Conheça os monumentos da Segunda Guerra em Berlim

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Atualizado em 29 de agosto de 2017

Berlim, a capital da Alemanha, foi a sede do poder nazista que comandou o maior conflito armado que o mundo já viveu. Hoje, espalhados por todas as partes, monumentos da Segunda Guerra Mundial lembram os massacres daquele tempo, mas, muito mais que isso, eles colaboram para que a gente compreenda melhor essa história.

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Como são muitos, é praticamente impossível reunir, em uma única lista, todos os memoriais, monumentos e museus da cidade que lembram esse trágico período histórico. Então, eu selecionei aqueles que achei mais interessantes e que considero imperdíveis, principalmente porque você pode conhecer quase tudo em uma leve caminhada.

Mas, antes de avançar, lembre-se que para visitar os monumentos da Segunda Guerra, é preciso obedecer algumas regras, como fazer silêncio e ser cuidadoso ao tirar fotos. Afinal de contas, estes são lugares de uma triste memória.

Conheça os monumentos da Segunda Guerra em Berlim

O uniforme da polícia nazista.

Conheça os monumentos da Segunda Guerra em Berlim

Soldado limpando um campo de concentração em 1945. Foto: Memorial do Holocausto.

Monumentos da Segunda Guerra em Berlim

Memorial do Holocausto | Este memorial nasceu de uma iniciativa popular comandada pela jornalista Lea Rosh e pelo historiador Eberhard Jäckel, ainda na década de 1980. Mas só em 1999, o Parlamento alemão aprovou a construção do Memorial, de acordo com o projeto apresentado pelo arquiteto norte-americano, Peter Eisenman.

A visita ao Holocaust-Denkmal não poderia ser menos dolorosa do que é, mas isso é algo que deve ser educativo e promover uma reflexão profunda sobre nosso passado, presente e futuro. Eu descrevo como são algumas das principais exibições do Museu e: O imperdível Memorial do Holocausto em Berlim.

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Os blocos de concreto do Memorial dão a aparência de um imenso cemitério.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

A indescritível sala dos nomes no Memorial do Holocausto.

Centro Anne Frank | Este pequeno museu conta a história de Anne Frank, menina holandesa de origem judia que morreu no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, em 1945. Baseados nos relatos que essa jovem, que sonhava ser jornalista, escreveu em seu diário, o mundo entendeu melhor os bastidores das famílias perseguidas durante o regime nazista em toda a Europa.

O Anne Frank Zentrum funciona de terça a domingo, das 10h às 18h, e a entrada custa EUR 5. Para chegar aqui, você pode usar as linhas do metrô U8, descendo na estação Weinmeisterstraße, do S-Bahn e do Tram, o bondinho elétrico, parando na estação Hackescher Markt.

Se quiser saber mais sobre esta história, leia: Casa de Anne Frank: uma viagem em suas memórias.

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Entrada da exibição sobre a vida de Anne Frank. Foto: Divulgação.

Museu Histórico Alemão | A exposição deste museu ocupa dois andares inteiros do Zeughaus, um antigo depósito de armas. Aqui, você vai viajar por cinco séculos de história, incluindo a Primeira Guerra Mundial, a República de Weimar, o regime nazista, o período pós-guerra, a divisão dos dois estados alemães até à reunificação em 1990, e muito mais.

O Deutsches Historisches Museum funciona diariamente, exceto dia 24 de dezembro, das 10h às 18h. A entrada custa EUR 8, mas menores de 18 anos não pagam. Para chegar aqui, no metrô S-Bahn, desça nas estações Hackescher Markt ou Friedrichstraße. No U-Bahn, vá até as estações Französische Straße, Friedrichstraße ou Hausvogteiplatz. De ônibus, as melhores linhas são 100, 200, TXL Staatoper e Lustgarten.

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Escada do museu que reconta cinco séculos de história.

Memorial aos Ciganos Mortos | Este singelo memorial é uma grande expressão da dor e da incapacidade do homem de aceitar os diferentes. Apesar de pouco ser lembrado, durante os anos do regime nazista, estima-se que 500 mil ciganos tenham sido assassinados.

Isso aconteceu porque, como são naturalmente nômades e não tinham um emprego fixo, o exército de Hitler os considerava incapazes de contribuir com a sociedade ariana e, portanto, deveriam morrer.

O memorial, que tem um nome bem grande em alemão, Denkmal für die im Nationalsozialismus ermordeten Sinti und Roma Europas, fica bem perto do Portão de Brandemburgo, no Parque Tiergarten, e dá para chegar aqui caminhando.

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Uma simples e importante homenagem aos ciganos mortos pelo nazismo.

Igreja Gedächtniskirche | Parcialmente destruída durante a Segunda Guerra, esta igreja luterana é, hoje, um memorial à paz. E isso aconteceu porque os berlinenses impediram que ela fosse totalmente reconstruída no pós-guerra, já que para eles aquele era um dos fortes símbolos da necessidade de promover a bonança no país e no continente.

É interessante observar as marcas de tiro nas paredes, os vitrais quebrados e o relógio parado no tempo. Do lado de dentro, o teto tem uma pintura belíssima que também foi danificada durante os ataques, e dá pra ver, com clareza, que apenas alguns reparos foram feitos para que o que restou do templo continuasse de pé.

A igreja fica na Breitscheidplatz, 10789, e para chegar aqui você pode usar o as linhas S5, S7 e S75 do metrô S-Bahn e descer na estação Zoologischer Garten, ou a linha U1 do U-Bahn, parando na estação Kurfürstendamm. Há várias linhas de ônibus que circulam nesta área. Entre elas estão 100, 200, X10, M45, M49, M19 e  M29.

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A igreja, que foi destruída pela guerra, virou um monumento à paz.

Monumento aos Homossexuais Mortos | Este memorial, projetado por Michael Elmgreen e Ingar Dragset, tem sua inspiração no Memorial do Holocausto, mas, aqui, a abertura no bloco de concreto mostra um beijo gay como o símbolo da luta pelo respeito do amor entre pessoas do mesmo gênero.

Mais do que isso, o Denkmal für die im Nationalsozialismus verfolgten Homosexuellen lembra as vítimas homossexuais do nazismo, quando gays foram presos, levados para os campos de concentração, abusados sexualmente e mortos.

O monumento também fica no Parque Tiergarten e dá para chegar aqui caminhando a partir do Memorial do Holocausto. Ele pode ser visitado o ano inteiro, durante o dia e à noite.

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Memorial que lembra os homossexuais perseguidos e mortos pelo nazismo.

Memorial às Vítimas de Eutanásia | Neste monumento, são lembrados os doentes psiquiátricos que, depois de serem examinados pelos médicos do regime nazista, foram sacrificados. Pouco mais de 70 mil inocentes foram vítimas de uma morte cruel e impiedosa, como tantas outras práticas cometidas sob o comando de Adolf Hitler.

A eutanásia, que para ele era tida como uma morte misericordiosa, foi formalmente autorizada por Hitler em 1939, e a matança rolou solta até 1941. Apesar do número oficial de mortos – exatamente 70.273 pessoas –, há estimativas de que mais de 300 mil tenham sido exterminados em centros manicomiais e asilos da Alemanha, Polônia e Áustria.

O Gedenk-und Informationsort für die Opfer der nationalsozialistischen “Euthanasie“-Morde fica na  Tiergartenstraße 4, bem perto do Filarmônica de Berlim, e pode ser visitado todos os dias.

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Estima-se que mais de 300 mil pessoas tenham passado pela eutanásia. Foto: Norbert Jachertz

Bunker de Hitler | Esse é o lugar onde funcionou o principal centro de comando e o esconderijo de Adolph Htilher. Completamente destruído no pós-guerra, hoje, o que você vai ver é um condomínio de apartamentos modestos e uma placa indicando como era a antiga construção.

O desaparecimento do Führerbunker não é por acaso. Naquela época, o que menos se desejava era que a antiga morada do ditador nazista se tornasse um centro de peregrinação. Decisão acertada ou equivocada, não custa nada dar uma passada por aqui.

O antigo bunker de Hitler fica na esquina das ruas Gertrud-Kolmar-Straße e In den Ministergärten, bem perto do Memorial do Holocausto.

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Placa que indica onde ficava o esconderijo de Hitler.

Topografia do Horror | Este centro de memória é mais um ponto que nos lembra das atrocidades cometidas contra judeus e outras minorias na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.

Funcionando no antigo quartel da Gestapo, a polícia secreta nazista, o prédio tem salas de tortura, celas onde eram colocados os desafetos do regime e uma grande exposição com imagens daquele tempo. Aqui, também está um grande pedaço do que restou do Muro de Berlim, que dividiu a cidade no pós-guerra.

O Topographie des Terrors abre todos os dias, das 10h às 20h, e a entrada é gratuita. Para chegar aqui, você pode usar os trens U-Bahn e descer nas estações Kochstrasse ou Potsdamer Platz. No S-Bahn, pare nas estações Potsdamer Platz ou Anhalter Bahnhof. De ônibus, você pode usar as linha M29 e M41.

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A fachada do Topografia do Horror. Foto: divulgação.

Museu Alemão-Russo | A guerra que começou na Europa e terminou na Ásia também foi um grande conflito entre duas potências bélicas mundiais: a Alemanha e a antiga União Soviética. E é essa parte da história que a gente aprende no Museum Berlin-Karlshorst.

Contada a partir do ponto de vista dos soviéticos e dos alemães, a mesma história tem aspectos bem divergentes e até curiosos. Mas nada será mais interessante do que entrar na sala onde o acordo de rendição da Alemanha nazista foi assinado: na noite de 8 de maio de 1945, reunido neste prédio, o comando das forças armadas aceitou a derrota e se rendeu.

O museu fica mais afastado do centro de Berlim, na Zwieseler Str. 4, 10.318. Para chegar aqui, você pode usar a linha S3, no S-Bahn, e descer na estação Karlshorst, ou usar a linha U5 do U-Bahn, descendo na estação Tiepark.  Nas duas opções você pode completar o trecho com os ônibus da linha 296.

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A sala mais importante do museu.

Memorial e Museu Sachsenhausen | Esse campo de concentração fica nos arredores de Berlim e sua visita aqui é indispensável, mas conhecer Sachsenhausen não é fácil. Mesmo depois de mais de 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, há tristeza e dor em cada metro quadrado das ruas e dos prédios que restaram desse terrível lugar.

Depois que você passar pela Torre A, o portão de entrada de Sachsenhausen que traz a célebre frase nazista, que tentava encobrir todo o sofrimento guardado aqui dentro, arbeit macht frei – o trabalho liberta –, muita coisa vai fazer sentido.

Eu explico os detalhes deste passeio em: Como é a visita a Sachsenhausen.

Como é a visita a Sachsenhausen

A célebre frase que marcava todos os campos nazistas.

Como é a visita a Sachsenhausen

Escultura que homenageia os mortos na câmara de gás.

Como é a visita a Sachsenhausen

O uniforme listrado usado pelos prisioneiros.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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