O Cânion do Colca e o majestoso voo do condor

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Atualizado em 3 de abril de 2018

A cidade de Arequipa é a segunda maior do Peru. Ela está encravada na Cordilheira dos Andes, onde fica a 2.300 metros acima do nível do mar. Aqui, além dos prédios do Centro Histórico e dos imponentes picos nevados que cercam a cidade, eu descobri o Cânion do Colca. Um destino imperdível para quem está planejando visitar esse lado do Peru.

Embora muitos defendam que a cidade de Arequipa seja um importante destino peruano – e realmente é  -, para mim ela não foi tão amigável assim. Eu não achei Arequipa organizada. Na verdade, não vi nela a beleza que muitos percebem. E, para piorar, o atendimento quase sempre deixou a desejar.

Bom, mesmo assim, eu não me arrependo de ter vindo conhecer essa cidade. Em 2000, ela foi reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. E, um fato curioso é que o Centro Histórico foi construído com sillar, uma rocha vulcânica de cor clara, e por isso, Arequipa é também chamada de Cidade Branca.

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O bate-volta pelo Cânion do Colca

A maioria dos turistas que chega a Arequipa faz o passeio bate-volta até o Cânion do Colca. Isso porque, a não ser que você tenha um forte motivo, não é necessário pernoitar na região do Cânion. Por isso, a minha viagem começa cedo e vai percorrer 250 quilômetros cruzando dezenas de pequenas vilas às margens do Rio Colca.

O vale do Colca foi formado pela movimentação da placa tectônica sul-americana. Ele é um dos mais profundos do mundo, chegando a ter 3.400 metros em seu ponto máximo, que fica na cidade de Canco.

O ponto mais alto da região que visito é o vulcão inativo Ampato, com 6.288 metros de altitude. Enquanto, o mais baixo é onde se encontra o leito dos rios Colca e Andamayo, a 970 metros do nível do mar. O vale do Colca tem uma extensão de 100 quilômetros e ocupa apenas um setor da bacia do rio Colca. Fica localizado entre os distritos de Callalli e Huambo. Nesta área, existem 16 aldeias collaguas e cabanas, herdeiras de uma rica tradição cultural. Entretanto, as aldeias de Chivay e Cabanaconde são as mais visitadas por turistas.

Porta de entrada para o Cânion, a cidade de Chivay fica a 42 quilômetros de Arequipa. A paisagem até aqui já vale o passeio. Isso porque, você estará andando sobre uma área de vulcões, alguns inativos e outros apenas adormecidos.

Em Chivay estão as piscinas de águas termais que brotam a quase 90 graus e descem do vulcão Misti carregadas de enxofre. Nas piscinas, peruanos e estrangeiros se banham para se aquecer do frio e por acreditarem em seus poderes curadores.

O Cânion do Colca e o majestoso voo do condor

O belo caminho de Arequipa até o Cânion do Colca.

O Cânion do Colca e o majestoso voo do condor

Os vulcões da região de Arequipa.

O Cânion do Colca e o majestoso voo do condor

Em Chivay, a mais de três mil metros de altitutde, o frio me acompanha.

O Cânion do Colca e o majestoso voo do condor

As águas termais que descem dos vulcões.

Continuando no Cânion do Colca, não é preciso andar muito para perceber que você está em terras de longa história. Os povos que habitavam esta região, antes da chegada dos incas, eram mestres no cultivo do maíz, uma espécie de milho. Além disso, foram eles os primeiros a criar os terraços nas montanhas para ampliar as possibilidades de plantio.

Hoje, os collaguas e os cabanas dividem o domínio da região e se diferenciam de uma forma muito peculiar. O primeiro grupo habita as partes mais altas do vale e as mulheres usam sempre chapéus bordados. Enquanto o segundo grupo ocupa a parte mais próxima ao rio e as mulheres não têm enfeites em seus chapéus.

O Cânion do Colca e o majestoso voo do condor

Collaguas e cabanas: as mulheres se diferenciam pelo estilo dos chapéus.

A estrada sinuosa que margeia o cânion leva até o ponto mais alto da rota. Cabanaconde é famosa por ser o lugar onde assistimos ao enigmático voo do condor-dos-andes, no mirante Cruz del Condor.  Não há quem venha ao Colca e não almeje apreciar o voo de uma das maiores aves do planeta. Ela, que desperta grande admiração em boa parte dos países andinos.

Medindo quase 1,5 metro de altura e com mais de três metros de envergadura, o condor-dos-andes abre as suas asas sobre o cânion em momentos de entusiasmo e plenitude diante dessa imensidão. Eu tenho sorte e consigo uma foto bem de perto, enquanto o imenso pássaro sobrevoa o vale sob o céu azul.

O Cânion do Colca e o majestoso voo do condor

As estradas de terra batida do cânion.

O Cânion do Colca e o majestoso voo do condor

O condor em um lindo voo rasante.

No caminho de volta você conhecerá Maca, um pequeno vilarejo que sofreu durante anos com a erupção do Quehuisha. O vulcão começou lentamente a soltar fumaça e cinzas em um processo de erupção que durou mais de um ano e atingiu fortemente a cidade. Com isso, centenas de moradores tiveram que abandonar as suas casas neste período. Ainda hoje, vemos as evidências da destruição causada pelo vulcão.

Deixo o Cânion do Colca por uma estrada longa, com poucas curvas e que corta o Parque Nacional de Aguada Blanca. Este, quase sempre está coberto pelo gelo. Ele é a morada de lhamas e vicunhas selvagens, essas últimas protegidas pelo governo peruano.

O Cânion do Colca e o majestoso voo do condor

Vicunhas do Parque Nacional Aguada Blanca.

Planeje sua viagem para Arequipa

Quem leva | Você pode escolher entre uma das agências que funcionam ao redor da Plaza de Armas para reservar seu passeio. Mas, caso queira fazer isso com antecedência, veja essa lista com boas opções.

Quando ir | De forma geral, as temperaturas de Arequipa são amenas, com termômetros oscilando entre 10 e 24 graus o ano todo. Um ponto positivo da cidade é que ela tem mais de 300 dias de sol por ano. No verão, de novembro a abril, a temperatura gira em torno dos 20 graus. Enquanto no inverno, os termômetros variam entre 5 e 9 graus. As chuvas são mais frequentes de janeiro a março, quando chove praticamente todos os dias.

A melhor época para programar uma viagem para Arequipa é de novembro a abril. Mas, os meses ideais são dezembro e janeiro. Em agosto, a cidade celebra o aniversário de sua fundação espanhola com feiras, fogos de artifício e brigas de touros. Nessa época faz frio especialmente durante as noites.

Como chegar | Uma viagem de carro de Lima a Arequipa pode ser longa o suficiente para lhe deixar entediado. São mais mil quilômetros de estrada saindo do nível do mar até uma altitude de 2.380 metros. Esse roteiro pode ficar mais interessante se você tiver tempo e disposição para fazer paradas estratégicas. Paradas como em Paracas, Nazca, Ica e outros vilarejos pelo caminho.

A maneira mais fácil de chegar a Arequipa é de avião. Ou seja, você aterrisa no Aeroporto Rodriguez Ballon (AQP), a oito quilômetros do Centro. Um táxi do aeroporto para a Plaza de Armas custa em torno de PEN 15. Veja a lista das principais empresas aéreas peruanas em: Companhias aéreas do Peru.

Há dois terminais de ônibus na cidade: o Terminal Terrestre e o Terminal Terrapuerto. Eles estão um ao lado do outro, a cerca de três quilômetros do Centro Histórico. Um táxi até aqui custa cerca de PEN 8. Para saber quais as principais operadoras de ônibus que chegam aqui leia: Empresas de ônibus no Peru.

Onde ficar | Para quem vai fazer o bate-volta até o Cânion do Colca, a melhor opção é ficar hospedado ao redor da Plaza de Armas, em Arequipa. A praça fica perto de tudo, e justamente por isso paga-se um pouco mais. Naturalmente, à medida em que se afasta da praça, é fácil encontrar opções mais baratas.

Os hostels são opções mais em conta para se hospedar. A maioria funciona em casarões coloniais antigos, muito bem conservados e simpáticos.

Saúde | O seguro viagem não é obrigatório, mas eu não aconselho que você viaje sem ele, já que é muito comum ser afetado pelo mal de altitude. Saiba como comprar seu seguro viagem com desconto. Veja mais dicas em: Dicas para cuidar de sua saúde no Peru.

Visto e documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no Peru por até 90 dias. Na chegada, você poderá apresentar a carteira de identidade, desde que ela tenha sido emitida há menos de dez anos e que esteja em bom estado de conservação, ou o passaporte.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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