Império de sal: Ston, cidade da maior muralha da Europa, da ostra e do vinho

Atualizado em 3 de novembro de 2022 – 7 min de leitura

Entre Split e Dubrovnik, duas cidades já consagradas do turismo na Croácia, Ston pode ser apenas uma parada de algumas horas ou de dias inteiros.

Pequena, com menos de 2.500 habitantes, a cidade é cercada pela maior muralha da Europa e segunda maior do mundo: originalmente, ela tinha sete quilômetros, mas, hoje, restam pouco mais de cinco.

Protegida por causa de sua produção de sal, Ston viveu – e ainda vive – em uma atmosfera particular: todo mundo conhece todo mundo e receber bem parece ser algo rotineiro na vida de quem ainda mora na cidade.

Ston, cidade da maior muralha europeia

Neste artigo, eu vou explicar sobre:

Chegar a Ston dirigindo pelas estradas da península de Peljesac  foi uma grata surpresa.  Essa porção de terra, que se estende 62 quilômetros sobre as águas rasas e mansas do mar Adriático, cria um cenário inspirador, daqueles que a gente tem dificuldade em dizer adeus.

Uma cidade dividida

A cidade que hoje conhecemos é formada por duas cidadelas: Veliki Ston e Mali Ston.

Veliki Ston é maior e mais antiga. Aqui, estão concentradas a maior parte das atrações.

Em poucos minutos de caminhada, eu conheci o Forte Maior, a Igreja de São Blásio e caminhei pelo centrinho sem um destino certo. Essa, sem dúvida, é uma parte que você não pode deixar de fazer.

Aqui, também ficam o Knezev Dvor, o antigo palácio do governo, o palácio eclesiástico – Ston foi um importante centro religioso – e a Igreja de São Nicolau.

Mali Ston fica a mais ou menos um quilômetro de Veliki Ston. Menor e mais nova, aqui fica o porto de onde, historicamente, saíam os navios carregados de sal.

As duas vilas são conectadas pela muralha.

A principal atração de Mali Ston é o Forte Koruma, construído em 1347 para armazenar o sal, o bem mais precioso produzido na cidade.

Conquistas e destruição

Por causa de sua localização privilegiada, Ston sempre foi muito importante. Desde a antiguidade, esse território é habitado e, ao longo dos séculos, se tornou um respeitável centro cultural e religioso.

Dominada pelos romanos, conquistada pelos croatas, a velha Ston ficava em outra área, diferente da que conhecemos hoje. Destruída por um forte terremoto, a cidade original desapareceu em 1252.

Reconstruída e invadida pela República de Dubrovnik, começou a ganhar o contorno atual na primeira metade do século 14.

Ao longo dos anos, guerras e fenômenos naturais afetaram drasticamente a estrutura da cidade. Os  bombardeios da Segunda Guerra,  em 1944, destruíram várias construções do período romano – incluindo a igreja cristã primitiva de Maria Madalena.

Ston, cidade da maior muralha europeia

Depois disso, a Guerra da Iugoslávia, entre 1991 e 1995, também deixou marcas profundas. Como se não bastasse, outro forte terremoto abalou Ston e destruiu grande parte da muralha em 1996.

Muralha de Ston

A muralha que cerca Ston é a maior da Europa e a segunda maior do mundo – a primeira é a Muralha da China.

A construção desse poderoso sistema de defesa começou no ano 1333 e foi pensado para guardar as salinas da cidade. É justamente isso que faz a muralha de Ston ser tão peculiar: diferentemente das outras muralhas europeias, ela não foi construída para proteger a cidade, mas a produção de sal.

É que naquela época o sal era um bem precioso, símbolo de riqueza e poder.

Originalmente, a muralha tinha sete quilômetros, mas uma parte foi destruída ao longo dos anos. Hoje, são pouco mais de cinco quilômetros de muros que cercam os morros da península de Peljesac, essa belíssima região banhada pelo mar Adriático.

Para recuperar parte dos danos e para prevenir outros incidentes, toda a estrutura passou por um longo processo de restauro. Graças a ele, hoje a gente pode caminhar em segurança sobre os muros.

Ston, cidade da maior muralha europeia

Aliás, a sensação de  caminhar pela muralha é indescritível.  Além de toda a beleza cênica dessa pequena cidade, seu valor histórico incalculável deixa tudo mais especial.

Hoje, a muralha tem 42 duas torres e sete bastiões, a maioria fica em Veliki Ston.

Sal que vale ouro

Como expliquei, Ston é uma cidade que ganhou importância econômica por sua produção de sal. É que as salinas eram símbolo de riqueza e poder, e o risco de que países inimigos tentassem sequestrar a produção de sal era grande.

Para você entender melhor, vou explicar o que aprendi em Ston.

No tempo da República de Dubrovnik, quando essa região era governada por um poder independente do que, hoje, conhecemos como Croácia, um quilo de sal valia o mesmo que um quilo de ouro.

A partir do século 14, a cidade passou a ser protegida e, daqui, partiam navios carregados de sal para abastecer os mercados europeus – especialmente os países bálticos. As coisas funcionaram assim, sob o domínio de Dubrovnik, até 1808, quando Napoleão Bonaparte conquistou todo esse território.

Ainda hoje, a produção de sal em Ston é artesanal. São vários tanques que garantem o sustento das poucas centenas de famílias que vivem aqui.

Apesar disso, apenas uma pequena parte da produção de sal é destina ao consumo humano. Isso acontece porque, há alguns anos, quase todos os tanques foram revestidos com asfalto. Só que eles não sabiam que o derivado do petróleo impediria que o sal fosse usado na cozinha.

Assim, a maior parte do sal de Ston é destinada à indústria.

Um mar de ostras

Outra riqueza de Ston são as ostras – kamenice, em croata. Consideradas uma das melhores do mundo, com alto valor de mercado, elas são produzidas nas águas rasas, calmas e limpíssimas do mar que banha toda a península.

A cada ano, a cidade produz cerca de 500 mil ostras em fazendas locais e, sempre no mês de março, acontece um festival que lota a cidade de turistas e de ex-moradores que retornam para as festas regadas a ostra e vinho, que também é produzido na região.

Ston, cidade da maior muralha europeia

Um ótimo lugar para experimentar essa iguaria é o Bakus (Rua B. Angeli Radovani, 5). Ele tem um cardápio bem variado de frutos do mar, sua especialidade.

Planeje sua viagem a Ston

Se você estiver indo de Dubrovnik a Split – ou o contrário – faça uma parada aqui. Se tiver mais tempo, vale a pena dormir uma noite na cidade e seguir viagem no dia seguinte.

Eu indico destinar pelo menos um dia inteiro para conhecer Ston – Veliki e Mali – sem pressa.

Aproveite esse tempo para caminhar sobre a muralha, ver o pôr do sol na península, almoçar em um restaurante local, tomar um café admirando as construções da cidade e visitar as famosas salinas.

Como chegar

Ston fica a 55 quilômetros de Dubrovnik e é totalmente possível  fazer um bate-volta  indo e voltando no mesmo dia – vale muito a pena.

A empresa de ônibus que opera essa rota é a Globtour. A viagem dura cerca de 40 minutos e a passagem custa, mais ou menos, HRK 35.

Split fica um pouco mais longe, a 135 quilômetros. A passagem de ônibus custa cerca de HRK 95 e a viagem dura, aproximadamente, três horas.

Se estiver de carro, tente incluir uma parada em Neum, na Bosnia Herzegovina. É que o território croata se divide em dois e, obrigatoriamente, você vai passar por essa cidade.

Eu explico os detalhes em Neum: as praias da Bósnia e Herzegovina.

Dá para cruzar de ferry de Split até a península Peljesac, mas fica mais caro e a viagem mais longa. Não aconselho.

Quando ir

É possível visitar Ston o ano inteiro, mas, claro, a paisagem muda de acordo com as estações. No verão, entre julho e agosto, a cidade fica mais movimentada. É que além dos turistas que acabam descobrindo a cidade, nesta época, acontece a tradicional colheita do sal.

Ston, cidade da maior muralha europeia

No mês de março acontece o Festival da Ostra, uma celebração à produção do molusco que cresce nas águas calmas e rasas da península.

Para os atletas, tem ainda a Maratona de Ston. Uma corrida com diferentes categorias – 4, 15 e 42 quilômetros – que passa pelas muralhas que cercam a cidade. Geralmente, a maratona acontece em setembro.

Quanto custa

As muralhas de Ston ficam abertas para visitação diariamente, das 8h às 17h30, e a entrada custa HRK 70, para adultos, e HRK 30, para crianças. O pagamento pode ser feito com cartão de crédito ou na moeda do país.  O euro não é aceito. 

Apesar de fazer parte da União Europeia, a moeda oficial da Croácia é o kuna, identificado pela sigla HRK e pelo símbolo kn. No Brasil, não encontramos kuna para comprar, então, a melhor opção é levar euros e fazer a troca quando chegarmos lá. O real não é aceito nas casa de câmbio do país.

Onde comer

Nas ruazinhas de Veliki Ston há alguns restaurante e cafés aconchegantes. Eu almocei no Bakus (Rua B. Angeli Radovani, 5), um restaurante especializado em frutos do mar e comi as tradicionais ostras da cidade e um delicioso arroz com camarões gigantes – que custou HRK 115. Mas, claro, há outras opções no cardápio.

Em Mali Ston há alguns restaurantes na região do porto.

Onde ficar

Como Ston é pequena e aconchegante, é fácil decidir onde ficar hospedado. Eu sugiro escolher um hotel em Veliki Ston, que tem mais movimento. Eu separei três hotéis excepcionais: Rooms Sorgo Palace, Apartments Villa Sol e Villa Radić.

Em Mali, você pode ficar no sensacional Hotel Ostrea.

Se estiver com amigos ou em família, alugue um apartamento, como o Olive Garden.

Veja porque você deve conhecer Ston

  • Perfeita para quem gosta de história e belas paisagens;
  • Tem a segunda maior muralha do mundo;
  • As salinas já eram disputadas desde antes do Império Romano;
  • A produção de ostras é uma das mais valorizadas da Europa;
  • Festas e festivais movimentam a cidade todos os anos;
  • Dá para fazer um bate-volta saindo de Dubrovnik;
  • Aproveite para ler: Roteiro para a Croácia: o imperdível do país.

Informações Básicas

Visto

Brasileiros não precisam de visto para entrar no país e permanecer por até 90 dias.

Documentos

É necessário apresentar o passaporte com seis meses de validade.

Dinheiro

A moeda do país é o kuna. Para sua viagem, leve euros e troque quando chegar.

Vacinas

Nenhuma vacina específica é exigida de brasileiros embarcados no Brasil.

Informações sobre covid-19

Desde o dia 4 de abril de 2022, a Croácia suspendeu todas as restrições de controle sanitária da covid-19.

Isso significa que não é mais necessário apresentar comprovante de vacinação contra a doença nem exames negativos de teste RT-PCR ou antígeno.

Também fica suspensa a necessidade de fazer quarentena na chegada ao país.

RETORNO AO BRASIL

De acordo com informações da Anvisa, viajantes com o esquema vacinal completo não precisam fazer teste de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR para retornar ao Brasil, e também não é preciso preencher a Declaração de Saúde do Viajante, que está suspensa pela Anvisa.

Viajantes não-vacinados ou vacinados parcialmente precisam apresentar resultado negativo de teste de antígeno (teste rápido), coletado até 24 horas antes do voo, ou RT-PCR, coletado até 72 horas antes do embarque.

Seguro viagem

Apesar da Croácia não fazer parte do Tratado de Schengen – o governo croata confirmou que vai entrar no grupo a partir de 2024 –, é imprescindível ter um seguro viagem para entrar no país.

É que o seguro viagem  é obrigatório para todos os países europeus  que fazem parte do Tratado de Schengen e, como não vá voos direto do Brasil para Croácia, você terá que fazer escalada em um país signatário do Tratado e, se estiver sem o seguro viagem, você poderá ser impedido de seguir viagem.

E tem mais: há uma cobertura mínima de EUR 30.000. Portanto, você precisa informar para qual – ou quais – país vai viajar antes de comprar o seguro.

Eu sempre indico o Seguros Promo, um site que compara os preços de várias seguradoras e nos mostra os melhores valores para cada cobertura.

Além disso, nem todos os países têm um sistema de saúde público e gratuito. Na verdade, na maioria deles, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem.

→ Faça uma cotação do seguro viagem

O custo de um seguro viagem é menor do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

Você já imaginou quanto custa um tratamento médico para esses casos em outros países? Dependendo da gravidade, o atendimento pode custar milhares de dólares, podendo gerar sérias dificuldades financeiras para você e seus familiares para o resto da vida.

Então, antes de embarcar, compre o seguro viagem, imprima o comprovante e tenho o número de emergência em local de fácil acesso.

Veja mais dicas da Croácia

Ficou mas fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, é só deixar suas pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Croácia.

Sobre o Autor

<a href="https://www.penaestrada.blog.br/author/altier/" target="_self">Altier Moulin</a>

Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

comentários

14 Comentários

  1. Nikki

    Suas matérias são fantásticas. Amo!

    Responder
    • Altier Moulin

      Muito obrigado, Nikki.

      Um abraço.

      Responder
  2. Gilmaria Brito

    Fiquei fascinada, pelo lugar, pela matéria e pelo site. Simplesmente um roteiro de viagem pronto. Parabéns Altier!! É simplesmente incrível.

    Responder
    • Altier Moulin

      Que maravilha, Gilmaria.

      Bom que você já sabe por onde começar. 🙂

      Um abraço.

      Responder
  3. Eduardo Silfer

    Só conheci a Croácia através de algumas redes sociais e lendo este post me deixou com mais vontade de viver essa experiência. Parabéns pela matéria. Muito bem explicada.

    Responder
    • Altier Moulin

      Valeu, Eduardo.

      Anote aí essa dica para quando for visitar a Croácia. 😉

      Um abraço.

      Responder
  4. Rodrigo menezes

    Perfeito seu relato! Vontade real de conhecer

    Responder
    • Altier Moulin

      Valeu, Rodrigo.

      Foi uma descoberta realmente sensacional. Tem muita coisa boa nessa cidadezinha.

      Um abraço.

      Responder
  5. Roger

    Excelente matéria! Parabéns!
    Estive na Croácia mas não tive a oportunidade de conhecer Ston.
    Espero poder fazê-lo em breve!

    Responder
    • Altier Moulin

      Vale muito a pena, Roger.
      Pode colocar no roteiro da próxima viagem. 😉

      Um abraço.

      Responder
  6. Flávio

    Cada vez melhor e encantador

    Responder
    • Altier Moulin

      Obrigado, Flavio. 🙂

      Responder
  7. Fabio

    Muito bom!

    Responder
    • Altier Moulin

      Obrigado, Fabio.

      Um abraço.

      Responder

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