Deserto Siloli: um mundo de maravilhas

6

Atualizado em 6 de março de 2018

O deserto Siloli fica na Bolívia, mas é considerado parte do Atacama, a região mais seca do planeta com áreas onde não chove há mais de 23 milhões de anos. Estou no meu segundo dia de viagem pelos desertos que ligam Uyuni a San Pedro de Atacama, no Chile. Nesses dias, eu vi muitas coisas lindas, intrigantes e até inimagináveis, mas viajar pelo pouco conhecido Siloli me impressionou.

Nessa terra tão árida e quase sem vida, os encantamentos não têm fim. Aqui, minha aventura começa aos pés do vulcão Ollagüe, que expulsa uma constante fumaça de seu interior como sinal de que ainda está vivo, ativo e que a qualquer momento pode entrar em erupção. Essa fumaça é, na verdade, formada pela liberação de gases e vapor d’água.

Sua cratera, com mais de 1.250 metros de circunferência está a uma altura de 5.500 metros, e, para chegar lá, é preciso muita disposição e preparo físico.

deserto-siloli-22

A caminho do Siloli.

deserto-siloli-01

O ainda ativo vulcão Ollagüe.

deserto-siloli-21

Sinais de uma erupção que virá a qualquer momento.

Espetáculo da natureza

O segundo ponto de visitação do Siloli é a Árbol de Piedra, uma curiosa formação rochosa que tem forma semelhante à de uma árvore. Esculpida pelos fortes ventos do deserto, ela está localizada no caminho para a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, uma gigantesca área de proteção ambiental que atrai muitos visitantes.

Avançando mais 18 quilômetros, chego à Laguna Colorada, que para muitos é o ponto mais esperado do roteiro. Esse lago de água salobra e de tom avermelhado já está dentro da reserva, bem na fronteira com o Chile. A coloração das águas, dizem os cientistas, vem da proliferação de um determinado tipo de alga e nada tem a ver com a coloração dos flamingos vistos com frequência por aqui.

deserto-siloli-04

Árbol de Piedra: escultura da natureza.

deserto-siloli-05

A intrigante paisagem da Laguna Colorada.

deserto-siloli-10

Os flamingos e a água colorida.

deserto-siloli-07

Para muitos, esse é o principal ponto do roteiro.

Na manhã seguinte, é hora de ver o esplendor dos gêiseres. Eles são pequenas aberturas no solo de onde, de tempo em tempo, sobem colunas de vapor e água quente. Essas curiosas formações da natureza, que somente são vistas em áreas vulcanizadas, são melhor observadas pela manhã, logo nos primeiros raios de sol. Para isso, é preciso acordar bem cedo. Eu levantei às 4h sob um frio congelante de 5 graus.

Conhecido como Sol de Mañana, esse campo de intensa atividade vulcânica tem mais de dez quilômetros quadrados e está entre 4.800 e 5.000 metros de altitude. Logo, qualquer caminhada parece muito esforço, já que o cansaço e a falta de ar podem nos deixar para baixo.

deserto-siloli-20

Os primeiros raios de sol revelam os geiseres.

deserto-siloli-16

Há cuidados a serem tomados.

deserto-siloli-13

Mas quem não topa se arriscar um pouco?

deserto-siloli-17

Os poços de lama e água fervente.

deserto-siloli-18

Tudo parece vivo.

A minha próxima parada é a Laguna Verde, que está bem ao lado da Laguna Blanca. Com 1.700 hectares, a lagoa tem essa cor devido à grande concentração de arsênio e outros minerais que estão suspensos em suas águas. Nem sempre você verá o lago num tom de verde extremo, já que sua cor pode variar entre o turquesa e o verde esmeralda dependendo do grau de sedimentação da água, que é influenciado pelos ventos.

Diferentemente dos outros lagos da minha rota, nesse eu não encontro flamingos. Espertos, os bichinhos fogem dos minerais tóxicos.

Depois de uma volta, passamos pela portaria da reserva. Aqui está a piscina de águas termais onde muitos turistas se banham. Para falar a verdade, não vi muita graça nessa poça d’água. Talvez fique mesmo difícil achar qualquer piscininha atraente depois de ter nadado no fantástico Ojo del Inca, em Potosí.

deserto-siloli-03

A belíssima Laguna Verde.

deserto-siloli-15

O cenário é perfeito. Só faltaram os flamingos.

deserto-siloli-19

A piscina de águas termais.

deserto-siloli-14

Muita gente vem aqui se aquecer no começo da manhã.

deserto-siloli-08

A paisagem do Siloli.

Planeje sua viagem pelo deserto Siloli

Quando ir | Há duas estações ideais para visitar o deserto: entre setembro e novembro e entre março e maio. Aqui, a amplitude térmica é muito acentuada – variando de zero a 40 graus no mesmo dia – e, nesses períodos, as temperaturas são mais amenas.

Como chegar | A melhor maneira de chegar ao Siloli é contratando um tour que pode partir de San Pedro de Atacama ou de Uyuni. Partindo de Uyuni, eu paguei BOB 850 pelo passeio com hospedagem e alimentação inclusos por três dias. De carro, esteja certo de que estará acompanhado de um bom guia. Aqui, GPS não funciona bem, e os relatos de pessoas desaparecidas não são raros.

Onde ficar | No meio do nada, as opções de hospedagem são poucas, muito poucas. Eu me hospedei no Hostal Turístico São Bernardo. Aqui, fui logo recebido com um chá acompanhado de biscoitos. Mas as mordomias acabaram logo. Os quartos são simples, têm seis camas, mas bem melhores do que imaginei. A energia elétrica – para lâmpadas e tomadas – é ligada às 19h30 e desligada às 21h30. O banho quente custa BOB 15. O jantar é servido às 20h30. Depois disso, se contente em observar a perfeição do céu no deserto.

Quanto custa | Para entrar na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa é preciso pagar uma tarifa de BOB 150. O pagamento é feito no escritório que funciona perto da piscina de águas termais. Ah, para tomar banho na piscina é preciso pagar BOB 6. Uma tarifa de BOB 3 é cobrada para usar o banheiro.

deserto-siloli-23

É preciso pagar para entrar na Reserva.

deserto-siloli-24

O hostel onde me hospedei. Sim, foi aqui e foi bom.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

6 Comentários

Escreva um comentário