Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

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Atualizado em 8 de março de 2018

Hoje, eu vou lhe apresentar um dos lugares mais lindos que já visitei: o Glaciar Pia.  Ele fica no Parque Nacional Alberto de Agostini, na Patagônia chilena. Essa área de proteção ambiental tem mais de 1,4 milhão de hectares e já foi totalmente coberta pelo gelo. O que você encontra são paisagens que deixam qualquer um de boca aberta.

Aos pés da Cordilheira Darwin, essa montanha de gelo tem cerca de 80 metros de atura. Ela avança pela encosta até tocar o mar. Todo esse gelo foi formado durante anos e anos, a partir do acúmulo da neve que, com o tempo, vai se compactando e recebendo novas camadas. Depois de décadas, esse monte de neve se torna um glaciar.

Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

O desembarque e a chegada ao Claciar Pia.

Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

A montanha de gelo que desce da cordilheira.

Naturalmente, a formação de um glaciar provoca erosão nas montanhas e nos vales que ocupa. Ao avançar, o gelo leva consigo rochas e qualquer vegetação que estiver no caminho. Esses materiais são abandonadas quando ele começa a regredir, em um processo natural de degelo. É esse movimento de aumentar e diminuir de tamanho que faz com que os glaciares tenham uma paisagem única e diferente a cada dia.

Em alguns momentos parece que o Pia está vivo. Rompendo o silêncio que reina por essas bandas, um som como o de um trovão parte de dentro da montanha de gelo que parece anunciar mais uma de suas mudanças. Minutos depois, um pedaço de gelo se desprende e cai na água formando ondas que balançam toda a baía ao redor. Sentado, fico parado por longos minutos observando esse espetáculo da natureza.

Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

Hora de parar para apreciar a beleza desse lugar.

Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

O Glaciar Pia visto de frente. No fundo e na foto abaixo, detalhe da Cordilheira Darwin.

Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

Os picos da Cordilheira Darwin.

Mais tarde, em uma caminhada de dez minutos, chego ao alto de uma pequena montanha de onde tenho uma visão sensacional de tudo ao redor: a Cordilheira Darwin, os fiordes formados pelo recuo do gelo milenar, as montanhas de pico nevado, o bosque patagônico e o Stella Australis, que completa o cenário.

Me sinto abençoado por pisar esta terra e poder contemplar, em um dia tão bonito, um lugar tão especial, mas que daqui a algumas décadas terá, praticamente, desaparecido, já que o aquecimento global tem feito com que o processo de degelo seja ainda mais rápido.

Depois de permanecer quase três horas aqui no Pia, volto para os botes Zodiac que fazem o transporte do navio até o glaciar.

Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

A vista que tenho do mirante, uma pequena montanha a 10 minutos de caminhada.

Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

O embarque e o desembarque são feitos em botes como estes.

Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

Os fiordes formados pelo recuo do gelo.

Programe sua visita ao Glaciar Pia

Como chegar | O Glaciar Pia está a 80 milhas náuticas de Punta Arenas e a única maneira de chegar até aqui é a bordo dos navios da Cruzeiros Australis. O desembarque é feito no terceiro dia de viagem exclusivamente na rota que vai de Punta Arenas a Ushuaia, na Argentina. Descemos por volta das 14h30, e a caminhada até o mirante dura cerca de 10 minutos. A trilha é sinalizada por cordas que também servem de apoio.

Quanto custa | A viagem no estilo all inclusive – isso inclui bebidas alcoólicas – custa a partir de USD 1.189 e varia de acordo com a quantidade de dias e com o navio escolhido.

Quando ir | A temporada de cruzeiros nessa parte do mundo começa em setembro e vai até abril, mas os melhores meses são de novembro a janeiro, quando há mais baleias, pinguins e outros animais na região.

Patagônia chilena: o fantástico Glaciar Pia

A beleza é a minha recompensa pelo doloroso frio que faz aqui.

O que levar | Esteja preparado para o frio. O ideal é usar agasalhos no estilo de camadas, de modo que você possa tirá-los à medida que caminha e que seu corpo se aquece. Uma segunda pele, um casaco intermediário e um impermeável completam as três camadas. O mesmo vale para as pernas. Use sapatos de trekking – ou equivalentes – que sejam impermeáveis e confortáveis. Leve um par de luvas, gorros e o que achar conveniente para se proteger. Óculos de sol e protetor solar são indispensáveis.

Minha viagem teve o patrocínio de Cruzeiros Australis.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

2 Comentários

  1. Olá, Altier! Estou planejando viajar pro Chile em outubro e senti falta do post com o roteiro completo da viagem (que você fez de outros paises). Você poderia me dizer quantos dias você passou e quais lugares você visitou? Obrigada!

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