Passeio pela Cidade Velha de Montevidéu

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Atualizado em 24 de maio de 2018

Se a cidade de Buenos Aires, na Argentina, foi construída de costas para o Rio da Prata, Montevidéu nasceu de braços abertos para ele. A capital do Uruguai tem essas águas como fonte de inspiração e, assim com todos os caminhos levam a Roma, tudo aqui parece nos ligar ao Rio. Para entender melhor a história de Montevidéu, eu recomendo que você faça um passeio pela Cidade Velha. Foi nessa área portuária chamam de Cidade Velha de Montevidéu que a cidade cresceu e, hoje, ostenta o título de ser uma das melhores cidades para se viver na América Latina, segundo a lista da Economist Inteligence Unit.

Seu roteiro aqui pode ser feito a pé, seguindo basicamente pela Peatonal Sarandí, que é exclusiva para pedestres. Com tranquilidade, faça suas descobertas. Veja os detalhes das construções, contemple as majestosas cúpulas e torres dos prédios. Nos restaurantes, nas lojas e nos museus, aproveite para praticar o seu portunhol, mas não se espante se eles responderem em português – ou pelo menos em uma tentativa quase desastrada de falar o nosso idioma.

Diferente da relação que eles têm com os argentinos, os uruguaios geralmente se dão muito bem com brasileiros. O único problema é que nem sempre podemos confiar em suas orientações: eles não raramente lhe darão informações genéricas quando perguntados sobre como chegar a um determinado lugar, por exemplo.

Quem nasce nesse país de pouco menos que 3,5 milhões de habitantes tem um ritmo de vida que é apenas dele. Então cabe a você entender e respeitar isso. Se no final do dia ainda lhe restarem dúvidas sobre o modo de vida dos cidadãos de Montevidéu, vá até a Rambla – a avenida beira-rio – e tudo fará sentido. Como se nada mais existisse no mundo, eles sentam-se de frente para o Rio da Prata, tomam o seu mate – um tipo de chimarrão -, colocam o papo e dia e vão embora, prontos para um novo dia, uma nova jornada.

Passeio pela Cidade Velha de Montevidéu

Cúpula da Catedral de Montevidéu.

Passeio pela Cidade Velha de Montevidéu

Torre de um dos prédios da Avenida 18 de Julho.

Atrativos da Cidade Velha

Eu listei algumas das principais atrações da Cidade Velha de Montevidéu para que você possa fazer um percurso ideal, sem gastar tempo e aproveitando o melhor dessa região. Como você verá, eu sugiro que você comece pela Avenida 18 de julho, a principal da cidade. Caminhando por ela, além de perceber o dia a dia dos uruguaios, você chegará aos principais atrativos da Cidade Velha. Para lhe orientar melhor, siga as orientções deste mapa.

Mirador Panorámico | Como diz um ditado americano, as primeiras coisas primeiro. Então, comece tendo uma visão geral da cidade a partir desse mirador que fica no vigésimo segundo andar do prédio da Intendência, a prefeitura de Montevidéu. Aqui, o legal é que há placas que identificam e contam a história de cada um dos principais prédios da cidade.  Avenida 18 de julio, 1.352. Diariamente, das 10h às 16h. Feriados das 11h às 15h. Visitas guiadas acontecem às 11h e 14h, de segunda a sexta. Nos sábados, domingos e feriados apenas às 11h.

Fuente de los candados | Esta fonte é o símbolo do amor eterno de casais do mundo inteiro que prendem cadeados à estrutura da fonte e neles escrevem seus nomes ou iniciais. A fonte fica a apenas duas quadras da Intendência, na avenida 18 de julho, e algumas fotos aqui não vão atrapalhar sua programação. Mas, quem sabe, você perca um pouco mais de tempo procurando um lugar para prender o seu próprio cadeado, né?!

Columna de la Paz | Alguns passos adiante está esse monumento cravado bem no meio da Avenida 18 de julho. Ele é um bonito marco que lembra o fim da guerra civil uruguaia.

Seguindo nesta rota, você ainda passará pelo Museo del Gaucho e de la Moneda, pelo Centro de Exposiciones Subte e pelo Museu de Arte Moderna, onde você pode dar uma chegada, mas lembre-se que o nosso foco é a Cidade Velha de Montevidéu.

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A vista a partir do Mirador Panorámico.

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As placas que identificam os principais prédios.

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A fonte dos cadeados.

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Depois de prender o seu, lembre-se jogar a chave na fonte. É a tradição, né?!

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Avenida 18 de Julho e o monumento á paz.

Plaza Independencia | Depois de alguns minutos de caminhada, você chegará ao Monumento a Artigas, que fica bem no centro desta praça. Aqui, embaixo da estátua, fica o mausoléu que destaca as horarias do herói da revolução uruguaia e que abriga seus restos mortais. Esse foi um dos lugares mais lindos que visitei na cidade. De terça a domingo, das 10h às 18h. Segundas, das 12h às 18h. Entrada gratuita.

Casal del Gobierno | Esse museu funciona em um dos prédios laterais da Plaza Independencia e apresenta um excelente acervo sobre a vida dos ex-presidentes uruguaios e do desenvolvimento político do país, de 1830 a 1972. Diariamente, das 10 às 17h. Entrada Gratuita.

Puerta de la Ciudadela | Essas são uma pequena parte das ruínas do que restou do muro que protegia a cidade. Hoje, ela marca a transição entre a cidade nova, planejada e urbanizada, e a Cidade Velha, onde começou a colonização do país pelos europeus.

Museo Torres Garcia | Esse museu tem um importante acervo do obra de um dos artistas plásticos mais importantes do país. Se você é amante das artes, vale a pena fazer uma visita. Peatonal Sarandí, 683. De segunda a sábado, das 10h às 18h. A entrada custa URY 100.

Teatro Solís | Um dos mais belos prédios de Montevidéu, esse teatro foi inaugurado em 1856 e homenageia o descobridor do Rio da Prata, Juan Dias de Solís. Com capacidade para até 1250 pessoas, ele tem um lustre com mais de três metros de diâmetro. A visita guiada é um barato. Nela podemos ver as principais áreas do teatro e obter explicações em português. O Diego Minotto, que escreve o blog Meus Roteiros de Viagem, tem um post explicando os detalhes dessa visita.

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Estátua de José Artigas, na Plaza Independencia.

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O mausoléu de Artigas.

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A porta da Cidadela.

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Fachada do Teatro Solís.

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O palco e as galerias.

Museo Andes 1972 | O museu reconta a história dos passageiros e tripulantes do avião que caiu sobre a Cordilheira dos Andes, a quase 4.000 metros de altura, no ano de 1972. Milagrosamente, depois de quase 72 dias de fome e frio, os sobreviventes foram resgatados e hoje contam os detalhes dessa mórbida história. Calle Rincón, 619. De segunda a sexta, das 10h às 17h.  Sábados, das 10 às 15h. A entrada cusa URY 200.

Plaza Constitución | Essa é a praça mais antiga de Montevidéu e é popularmente conhecida como Plaza Matriz, já que aqui está a Catedral da cidade. Esse lindo prédio merece sua visita. De segunda a sábado, de 9h às 18h. Domingo, de 10h às 13h.

Museo Histórico Nacional | O museu é, na verdade, um conjunto de prédios que abrigam parte da história da sociedade rica de Montevidéu no período de 1830 a 1900. Ver de perto os móveis, as porcelanas e as fotografias da época nos faz viajar na história. Veja os horários no site museohistorico.gub.uy.

Museo de Arte Precolombino e Indígena | O Mapi fica bem pertinho do Mercado del Puerto e tem peças das culturas indígenas e pré-colombianas que habitam e habitaram as Américas. Além disso, exposições temporárias mostram arte dos países latinos. Eu vi uma fantástica mostra de artistas mexicanos. Rambla 25 de agosto, 218. De segunda a sexta, das 11h30 às 17h. Sábados, das 10h às 16h. A entrada custa URY 200.

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Plaza Constitución com a Catedral ao fundo.

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O rico altar da Catedral.

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Arte indígena do Mapi.

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As coloridíssimas obras de artistas mexicanos.

Mercado del Puerto | Afaste de sua cabeça aquela ideia legal de mercado que normalmente temos. Aqui não há nada de frutas, verduras, comidas diferentes, artesanato e coisas locais. Esse mercado é uma idolatria à gula com parrilas espalhadas por todos os lados. De verdade, ele não foi um dos lugares que mais gostei na cidade. Pode ser que no passado ele tenha sido um mercado de verdade, com a ideia de receber e atender os moradores. Pelo que vi, hoje, ele é destinado a turistas, que são disputados pelos garçons e atendentes com simpatia. Calle Pérez Castellanos, entre a Calle Piedras e a Rambla 25 de agosto.

Muitos turistas realmente almoçam aqui e pagam mais caro por isso. Essa é uma opção, mas não a única solução. Eu comi nos arredores da Plaza Constituição que tem bons restaurantes que, apesar de estarem em uma área turística, têm preços mais camaradas.

Encerre seu passeio pela Cidade Velha de Montevidéu com uma caminhada pela Rambla. Aqui, gaste um tempo vendo os pescadores e aproveite a brisa que vem do Rio da Prata. Esse passeio pode ser feito em metade de um dia.

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Uma das entradas do Mercado del Puerto.

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Idolatria à gula é pouco.

Planeje seu passeio pela Cidade Velha de Montevidéu

Quando ir | Na primavera e no outono as temperaturas são mais agradáveis. No verão faz muito calor e a temperatura chega aos 30 graus. No inverno parece que vamos congelar com as temperaturas sempre abaixo dos 10 graus.

Como chegar | O aeroporto de Carrasco é um dos mais modernos do mundo e fica a 23 quilômetros do centro de Montevidéu. Aqui, uma boa opção é pegar uma van que custa URY 300. O transporte me deixou no hotel e é ideal para quem não está com muita pressa, já que ele vai parando de hotel em hotel. A minha viagem demorou cerca de 45 minutos até o centro. Um táxi comum não custa menos que URY 1.000.

No porto, diariamente chegam balsas vindo de Buenos Aires, que está a pouco mais de duas horas de navegação. O porto de Montevidéu também recebe cruzeiros internacionais com milhares de turistas que chegam para descobrir a cidade. As principais empresas que fazem esse trajeto são a Buquebus e a Seacat.

De ônibus, a opção é o terminal Tres Cruces, o principal da cidade. Ele é muito usado por viajantes que querem viajar pelas rodovias do Uruguai, Argentina, Brasil, Paraguai e Bolívia. O terminal funciona no subsolo do Shopping Tres Cruces.

Onde comer | Há muitas opções nesta rota. A La Pasiva é um restaurante-cafeteria que tem quase tudo o que você quiser. Ela é bem tradicional na cidade. Ao redor da Plaza Constitución e nas mediações da Intendência há muitas opções, incluindo McDonalds e do Burger King.

Onde ficar | Montevidéu tem ótimas opções de hospedagem. Eu preferi ficar no Centro para poder aproveitar melhor a parte histórica da cidade. Eu me hospedei no Hotel California, que fica a apenas uma quadra de algumas atrações da cidade: a Intendência, que é a prefeitura de Montevidéu; a Avenida 18 de julho, a principal da cidade; o Mercado da Abundancia, um dos mais queridos e populares daqui; e da Fuente de los Candelados. Nessa região, que é perto também da Plaza Independencia, ainda estão diversos restaurantes, supermercados, farmácias e um comércio bastante movimentado.

O hotel passou por uma reforma recente e os quartos oferecem o que você precisa para seus dias na cidade: uma boa cama, silêncio e um café da manhã bem reforçado. Eu paguei USD$ 50 pela diária em quarto duplo. Se você quer um lugar bacana para ficar, eu sugiro que você leia o post onde se hospedar em Montevidéu.

RESERVE AGORA

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Meu quarto no Hotel California.

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A aconchegante recepção do hotel.

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O reforçado café da manhã.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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