Pedra do Ingá: mistério no interior da Paraíba

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Atualizado em 15 de agosto de 2018

O pequeno distrito de Pedra Lavrada, no agreste paraibano, guarda um enigma que nem pesquisadores e nem o mais curioso dos homens foi capaz de solucionar. Conhecida popularmente como Pedra do Ingá, a dona de tal mistério tem dezenas de imagens rupestres esculpidas ao longo de seus 24 metros de comprimento.

São figuras que aparentemente não fazem muito sentido, mas estudos comparativos revelaram que algumas inscrições encontradas aqui são semelhantes aos desenhos feitos pelos povos da Ilha de Páscoa, no Chile.

Com tanta importância assim, Ingá – cidade onde está o distrito de Pedra Lavrada – entrou no meu roteiro quando vi uma reportagem sobre a Itaquatiara. Naquela ocasião, me prometi que quando visitasse a Paraíba, eu iria ver de perto essa maravilha.

ORIGEM DO NOME ITAQUATIARA

O termo itacoatiara vem da língua tupi: itá (pedra) e kûatiara (riscada ou pintada). De acordo com a tradição, quando os índios potiguares foram indagados pelos colonizadores europeus sobre o que significavam os sinais inscritos na rocha, eles usaram esse termo para se referir à pedra.

Pedra do Ingá

As figuras na parede de pedra.

Pedra do Ingá

A Pedra do Ingá.

Pedra do Ingá

Figuras que parecem não fazer sentido, mas que são semelhantes as da Ilha de Páscoa.

Há diversas teorias que tentam explicar os misteriosos desenhos da Pedra. Há quem defenda que eles serviam para ilustrar os ensinamentos passados pelos anciãos às gerações mais novas. Especula-se também que as figuras tenham sido feitas com seixos, pedras arredondadas encontradas perto de riachos. Essa teoria ganhou mais força depois que um pesquisador conseguiu fazer um desenho muito semelhante aos originais usando uma pequena pedra encontrada na área.

Além dessas suposições, há quem defenda que os desenhos foram feitos por extraterrestres e até pelos incas que, segundo os defensores desta teoria, dominavam a técnica de amolecer pedras.

Independentemente do que representavam, de quem os fez e como foram feitos, as figuras guardam informações importantes sobre o cotidiano do homem pré-histórico que aqui viveu, e estar de frente a esta preciosidade é um privilégio.

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Ilustração do artista Vanderley de Brito mostra uma das teorias do uso da Pedra.

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Diferente de outras obras rupestres, essas foram esculpidas em baixo relevo.

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O estudo que provou ser possível fazer as figura com seixos.

A Pedra do Ingá foi o primeiro sítio arqueológico brasileiro a ser protegido, mas a estrutura turística que o envolve ainda é precária: há apenas o prédio do Museu de História Natural, que tem objetos sobre as pesquisas desenvolvidas no entorno, fósseis e a réplica de uma múmia; e uma pequena lanchonete que funciona apenas no turno da manhã.

As inscrições estão concentradas na parede da rocha, mas também aparecem no chão e sobre ela. Expostas ao sol, ao vento e à chuva as inscrições sofrem ainda mais quando o rio Bacamarte enche e encobre a Pedra.

Mas isso não é motivo de preocupação, já que os desenhos persistem aqui há séculos. O problema é que moradores e visitantes usam o lugar como balneário e, como não há vigilantes e nem uma delimitação coerente da área a ser protegida, é fácil pisar sobre os desenhos.

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O pequeno museu de Ingá.

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A única sala do museu que tem fósseis e a réplica de uma múmia.

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Esqueleto em posição fetal encontrado na região do cariri.

Como não há muito o que fazer aqui, a minha visita é rápida, cerca de 30 minutos. Intrigado com o que acabo de ver, sento na margem do rio para me refrescar do calor paraibano. Com os pés na água, me distraio com peixinhos que beliscam meus dedos e me fazem relaxar.

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O rio Bacamarte.

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Os peixinhos que me fizeram relaxar.

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Como Chegar | A Pedra do Ingá fica a 87 quilômetros da capital paraibana. Para chegar aqui você pode pegar um ônibus na rodoviária de João Pessoa. A Real Bus cobra R$ 18 e o ônibus para na BR-230, a poucos metros da entrada da cidade. Na rodovia há moto-táxis que fazem o resto da viagem até à Pedra do Ingá, por R$ 15. A viação Rio Tinto faz o trecho de João Pessoa até o Centro de Ingá.

De carro, partindo e João Pessoa, a viagem é feita pela BR-230 até o quilômetro 118. Daqui você deve seguir pela PB-095 por mais cinco quilômetros até Ingá. O distrito de Pedra Lavrada fica a seis quilômetros do Centro da cidade. Todo o trajeto é feito em estradas asfaltadas e bem sinalizadas.

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A estrada que nos leva à Pedra do Ingá.

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Quando ir | A Pedra do Ingá pode ser visitada o ano inteiro, de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 13h às 16h. Aos sábados, domingos e feriados as visitas acontecem das 9h às 13h. Nessa região o clima é sempre úmido e quente, e as temperaturas variam entre 22 e 35 graus.

Quanto custa | A entrada no sítio arqueológico e no museu é gratuita.

Onde ficar | Como não há muitos atrativos em Ingá, você pode fazer um bate-volta saindo de João Pessoa ou ficar em Campina Grande, que está a apenas 35 quilômetros. Em João Pessoa eu me hospedei no Hotel Ibis. Ele fica no final da Praia de Cabo Branco, numa região tranquila e bem perto da Ponta do Seixas, o emblemático ponto mais oriental do continente americano. Aqui há boas opções de restaurantes e a praia é super agradável.

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Minha viagem à Paraíba teve o apoio do Hotel Ibis João Pessoa e da Edelman Significa. Veja outras matérias produzidas nessa viagem e utilize a tag #PNEParaíba para acessar todo o conteúdo publicado nas redes sociais.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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