exigido comprovante de vacinação ou teste RT-PCR.

É obrigatório o uso de máscara dupla – uma máscara cirúrgica e uma máscara de pano ou apenas uma do modelo KN95 – durante os voos e nos aeroportos peruanos.

Em todo o Peru, o estado de emergência continua em vigor. Por isso, o comprovante de vacinação contra covid-19 pode ser exigido para entrar em museus, sítios arqueológicos, shoppings, supermercados, restaurantes e em outros ambientes fechados.

Você pode acompanhar os números oficiais da covid-19 no site do Governo do Peru.

Retorno ao Brasil

Viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo, ou RT-PCR, coletado até 72 horas antes do embarque.

Seguro viagem

Apesar de não ser obrigatório,  viajar sem o seguro viagem durante a pandemia não é uma boa ideia.  Ainda que você esteja com o esquema vacinal completo, é bom saber que terá atendimento médico e hospitalar na hora que precisar.

Além disso, o preço do seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele também garante que você estará amparado em situações como cancelamento da viagem, extravio de bagagem e muitas outras.

→ Faça uma cotação do seguro viagem

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

MAL DE ALTITUDE

Se você vai viajar para o Peru, já sabe que é importante se prevenir do mal de altitude. Também conhecido como soroche, ele é muito comum em viajantes que se aventuram por regiões próximas a 3.000 metros de altitude.

Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, enjoo, vômito, tontura, cansaço excessivo e mal-estar. Esses são os principais reflexos da dificuldade do nosso organismo em absorver o oxigênio, e, embora seja raro, em condições extremas, o mal de altitude pode levar à morte.

Isso acontece porque, à medida que a altitude aumenta e a pressão atmosférica cai, o ar fica mais rarefeito. Assim, a concentração de oxigênio diminui e o nosso corpo sente isso. Para prevenir ou diminuir seus efeitos, é bom evitar fazer movimentos rápidos e esforço físico nos primeiros dias.

Mascar folhas de coca é uma forma bastante eficaz de prevenir o mal de altitude. A forma correta de usar a folha é deixar a erva no canto da boca e sugar o sumo que ela libera quando em contato com a saliva. O uso do chá pode ser mais saboroso e nas farmácias é fácil encontrar pílula para soroche.

Veja mais dicas do Peru

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver mais dicas do Peru.

Sobre o Autor

<a href="https://www.penaestrada.blog.br/author/altier/" target="_self">Altier Moulin</a>

Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

comentários

8 Comentários

  1. Márcia

    Vou ao Peru em maio de 2016. Poderia indicar onde vc comprou os passeios e o preço, pois estou fazendo cotaçao e quero ir por conta. Agência estão muito caras. Obrigado!

    Responder
  2. Luiza Braga

    Ola Altier,
    Muito útil suas informações. Estou querendo ir para a festa do sol em junho/2016 e conhecer um pouco do sul do Peru. Pensei em Paracas para conhecer as Ilhas Ballestas e a Reserva de Paracas. Existe alguma época melhor/pior para se visitar Ballestas?

    Responder
    • Altier Moulin

      Oi Luiza,

      Não há exatamente a melhor época para chegar a este paraíso. Paracas tem um clima subtropical desértico com cerca de cinco milímetros de chuva por ano. Durante o dia, a temperatura pode chegar a 30 graus, especialmente nos meses de novembro a março. No inverno, de junho a setembro, os dias são ensolaradas, mas com temperaturas amenas. À noite, a temperatura pode cair para menos de 10 graus.

      Um abraço.

      Responder
    • thalita de lima gomes

      Luiza tbm estou indo no mesmo periodo. Meus amigos estão indo para arequipa, porem quero conhecer as ilhas balestras entre 19 e 21 de junho, antes de partir para cusco. Voce ira na mesma epoca? me manda um whats 95991182705

      Responder
  3. Vanessa

    Ola, tudo bem? Estou programando uma viagem ao Peru em Setembro e a ideia seria sair de Lima pela manha com destino as Ilhas Ballestas e fazer o passeio a tarde. No dia seguinte, seguiria para Nazca. Vc acha que funciona bem dessa forma? Grata!!

    Responder

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