Baía Ainsworth a bordo do Australis

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Atualizado em 8 de março de 2018

No segundo dia de viagem a bordo do cruzeiro de expedições Stella Australis, vou visitar a Baía Ainsworth. Esta é uma região alagada que já foi totalmente coberta pelo gelo da Patagônia. Um dos lugares mais misteriosos do planeta.

O primeiro café da manhã é servido às 7h e é chamado de café para madrugadores. Ele é destinado àqueles passageiros que acordam cedo naturalmente – o que não é o meu caso. E também para quem levanta antes do sol para assistir ao nascimento do astro-rei. Porém, como estamos vivendo dias nublados, acordar cedo com esse propósito é perda de tempo.

Acordo às 8h. O café está servido no Comedor Patagônia, como eles chamam o restaurante do navio. Sabe aquele típico café da manhã de gringo com bacon, ovo, pão e muitas calorias? É nele que embarco. Mas há também opções mais saudáveis como frutas, granola, sucos e iogurtes.

Depois do café, só dá tempo de descer até a minha cabine para reforçar a camada de roupa e vestir o colete salva-vidas, pois já é hora de descer na Baía Ainsworth, nossa primeira parada.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

O Stella Australis ancorado na baía de Ainsworth.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

O desembarque é feito com botes e o uso de coletes é obrigatório.

Neste ponto, quero chamar sua atenção para duas questões muito importantes. A primeira é que a melhor opção é usar camadas de roupas para se aquecer. Eu usei uma segunda pele, um casaco intermediário e um segundo casaco mais quente, impermeável e com capuz para me proteger. Luvas e um calçado impermeável também são essenciais.

Quando desci do navio, fazia 5 graus, mas o vento forte que sopra por aqui leva a temperatura para bem menos. Entretanto, à medida que caminha, pode ser que você sinta calor, então basta tirar o casaco superior ou o intermediário. Esse é o grande benefício de se vestir usando a técnica de camadas.

A segunda questão é sobre o colete salva-vidas. Assim que chegar à cabine, prove-o e veja se você se sente confortável com ele. Durante todos os dias, no momento do desembarque, você deverá vestir o seu colete e se dirigir ao salão onde serão dadas as instruções sobre o local a ser visitado. O desembarque até às ilhas é feito em botes e, por questão de segurança, você só embarcará se estiver devidamente protegido.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

Início da caminhada pela baía.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

O guia explica como se formou toda essa área.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

Resquício de neve do inverno.

A curiosa Baía Ainsworth

A Baía Ainsworth é uma área que, há cerca de cem anos, estava completamente coberta pelo gelo. Hoje, ela é uma imensa área semialagada pela água que escorre das geleiras ao redor. Aqui, percebo que a vida na Patagônia é mesmo misteriosa. Árvores nascem dos musgos que crescem sobre as pedras e os animais migram para sobreviver ao extremo frio do inverno.

Caminho por uma terra ainda pouco visitada – somente o Stella Australis chega até aqui. Ando sobre a neve, cruzo pontes improvisadas e chego a um paredão de rocha coberto pelos líquenes que crescem com a umidade abundante.

Essa pequena extensão de terra, com pouco mais de oito quilômetros de largura, foi descoberta pela Expedição Antártica Australasiática, que percorreu todo esse caminho entre os anos de 1911 e 1914. A baía tem esse nome em homenagem ao chefe do sistema de meteorologia do grupo.

Depois de cerca de duas horas de trilha, é hora de voltar para o navio. Mas antes me aqueço com um chocolate quente servido pela equipe do Stella ainda na praia da Baía Ainsworth. Há outras opções como uísque, refrigerantes e água. De dentro do navio avisto, pela primeira vez, um pôr do sol incrivelmente azul. Lindo como poucos que já vi.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

Estou em um lugar que pouquíssimas pessoas tiveram a oportunidade de conhecer.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

Pôr do sol azul: um incrível show de cores.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

Vegetação predominante na baía.

Como visitar a Baía Ainsworth

Quanto custa | A viagem no Stella Australis no estilo all inclusive – isso inclui bebidas alcoólicas – custa a partir de USD 1.189, e o preço varia de acordo com a quantidade de dias e com o navio escolhido.

Quando ir | A temporada de cruzeiros nessa parte do mundo começa em setembro e vai até abril, mas os melhores meses são de novembro a janeiro, quando há mais baleias, pinguins e outros animais na região.

A melhor época para visitar a cidade é no verão, de dezembro a março, quando as temperaturas chegam a 15 graus. No inverno, os termômetros sempre estão próximos a zero grau, podendo chegar a temperaturas negativas. Em Punta Arenas, os ventos são fortes o ano todo.

Como chegar | A Baía Ainsworth fica entre o cabo Bage e o cabo Webb, no extremo sul do continente americano, e a única maneira de chegar aqui é a bordo dos navios da Cruzeiros Australis. O desembarque é feito por volta das 10h do segundo dia de viagem, exclusivamente na rota que vai de Punta Arenas a Ushuaia, na Argentina.

O voo de Santiago a Punta Arenas é longo. São aproximadamente quatro horas de viagem até que a aeronave pouse no Aeroporto Carlos Ibanez Del Campo (PUQ), que fica a 20 quilômetros da cidade e atende a toda a região. O aeroporto tem uma boa infraestrutura e é melhor do que alguns aeroportos de capitais brasileiras. Aqui, você tem duas opções: tomar um táxi – que vai te cobrar cerca de CLP 10.000 – ou pegar um micro-ônibus e pagar CLP 3.000. O transfer é seguro, confortável, e a viagem demora cerca de 40 minutos, tempo suficiente para um cochilo.

Onde ficar | Eu me hospedei no Hostel Keoken, que fica a apenas dez minutos de caminhada do centro e a cinco da estação de ônibus da Buses Fernandez, a principal empresa que faz a rota até Puerto Natales, porta de entrada para Torres del Paine. O hostel é muitíssimo aconchegante. Os ambientes comuns têm uma decoração rústica de bom gosto, os quartos valem o preço cobrado – eu paguei CLP 30.000 por um quarto de casal com banheiro privativo e café da manhã – e as atendentes são simpáticas, a não ser que você insista em tocar a campainha de madrugada. Veja outras opções na cidade.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

O charmoso Keoken.

O que levar | Esteja preparado para o frio. O ideal é usar agasalhos no estilo de camadas, de modo que você possa tirá-los à medida que caminha e que seu corpo se aquece. Uma segunda pele, um casaco intermediário e um impermeável completam as três camadas. O mesmo vale para as pernas. Use sapatos de trekking – ou equivalentes – que sejam impermeáveis e confortáveis. Leve um par de luvas, gorros e o que achar conveniente para se proteger. Óculos de sol e protetor solar são indispensáveis.

Visto e documentos | Não é necessário visto para entrar no país, e o tempo de permanência é de até 90 dias. Brasileiros podem apresentar o passaporte ou a carteira de identidade, desde que ela esteja em bom estado de conservação. Não há exigência de vacinação para nenhuma doença, independentemente do motivo da viagem.

A minha viagem teve o patrocínio de Cruzeiros Australis.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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