Viaduto 13: o mais alto das Américas

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Atualizado em 26 de fevereiro de 2018

Muçum é uma cidadezinha pequena no interior do Rio Grande do Sul. Carinhosamente chamada de Princesa das Pontes, logo percebe-se que por aqui a paisagem verde das matas que descem as encostas é interrompida pelo cinza do concreto das pontes que parecem levar o nada a lugar algum. Mas não é bem assim.

Construídos quando ainda imperava a ditadura militar, essa série de viadutos e pontes completa o trajeto da Ferrovia do Trigo, que liga Roca Sales a Guaporé. Embora minha viagem tenha começado em Muçum, o Viaduto 13 – que também é chamado de Viaduto do Exército – fica em Vespasiano Corrêa, cidade que se desenvolveu com o trabalho dos imigrantes italianos.

Com 143 metros de altura e 509 de extensão, ele só perde para o viaduto Mala Rijeka, que fica em Montenegro e tem 198 metros de altura e 498 de comprimento. Com todas essas medidas e ocupando uma posição de destaque no ranking mundial, o Viaduto 13 virou atração turística de Vespasiano Corrêa.

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A entrada da cidade de Muçum.

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As plantações de soja da estrada.

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A primeira visão do Viaduto 13.

O passeio sobre o Viaduto 13

Aqui, chegam diariamente aventureiros que insistem em atravessar os seus vãos a pé, mesmo com placas avisando que isto pode ser perigoso. Esse aviso não é por acaso – o trem ainda corre sobre estes trilhos e não há horário fixo: às vezes pela manhã, às vezes a noite. Entretanto, não temos motivos para nos preocupar, pois incidentes não fazem parte da história do Viaduto 13, a não ser o fato narrado por alguns moradores da região que afirmam ter dois soldados do Exército Brasileiro sepultados dentro de uma das colunas. Conta a lenda que ambos morreram ao cair dentro da armação das colunas e nunca foram de lá resgatados.

ATUALIZAÇÃO | Recentemente, a empresa que administra a ferrovia interditou a trilha que dava acesso à estrada de ferro. Portanto, de acordo com o relato de viajantes que estiveram no local, não é mais possível fazer caminhada que atravessa o túnel.

Para chegar até à base do Viaduto 13, sigo pela estrada de chão que parte de Muçum. Ao meu lado, plantações de soja se revezam com o milho que cresce sob um sol escaldante. Estamos na entressafra do fumo, produto que move a economia de toda a região e que garante o sustento de gerações de colonos.

Pelo caminho, tantos outros viadutos aparecem. De longe, penso se tratar do mais famoso deles, mas me engano. Quando chego à base do Viaduto 13, a sua grandiosidade se mostra majestosa. Entre os seus pilares centrais corre um tímido riacho que vai se desviando das pedras até se unir ao Rio Guaporé e suas águas barrentas.

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Placa com as orgulhosas descrições do viaduto.

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Do alto do viaduto vejo as montanhas engolirem o Rio Guaporé.

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O principal atrativo turístico de Vespasiano Corrêa.

Todo o trajeto até o viaduto pode ser feito de carro. Então, sigo cerca de 300 metros até parar sob a sombra de árvores nativas que habitam a região. Caminho e encontro, efetivamente, o mais alto viaduto ferroviário das Américas.

À minha direita está a ponte e à esquerda um dos muitos túneis da ferrovia. Caminho e vejo uma imensidão verde lá embaixo. Por toda sua extensão, pequenas cabines projetadas no parapeito me fazem sentir melhor a sensação do quão alto estou. Paro, garanto a minha selfie e logo sigo o caminho.

Depois de atravessar todo o viaduto, estou de volta à sua margem esquerda. É hora de atravessar o túnel. Conto 730 passos até alcançar sua primeira abertura. São quase 350 metros caminhando sob uma escuridão absoluta e um silêncio sobrenatural.

De volta ao chão firme, paro em uma pequena cascata onde algumas pessoas se refrescam do calor. Daqui, vejo pela primeira vez o Viaduto 13 de um ângulo inferior. Aproveito, tiro o tênis e por alguns instantes me refresco nas águas que diariamente correm sob tão grandiosa obra-prima.

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O riacho que corre por debaixo do Viaduto 13.

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Hora de relaxar e se refrescar.

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A pequena cascata do Camping da Nei.

Como visitar o Viaduto 13

Como chegar | Vespasiano Corrêa está a 175 quilômetros de Porto Alegre e fica às margens da rodovia RS-129. Apesar de estar a 695 metros acima do nível do mar, no verão o calor por aqui pode ser insuportável. O Viaduto 13 fica a oito quilômetros do centro da cidade. No trecho há cobrança de pedágio a R$ 5,20.

Onde comer | Em Muçum, antes de seguir para o Viaduto 13, almoce no Kiosque. Esse restaurante fica na praça da cidade, em frente à Igreja Matriz, e tem suas mesas espalhadas pelas sombras de grandes árvores. Peça uma deliciosa Alaminuta, um prato muito bem servido com arroz, feijão, ovo frito, bife e salada de legumes. Não pense que é comida demais, pois você precisará de energia extra para essa atividade.

Quanto custa | O acesso ao Viaduto 13 é gratuito. Para visitar a cascata que avistamos la do alto, é preciso ir até o Camping da Nei, que custa R$ 1 a entrada. Porém, se quiser acampar por aqui vai ter que pagar R$ 5, por noite. Na chegada ao viaduto alguns bares vendem petiscos, refrigerantes e outras bebidas. Uma garraa de água custa R$ 2,50.

O que fazer | Embora não autorizados, alguns aventureiros costumam fazer rapel no vão central do Viaduto 13.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

79 Comentários

  1. Avatar

    Não deixem de conhecer, é espetacular.

    Quem for por Muçum, aproveite e chegue no mercado CA, logo a esquerda que entra na cidade e fale com o senhor Luis Geraldine, proprietário do mercado. Este senhor trabalhou na construção do V13 entre outros tantos. Ele possui um acervo de fotos da obra, além de um diário sobre todos os dias do inicio ao fim da construção. A propósito, segundo ele, a história de que haveria pessoas sepultadas nos pilares é folclore. Isso não aconteceu. Pelo menos não no V13 e não da forma como contam.

    Levem uma boa lanterna, pois para cruzar o túnel somente com o auxilio de uma lanterna, pois é um breu absoluto.

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    Cara, esse blog é fantástico, para não dizer outra coisa.

    Enfim, eu queria mesmo era passear de trem pelo V13. Tu sabe me dizer se isso é possível?

    Abraço.

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    Olá, estou afim de fazer uma viagem de moto pelo RS, saberia me dizer se o acesso é fácil, e se tem locais onde possa deixar a moto (restaurantes, pousadas, etc.) Ótima matéria!!! Parabéns 😀

    • Altier Moulin

      Oi Juliano,

      O acesso é muito fácil e há um restaurante exatamente embaixo do Viaduto. Você pode deixar sua moto lá tranquilamente.

      Um abraço.

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    Boa tarde,
    Bacana as informações do blog.
    Gostaria de uma informação: sabe me dizer se há uma estrada saindo da cidade de Vespasiano Correa até o Viaduto 13?
    Olhando pelo Google Maps me parece que há uma estrada, mas é transitável para carros?
    Abraço,

    • Altier Moulin

      Oi Iandre,

      O trecho que passa por Muçum é asfaltado, mas o calçamento acaba logo que entra em Vespasiano. Dessa cidade direto para o Viaduto há duas opções de rotas e em ambas a estrada não tem calçamento, mas dá pra ir tranquilo.

      Um abraço.

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    Tudo bem, Altier?
    Minha vó paterna mora em Vespasiano, vou para lá quase todos os finais de semana, e quando levo um amigo para lá, levo para conhecer essa maravilha que já conheço há tempo. Esse seu blog vai me ajudar para um trabalho escolar. Muito bom.

    Abraço.

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    Sérgio Streda on

    Olá,

    Tem como ir com o carro até em cima do viaduto ou tem que deixar o carro embaixo e subir a pé? Estava pensando em ir agora no sábado dia 18 de julho. Será que com essa chuva tem algum problema?

    • Altier Moulin

      Oi Sérgio,

      Não, o carro não vai até o Viaduto. Quanto à chuva, isso depende de você,né?! Algumas pessoas se incomodam com ela e outras não.

      Um abraço.

        • Altier Moulin
          Altier Moulin on

          Não entendi seu comentário, Luís.

          Eu cito no texto a seguinte frase: “Todo o trajeto até o viaduto pode ser feito de carro”.
          E sobre o rapel, o que disse foi: “Embora não autorizados, alguns aventureiros costumam fazer rapel no vão central do Viaduto 13”.

          Acho que você não leu direito. Um abraço.

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    Olá, Altier!
    Parabéns pelo blog!
    Sou de Santa Cruz do Sul, estarei por São Leopoldo e gostaria de visitar o V13, te pergunto:
    -Tens outras indicações de pontos turisticos legais nessa rota (São Leopoldo, Vespasiano a Santa Cruz do Sul)?

    Abraço.

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    Quero parabeniza-lo pelo blog! Todas postagens são lindas e dá ainda mais vontade de sair sem rumo e conhecer esse mundo maravilhoso que esta a nossa disposição! Conheci alguns lugares e dicas descritos no teu blog e simplesmente me apaixonei por cada um deles! 🙂

    • Altier Moulin

      Que ótimo que gostou, Ellen. Escrevo com muito cuidado pensando justamente em ajudar as pessoas a viajarem mais e melhor.

      Um abraço.

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    Boa tarde, uma pergunta… o viaduto em toda sua extensão possui mureta ou alguma parte não possui? creio que a falta da mureta venha ser arrisco a travessia, tenho vontade de ir…

    Obrigada.

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    Márcia dos Santos on

    Além de ser muito linda a vista, a água geladinha de setembro é muito boa. Vista impressionante. Com relação ao rappel, eu realizei, é muito bom!! Pendurada pela “cordinha” você vê o quanto é pequenino perto da grandeza da natureza! Vale a pena ir!

  11. Avatar

    Olá!

    Vi a foto de um conhecido no facebook nos trilhos e achei o lugar muito interessante. Sábado, se o tempo estiver bom, irei com meu marido visitar. Mas fiquei um pouco preocupada, pois ainda passa trem lá.
    Como faz se eu estiver atravessando os trilhos? Tem um que não tem proteção!

    • Altier Moulin

      Oi Isabel,

      Não há um horário certo para o trem passar, por isso é preciso ficar atento aos avisos sonoros. Informe-se com os moradores da região, se tiver dúvida.

      Um abraço.

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    Interessante e sublime, um dos marcos da engenharia brasileira construir um dos viadutos mais altos do planeta, tudo para carregar trigo, soja e outros tantos produtos agrícolas.
    Em breve essa ferrovia conduzirá passageiros/turistas, pois os prefeitos da região estão se mobilizando para implantar o “Trem Turístico dos Vales” ligando o Vale à Serra Gaúcha (até Guaporé), colocando estações e atrativos durante todo o passeio, ainda não há uma data definida para começar o projeto, mas as empresas que detém os trilhos já liberaram e em breve devem começar as obras que trarão mais um passeio turístico ao RS.

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    Altier… parabéns pelo blog fantástico… vc acha que uma pessoa gordinha consegue fazer a trilha que da acesso ao v13 … tem partes ingrimes demais?

  14. Avatar
    Gabriel Moraes on

    Grande post Altier, parabéns!

    Só fiquei com uma dúvida em relação ao Rapel, vi que vc mencionou que não é autorizado, mas durante todo o final de semana há praticantes para a realização da prática lá sabe sobre essa informação?

    • Altier Moulin
      Altier Moulin on

      Olha, essa é uma boa pergunta. 😉

      Imagino que seja bom ficar atento aos avisos sonoros e sair da linha férrea usando alguns refúgios construídos na lateral.

      Um abraço.

  15. Avatar

    Parabenizo o Altier pela qualidade do texto e das imagens. Ele evidenciou um local de imenso potencial turístico, talvez, desconhecido pelos brasileiros. Mas quero destacar a relevância da engenharia do 1° Batalhão Ferroviário do Exército Brasileiro, que há 40 anos ergueu o Viaduto 13, sem os recursos técnicos existentes hoje. E, sobremaneira, sem licitações fraudulentas, sem superfaturamento, expressão muito conhecida hoje pela corrupção que se entranhou nas obras públicas. No ano passado, estiveram no local alguns remanescentes daquela época, durante a comemoração de quatro décadas de fundação do Viaduto. Sem dúvida, a partir dessa matéria decidi em conhecer o lugar.

  16. Avatar

    Parabéns pelo relato Altier !
    Seguindo mais uma vez tuas dicas, estivemos neste final de semana, visitando o viaduto 13, esta majestosa obra de engenharia que se tornou atração turística na pequena cidade de Vespasiano Corrêa.
    Bem interessante e completo o relato que nos inspirou a conhecer aquele belo local.
    Só ficamos em dúvida se o nome do rio que tangencia o viaduto é o rio Guaporé, pois acreditamos que seja o rio Taquari.
    Mais uma vez agradecemos as dicas e continuaremos seguindo este que, na nossa opinião, é um dos melhores blogs de viagens que existe.

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