Baía Ainsworth a bordo do Australis: a curiosa vida na Paragônia chilena

Atualizado em 10 de outubro de 2022 – 4 min de leitura

Baía Ainsworth a bordo do Australis

No segundo dia de viagem a bordo do cruzeiro de expedições Stella Australis, vou visitar a Baía Ainsworth. Esta é uma região alagada que já foi totalmente coberta pelo gelo da Patagônia, um dos lugares mais misteriosos do planeta.

O primeiro café da manhã é servido às 7h e é chamado de café para madrugadores. Ele é destinado àqueles passageiros que acordam cedo naturalmente – o que não é o meu caso.

E, também, para quem levanta antes do sol para assistir ao nascimento do astro-rei. Porém, como estamos vivendo dias nublados, acordar cedo com esse propósito é perda de tempo.

Acordo às 8h. O café está servido no Comedor Patagônia, como eles chamam o restaurante do navio.

Sabe aquele típico café da manhã de gringo com bacon, ovo, pão e muitas calorias? É nele que embarco, mas há também opções mais saudáveis como frutas, granola, sucos e iogurtes.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

Depois do café, só dá tempo de descer até a minha cabine para reforçar a camada de roupa e vestir o colete salva-vidas, pois já é hora de descer na Baía Ainsworth, nossa primeira parada.

Neste ponto, quero chamar sua atenção para duas questões muito importantes.

A primeira é que a melhor opção é usar camadas de roupas para se aquecer. Eu usei uma segunda pele, um casaco intermediário e um segundo casaco mais quente, impermeável e com capuz para me proteger. Luvas e um calçado impermeável também são essenciais.

Quando desci do navio, fazia 5 graus, mas o vento forte que sopra do lado de fora leva a temperatura para bem menos.

Entretanto, à medida que a gente caminha, a temperatura do corpo aumenta e, então, basta tirar o casaco superior ou o intermediário. Esse é o grande benefício de se vestir usando a técnica de camadas.

A segunda questão é sobre o colete salva-vidas. Assim que chegar à cabine, prove-o e veja se você se sente confortável com ele.

Durante todos os dias, no momento do desembarque, você deverá vestir o seu colete e se dirigir ao salão onde serão dadas as instruções sobre o local a ser visitado. O desembarque até às ilhas é feito em botes e, por questão de segurança, você só embarcará se estiver devidamente protegido.

Neste artigo, eu vou explicar sobre:

A intocada Baía Ainsworth

A Baía Ainsworth é uma área que, há cerca de cem anos, estava completamente coberta pelo gelo. Hoje, ela é uma imensa área semialagada pela água que escorre das geleiras ao redor.

É neste lugar que percebo que a vida na Patagônia é mesmo misteriosa: árvores nascem dos musgos que crescem sobre as pedras e animais migram centenas de quilômetros ara sobreviver ao extremo frio do inverno.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

Caminhando por uma terra ainda pouco visitada – somente o Stella Australis chega à Baía Ainsworth – piso sobre a neve, cruzo pontes improvisadas e chego a um paredão de rocha coberto pelos líquenes que crescem com a umidade abundante.

Essa pequena extensão de terra, com pouco mais de oito quilômetros de largura, foi descoberta pela Expedição Antártica Australasiática, que percorreu todo esse caminho entre os anos de 1911 e 1914.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

A baía tem esse nome em homenagem ao chefe do sistema de meteorologia do grupo.

Depois de cerca de duas horas de trilha, é hora de voltar para o navio.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

Mas, antes, me aqueço com um chocolate quente servido pela equipe do Stella ainda na praia da Baía Ainsworth. Há outras opções como uísque, refrigerantes e água.

Já dentro do navio avisto, pela primeira vez, um pôr do sol incrivelmente azul e lindo como poucos que já vi.

Como visitar a Baía Ainsworth

Quanto custa

A viagem no Stella Australis no estilo all inclusive – isso inclui bebidas alcoólicas – custa a partir de USD 2.900, e o preço varia de acordo com a quantidade de dias e com o navio escolhido.

Quando ir

A temporada de cruzeiros nessa parte do mundo começa em setembro e vai até abril, mas os melhores meses são de novembro a janeiro, quando há mais baleias, pinguins e outros animais na região.

A melhor época para visitar a cidade é no verão, de dezembro a março, quando as temperaturas chegam a 15 graus. No inverno, os termômetros sempre estão próximos a zero grau, podendo chegar a temperaturas negativas. Em Punta Arenas, os ventos são fortes o ano todo.

Como chegar

A Baía Ainsworth fica entre o cabo Bage e o cabo Webb, no extremo sul do continente americano, e a única maneira de chegar é a bordo dos navios da Cruzeiros Australis. O desembarque é feito por volta das 10h do segundo dia de viagem, exclusivamente na rota que vai de Punta Arenas a Ushuaia, na Argentina.

O voo de Santiago a Punta Arenas é longo. São aproximadamente quatro horas de viagem até que a aeronave pouse no Aeroporto Carlos Ibanez Del Campo (PUQ), que fica a 20 quilômetros da cidade e atende a toda a região.

Baía Ainsworth a bordo do Australis

O aeroporto tem uma boa infraestrutura e é melhor do que alguns aeroportos de capitais brasileiras. Para chegar ao Centro, você tem duas opções: tomar um táxi – que vai te cobrar cerca de CLP 15.000 – ou pegar um micro-ônibus e pagar CLP 3.500. O transfer é seguro, confortável, e a viagem demora cerca de 40 minutos, tempo suficiente para um cochilo.

O que levar

Esteja preparado para o frio.

O ideal é usar agasalhos no estilo de camadas, de modo que você possa tirá-los à medida que caminha e que seu corpo se aquece. Uma segunda pele, um casaco intermediário e um impermeável completam as três camadas. O mesmo vale para as pernas. Use sapatos de trekking – ou equivalentes – que sejam impermeáveis e confortáveis.

Leve um par de luvas, gorros e o que achar conveniente para se proteger. Óculos de sol e protetor solar são indispensáveis.

Informações Básicas

Visto

Não é necessário ter  visto para entrar no país e o tempo de permanência é de até 90 dias.

Documentos

Você pode apresentar o passaporte ou a carteira de identidade emitida há menos de dez anos.

Moeda

O peso chileno, representado pela sigla CLP, é a moeda local. Você pode levar dólares e trocar ao chegar.

Vacinas

Não há exigência de vacinação para nenhuma doença não importa qual seja o motivo da viagem.

Informações sobre covid-19

As autoridades chilenas deixaram de exigir comprovantes de vacinação e testes RT-PCR de todos os viajantes, vacinados ou não. Entretanto, você precisa cumprir alguns procedimentos antes de embarcar para o país:

  1. Preencher a Declaração Juramentada C19 para validar o comprovante de vacinação e obter o Pase de Movilidad Chileno, necessário para frequentar ambientes fechados e viajar em transporte coletivo, por exemplo;
  2. Estar preparado para testes aleatórios na chegada ao país: se o resultado for positivo, você poderá ser orientado a fazer quarentena;
  3. Se você for um viajante vacinado e tomou a última dose há mais de seis meses, a dose de reforço será exigida.
Retorno ao Brasil

De acordo com informações da Anvisa, viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo, ou RT-PCR, coletado até 72 horas antes do embarque.

Seguro viagem

Apesar de não ser obrigatório,  viajar sem um seguro viagem com cobertura para covid-19 não é uma boa ideia. 

É que nem todos os países têm um sistema de saúde público e gratuito. Na verdade, na maioria deles, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem –, mesmo que ele não seja obrigatório.

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

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Você já imaginou quanto custa um tratamento médico para esses casos em outros países? Dependendo da gravidade, o atendimento pode custar milhares de dólares, podendo gerar sérias dificuldades financeiras para você e seus familiares para o resto da vida.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

MAIS COMPRIDO DO MUNDO

O Chile é o país mais comprido do mundo, com uma distância de 4.329 quilômetros entre seu ponto mais ao norte e mais ao sul. Por ter uma geografia extremamente diversa é possível conhecer regiões com climas muito distintos entre si.

Além do fato de que o país está espremido entre a Cordilheira dos Andes, ao leste, e o Oceano Pacífico, seu atual território envolve fronteiras, ainda, conquistas políticas e militares.

No norte, está o deserto do Atacama, considerado o mais seco do mundo. Ao sul, fica a Patagônia, território de temperaturas glaciais dividido entre Chile e Argentina. Com tantos contrastes, o território chileno tem paisagens realmente inesquecíveis.

A maior parte da população vive no centro do país. Uma das maiores cidades da América Latina, a capital Santiago se destaca pela gastronomia e pela agitada vida noturna. A charmosa Valparaíso, localizada no litoral, é marcada pelas construções coloridas.

Veja mais dicas do Chile

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver mais dicas do Chile.

Sobre o Autor

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Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

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