Cavernas na Chapada dos Guimarães

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Atualizado em 11 de abril de 2018

No coração do Brasil, a natureza esculpiu as formas que resultaram na Chapada dos Guimarães, um dos lugares mais bonitos que já visitei no meu país. Aqui, no complexo de cavernas Aroe Jari, que na linguagem indígena significa morada das almas, visitei também a Gruta da Lagoa Azul e Kiogo Brado. Todas essas cavernas estão dentro de uma área particular, a Fazenda Água Fria, que fica a 46 quilômetros da pequena cidade de Chapada dos Guimarães. É aqui, sob um sol escandante, que começa minha aventura de desbravar cavernas na Chapada dos Guimarães.

A trilha tem cerca de seis quilômetros em meio ao cerrado, com um pequeno trecho de mata ciliar. No caminho encontro algumas pontes e uma nascente com uma pequena cachoeira onde posso beber água fresca e limpa. Nesta rota também estão árvores centenárias, como um imenso Jatobá com mais de 350 anos. Olho para o alto e tento abraça-lo. Esse contato me faz sentir-se pequeno diante de tanta grandeza.

Estou em um ambiente selvagem onde animais de várias espécies vivem livres, e já nos primeiros metros de caminhada avisto pegadas de onça pela trilha. Pelo tamanho, o rastro parece de uma onça parda, muito comum nesta região. Frequentes também são os encontros as cobras e aranhas, por isso uso uma caneleira que pode evitar desagradáveis incidentes.

cavernas na Chapada dos Guimarães

A Ponte de Pedra.

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Pegadas na trilha: provavelmente uma onça parda passou por aqui.

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Natureza: um abraço no jatobá com mais de 350 anos.

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Caneleiras para nos proteger das cobras.

Cavernas na Chapada dos Guimarães

Aroe Jari | Esta é a maior caverna de arenito do Brasil, com mais de 1500 metros de extensão. Sua entrada principal tem dez metros de altura e 60 de largura. É realmente grande.  Não é possível atravessá-la sem equipamentos e autorização especiais, já que é uma caverna inundada. O que todo visitante pode fazer tranquilamente, é caminhar até o primeiro salão, onde corre um pequeno riacho.

Gruta da Lagoa Azul | Ela é, na verdade, uma das entradas para a gigantesca Aroe Jari. Mas, aqui, o grande barato é contemplar o lago natural que ganha tons azulados quando os raios solares entram pela caverna. Então, fique esperto, pois o melhor horário para apreciar essa beleza natural é por volta das 11h. Sem sol não haverá nada de muito interessante.

Infelizmente – infelizmente mesmo – não é permitido entrar no lago. Apenas os animais que vivem por aqui têm esse privilégio, como uma anta que rotineiramente vem se refrescar nessa águas.

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Entrada da caverna Aroe Jari.

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De frente para a Lagoa Azul.

Kiogo Brado | Esta caverna, cujo nome significa ninho das aves, foi aberta para visitação em abril de 2013, mas quem vive na região acredita que ela será fechada novamente. Como o arenito é frágil, a caverna está em constante transformação: placas de pedras se soltam do teto com facilidade e o chão parece se abrir onde corre um pequeno riacho.

A Kiogo Brado fica a poucos metros da Gruta da Lagoa Azul e é realmente impressionante. Sua entrada tem pelo menos 30 metros de altura e parece uma enorme catedral, por onde caminho com segurança, sempre próximo às paredes, mas sem tocá-las.

Para atravessá-la totalmente percorro 270 metros sobre um solo instável e com pouca iluminação. Os raios de luz entram pelas extremidades formando uma penumbra que colabora para a formação deste cenário tão intrigante. Na saída, um amontoado de gigantescas pedras dá mais uma evidência de que tudo aqui está em permanente movimentação.

Cachoeira do Relógio | Depois de uma longa – mas prazerosa – caminhada, aproveito para relaxar e me refrescar nas águas geladas da Cachoeira do Relógio – ou Cachoeira do Almiscar. Basta virar à direita, antes da porteira da Fazenda.

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O acesso atá à Kiogo Brado.

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Dentro da Kiogo Brado tudo parece frágil e em transformação.

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A Cachoeira do Relógio: água fria para um dia de caminhada.

Organize seu passeio pelas cavernas

Como chegar | O município de Chapada dos Guimarães fica a 115 quilômetros de Cuiabá. Da capital mato-grossense siga pela BR-251 que está duplicada e em ótimo estado de conservação: bem sinalizada e sem buracos. Depois, vire à esquerda na MT-020, que apesar de não estar duplicada, também é de fácil navegação com sinalização horizontal e vertical adequada. Aqui, aproveite para apreciar a bela paisagem. O acesso à Fazenda Água Fria é feito pela BR-251, a 46 quilômetros da sede da cidade.

Quando ir | O período de dezembro a março tem maior incidência de chuvas. De julho a outubro é a época de seca, com altas temperaturas e possibilidade de queimadas. Nesse período o calor será seu companheiro mais fiel. No inverno, entre maio e agosto, não deixe de trazer um casaco já que as temperaturas mínimas beiram os dez graus. Durante todo o ano as máximas ultrapassam os 25 graus, alcançando mais de 30 graus com frequência.

O passeio pelas cavernas deve ser feito pela manhã, já que você vai precisar de, pelo menos, cinco horas para fazer todo o trajeto, incluindo as paradas para observação e fotos.

Quanto custa | A entrada na Fazenda Água Fria custa R$ 30 e o almoço custa R$ 25. Se não quiser fazer toda a caminhada pela trilha, você pode fazer parte do percurso de trator pagando R$ 10.

A visita às cavernas só é permitida com acompanhamento de um guia. Eu contratei a guia Alinne Assunção que demonstrou conhecimento e habilidades necessárias para conduzir o grupo. Estávamos em três pessoas e pagamos R$ 200 para ter exclusividade, seguindo o roteiro que queríamos no tempo que desejássemos. Você pode encontrar outros condutores aqui.

A Fazenda também oferece serviço de condutor. O preço para duas pessoas é R$ 120 e já inclui o valor da entrada.

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Trator que faz parte da trilha: nada de conforto, mas aventura de sobra.

Onde ficar | O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães não tem alojamento para visitantes e não é permitido acampar dentro dos limites do Parque. Eu me hospedei na Pousada Bom Jardim, que ficam bem no centrinho e paguei R$ 190 por um quarto triplo.

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Onde comer | Não deixe de comer no Cantinho da Gula que tem caldo de piranha por R$ 15 e espetinho especial que acompanha arroz, feijão tropeiro, farofa, aipim com preços de R$ 14,80 a R$ 23,80.  Rua Vereador José Souza Neves, próximo à pracinha.

O que levar | Não esqueça de levar água e alguns lanches para comer no caminho. Use protetor solar, roupas leves, tênis e leve um boné ou chapéu. Uma lanterna e uma máquina fotográfica também não caem nada mal.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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