Memorial do Holocausto: como visitar o monumento às vítimas do nazismo

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Atualizado em 14 de março de 2022

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

O Memorial do Holocausto, em Berlim, foi construído para lembrar as vítimas de uma das maiores barbaridades da história humana: a perseguição e o extermínio de judeus e outras minorias durante a Segunda Guerra.

Entre 1939 e 1945, estima-se que 20 milhões de pessoas foram mortas na Europa. Mais de seis milhões eram judeus.

Homens, mulheres, velhos e crianças tiverem suas vidas interrompidas pelos nazistas da maneira mais cruel que você pode imaginar.

Entenda o que foi o nazismo

Os princípios que nortearam a ideologia nazista foram o ódio aos judeus, a negação da democracia e do comunismo, e a convicção da superioridade da raça alemã sobre qualquer outro povo. Com a ideia de criar uma sociedade pura, livre de outras etnias, os nazistas perseguiram e mataram milhões de judeus, mas não apenas.

Eslavos, russos, ciganos, homossexuais e tantos outros grupos entraram na lista. Todos foram capturados, escravizados e assassinados nas câmaras de gás, ou simplesmente fuzilados.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Liderado por Adolf Hitler, o Partido Nazista tomou o poder na Alemanha em 1933. Desde então, a política de doutrinação da população por meio da propaganda, que mostrava uma realidade disfarçada, passou a ocupar os veículos de comunicação nacionais.

Isso criou, em parte dos alemães, uma forte simpatia com os ideais defendidos pelos nazistas. Em um de seus famosos pronunciamentos, durante o congresso do Partido Nazista de 1937, Adolf Hitler defendeu o seu modelo nada convencional de formação.

Estamos educando uma juventude diante da qual o mundo inteiro temerá. Eu quero uma juventude que seja capaz de realizar violações, e que seja forte, poderosa e cruel“, declarou o ditador.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Em busca de poder, a Alemanha nazista matou, invadiu territórios e levou a Europa e países como Estados Unidos e Japão a se envolverem na maior guerra de todos os tempos.

Uma guerra que não apenas mudou as relações políticas, mas que, principalmente, marcou para sempre a história da humanidade.

O Memorial do Holocausto

O Memorial aos Judeus Mortos na Europa também é chamado de Memorial do Holocausto ou de Holocaust-Denkmal, em alemão.

Ele ocupa uma área de quase 20 mil metros quadrados, e se assemelha a um enorme cemitério: são exatos 2.711 blocos de concreto que parecem verdadeiros túmulos.

Mas não é só isso: no subsolo, funciona um museu, que eles chamam de Centro de Informação. Ele lembra as vítimas do regime nazista na Alemanha e de todo o território ocupado durante a Segunda Guerra Mundial.

Ali, é recontada essa terrível história por meio de fotos, vídeos, mapas e outros meios audiovisuais.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Resumo da Segunda Guerra

A Segunda Guerra Mundial teve como motivação principal a conquista de territórios por parte da Alemanha nazista. O país tinha o claro objetivo de repovoar toda a Europa com a raça alemã.

O primeiro passo para a maior guerra de todas as eras aconteceu em 1º de setembro de 1939, quando o exército de Hitler invadiu a Polônia.

Dezesseis dias depois, o exército vermelho da ex-União Soviética também entrou no combate avançando pela fronteira oriental do país.

A maioria das tropas polonesas se concentrava na porção ocidental, por onde avançavam os militares alemães.

O que o mundo ainda não sabia, até então, é que toda essa trama de ocupação e de divisão da Polônia já tinha sido acordada entre Stalin, líder da antiga União Soviética, e Hitler, comandante das forças alemãs, no Pacto de Não-Agressão.

Disputando o mesmo território, os dois países protagonizam uma guerra que devastou grande parte das cidades polonesas.

Para ter uma ideia, Varsóvia, a capital da Polônia, teve mais de 85% de seu território destruído. Sua população foi reduzida drasticamente para cerca de 10%. De 1,3 milhão de pessoas, a cidade passou a ter pouco mais de 150 mil.

No lado nazista, dezenas de campos de concentração foram criados. Inicialmente, eles abrigavam presos políticos – poloneses que se opunham ao regime nazista – e soldados soviéticos derrotados nos combates.

Mais tarde, esses campos passaram a receber judeus vindos de diversas partes da Europa. Em 1941, o continente já estava sob o domínio de Hitler.

Com o envolvimento de países como Estados Unidos, Inglaterra e França, os ataques ao domínio alemão se intensificaram. O número de civis mortos aumentou, tanto nos países ocupados, quanto na própria Alemanha.

O maior conflito de todos os tempos acabou em 1945, com a rendição do Japão, país aliado da Alemanha, depois que Hiroshima e Nagazaki foram destruídas por bombas atômicas.

A construção do Memorial

O memorial nasceu de uma iniciativa popular comandada pela jornalista Lea Rosh e pelo historiador Eberhard Jäckel, ainda na década de 1980, mas só em 1999 o Parlamento alemão aprovou a construção do Memorial, de acordo com o projeto apresentado pelo arquiteto norte-americano, Peter Eisenman.

A visita a um lugar como esse não poderia ser menos dolorosa do que é, mas isso é algo que deve ser educativo e promover uma reflexão profunda sobre nosso passado, presente e futuro.

De forma breve, eu descrevo como são algumas das principais exibições do Museu para que você se encoraje a visita-lo e a espalhar pelo mundo essa triste história, para que ela jamais se repita.

Aconteceu uma vez, e pode ser que aconteça novamente: isso é o ponto central do que nós temos que dizer“. Primo Levi

A visita ao Memorial

A visita começa com uma introdução aos horrores praticados pela polícia nazista entre os anos de 1933 e 1945.

Em uma linha do tempo ilustrada com fotos bastante dolorosas, a perseguição e o extermínio dos judeus europeus são explicadas de forma breve e didática.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

No fim dessa primeira sala há um imenso painel com a foto de seis personagens. Eles representam os seis milhões de vítimas do holocausto e suas diferentes origens.

Últimos registros

No segundo ambiente estão alguns últimos registros de pessoas que perderam suas vidas nas mãos dos nazistas. São bilhetes, cartões-postais e cartas que nunca chegaram aos seus destinatários.

Um desses registros que vi na exposição era um cartão escrito por uma judia que estava sendo transportada de sua cidade até o campo de concentração de Auschwitz, onde foi assassinada em 1943.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Sem saber de seu futuro, Etty Hilesum descreveu como estavam sendo seus últimos dias e lançou o cartão por uma das gretas do vagão. Mais tarde, o cartão foi encontrado e, hoje, é parte do acervo do Memorial do Holocausto.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

A sala das famílias é uma das mais dolorosas do Museu. Nos painéis estão fotos e a biografia de famílias que foram separadas pelos horrores do holocausto.

Essa sala deixa claro que não havia outro motivo pelo qual os judeus estavam sendo perseguidos, a não ser a sua origem, a sua etnia.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Nomes, lugares e sobreviventes

Aqui os nomes de todas as vítimas que já foram identificadas são exibidos e, pelo sistema de áudio, é possível conhecer um pouco da biografia de cada uma delas.

Apresentados dessa forma, seria necessário mais de seis anos para que os nomes de todas as vítimas fossem mostrados.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

A sala que se segue mostra os principais campos de extermínio de judeus na Alemanha e nos países ocupados durante a guerra. E nas salas seguintes, há um espaço para lembrar os sobreviventes do maior genocídio da história recente.

O imperdível Memorial do Holocausto, em Berlim

Nos painéis e nos vídeos, as testemunhas vivas dessa história de horrores contam o que viram e como fizeram para superar os traumas deixados pelo holocausto.

Como visitar o Memorial do Holocausto

Quanto custa

A entrada no Memorial do Holocausto e no Centro de Informações é gratuita, mas é interessante fazer a reserva com antecedência para não enfrentar filas. Para a visita você pode contratar um audioguia e ter explicações detalhadas de todas as salas de visitação.

O preço cobrado é EUR , e é preciso deixar um documento oficial como garantia de devolução do equipamento. Veja quais os idiomas disponíveis.

A exibição sobre a perseguição e o extermínio dos judeus europeus atrai cerca de 500 mil visitantes por ano e, justamente por ser gratuita, pode ser que você encontre uma pequena fila na entrada.

O Memorial não recomenda a visita para crianças com menos de 14 anos.

Quando ir

A parte superior do Memorial do Holocausto – onde estão os blocos de concreto – fica permanentemente aberta.

Não é permitido subir nas instalações, e é importante lembrar que este é um lugar solene, portanto evite fumar, beber e falar alto.

O Centro de Informação funciona de terça a domingo, das 10h às 20h, nos meses de abril a setembro. No período de outubro a março, o museu fecha uma hora mais cedo.

A primavera e o verão são as melhores épocas do ano para visitar a Alemanha. Os dias são mais claros, mais longos e a temperatura mais agradável, ideal para atividades ao ar livre.

Em Berlim, chove mais nos meses de junho a agosto, e o frio é constante de dezembro a fevereiro.

Como chegar

Para quem vêm de ônibus, as linhas 100, 200, M41, M48 e M85 têm paradas bem perto do Memorial. No metro, as estações mais próximas são a Brandenburg Tor e a Postdamer Platz, e as linhas que passam por aqui são S1, S2 e S25, e as linhas U2, U6 e U55.

Berlim tem dois aeroportos internacionais, o Brandemburg (BER) e o Tegel (TXL), e ambos recebem voos partindo do Brasil.

RECOMENDAÇÕES DE VIAGEM - COVID-19

Devido à pandemia de covid-19, novas medidas de saúde e segurança foram adotadas. Elas são importantes para evitar o contágio, protegendo você, quem trabalha diretamente com o turismo e as comunidades locais.

Então, antes de viajar, verifique quais as medidas protetivas  estão sendo adotadas no seu destino. Alguns lugares exigem o comprovante de vacinação contra covid-19, o uso de máscara e até seguro viagem.

Veja algumas medidas adotadas:

  • Álcool gel disponível nos quartos e nas áreas comuns dos hotéis;
  • Uso obrigatório de máscaras nas áreas comuns;
  • Respeito às regras de distanciamento social;
  • Uso de produtos de limpeza eficazes contra o coronavírus;
  • Café da manhã pode ser servido no quarto;
  • Restrição de horários e de capacidade de público em museus e eventos.
Informações Básicas
Visto | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer na Alemanha por até 90 dias.
Documentos | É necessário apresentar o passaporte com  três meses de validade.
Dinheiro| A moeda da Alemanha é o euro, identificado pelas sigla EUR e pelo símbolo €.
Vacinas | A vacina contra febre amarela não é exigida, mas é obrigatório ter um seguro viagem.

SEGURO VIAGEM

O seguro viagem é obrigatório para todos os países europeus que fazem parte do Tratado de Schengen: a Alemanha é um deles.

Sem o seguro, você pode ser impedido de entrar no país. E tem mais: há uma cobertura mínima de EUR 30.000. Portanto, você precisa informar para qual – ou quais – país vai viajar antes de comprar o seguro.

Eu sempre indico o Seguros Promo, um site que compara os preços de várias seguradoras e nos mostra os melhores valores para cada cobertura.

Além disso, nem todos os países têm um sistema de saúde público e gratuito. Na verdade, na maioria deles, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem.

→ Faça uma cotação do seguro viagem

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

Você já imaginou quanto custa um tratamento médico para esses casos em outros países? Dependendo da gravidade, o atendimento pode custar milhares de dólares, podendo gerar sérias dificuldades financeiras para você e seus familiares para o resto da vida.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Veja mais dicas da Alemanha

Ficou mas fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, é só deixar suas pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Alemanha.