Viaduto 13: conheça o viaduto ferroviário mais alto das Américas

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Atualizado em 31 de janeiro de 2022

Viaduto 13

Muçum é uma cidadezinha pequena no interior do Rio Grande do Sul. Carinhosamente chamada de Princesa das Pontes, logo se percebe que, por aqui, a paisagem verde da mata, que desce as encostas, é interrompida pelo cinza do concreto de grandes construções que parecem levar nada a lugar algum. Mas, não é bem assim.

Construídos na época em que os militares comandavam o Brasil, esta série de viadutos e pontes completa o trajeto da Ferrovia do Trigo, que liga as cidades gaúchas de Roca Sales e Guaporé.

Embora minha viagem tenha começado em Muçum, o  Viaduto 13 fica em Vespasiano Corrêa,  cidade que se desenvolveu com o trabalho dos imigrantes italianos.

Viaduto 13: conheça o maior viaduto brasileiro e o mais alto das Américas

O Viaduto 13

Também chamado de Viaduto do Exército, o Viaduto 13 tem 143 metros de altura e 509 de extensão.

Ele é o viaduto ferroviário mais alto das Américas e um dos mais altos do mundo: atualmente, só perde para o viaduto Mala Rijeka, que fica em Montenegro. Mas, em dezembro de 2021, deve ser inaugurada a ponte ferroviária sobre o rio Chenab, na Índia, que passará a ocupar o primeiro lugar da lista.

Com todas essas medidas e ocupando uma posição de destaque no ranking mundial, o Viaduto 13 virou atração turística de Vespasiano Corrêa.

História do viaduto

O viaduto foi construído pelo Primeiro Batalhão Ferroviário do Exército Brasileiro, que ficava na cidade de Lajes, em Santa Catarina. A construção aconteceu na década de 1970, mas o projeto já estava pronto desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Durante a obra, sugiram muitas histórias sobre o número de mortos envolvidos na construção. Aliás, isso sempre acontece em obras gigantescas como essa.

Foto: André Prati

Oficialmente, os registros mostram que além de dois militares, oito funcionários da empresa estatal, que acompanhava as obras, também se acidentaram, sendo que seis morreram.

Porém, a história que contam alguns moradores da região é um pouco diferente.

Eles afirmam que dois soldados do Exército Brasileiro foram sepultados dentro de uma das colunas: eles caíram lá dentro enquanto trabalhavam e nunca foram encontrados.

Inaugurado pelo presidente do Brasil naquela época, Ernesto Geisesl, desde então, passou a ser um orgulho da engenharia brasileira.

Mais recentemente, se tornou o mais importante ponto de visitação da cidade de Vespasiano Corrêa.

Mas, por que o nome Viaduto 13? É porque ele é o décimo terceiro viaduto de uma sequência que começa no centro de Muçum.

O passeio sobre o Viaduto 13

Para chegar até à base do Viaduto 13, sigo pela estrada de chão que parte de Muçum. Ao meu lado, plantações de soja se revezam com o milho que cresce sob um sol escaldante.

Estamos na entressafra do fumo, produto que move a economia de toda a região e que garante o sustento de gerações de colonos.

Pelo caminho, tantos outros viadutos aparecem. De longe, penso se tratar do mais famoso deles, mas me engano.

Quando chego à base do Viaduto 13, a sua grandiosidade se mostra majestosa.

Entre seus pilares centrais corre um tímido riacho que vai se desviando das pedras até se unir ao Rio Guaporé e suas águas barrentas.

Todo o trajeto até a base do viaduto pode ser feito de carro. Então, aproveito as sombras das árvores para parar o carro.

Depois de estacionar, preciso fazer uma pequena caminhada para subir até o topo do viaduto. A subida é íngreme, mas nada desafiadora.

À minha direita está a ponte e, à esquerda, um dos muitos túneis da ferrovia. Caminho na direção da ponte e vejo uma imensidão verde lá embaixo.

Por toda sua extensão, pequenas cabines projetadas no parapeito me fazem sentir melhor a sensação do quão alto estou: dá aquele frio na barriga quando olhamos para baixo.

Viaduto 13: conheça o maior viaduto brasileiro e o mais alto das Américas

Depois de atravessar todo o viaduto, é hora de atravessar o túnel.

Conto 730 passos até alcançar sua primeira abertura. São quase 350 metros caminhando sob uma escuridão absoluta e um silêncio sobrenatural.

E SE O TREM APARECER?

A cada dia, novos aventureiros chegam a Vespasiano Corrêa para atravessar os vãos do Viaduto 13 a pé, mesmo com placas avisando que isto pode ser perigoso.

Os avisos não são por acaso.

É que o trem ainda corre sobre estes trilhos, mas, de acordo com informações da prefeitura de Vespasiano Corrêa, ele só passa durante a madrugada, sem horário certo.

Então, não há motivos para se preocupar, pois incidentes com turistas não fazem parte da história do Viaduto 13.

APROVEITE AS CASCATAS

De volta ao chão firme, paro em uma pequena cascata onde algumas pessoas se refrescam do calor.

Daqui, vejo o Viaduto 13 de um ângulo diferente, refletido nas águas do pequeno rio. Aproveito, tiro o tênis e por alguns instantes me refresco nas águas que diariamente correm sob tão grandiosa obra-prima.

Como visitar o Viaduto 13

COMO CHEGAR

Vespasiano Corrêa está a 175 quilômetros de Porto Alegre e fica às margens da rodovia RS-129. Apesar de estar a 695 metros acima do nível do mar, no verão o calor por aqui pode ser insuportável. O Viaduto 13 fica a oito quilômetros do centro da cidade. No trecho há cobrança de pedágio a R$ 4,60.

ONDE COMER

Em Muçum, antes de seguir para o Viaduto 13, almoce no Kiosque. Esse restaurante fica na praça da cidade, em frente à Igreja Matriz, e tem suas mesas espalhadas pelas sombras de grandes árvores.

Peça uma deliciosa Alaminuta, um prato muito bem servido com arroz, feijão, ovo frito, bife e salada de legumes. Não pense que é comida demais, pois você precisará de energia extra para essa atividade.

Viaduto 13

Quanto custa

O acesso ao Viaduto 13 é gratuito. Para visitar a cascata que avistamos la do alto, é preciso ir até o Camping da Nei. Porém, se quiser acampar por aqui vai ter que pagar pela diiária. Na chegada ao viaduto algumas lanchonetes e bares que vendem petiscos, refrigerantes e outras bebidas.

RECOMENDAÇÕES DE VIAGEM - COVID-19

Devido à pandemia de covid-19, novas medidas de saúde e segurança foram adotadas. Elas são importantes para evitar o contágio, protegendo você, quem trabalha diretamente com o turismo e as comunidades locais.

Então, antes de viajar, verifique quais as medidas protetivas  estão sendo adotadas no seu destino. Alguns lugares exigem o comprovante de vacinação contra covid-19, o uso de máscara e até seguro viagem.

Veja algumas medidas adotadas:

  • Álcool gel disponível nos quartos e nas áreas comuns dos hotéis;
  • Uso obrigatório de máscaras nas áreas comuns;
  • Respeito às regras de distanciamento social;
  • Uso de produtos de limpeza eficazes contra o coronavírus;
  • Café da manhã pode ser servido no quarto;
  • Restrição de horários e de capacidade de público em museus e eventos.

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Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver mais dicas do Rio Grande do Sul.