O imperdível Memorial do Holocausto em Berlim

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Atualizado em 2 de julho de 2018

Mais de seis milhões de judeus foram exterminados pelos nazistas durante o holocausto na Europa. Homens, mulheres, velhos e crianças tiverem suas vidas interrompidas da maneira mais cruel que você pode imaginar. Para lembrar dessa tragédia e homenagear suas vítimas, você deve visitar o Memorial do Holocausto, em Berlim.

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Os princípios que nortearam a ideologia nazista foram o ódio aos judeus, a negação da democracia e do comunismo, e a convicção da superioridade da raça alemã sobre qualquer outro povo. Com a ideia de criar uma sociedade pura, livre de outras etnias, os nazistas perseguiram e mataram milhões de judeus, mas não apenas. Eslavos, russos, ciganos, homossexuais e tantos outros grupos entraram na lista. Todos foram capturados, escravizados e assassinados nas câmaras de gás, ou simplesmente fuzilados.

Liderado por Adolf Hitler, o Partido Nazista tomou o poder na Alemanha em 1933. Desde então, a política de doutrinação da população por meio da propaganda, que mostrava uma realidade disfarçada, passou a ocupar os veículos de comunicação nacionais.

Isso criou, em parte dos alemães, uma forte simpatia com os ideais defendidos pelos nazistas. Em um de seus famosos pronunciamentos, durante o congresso do Partido Nazista de 1937, Adolf Hitler defendeu o seu modelo nada convencional de formação. “Estamos educando uma juventude diante da qual o mundo inteiro temerá. Eu quero uma juventude que seja capaz de realizar violações, e que seja forte, poderosa e cruel”, declarou o ditador.

Em busca de poder, a Alemanha nazista matou, invadiu territórios e levou a Europa e países como Estados Unidos e Japão a se envolverem na maior guerra de todos os tempos. Uma guerra que não apenas mudou as relações políticas, mas que, principalmente, marcou para sempre a história da humanidade.

O Memorial aos Judeus Mortos na Europa também é chamado de Memorial do Holocausto ou de Holocaust-Denkmal, em alemão. Ele ocupa uma área de quase 20 mil metros quadrados, e se assemelha a um enorme cemitério. São exatos 2.711 blocos de concreto que parecem verdadeiros túmulos.

Mas não é só isso: no subsolo, funciona um museu, que eles chamam de Centro de Informação. Ele lembra as vítimas do regime nazista na Alemanha e de todo o território ocupado durante a Segunda Guerra Mundial. Ali, é recontada essa terrível história por meio de fotos, vídeos, mapas e outros meios audiovisuais.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Os blocos de concreto que dão a aparência de um imenso cemitério.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Eles chegam a ter quatro metros de altura.

SOBRE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A Segunda Guerra Mundial teve como motivação principal a conquista de territórios por parte da Alemanha nazista. O país tinha o claro objetivo de repovoar toda a Europa com a raça alemã.

O primeiro passo para a maior guerra de todas as eras aconteceu em 1º de setembro de 1939, quando o exército de Hitler invadiu a Polônia. Dezesseis dias depois, o exército vermelho da ex-União Soviética também entrou no combate avançando pela fronteira oriental do país. A maioria das tropas polonesas se concentrava na porção ocidental, por onde avançavam os militares alemães.

O que o mundo ainda não sabia, até então, é que toda essa trama de ocupação e de divisão da Polônia já tinha sido acordada entre Stalin, líder da antiga União Soviética, e Hitler, comandante das forças alemãs, no Pacto de Não-Agressão.

Disputando o mesmo território, os dois países protagonizam uma guerra que devastou grande parte das cidades polonesas. Para ter uma ideia, Varsóvia, a capital da Polônia, teve mais de 85% de seu território destruído. Sua população foi reduzida drasticamente para cerca de 10%. De 1,3 milhão de pessoas, a cidade passou a ter pouco mais de 150 mil.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Mapa da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

No lado nazista, dezenas de campos de concentração foram criados. Inicialmente, eles abrigavam presos políticos – poloneses que se opunham ao regime nazista – e soldados soviéticos derrotados nos combates. Mais tarde, esses campos passaram a receber judeus vindos de diversas partes da Europa. Em 1941, o continente já estava sob o domínio de Hitler.

Com o envolvimento de países como Estados Unidos, Inglaterra e França, os ataques ao domínio alemão se intensificaram. O número de civis mortos aumentou, tanto nos países ocupados, quanto na própria Alemanha. O maior conflito de todos os tempos acabou em 1945, com a rendição do Japão, país aliado da Alemanha, depois que Hiroshima e Nagazaki foram destruídas por bombas atômicas.

O memorial nasceu de uma iniciativa popular comandada pela jornalista Lea Rosh e pelo historiador Eberhard Jäckel, ainda na década de 1980. Mas só em 1999 o Parlamento alemão aprovou a construção do Memorial, de acordo com o projeto apresentado pelo arquiteto norte-americano, Peter Eisenman.

A visita a um lugar como esse não poderia ser menos dolorosa do que é, mas isso é algo que deve ser educativo e promover uma reflexão profunda sobre nosso passado, presente e futuro. De forma breve, eu descrevo como são algumas das principais exibições do Museu para que você se encoraje a visita-lo e a espalhar pelo mundo essa triste história, para que ela jamais se repita.

“Aconteceu uma vez, e pode ser que aconteça novamente: isso é o ponto central do que nós temos que dizer”. Primo Levi

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Frase exibida na entrada do Centro de Informação.

Uma breve introdução

A visita começa com uma introdução aos horrores praticados pela polícia nazista entre os anos de 1933 e 1945. Em uma linha do tempo ilustrada com fotos bastante dolorosas, a perseguição e o extermínio dos judeus europeus são explicadas de forma breve e didática.

No fim dessa primeira sala há um imenso painel com a foto de seis personagens. Eles representam os seis milhões de vítimas do holocausto e suas diferentes origens.

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O painel com a linha do tempo.

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Soldado limpando um campo de concentração depois da libertação, em 1945. Foto: Acervo.

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Registro da situação dos judeus presos no momento da libertação. Foto: Acervo.

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O painel com os seis personagens que representam as vítimas.

Últimos registros e histórias de família

No segundo ambiente estão alguns últimos registros de pessoas que perderam suas vidas nas mãos dos nazistas. São bilhetes, cartões-postais e cartas que nunca chegaram aos seus destinatários.

Um desses registros que vi na exposição era um cartão escrito por uma judia que estava sendo transportada de sua cidade até o campo de concentração de Auschwitz, onde foi assassinada em 1943. Sem saber de seu futuro, Etty Hilesum descreveu como estavam sendo seus últimos dias e lançou o cartão por uma das gretas do vagão. Mais tarde, o cartão foi encontrado e, hoje, é parte do acervo do Memorial do Holocausto.

A sala das família é uma das mais dolorosas do Museu. Nos painéis estão fotos e a biografia de famílias que foram separadas pelos horrores do holocausto. Essa sala deixa claro que não havia um motivo pelo qual os judeus estavam sendo perseguidos, a não ser a sua origem, a sua etnia.

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A sala dos últimos registros.

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O cartão escrito por Etty Hilesum e lançado pela greta do vagão.

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A dolorosa sala da famílias.

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Um símbolo da separação causada pelos nazistas.

Nomes, lugares e sobreviventes

Aqui os nomes de todas as vítimas que já foram identificadas são exibidos e, pelo sistema de áudio, é possível conhecer um pouco da biografia de cada uma delas. Apresentados dessa forma, seria necessário mais de seis anos para que os nomes de todas as vítimas fossem mostrados.

A sala que se segue mostra os principais campos de extermínio de judeus na Alemanha e nos países ocupados durante a guerra. E nas salas seguintes, há um espaço para lembrar os sobreviventes do maior genocídio da história recente. Nos painéis e nos vídeos, as testemunhas vivas dessa história de horrores contam o que viram e como fizeram para superar os traumas deixados pelo holocausto.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

A indescritível sala dos nomes.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Seriam necessários seis anos para ouvir o nome e a biografia de todas as vítimas.

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A sala dos sobreviventes.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

A memória das testemunhas vivas é preservada em vídeo.

Programe-se para visitar o Memorial do Holocausto

Quanto custa | A entrada no Memorial do Holocausto e no Centro de Informações é gratuita. Para a visita você pode contratar um audioguia e ter explicações detalhadas de todas as salas de visitação. O preço cobrado é EUR$ 4, e é preciso deixar um documento oficial como garantia de devolução do equipamento.

A exibição sobre a perseguição e o extermínio dos judeus europeus atrai cerca de 500 mil visitantes por ano e, justamente por ser gratuita, pode ser que você encontre uma pequena fila na entrada. O Memorial não recomenda a visita para crianças com menos de 14 anos.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

A pequena fila que se forma na entrada.

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A entrada do Centro de Informação, no subsolo.

Quando ir | A parte superior do Memorial do Holocausto – onde estão os blocos de concreto – fica permanentemente aberta. Não é permitido subir nas instalações, e é importante lembrar que este é um lugar solene, portanto evite fumar, beber e falar alto. O Centro de Informação funciona de terça a domingo, das 10h às 20h, nos meses de abril a setembro. No período de outubro a março, o museu fecha uma hora mais cedo.

A primavera e o verão são as melhores épocas do ano para visitar a Alemanha. Os dias são mais claros, mais longos e a temperatura mais agradável, ideal para atividades ao ar livre. Em Berlim, chove mais nos meses de junho a agosto, e o frio é constante de dezembro a fevereiro.

Como chegar | Para quem vêm de ônibus, as linhas 100, 200, M41, M48 e M85 têm paradas bem perto do Memorial. No metro, as estações mais próximas são a Brandenburg Tor e a Postdamer Platz, e as linhas que passam por aqui são S1, S2 e S25, e as linhas U2, U6 e U55.

Berlim tem dois aeroportos internacionais, o Brandemburg (BER) e o Tegel (TXL), e ambos recebem voos partindo do Brasil.

Onde ficar | Berlim tem ótimas opções de hospedagem, mas escolher uma localização ideal para o seu perfil vai fazer toda a diferença. Eu mostro os melhores lugares e indico alguns hotéis nesse post: Onde se hospedar em Berlim.

Visto | Brasileiros não precisam de visto para entrar na Alemanha, e podem permanecer aqui por até 90 dias. Na chegada, o oficial da imigração poderá exigir, além de seu passaporte, a passagem de volta e o comprovante do seguro viagem, que é obrigatório para todos os países que assinaram o Acordo de Schengen.

Outras informações | Para ver outras informações sobre a Alemanha e planejar sua viagem com mais precisão, leia: Viagem para a Alemanha: o que você precisa saber. Para quem gosta de cinema, uma boa dica é dar uma olhada nessa lista: Nove filmes sobre a Segunda Guerra Mundial.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

2 Comentários

  1. Avatar

    Boa noite.
    Gostaria de corrigir um equívoco cometido no início do texto.
    A polícia que perseguiu os judeus foi a polícia nazista, não a polícia socialista.
    O erro deve ter se dado porque o partido nazista também era conhecido como nacional socialista, mas ao contrário do que o nome pode dar a entender, o nacional socialismo descrito por Hitler nada tem a ver com o socialismo da União Soviética.
    Muito pelo contrário. Quem se dizia socialista, comunista ou social democrata naquela época também era caçado pelo partido nazista. Houve até uma lei que os impedia de participar da política alemã.
    O conceito de nacional socialismo criado por Hitler se referia a utilidade que o indivíduo tinha ao estado (nacional) e ao retorno que o estado proporcionava ao indivíduo (socialismo). O termo é o mesmo, mas o significado é completamente diferente.
    Fora isso, ótimo texto e, sim, visita obrigatória a quem vem a Berlim.
    Abraços.

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