A casa de Chica da Silva, em Diamantina

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Atualizado em 22 de fevereiro de 2018

Chica da Silva era uma escrava como outra qualquer. Isso até que o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira se apaixonasse perdidamente pela mulata de belas curvas. Amasiada com o rico homem, a ex-escrava ganha uma posição social que jamais tinha sido atribuída a um afro-descendente. Assim, Chica da Silva deixa a senzala e passa a fazer parte da vida social da cidade.

Sua casa, uma construção imponente que lhe foi dada de presente por seu quase marido, já passou por quatro restauros desde 1949. Depois disso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a incluiu na lista das Belas Artes brasileiras. Na Casa de Chica da Silva chamam atenção os espaços grandiosos com várias sacadas de onde é possível avistar a torre da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que foi financiada por ela para que os escravos pudessem participar das missas.

Chica parecia ser uma mulher religiosa, apesar de ter sido considerada uma pervertida. Além de construir a Igreja do Carmo, ao lado de sua casa foi construída uma pequena capela para uso exclusivo de Chica. Infelizmente, o pequeno templo religioso foi demolido e hoje só resta a fachada.

A Casa de Chica da Silva

Fachada da casa onde morou Chica da Silva.

Casa de Chica da Silva

Vista da sacada da Casa de Chica da Silva.

Casa de Chica da Silva

O jardim-pomar onde Chica criou seus 14 filhos.

Casa de Chica da Silva

Chica como a podemos imaginar.

Outra preciosidade é o jardim-pomar por onde Chica da Silva costumava caminhar durante as tardes mais quentes. Construído em degraus com pedras sobrepostas, esse espaço verde ocupa uma grande área no fundo da casa. Passear por seus caminhos estreitos me fez viajar e imaginar a rotina de Chica rodeada por seus 14 filhos – um deles nascido antes dela se juntar com João.

A casa abriga ainda uma exposição permanente do artista plástico Marcial Ávila que retrata em óleo sobre tela as imagens que Chica foi capaz de construir no imaginário popular. A negra que lucrou com a escravidão e que sempre esteve envolvida em polêmicas é mito e verdade no casarão que guarda a sua história.

Francisca da Silva de Oliveira morreu em 1796 e foi sepultada na igreja de São Francisco de Assis, privilégio reservado apenas aos brancos ricos.

Casa de Chica da Silva

O pátio e a lateral da Casa de Chica da Silva.

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A sala de jantar que tem vista para o jardim-pomar.

Programe sua visita à Casa de Chica da Silva

Como chegar | A Casa de Chica da Silva fica na Praça Lobo de Mesquita, 266, no Centro de Diamantina. Para chegar à cidade, partindo de Belo Horizonte, o acesso é feito pela BR-040, BR-135 e BR-259 . Partindo de São Paulo, a viagem é feita pela BR-381. As empresas de ônibus que fazem a rota até Diamantina são a Pássaro Verde e a Gontijo.

Quando ir | O casarão fica aberto a visitação de terça a sábado, das 12h às 17h30 e domingo, 9h às 12h. A entrada é gratuita.

Pra saber mais | A historiadora Júnia Ferreira Furtado lançou, em 2009, uma biografia resultado de uma completa pesquisa sobre a vida desse mito. Chica da Silva e o contratador de diamantes: o outro lado do mito nos ajuda a descobrir, com detalhes, como era a vida dessa personagem histórica.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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