Nor Lípez: entre salares e lagoas bolivianas

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Atualizado em 7 de novembro de 2017

O departamento de Potosí ocupa todo o sudoeste da Bolívia e abrange duas atrações muito famosas: o Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo, e o deserto de Siloli, que tem maravilhas infinitas, como você pode ver em Deserto Siloli: um mundo de maravilhas. O que muita gente não sabe é que existe outro deserto por aqui. Chamado simplesmente de Nor Lípez – o mesmo nome da província que o abriga –, ele ocupa uma imensa área na fronteira com o Chile.

Toda essa região está próxima dos 4.000 metros acima do nível do mar e, devido à altitude, o ar é rarefeito e o clima sempre frio, mesmo no verão.  Muito pouco povoado, viajo por quilômetros e mais quilômetros sem avistar vilarejos ou qualquer outra evidência humana, a não ser aquelas deixadas por nós, turistas.

Falando nisso, bem perto do hostel em que dormi, há um pequeno povoado onde são vendidas duas especiarias bolivianas. Neste que é um dos poucos – e famosos – pontos de parada, viajantes do mundo todo experimentam a cerveja feita da folha da coca e da quinoa. Produzidas artesanalmente, você não as encontrará em outra parte do deserto. Então, prove e, se gostar, estoque.

Nor Lípez: entre salares e lagoas bolivianas

Atravessando o Salar de Tiguana.

Nor Lípez: entre salares e lagoas bolivianas

A paisagem fria e seca do deserto.

Nor Lípez: entre salares e lagoas bolivianas

O vilarejo de Candelaria é um dos poucos dessa região.

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As cervejas de quinoa e de folha de coca.

Cruzo o Salar de Tiguana, que não é tão branco como o de Uyuni, mas nem por isso menos encantador. Aqui, paro na linha férrea que leva os trens a Sucre, a capital constitucional boliviana. Toda essa planície está rodeada por vulcões, alguns ainda ativos, e admirá-los no horizonte, de longe, é um privilégio.

Seguindo viagem, encontro a Laguna Canãpa. Cheia de belos e elegantes flamingos, essa lagoa de águas salobras tem quase 1,5 quilômetro de extensão e um tom levemente esverdeado. Depois dela, outras duas lagoas estão na minha rota: Laguna Hedionda e Honda, esta última quase seca – a estação chuvosa deste ano trouxe menos água do que o esperado, logo, todas as lagoas estão muito abaixo do nível normal para esse período.

Nor Lípez: entre salares e lagoas bolivianas

A belíssima Laguna Cañapa.

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Os muitos e elegantes flamingos da lagoa.

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Com pouca chuva, as lagoas estavam muito abaixo do nível normal.

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Laguna Honda.

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Laguna Hedionda e algumas vicunhas, anima selvagem que vive nos Andes.

Planeje sua viagem pelo deserto Nor Lípez

Quando ir | Há duas estações ideais para visitar o deserto: entre setembro e novembro e entre março e maio. Aqui, a amplitude térmica é muito acentuada – variando de zero a 40 graus no mesmo dia – e, nesses períodos, as temperaturas são mais amenas.

Como chegar | A melhor maneira de chegar a Nor Lípez é contratando um tour que pode partir de San Pedro de Atacama, no Chile, ou de Uyuni. Partindo de Uyuni, eu paguei BOB 850 pelo passeio com hospedagem e alimentação inclusos por três dias. De carro, esteja certo de que estará acompanhado de um bom guia. Aqui, GPS não funciona bem, e os relatos de pessoas desaparecidas não são raros.

Onde ficar | No meio do nada, as opções de hospedagem são bem poucas. Eu me hospedei no Hostal Samarikuna, que fica numa vila chamada Candelaria. Ele é todo feito de sal: parede, chão, cama, cadeira e mesa. Tudo é de sal. O banho quente custa BOB 15. O delicioso jantar é servido às 20h30: frango assado, arroz e salada, com uma sopinha de entrada. Tudo limpo e muito bom.

Nor Lípez: entre salares e lagoas bolivianas

O quarto feito de sal.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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