Deserto Siloli: um mundo de maravilhas sem fim entre a Bolívia e o Chile

Atualizado em 10 de outubro de 2022 – 3 min de leitura

Deserto Siloli

O deserto Siloli fica na Bolívia, mas é considerado parte do Atacama, a região mais seca do planeta com áreas onde não chove há mais de 23 milhões de anos.

Estou no meu segundo dia de viagem pelos desertos que ligam Uyuni a San Pedro de Atacama, no Chile. Nesses dias, eu vi muitas coisas lindas, intrigantes e até inimagináveis, mas viajar pelo pouco conhecido Siloli me impressionou.

Nessa terra tão árida e quase sem vida, os encantamentos não têm fim.

Deserto Siloli

Aqui, minha aventura começa aos pés do vulcão Ollagüe, que expulsa uma constante fumaça de seu interior como sinal de que ainda está vivo, ativo e que a qualquer momento pode entrar em erupção. Essa fumaça é, na verdade, formada pela liberação de gases e vapor d’água.

Deserto Siloli

Sua cratera, com mais de 1.250 metros de circunferência está a uma altura de 5.500 metros, e, para chegar lá, é preciso muita disposição e preparo físico.

Espetáculo da natureza

O segundo ponto de visitação do deserto Siloli é a Árbol de Piedra, uma curiosa formação rochosa que tem forma semelhante à de uma árvore.

Esculpida pelos fortes ventos do deserto, ela está localizada no caminho para a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, uma gigantesca área de proteção ambiental que atrai muitos visitantes.

Deserto Siloli

Avançando mais 18 quilômetros, chego à Laguna Colorada, que para muitos é o ponto mais esperado do roteiro. Esse lago de água salobra e de tom avermelhado já está dentro da reserva, bem na fronteira com o Chile.

Deserto Siloli

A coloração das águas, dizem os cientistas, vem da proliferação de um determinado tipo de alga e nada tem a ver com a coloração dos flamingos vistos com frequência por aqui.

Na manhã seguinte, é hora de ver o esplendor dos gêiseres. Eles são pequenas aberturas no solo de onde, de tempo em tempo, sobem colunas de vapor e água quente.

Deserto Siloli

Essas curiosas formações da natureza, que somente são vistas em áreas vulcanizadas, são melhor observadas pela manhã, logo nos primeiros raios de sol. Para isso, é preciso acordar bem cedo.

Eu levantei às 4h sob um frio congelante de 5 graus.

Deserto Siloli

Conhecido como Sol de Mañana, esse campo de intensa atividade vulcânica tem mais de dez quilômetros quadrados e está entre 4.800 e 5.000 metros de altitude.

Logo, qualquer caminhada parece muito esforço, já que o cansaço e a falta de ar podem nos deixar para baixo.

Lagunas Verde e Blanca

A minha próxima parada é a Laguna Verde, que está bem ao lado da Laguna Blanca.

Com 1.700 hectares, a lagoa tem essa cor devido à grande concentração de arsênio e outros minerais que estão suspensos em suas águas.

Nem sempre você verá o lago num tom de verde extremo, já que sua cor pode variar entre o turquesa e o verde esmeralda dependendo do grau de sedimentação da água, que é influenciado pelos ventos.

Diferentemente dos outros lagos da minha rota, nesse eu não encontro flamingos. Espertos, os bichinhos fogem dos minerais tóxicos.

Depois de uma volta, passamos pela portaria da reserva. Aqui está a piscina de águas termais onde muitos turistas se banham.

Para falar a verdade, não vi muita graça nessa poça d’água. Talvez fique mesmo difícil achar qualquer piscininha atraente depois de ter nadado no fantástico Ojo del Inca, em Potosí.

Como visitar o Deserto Siloli

Quando ir

Há duas estações ideais para visitar o deserto: entre setembro e novembro e entre março e maio.

Aqui, a amplitude térmica é muito acentuada – variando de zero a 40 graus no mesmo dia – e, nesses períodos, as temperaturas são mais amenas.

Deserto Siloli

Como chegar

A melhor maneira de chegar ao deserto Siloli é contratando um tour que pode partir de San Pedro de Atacama ou de Uyuni. Partindo de Uyuni, eu paguei BOB 850 pelo passeio com hospedagem e alimentação inclusos por três dias.

De carro, esteja certo de que estará acompanhado de um bom guia. Aqui, GPS não funciona bem, e os relatos de pessoas desaparecidas não são raros.

Onde ficar

No meio do nada, as opções de hospedagem são poucas, muito poucas. Eu me hospedei no Hostal Turístico São Bernardo.

Aqui, fui logo recebido com um chá acompanhado de biscoitos. Mas as mordomias acabaram logo. Os quartos são simples, têm seis camas, mas bem melhores do que imaginei.

Deserto Siloli

A energia elétrica – para lâmpadas e tomadas – é ligada às 19h30 e desligada às 21h30. O banho quente custa BOB 15. O jantar é servido às 20h30. Depois disso, se contente em observar a perfeição do céu no deserto.

Deserto Siloli

Quanto custa

Para entrar na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa é preciso pagar uma tarifa de BOB 150. O pagamento é feito no escritório que funciona perto da piscina de águas termais.

Ah, para tomar banho na piscina é preciso pagar BOB 6. Uma tarifa de BOB 3 é cobrada para usar o banheiro.

Informações Básicas

Visto

Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até 90 dias. Esse prazo pode ser estendido por mais 90 dias.

Documentos

Você pode usar o passaporte, com validade de seis meses, ou a carteira de identidade, emitida há menos de dez anos.

Dinheiro

A moeda oficial é o boliviano, representado pela sigla BOB. Veja como usar seu dinheiro na Bolívia.

Vacinas

A vacinação contra febre amarela é obrigatória. Veja como emitir o Certificado Internacional de Vacinação.

Informações sobre covid-19

As regras para viajantes vacinados e não vacinados são um pouco diferentes. Por isso, é preciso ter atenção na documentação exigida pela imigração boliviana.

Além de todos os documentos básicos de uma viagem internacional, como passaporte ou carteira de identidade, passagem de ida e volta e comprovante de hospedagem, por exemplo, é preciso ter em mãos os seguintes comprovantes:

  1. Certificado de vacinação contra covid-19 com, pelo menos, duas doses, sendo que a última deve ter sido aplicada, no mínimo, 14 dias antes da viagem – exigido apenas de viajantes vacinados;
  2.  Resultado negativo de teste RT-PCR, feito até 72 horas antes da viagem, ou antígeno (teste rápido), feito até 48 horas antes da partida para a Bolívia – exigido apenas de viajantes não vacinados maiores de cinco anos;
  3. Formulário de Localização de Passageiros, disponível no site da Direção-geral de Aviação Civil – apenas um por família.

De forma geral, viajantes brasileiros não precisam fazer quarentena na chegada ao país, mas é importante estar preparado para que restrições que afetem viagens internacionais entrem em vigor com pouco ou nenhum aviso prévio por parte das autoridades bolivianas.

Você os detalhes das regras Resolución Multi-Ministerial 001, de 27 de abril de 2022.

Apesar de não haver restrições nacionais para covid-19, os departamentos e municípios têm a autonomia para impor restrições em nível local.

Acesse o site oficial para acompanhar os números de casos de covid-19 na Bolívia.

RETORNO AO BRASIL

Viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo, ou RT-PCR, coletado até 72 horas antes do embarque.

Seguro viagem

Apesar de não ser obrigatório,  viajar sem um seguro viagem com cobertura para covid-19 não é uma boa ideia. 

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você também terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

Se você for fazer qualquer atividade de risco – como trekking em vulcões, cruzar o Salar de Uyuni de carro ou conhecer a Amazônia boliviana, por exemplo – o seguro passa a ser essencial para sua viagem. Pode confiar em mim!

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Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

MAL DE ALTITUDE

Se você vai viajar para a Bolívia, já sabe que é importante se prevenir do mal de altitude. Também conhecido como soroche, ele é muito comum em viajantes que se aventuram por regiões próximas a 3.000 metros de altitude.

Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, enjoo, vômito, tontura, cansaço excessivo e mal-estar. Esses são os principais reflexos da dificuldade do nosso organismo em absorver o oxigênio, e, embora seja raro, em condições extremas, o mal de altitude pode levar à morte.

Isso acontece porque, à medida que a altitude aumenta e a pressão atmosférica cai, o ar fica mais rarefeito. Assim, a concentração de oxigênio diminui e o nosso corpo sente isso. Para prevenir ou diminuir seus efeitos, é bom evitar fazer movimentos rápidos e esforço físico nos primeiros dias.

Mascar folhas de coca é uma forma bastante eficaz de prevenir o mal de altitude. A forma correta de usar a folha é deixar a erva no canto da boca e sugar o sumo que ela libera quando em contato com a saliva. O uso do chá pode ser mais saboroso e nas farmácias é fácil encontrar pílula para soroche.

Veja mais dicas da Bolívia

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida é só deixar sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Bolívia.

Sobre o Autor

<a href="https://www.penaestrada.blog.br/author/altier/" target="_self">Altier Moulin</a>

Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

comentários

8 Comentários

  1. Ícaro

    Adorei o seu blog, é uma viagem à parte. Mas os 150 bol, equivale a quanto em real? Embora saiba que há diferenças de cambio… é bom termos uma referência do momento, ao menos.

    Responder
    • Altier Moulin

      Oi, Ícaro.

      Eu não coloco a referência em real porque, como você disse, varia de um dia para outro.
      Eu sugiro entrar no site do Banco Central para olhar a cotação do dia.
      Veja: https://www.bcb.gov.br/conversao

      Um abraço.

      Responder
  2. Rodolfo

    Essa taxa de 150 bol, está inclusa nos 850 bol do salar?

    Responder
    • Altier Moulin

      Não, Rodolfo. Esse valor é pago para entrar no parque.

      Um abraço!

      Responder
  3. Elaine Castro

    Como viajar de verdade está difícil… vim passear um pouquinho através do seu blog. 🙂

    Responder
    • Altier Moulin

      Ah, coisa linda! Volte sempre. <3

      Responder
  4. Ló Cris

    : D
    Adorei o hostel! O céu a noite devem ser irados. Milhares de estrelas. Legal seu blog!

    Bons ventos : )

    Responder
    • Altier Moulin

      Ló, o céu é a coisa mais incrível do mundo. Não tem uma nuvem sequer e dá pra ver todas as estrelas.

      Um abraço.

      Responder

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