A beleza natural da Baía de Wulaia: tão interessante que Darwin veio conhecer

Atualizado em 10 de outubro de 2022 – 4 min de leitura

A beleza natural da Baía de Wulaia

Poucas pessoas já pisaram Baía de Wulaia, que fica quase no fim do mundo. Entre os privilegiados, está Charles Darwin, naturalista britânico que chegou a bordo do navio Beagle.

Ele queria conhecer melhor a fauna, a flora e os primeiros habitantes da Ilha Navarino, onde está a Baía de Wulaia.

Desde 2007, a ilha é uma concessão do governo chileno à Cruzeiros Australis.

A empresa opera navios no extremo sul do continente, região que ficou conhecida como Terra do Fogo, onde tudo era gelo até alguns milênios, a vida se desenvolve de forma curiosa e quase inacreditável.

A bordo do navio de expedições Stella Australis, na programação de hoje estão a Baía de Wulaia e o Cabo de Hornos – o ponto mais mítico desta viagem.

O desembarque na baía é tranquilo e logo já estou pronto para começar a explorar a ilha.

Na Baía, tenho duas opções: fazer uma trilha subindo até 180 metros e ver todo esse pedaço de mar do alto ou caminhar pela praia em um passeio leve e sem muita aventura.

Como vou parar duas vezes na Baía de Wulaia – eu estou fazendo o roteiro que vai de Punta Arenas a Ushuaia e retorna para Punta Arenas – dá para experimentar as duas opções.

Neste artigo, eu vou explicar sobre:

Trilha na Baía de Wulaia

Subir o pequeno monte é bem interessante.

A trilha tem um grau de dificuldade entre médio e alto, mas o grande ponto de atenção é que o caminho é muito escorregadio, já que a umidade é extremamente alta com chuva, neve e ventos constantes.

A paisagem é linda. Pequenos riachos escorrem da montanha e são vencidos com a ajuda de pontes de madeira.

A beleza natural da Baía de Wulaia

A vegetação, na primavera, começa a se revigorar depois do tenebroso inverno patagônico.

Nas árvores, musgos crescem sem fim e em algumas percebo uma deformação nos caules.

A beleza natural da Baía de Wulaia

Diana Martin, a guia da expedição, conta que elas são causadas por um fungo que ataca as árvores. Para se defenderem, elas cobrem o fungo criando algo como se fosse um imenso tumor.

Desafios da natureza

O incrível é que o fungo não morre. Vivo, solta frutos de tempos em tempos para nos lembrar de que a vida na Patagônia é muito mais rica do que parece ser.

Avanço mais alguns metros até a primeira parada de descanso.

Com o fôlego recuperado, sigo até encontrar um lago artificial criado por castores.

Trazidos por fazendeiros interessados em vender a pele do bicho para a indústria da moda, eles se transformaram em praga depois de terem sido abandonados nas ilhas e fiordes da Patagônia.

Hoje, é possível ver clareiras no meio do bosque, que demorará décadas para se recuperar.

Outra praga deixada pelo homem na Baía de Wulaia, especialmente na Ilha Navarino, é o porco doméstico.

Havia uma fazenda, mas, quando os seus donos decidiram se mudar para Punta Arenas, eles simplesmente abandonaram aos animais na ilha. Soltos na natureza, eles se reproduziram e hoje são percebidos pelos buracos que fazem na vegetação em busca de alimento.

Mais alguns metros de caminhada e chego ao mirante.

Boa parte da Baía de Wulaia está ao alcance dos meus olhos. As ilhas Coihue, Conejos, Button, Hostel, Aguila e o Monte King Scott estão à minha frente.

Sento-me em um dos bancos feitos com troncos de madeira e todos fazemos silêncio. É hora de ouvir a natureza.

Para quem acha que subir é difícil, a descida pode ser ainda pior com um chão tão escorregadio assim. Me agarro nos trocos e em algumas cordas que a equipe de expedição usa como apoio e chego à enseada sem tombos, diferentemente de muitos outros que caíram pelo caminho, mas sem nada grave.

Centro de Visitantes

É hora de visitar a única casa da ilha.

Na verdade ela era a sede de uma antiga estação de rádio que controlava a navegação e passava orientações sobre o clima na região.

Hoje, restaurada, ela é uma espécie de Centro de Visitantes com alguns painéis e objetos interpretativos sobre a história da ilha e da Baía de Wulaia.

A beleza natural da Baía de Wulaia

Entre eles, uma réplica da canoa utilizada pelos Yámanas, os aborígenes que habitavam esta região e que eram considerados nômades: eles navegavam com destreza entre as ilhas da Terra do Fogo e só paravam para caçar, pescar e se alimentar.

A beleza natural da Baía de Wulaia

Aliás, a Ilha Navarino não é apenas um paraíso da natureza, ela é cheia de vestígios arqueológicos desse antigo povo que vivia nu, sem qualquer outra proteção a não ser a gordura de animais marinhos que untava a pele, tornando-a impermeável e mais resistente ao rigoroso frio do extremo sul americano.

Alcançados por missionários estrangeiros, os Yámanas foram aculturados e começaram a morrer quando passaram a usar roupas.

A beleza natural da Baía de Wulaia

Planeje sua visita à Baía de Wulaia

Quando ir

A temporada de cruzeiros nessa parte do mundo começa em setembro e vai até abril, mas os melhores meses são de novembro a janeiro, quando há mais baleias, pinguins e outros animais na região.

Como chegar

A Cruzeiros Australis é a única empresa de turismo autorizada a atracar seus navios na Baía de Wulaia.

O cruzeiro-expedição parte de Punta Arenas e de Ushuaia. Há viagens de três, quatro e sete dias que percorrem parte do Estreito de Magalhães e os belos fiordes patagônicos.

Quanto custa

A viagem no estilo all inclusive – isso inclui bebidas alcoólicas – custa a partir de USD 2.900 e varia de acordo com a quantidade de dias e com o navio escolhido.

O que levar

Esteja preparado para o frio.

O ideal é usar agasalhos no estilo de camadas, de modo que você possa tirá-los à medida que caminha e que seu corpo se aquece. Uma segunda pele, um casaco intermediário e um impermeável completam as três camadas.

A beleza natural da Baía de Wulaia

O mesmo vale para as pernas. Use sapatos de trekking – ou equivalentes – que sejam impermeáveis e confortáveis.

Leve um par de luvas, gorros e o que achar conveniente para se proteger. Óculos de sol e protetor solar são indispensáveis.

Informações Básicas

Visto

Não é necessário ter  visto para entrar no país e o tempo de permanência é de até 90 dias.

Documentos

Você pode apresentar o passaporte ou a carteira de identidade emitida há menos de dez anos.

Moeda

O peso chileno, representado pela sigla CLP, é a moeda local. Você pode levar dólares e trocar ao chegar.

Vacinas

Não há exigência de vacinação para nenhuma doença não importa qual seja o motivo da viagem.

Informações sobre covid-19

As autoridades chilenas deixaram de exigir comprovantes de vacinação e testes RT-PCR de todos os viajantes, vacinados ou não. Entretanto, você precisa cumprir alguns procedimentos antes de embarcar para o país:

  1. Preencher a Declaração Juramentada C19 para validar o comprovante de vacinação e obter o Pase de Movilidad Chileno, necessário para frequentar ambientes fechados e viajar em transporte coletivo, por exemplo;
  2. Estar preparado para testes aleatórios na chegada ao país: se o resultado for positivo, você poderá ser orientado a fazer quarentena;
  3. Se você for um viajante vacinado e tomou a última dose há mais de seis meses, a dose de reforço será exigida.
Retorno ao Brasil

De acordo com informações da Anvisa, viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo, ou RT-PCR, coletado até 72 horas antes do embarque.

Seguro viagem

Apesar de não ser obrigatório,  viajar sem um seguro viagem com cobertura para covid-19 não é uma boa ideia. 

É que nem todos os países têm um sistema de saúde público e gratuito. Na verdade, na maioria deles, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem –, mesmo que ele não seja obrigatório.

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

→ Faça uma cotação do seguro viagem

Você já imaginou quanto custa um tratamento médico para esses casos em outros países? Dependendo da gravidade, o atendimento pode custar milhares de dólares, podendo gerar sérias dificuldades financeiras para você e seus familiares para o resto da vida.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

MAIS COMPRIDO DO MUNDO

O Chile é o país mais comprido do mundo, com uma distância de 4.329 quilômetros entre seu ponto mais ao norte e mais ao sul. Por ter uma geografia extremamente diversa é possível conhecer regiões com climas muito distintos entre si.

Além do fato de que o país está espremido entre a Cordilheira dos Andes, ao leste, e o Oceano Pacífico, seu atual território envolve fronteiras, ainda, conquistas políticas e militares.

No norte, está o deserto do Atacama, considerado o mais seco do mundo. Ao sul, fica a Patagônia, território de temperaturas glaciais dividido entre Chile e Argentina. Com tantos contrastes, o território chileno tem paisagens realmente inesquecíveis.

A maior parte da população vive no centro do país. Uma das maiores cidades da América Latina, a capital Santiago se destaca pela gastronomia e pela agitada vida noturna. A charmosa Valparaíso, localizada no litoral, é marcada pelas construções coloridas.

Veja mais dicas do Chile

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver mais dicas do Chile.

Sobre o Autor

<a href="https://www.penaestrada.blog.br/author/altier/" target="_self">Altier Moulin</a>

Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

comentários

2 Comentários

  1. Andrea

    Adorando suas dicas, tudo anotado!

    Responder
    • Altier Moulin

      Obrigado, Andrea.

      Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4