Mulheres-girafa da Tailândia: como e onde visitar uma comunidade

Atualizado em 13 de outubro de 2022 – 4 min de leitura

Mulheres-girafa da Tailândia

Conhecer culturas diferentes é um dos grandes presentes que a vida de viajante nos dá e, provavelmente, você também já desejou ver de perto como vivem as mulheres-girafa da Tailândia, famosas por usarem aquelas argolas enormes no pescoço.

As comunidades onde vivem essas mulheres já foram relativamente comuns no nordeste da Tailândia, mas, atualmente, há poucos lugares onde a gente pode ver e interagir com elas. Eu visitei uma vila que fica na região de Chiang Rai e tive uma experiência sensacional.

Neste artigo, eu vou explicar sobre:

Quem são as mulheres-girafa?

A etnia karen sempre viveu na região onde hoje é o Myanmar, mas começou a migrar para a Tailândia depois dos conflitos armados que estouraram no país no fim da década de 1940. Pelo que contam por aqui, o hábito de usar os colares surgiu porque as mulheres precisavam atravessar a floresta dominada por tigres, que geralmente atacam no pescoço.

Com o passar do tempo, esses acessórios  acabaram virando um símbolo de beleza.  Hoje, as mulheres-girafa da Tailândia usam os colares simplesmente por vaidade: quanto maior ele for, mais bonita a mulher é considerada.

Veja algumas informações rápidas sobre as mulheres-girafa:

  • Elas são, originalmente, da antiga Birmânia, hoje, Myanmar;
  • Seu povo migrou para o norte da Tailândia em busca de segurança;
  • Nos primeiros anos, elas usavam as argolas para se proteger do ataque de tigres;
  • Com o tempo, as argolas viraram símbolo de beleza;
  • As mulheres tiram as argolas a cada 4 ou 5 anos para poder aumentá-las;
  • Ma-ba tem o maior colar da tribo: 37 centímetros;
  • O colar que ela usa pesa cerca de cinco quilos.
  • Aproveite para ler: Roteiro para a Tailândia: o melhor do país em 15 dias.

O pescoço mais longo

Ma-ba tem o colar mais longo entre as mulheres de karen: são exatos 37 centímetros. Ela carrega quase cinco quilos no pescoço e é isso que empurra seus ombros para baixo criando a sensação de que ela é mais alta. Mas, na verdade,  o pescoço não aumenta , é o tórax que é forçado para baixo.

Mulheres-girafa da Tailândia

O colar é feito de uma peça única de bronze e são dadas várias voltas até que ele alcance o tamanho desejado. Normalmente, elas não tiram o colar com frequência, mas não é proibido. O que elas dizem por aqui é que já não conseguem mais ficar sem o acessório.

Esse processo começa ainda criança: aos cinco anos as meninas já ganham seu primeiro colar e algumas nunca param. Isso, claramente, implica em várias adaptações na vida. Para dormir, por exemplo, essas mulheres precisam usar dois travesseiros: um para a cabeça e outro para o pescoço. Como você deve imaginar, homens não usam colares.

Leve em consideração

Ao visitar as mulheres-girafa da Tailândia, lembre-se de que você estará entrando no cotidiano de pessoas. Tenha cuidado ao se aproximar, seja educado, peça para tirar fotos, converse e valorize a cultura e a história delas. A maioria das famílias da etnia Karen sobrevive do que o turismo gera. Então, compre o artesanato que elas vendem.

A etnia Karen é considerada refugiada na Tailândia e ainda há muitas questões sociais que precisam ser resolvidas com o governo tailandês. Se você já ouviu alguma história relacionando o uso do colar com o adultério, esqueça. Isso é apenas uma lenda.

Planeje sua visita às mulheres-girafa da Tailândia

Sem dúvida, essa foi uma das experiências mais incríveis que vivi na Tailândia. É verdade que o contato com novas culturas é sempre desafiador, porque tudo que é diferente daquilo que estamos acostumados a ver e a viver causa uma sensação de estranheza, de desconforto.

Apesar disso, eu aproveitei o contato com o pessoal da vila – especialmente com as mulheres – para entender um pouco mais sobre o estilo de vida dos karen, sem preconceitos ou julgamentos. Por isso, eu indico que você também vá conhecer as mulheres-girafa de perto.

Como chegar

A comunidade da etnia Karen que visitei fica na região de Chiang Rai, mas apesar de ficar perto dos principais pontos turísticos da cidade, o acesso à vila das mulheres-girafa não é fácil: você vai precisar contratar um agência local.

Eu fiz esse passeio com a TPT Tour.

Além disso, elas não costumam receber qualquer pessoa. Então, é melhor não correr o risco de dar com a porta na cara. A visita, normalmente, dura cerca de uma hora.

A forma mais prática de chegar a Chiang Rai é pegar um voo até Chiang Mai e, de lá, seguir viagem de carro ou de ônibus. Os voos domésticos são, de forma geral, bem baratos na Tailândia e podem ser uma mão-na-roda se você estiver com pouco tempo. As empresas mais baratas que fazem essa rota são Vietjet AirAirAsia e Thai Lion Air.

De ônibus, a viagem de Bangkok a Chiang Mai dura cerca de 10 horas e a forma mais prática de comprar a passagem pela internet é no site 12GO. Ele é um buscador de passagens  – de ônibus, de trem e de avião – e atende vários países dessa região.

Quanto custa

É preciso  pagar uma taxa de THB 300  para entrar na vila das mulheres-girafa da Tailândia. Geralmente, a visita é vendida com outros passeios que incluem os templos de Chiang Rai, como mostro em: O que fazer em Chiang Rai, no norte da Tailândia.

Quando ir

Faz calor o ano inteiro em Chiang Rai, mas abril é o mês mais quente. Ele antecede a estação das chuvas, que começa em maio e vai até outubro. O mês mais chuvoso é agosto, por isso, é bom evitar essa época. Fevereiro é o mês com menos chances de chover.

Os meses mais agradáveis são de dezembro a março, quando os termômetros podem marcar mínimas de 15 graus com céu limpo.

Onde ficar

Em Chiang Mai, eu me hospedei no Your Space Hotel – que também é um hostel – e fiquei bem satisfeito. Os quartos são espaçosos e arejados, a cama é boa, o ar condicionado funciona – item essencial na cidade – e o atendimento é precioso: talvez, a melhor coisa daqui.

Informações Básicas

Visto

Brasileiros não precisam de visto para entrar na Tailândia e o período de permanência é de 90 dias. Esse prazo pode ser prorrogado por até um ano.

Documentos

Além do passaporte com validade de seis meses, você precisa ter outros documentos para entrar na Tailândia.

Dinheiro

A moeda tailandesa é o baht, identificado pela sigla THB e pelo símbolo ฿. Veja como usar seu dinheiro na Tailândia. 

Vacinas

O certificado de vacinação contra a febre amarela é obrigatório. Veja como solicitar o certificado pela internet.

Informações sobre covid-19

É muito importante saber que a Tailândia trata de forma diferente passageiros vacinados e não vacinados contra covid-19. Isso é um fato!

Para embarcar para a Tailândia, você precisará ter os seguintes comprovantes em mãos:

  1. Comprovante de vacinação contra covid-19, com duas doses, exigido apenas de viajantes vacinados – veja como emitir o comprovante nacional e internacional;
  2. Resultado negativo de teste RT-PCR negativo feito em até 72 horas antes do embarque, exigido de viajantes não vacinados;
  3. Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela (CIVP) – veja como solicitar o CIVP pela internet.

Quem estiver com o esquema de vacinação completo – com pelo menos duas doses –, não precisa apresentar qualquer teste para a doença, nem o RT-PCR nem o de antígeno, e também não precisa fazer quarentena.

Um detalhe sobre a vacinação é que a segunda dose  deve ter sido aplicada pelo menos 14 dias antes da viagem  e, claro, você precisará comprovar isso.

Eu já expliquei como solicitar o comprovante de vacinação contra covid-19 pela internet em português e inglês. É só conferir em Certificado de Vacinação contra covid-19.

Quem ainda não está com o esquema vacinal completo – o que eu considero lamentável – também pode viajar para a Tailândia sem muitas complicações no processo de entrada. Porém, é preciso ter atenção em alguns detalhes.

Um dos pontos mais importantes é que a quarentena só não é obrigatória se o viajante apresentar um teste RT-PCR negativo feito em até 72 horas antes do embarque.

RETORNO AO BRASIL

Viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo, ou RT-PCR, coletado até 72 horas antes do embarque.

Seguro viagem

Apesar de não ser obrigatório, não é uma boa ideia viajar sem um seguro viagem com cobertura para covid-19.

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

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Eu sempre uso a plataforma da Seguros Promo para comparar valores antes de fazer a compra. Eles têm um suporte muito eficiente e preços sempre muito bons.

CABEÇA DE BUDA

Antes de viajar para a Tailândia, eu não sabia que a cabeça de buda tem um simbolismo tão grande para os tailandeses. É que, quando os templos do país foram saqueados e destruídos depois das guerras, as cabeças dos budas foram roubadas e vendidas, como peça de decoração, ou destruídas na tentativa de achar o anel que, supostamente, um imperador havia escondido em uma delas.

Depois que entendi essa história, comecei a perceber que muitas esculturas mais antigas de buda estão sem cabeça. Por isso, comprar ou tatuar cabeças de buda, por exemplo, é algo ofensivo para o budismo tailandês.

Inclusive, nos aeroportos há avisos indicando que comprar, transportar e usar qualquer símbolo de buda como mercadoria, como peça decorativa, em tatuagem ou ter posse de uma cabeça – assim como qualquer outra peça do corpo – é errado e você pode ter complicações se transgredir essa regra.

Veja mais dicas da Tailândia

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Tailândia.

Sobre o Autor

<a href="https://www.penaestrada.blog.br/author/altier/" target="_self">Altier Moulin</a>

Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

comentários

8 Comentários

  1. Gabriela

    Muito bom!!!
    Como foi a comunicação por lá? Digo em qual idioma

    Responder
    • Altier Moulin

      Oi, Gabriela.

      Algumas delas falam inglês, além da língua local.
      Eu até encontrei uma que falava algumas palavras em português, mas não dava para ter uma comunicação clara.
      A dica então é falar inglês.

      Um abraço.

      Responder
  2. Katiuscia Diniz

    Muito bom!!!
    Por favor quanto saiu esse tour?

    Responder
    • Altier Moulin

      Oi, Katiuscia.

      É preciso pagar uma taxa de THB 300 para entrar na vila das mulheres-girafa da Tailândia.
      Geralmente é feito com outros passeios, como explico no post.

      Responder
  3. adriano

    adorei o texto, vou visitar a Aldeia agora fim de dezembro.
    Obrigado

    Responder
    • Altier Moulin

      Maravilhha, Adriano.
      Me conte com foi.

      Um abraço.

      Responder
  4. Igor

    Olá, Altier.

    Muito interessante essa experiência. Vc contratou a agência local em Chiang Mai ou direto em Chiang Rai? O passeio já incluia os transfers, visita a comunidade e visita aos templos? Se possível, poderia passar o nome e contato da agência? Obrigado!

    Responder
    • Altier Moulin

      Oi, Igor.

      Contratei no momento que cheguei a Chiang Rai, no aeroporto mesmo.
      Dei aquela chorada que brasileiro sabe fazer muito bem e comprei. heheh
      O passeio inclui isso tudo: transfer, visita aos templos, à comunidade e almoço.
      A empresa é a TPT Tour.
      Vale muito a pena.

      Um abraço.

      Responder

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