O que fazer em Paracas, no Peru: onde o imenso deserto encontra o mar

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Atualizado em 22 de junho de 2022

Paracas é uma pequena vila perto de Ica, a 260 quilômetros ao sul de Lima, a capital peruana. É neste lugarzinho que fica a principal área de proteção ambiental marinha do Peru: a Reserva Nacional de Paracas, que também cobre um grande território em terra firme.

A Reserva tem mais de 335 hectares e é o lar de um sistema marinho rico e muito importante para o planeta, já que em sua parte marinha habita uma grande variedade de peixes. Além disso, o deserto – que já foi mar – é um dos mais secos do mundo.

Nesta terra árida, dezenas de sítios arqueológicos foram encontrados e revelaram muito sobre os paracas, o primeiro povo a habitar a região.

Hoje, Paracas é um vilarejo de pescadores. Com toda a simplicidade que lhe é peculiar, quando estive na cidadezinha, ela ainda se recuperava de um terrível terremoto que sacrificou boa parte de suas construções.

Apesar disso, a rede hoteleira é excelente e cada vez mais viajantes chegam para contemplar suas belezas seja no deserto ou no mar.

O que fazer em Paracas

É verdade que Paracas não tem muitos atrativos turísticos, mas

Banhada por praias de águas turvas e geladas, Paracas ainda é muito pouco explorada por brasileiros – eu sempre vejo isso como um ponto positivo, por que gosto de descobrir lugares assim.

Mas, quem chega nesta terra não se arrepende: o deserto e o mar se encontram em uma paisagem espetacular, com falésias que ladeiam praias cheias de particularidades.

Sem falar, é claro, dos milhões de pássaros que vivem na região – como os flamingos – e de tantos outros animais que chegam do hemisfério norte durante o outono e o inverno.

HISTÓRIA DE PARACAS

A primeira descoberta de vestígios da etnia paracas se deu 1925, quando o antropólogo peruano Julio César Tello encontrou um cemitério, a necrópole de Wari Kayan.

Nela, estavam exatamente 429 múmias embrulhadas em tecidos, e rodeadas por peças de cerâmica, pele de animais e alimentos.

Os paracas eram um povo de caçadores e pescadores e, por isso, se estabeleceram na península de Paracas. Foram eles que deram origem à civilização nazca, famosa pelas linhas desenhadas no deserto e que só podem ser vistas em sua plenitude do alto.

→ Como é sobrevoar as Linhas de Nazca

Segundo o pesquisador, a visão de mundo da cultura paracas tinha como fundamento a natureza. Assim, foram definidos o seu calendário e seu modo de vida. Isso ficou evidente no artesanato e nos costumes da sociedade.

Hoje, a vida social de Paracas acontece ao redor de sua baía. Esse lugar tem um significado histórico muito especial para os moradores da cidade.

Isso porque foi na baía que José de San Martín desembarcou com as forças de libertação para começar a campanha pela independência do país.

Nas praias da baía, especialmente em Sequión, é comum encontrar flamingos com sua bela plumagem em tons de vermelho e branco. Foram exatamente essas cores que inspiraram San Martín ao criar a bandeira peruana.

Rodeada por sítios arqueológicos e manifestações de civilizações passadas, como o misterioso candelabro, e as influências da cultura paracas pode ser vista até hoje na comunidade.

AS ILHAS BALLESTAS

O arquipélago das Ilhas Ballestas abriga mais de 200 espécies de aves, incluindo o famoso pelicano peruano, que chega a medir mais de um metro de altura.

→ Ilhas Ballestas: santuário da vida marinha

Além dele, a gente também encontra o pinguim de Humboldt, ameaçado de extinção no país e é fácil observar leões-marinhos descansando sobre os rochedos e brincando nas pequenas enseadas, que se formam nesse santuário da vida no Oceano Pacífico.

O passeio para as Ilhas Ballestas parte do píer El Chaco, e o circuito completo dura em torno de três horas.

EL CANDELABRO

Durante o passeio para as Islas Ballestas, alguns minutos depois de deixar o píer, você verá esse imenso desenho com mais de 170 metros de altura, 54 de largura e 60 centímetros de rofundidade.

Cuidadosamente desenhado sobre uma montanha de solo argiloso por civilizações pré-colombianas, o Candelabro ainda se mantém quase intacto graças à escassez de chuva na região.

Assim como as Linhas de Nazca, esse também é um mistério peruano que permanece sem resposta. Estudos indicam que trata-se de um cacto e que o desenho servia para orientar a navegação.

Quem quiser ver essa misteriosa figura de perto pode caminhar até lá. Na verdade, a maior parte do trajeto é feita de carro e pelo caminho você vai ver várias espécies de aves, entre elas o belíssimo flamingo, leões-marinhos, pinguins e outros animais.

Eu explico melhor como é o passeio pelo arquipélago em Ilhas Ballestas: santuário da vida marinha.

O DESERTO DE PARACAS

O deserto que surge no sul do Peru – que se estende até o Chile, onde ganha o nome de Atacama – é considerado o mais alto e mais seco do mundo.

→ Como visitar o deserto de Paracas

Nesta terra de aridez sem fim, o legal é desfrutar das dunas, apreciar as praias, visitar os monumentos naturais – como la Catedral – e suas muitas praias – como a curiosa Playa Roja.

Os detalhes desse passeio eu explico em Como visitar o deserto de Paracas.

NECRÓPOLE DE PARACAS

O Centro de Interpretación de Paracas é um lugar superinteressante para quem quer aprender mais sobre a fauna, a flora e, principalmente, sobre a rica história que envolve os 335 mil hectares da Reserva Nacional da Paracas.

A visita começa com a projeção de um vídeo sobre a Reserva e inclui uma exposição de múmias que foram encontradas na região há mais de 80 anos na Necrópole de Paracas.

O destaque vai para os crânios deformados e com marcas cirúrgicas, uma prática comum nas civilizações pré-colombianas.

CEMITÉRIO ANCESTRAL

O complexo arqueológico de Wari Kayan fica a 117 quilômetros de Paracas, na encosta norte do Cerro Colorado.

Ele foi descoberto pelo arqueólogo peruano Julio César Tello, em 1925, e, segundo seus estudos, trata-se de um cemitério da cultura paracas, onde são reconhecidos dois tipos de sepultamentos que se diferenciavam pela forma como foram elaborados: as cavernas e a necrópole.

Foto: Archivo INC/ MNAAHP

As Cavernas de Paracas ficam entre seis e sete metros de profundidade e nelas onde foram encontrados os restos humanos datados entre os anos 800 a 200 antes de Cristo.

Uma curiosidade sobre as Cavernas de Paracas é que os corpos forma encontrados em posição fetal e cobertos por mantos desenhados com motivos mitológicos ou sobrenaturais.

É interessante contar que, além do uso do algodão como matéria-prima, cabelo humano também era usado nos tecidos – curioso isso, né?

Os restos funerários da Necrópole de Paracas são posteriores, datados entre os anos 200 antes de Cristo e 150 depois de Cristo, muito antes da chegada de Cristóvão Colombo às Américas.

QUANDO IR

Paracas tem clima subtropical desértico com cerca de cinco milímetros de chuva por ano. Só para fazer uma comparação, a média anual de chuva no Rio de Janeiro é de 1.252 milímetros.

Durante o dia, a temperatura pode chegar aos 30 graus, especialmente nos meses de novembro a março.

No inverno, de junho a setembro, os dias são ensolarados e têm temperaturas agradáveis. Durante a noite, os termômetros podem marcar menos de dez graus.

Os ventos fortes são comuns em Paracas: a velocidade média é 25 km/h, mas pode subir para 65 km/h.

A cidade não tem temporada de chuvas. Isso significa que você pode visitá-la em qualquer época do ano, mas  os melhores meses são de janeiro a abril. 

Nessa época, boa parte das aves e dos mamíferos deixa as Ilhas Ballestas em busca de águas mais frias.

Ainda assim, você sempre vai encontrar muitos pássaros e leões-marinhos sobre as rochas e nas pequenas praias que se formam no arquipélago.

No inverno, você vai sentir muito frio durante o passeio até as ilhas e pode ser que o mar esteja mais agitado.

O que para nós brasileiros pode ser uma ameaça aparente são os frequentes terremotos que balançam a cidade.

A maioria deles não apresenta riscos para a população. Porém,  é estranho acordar de madrugada sentindo o chão tremer , como aconteceu comigo.

Para saber onde aconteceram os últimos tremores de terra e qual a intensidade de cada um deles, você pode acessar o site do Instituto Geofísico do Peru.

ONDE COMER

Há opções razoáveis de restaurantes em Paracas, mas pode ser que você considere caro o preço dos pratos em alguns lugares.

Entretanto, a maioria dos estabelecimentos tem um cardápio do dia com valores que giram em torno dos S/. 25. Então, quando chegar a um restaurante, sempre pergunte qual o menu do dia.

Em Paracas, os pratos preparados com peixes e frutos do mar são as melhores opções. Fresquinhos e em abundância, eles saltarão sobre sua mesa em fartura.

Não deixe de experimentar o arroz con lagostins. Outras opções são o arroz con mariscos, o chicharron de pescado – que são gorjões de peixe frito – e o choritos a la chalaca. Este último é um prato preparado com mexilhão, tomate e cebola marinados no limão e servido com milho.

COMO CHEGAR

A cidade de Paracas está a 260 quilômetros ao sul de Lima, e uma viagem de carro demora cerca de quatro horas. Na verdade, poderia ser feita em duas horas e meia se não fosse o difícil e caótico trânsito de saída da capital peruana.

A Carretera Panamericana Sur, a rodovia que liga as duas cidades, está em bom estado de conservação e tem um cenário lindo: a gente viaja margeando o Oceano Pacífico.

Boa parte do trecho entre Lima e Paracas está duplicado e bem sinalizado.

De uma forma geral, as rodovias peruanas estão em bom estado de conservação, principalmente aquelas que ligam grandes centros urbanos.

Brasileiros podem dirigir no Peru usando a Carteira Nacional de Habilitação por até seis meses.

As melhores empresas de ônibus são Cruz del Sur e Oltursa.

→ Principais empresas de ônibus no Peru

Você pode conhecer boa parte da cidade a pé ou de bicicleta. O aluguel de uma bike para um dia custa em torno de S/. 70.

O aeroporto mais próximo é o Capitão Renán Elías Olivera (PIO). Ele fica na cidade de Pisco, a 20 quilômetros, mas não recebe voos internacionais. Portanto, será preciso fazer uma escala em Lima.

O Aeroporto Internacional Jorge Chávez (LIM) está a 30 minutos do centro de Lima.

Há voos diários de diferentes companhias aéreas que partem do Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), em São Paulo, com destino à capital peruana.

Sem escalas, a viagem dura aproximadamente cinco horas. De Lima, partem vários voos para as principais cidades do país.

→ Principais companhias aéreas do Peru

Onde ficar em Paracas

Os melhores hotéis estão em torno da baía de Paracas. Essa região fica muito perto de tudo de interessante, já que o vilarejo é bem pequeno. Alguns viajantes preferem ficar em Pisco, que está a 20 quilômetros.

→ Encontre hospedagem em Paracas

HOTEL PARACAS

O Hotel Paracas é a melhor opção da cidade. Sua construção horizontal, devido aos frequentes terremotos que abalam a região, ocupa uma grande porção de terra de frente para a praia.

É um hotel no estilo resort, com uma piscina incrível – os drinques com pisco são sensacionais –, os quartos são excelentes e muito confortáveis. De frente para o hotel tem um píer perfeito para assistir o pôr do sol.

Ilhas Ballestas, em Paracas

PARACAS BACKPACKERS HOUSE

O Paracas Backpackers House é um hostel com quartos básicos e ideal para quem não quer gastar muito. Ele fica muito bem localizado, na principal avenida da cidade, pertinho de onde os ônibus que vêm de Lima param.

Os quartos estão sempre limpos, assim como as outras áreas do hostel. Bastante popular e cheio de gente jovem, ele pode ser um pouco barulhento para quem quer apenas descansar.

INFORMAÇÕES BÁSICAS
Visto | Brasileiros não precisam de visto para entrar no país e o prazo máximo de permanência é de 90 dias, podendo ser prorrogado por mais 90 dias.
Documentos | Você deve apresentar o passaporte, com seis meses de validade, ou a carteira de identidade, emitida há menos de dez anos.
Dinheiro| A moeda peruana é o nuevo sol, identificado pela sigla PEN e pelo símbolo S/. Para sua viagem, leve dólares e troque nas casas de câmbio.
Vacinas | A vacina contra covid-19 não é obrigatória, mas é necessário apresentar um teste RT-PCR. A vacina contra febre amarela é recomendada para quem for viajar para a região amazônica.

INFORMAÇÕES SOBRE COVID-19

Desde que reabriu suas fronteiras, o Peru adotou várias regras de prevenção e controle dos casos de covid-19. Isso significa que é preciso cumprir alguns requisitos sanitários e legais para entrar no país.

De forma geral, os documentos exigidos para a entrada de brasileiros – além dos já citados acima – são os seguintes:

  1. Comprovante de vacinação contra covid-19 com esquema vacinal completo – a terceira dose é exigida para maiores de 40 anos –, esta regra vale para viajantes maiores de 12 anos;
  2. Resultado negativo de teste RT-PCR feito há, no máximo, 48 horas antes do embarque, exigido apenas de viajantes não vacinados;
  3. Formulário Declaração de Autorização de Saúde e Geolocalização preenchido e enviado eletronicamente até 72 horas antes da partida, exigido de todos os viajante.
  4. Comprovante de hospedagem, que pode ser solicitado para que as autoridades peruanas monitorem seu estado de saúde.

É importante saber que, para viajantes vacinados, a dose final deve ter sido administrada pelo menos 14 dias antes da viagem.

Todos os viajantes – vacinados ou não – podem ser submetidos a verificação de temperatura e a testes aleatórios para detecção de covid-19 na chegada ao Peru. Se o resultado der positivo, será necessário seguir as instruções das autoridades de saúde e pode ser necessário cumprir quarentena de até 14 dias.

No caso de crianças menores de 12 anos, basta que estejam assintomáticas para embarcar, não sendo exigido comprovante de vacinação ou teste RT-PCR.

É obrigatório o uso de máscara dupla – uma máscara cirúrgica e uma máscara de pano ou apenas uma do modelo KN95 – durante os voos e nos aeroportos peruanos.

Em todo o Peru, o estado de emergência continua em vigor. Por isso, o comprovante de vacinação contra covid-19 pode ser exigido para entrar em museus, sítios arqueológicos, shoppings, supermercados, restaurantes e em outros ambientes fechados.

Você pode acompanhar os números oficiais da covid-19 no site do Governo do Peru.

SEGURO VIAGEM

Apesar de não ser obrigatório,  viajar sem o seguro viagem durante a pandemia não é uma boa ideia.  Ainda que você esteja com o esquema vacinal completo, é bom saber que terá atendimento médico e hospitalar na hora que precisar.

Além disso, o preço do seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele também garante que você estará amparado em situações como cancelamento da viagem, extravio de bagagem e muitas outras.

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Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

Veja mais dicas do Peru

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Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver mais dicas do Peru.