Conheça o encantador deserto de Paracas

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Atualizado em 13 de abril de 2018

O deserto que surge no sul do Peru, e se estende até o Chile, é considerado o mais alto e mais seco do mundo. Gigantesco, o deserto de Paracas recebe seus visitantes com timidez. Porém, aos poucos, ele se desvenda e mostra toda sua peculiaridade.

A Reserva Nacional de Paracas tem mais de 3.300 quilômetros quadrados de área protegida. É esse terreno que avança para o mar rumo às Ilhas Ballestas – originalmente, Islas Ballestas. Também é ali aonde vive um complexo sistema marinho, muito importante para o planeta. Ou seja, nessas águas geladas habita uma grande variedade de peixes.

E por falar nisso, toda essa região já foi completamente coberta pelo mar. Uma evidência disso são os restos de caramujos e conchas fossilizadas que vemos nas rochas do deserto. Além disso, a quantidade de sal que encontramos aqui é uma forte evidência da teoria defendida pelos cientistas.

Conheça o encantador deserto de Paracas

Chegando ao deserto de Paracas.

Conheça o encantador deserto de Paracas

Evidências de que o mar já cobriu o deserto.

A vila de Paracas

Para conhecer o deserto e suas riquezas naturais, eu precisei vir a Paracas. Ela é uma pequena vila perto de Ica, a 260 quilômetros ao sul da capital peruana, e não tem muitas atrações turísticas. Entretanto, Paracas é a base para quem vem conhecer a principal área de proteção ambiental do país.

É verdade que a cidade ainda se recupera do terrível terremoto que sacrificou boa parte de suas construções, em 2007. Porém, apesar de toda a simplicidade da vila, novas redes de hotéis e grandes resorts chegam por aqui. Ou seja, já começaram a transformar os padrões de vida da pequena Paracas.

SOBRE A HISTÓRIA DE PARACAS

A primeira descoberta de vestígios da etnia paracas se deu 1925, quando o antropólogo peruano Julio César Tello encontrou um cemitério, a necrópole de Wari Kayan. Lá estavam exatamente 429 múmias embrulhadas em tecidos, e rodeadas por peças de cerâmica, pele de animais e alimentos.

Os paracas eram uma população de caçadores e pescadores e por isso se estabeleceram na península de Paracas. Foram eles que deram origem à civilização nazca, famosa pelas linhas desenhadas no deserto e que só podem ser vistas em sua plenitude do alto.

Segundo o pesquisador, a visão de mundo da cultura paracas tinha como fundamento a natureza. Assim foram definidos o seu calendário e seu modo de vida. Isso ficou evidente no artesanato e nos costumes da sociedade.

Hoje, a vida social de Paracas acontece ao redor de sua baía. Esse lugar tem um significado histórico muito especial para os moradores da cidade. Isso porque, foi aqui que José de San Martín desembarcou com as forças de libertação para começar a campanha pela independência do país.

Nas praias desta baía, especialmente em Sequión, é comum encontrar flamingos com sua bela plumagem em tons de vermelho e branco. Foram exatamente essas cores que inspiraram San Martín ao criar a bandeira peruana.

Praticamente toda a costa do Peru é coberta por um imenso deserto com 2.700 quilômetros. E, nessa terra árida, as praias que banham a Reserva trazem o alívio que precisamos.

A Playa Roja, por exemplo, é a única praia peruana com areia vermelha. Quando eu cheguei a esse lugar e vi o contraste do amarelo do deserto de Paracas e o verde do mar, com aquelas areias vermelhas, a minha única vontade era ficar por aqui para sempre. Mas, infelizmente, não é permitido acampar nesta área.

Conheça o encantador deserto de Paracas

Playa Roja: a única praia de areia vermelha do país.

Aqui, no deserto de Paracas, o legal é desfrutar das dunas, apreciar as praias, visitar os monumentos naturais e conhecer os sítios arqueológicos, como a antiga necrópole de Wari Kayan.

Um dos lugares mais famosos do deserto é la Catedral. Ela recebeu este nome por causa de sua forma, e estava ligada ao continente por uma passarela natural. Porém, em 2007, um terremoto abalou a região. Hoje, muito mais que uma simples ilhota, esse lugar é um dos ícones turísticos do país. Portanto, é parada obrigatória para quem visita o deserto de Paracas.

Do alto, a gente vê centenas de aves e outros animais que vivem espremidos nas encostas dessa famosa formação rochosa. A brisa, que vem do Pacífico, traz consigo o som dos pássaros. O tempo parece parar por um momento.

Conheça o encantador deserto de Paracas

O que sobrou da Catedral.

Conheça o encantador deserto de Paracas

O momento em que o deserto de Paracas encontra o mar.

As paisagens do deserto de Paracas são realmente impressionantes. Em alguns momentos avistamos a imensidão do mar e em outros dunas que não têm fim.

Seguindo meu roteiro, chego ao Centro de Interpretación de Paracas. Esse é um lugar interessante para aprender mais sobre a fauna, a flora e, principalmente, sobre a rica história que envolve a Reserva Nacional da Paracas.

A visita começa com a projeção de um vídeo introdutório sobre a Reserva, e inclui exposições de esqueletos humanos que foram encontrados em escavações arqueológicas. O meu destaque vai para os crânios deformados e os crânios com marcas de cirurgias, uma prática comum na civilização paracas.

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A infinita paisagem do deserto de Paracas.

Ilhas Ballestas

Durante o passeio para as Ilha Ballestas, alguns minutos depois de deixar o píer, está o imenso desenho de um candelabro. Com mais de 170 metros de altura e 54 de largura, ele foi cuidadosamente desenhado sobre uma montanha de solo argiloso por civilizações pré-colombianas. O curioso é que, mesmo depois de tanto tempo, o candelabro ainda se mantém quase intacto. Isso só é possível graças à escassez de chuva na região.

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O imenso candelabro que resite ao tempo.

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A paisagem natural das Ilhas Ballestas.

Se você ficou interessado por esse misterioso desenho, e se também quer saber como é o sensacional passeio pelas Ilhas Ballestas, leia: Ilhas Ballestas: santuário da vida marinha.

Planeje sua visita ao deserto de Paracas

Quando ir | Paracas tem clima subtropical desértico com cerca de cinco milímetros de chuva por ano. Durante o dia, a temperatura pode chegar aos 30 graus, especialmente nos meses de novembro a março. No inverno, de junho a setembro, os dias são ensolarados e têm temperaturas agradáveis. Mas, durante a noite, os termômetros podem marcar menos de 10 graus. Aqui, os ventos fortes são comuns, e a velocidade média é 25 km/h, mas pode subir para 65 km/h.

Em Paracas, como em qualquer ambiente típico de deserto, faz sempre muito calor durante o dia, e friozinho ao entardecer. A cidade não tem temporada de chuvas, então você pode visitá-la em qualquer época do ano, mas os melhores meses são de janeiro a abril.

Nessa época, boa parte das aves e dos mamíferos deixa as Islas Ballestas em busca de águas mais frias. Mas, mesmo assim, você sempre vai encontrar muitos pássaros e leões-marinhos sobre as rochas e nas pequenas praias que se formam no arquipélago. No inverno, você vai sentir muito frio durante o passeio até às ilhas e pode ser que o mar esteja mais agitado.

O que para nós brasileiros pode ser uma ameaça aparente são os frequentes terremotos que balançam a cidade. A maioria deles não apresenta riscos para a população, mas é estranho acordar de madrugada sentindo o chão tremer, como aconteceu comigo. Para saber onde aconteceram os últimos tremores de terra e qual a intensidade de cada um deles, você pode acessar o site do Instituto Geofísico do Peru.

Quem leva | Você pode contratar um passeio para visitar o deserto de Paracas e as Ilhas Ballestas. Eu fiz isso em um único dia, mas, se estiver com tempo, faça um em cada dia. Veja as opções de passeios pelo deserto de Paracas.

Onde ficar | Os melhores hotéis estão em torno da baía de Paracas, muito perto de tudo, já que o vilarejo é bem pequeno. Com isso, alguns viajantes preferem ficar em Pisco, que está a 20 quilômetros.

O Hotel Paracas é a melhor opção da cidade. Sua construção horizontal, devido aos frequentes terremotos que abalam a região, ocupa uma grande porção de terra de frente para a praia.

O Paracas Backpackers House é um hostel com quartos básicos e ideal para quem não quer gastar muito. Porém, por ser bastante popular e cheio de gente jovem, ele pode ser barulhento demais para quem quer apenas descansar.

Reserve já o seu hotel em Paracas e garanta os melhores preços.

Conheça o encantador deserto de Paracas

O pôr do sol na varanda do Hotel Paracas.

Como chegar | A cidade de Paracas está a 260 quilômetros ao sul de Lima. Uma viagem de carro de até aqui demora cerca de quatro horas, mas poderia ser feita em duas horas e meia se não fosse o difícil e caótico trânsito da capital peruana.

A Carretera Panamericana Sur, a rodovia que liga as duas cidades, está em bom estado de conservação e tem um cenário lindo, margeando o Oceano Pacífico. Boa parte do trecho entre Lima e Paracas está duplicado e bem sinalizado.

De uma forma geral, as rodovias peruanas estão em bom estado de conservação, principalmente aquelas que ligam grandes centros urbanos. Brasileiros podem dirigir no Peru usando a Carteira Nacional de Habilitação por até seis meses.

Paracas é ligada a Lima e às principais cidades peruanas por um serviço de transporte de passageiros moderno e que supera, em muitos aspectos, os oferecidos no Brasil. Para citar alguns exemplos, a maioria dos ônibus tem dois andares, cadeiras confortáveis, serviço de bordo com refeições, internet sem fio e boas opções de entretenimento. As melhores empresas rodoviárias são Cruz del Sur e Oltursa. Se você está planejando viajar de ônibus, leia: Empresas de ônibus no Peru.

Você pode conhecer boa parte da cidade a pé ou de bicicleta. O aluguel de uma bike para um dia custa em torno de PEN 50.

O aeroporto mais próximo é o Capitão Renán Elías Olivera (PIO). Ele fica na cidade de Pisco, a 20 quilômetros, mas não recebe voos internacionais. Portanto, será preciso fazer uma escala em Lima.

O Aeroporto Internacional Jorge Chávez (LIM) está a 30 minutos do centro de Lima. Há voos diários de diferentes companhias aéreas que partem do Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), em São Paulo, com destino à capital peruana. Sem escalas, a viagem dura aproximadamente cinco horas. De Lima, partem vários voos para as principais cidades do país. Para saber quais as principais empresas aéreas do país, leia: Companhias aéreas do Peru.

Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no Peru por até 90 dias. Na chegada, você poderá apresentar a carteira de identidade, desde que ela tenha sido emitida há menos de dez anos e que esteja em bom estado de conservação, ou o passaporte.

O seguro viagem não é obrigatório, mas eu não aconselho que você viaje sem ele. Isso porque, aqui é muito comum ser afetado pelo mal de altitude. Veja como comprar seu seguro viagem com desconto.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

8 Comentários

  1. Avatar

    Oi, boa tarde!

    Gostaria de umas dicas de passeios no Peru. No final de abril pretendo ficar oito dias lá e queria conhecer Machu Picchu, deserto do Paracas e Ilhas Ballestas. Qual seria o melhor roteiro? Qual a melhor forma para chegar nesses locais? Empresas de turismo local mai segura? Desde já agradeço!

  2. Avatar

    Olá, Altier.

    Por favor, estarei em Ica e gostaria de fazer o passeio Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas, porém já fiz inúmeras pesquisas e só encontro o da Ilha Ballestas. Como faço pra fazer os dois passeios juntos, um seguido do outro? Pode me ajudar? Muito obrigada.

    • Altier Moulin

      Oi Aline,

      O que eu fiz foi contratar um ‘táxi’ que fez o passeio comigo pela Reserva, mas você pode pedir informações nas agências que fazem o passeio para as Ballestas.

      Um abraço.

  3. Avatar

    Olá, você se hospedou em Paracas? Estava pensando em ficar em Ica e de lá ir a Huachachina e Paracas. O que acha? O táxi sai mais em conta do que fazer um passeio?

    • Altier Moulin

      Carol, sim, eu fiquei em Paracas. Não me lembro do preço do táxi, mas achei interessante porque fiz o passeio no meu tempo.

      Um abraço.

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