O Centro Histórico de Diamantina

1

Atualizado em 22 de fevereiro de 2018

É só seguir esta ladeira toda vida que você chega na Catedral”. Essas foram as primeiras palavras que ouvi ao chegar ao Centro Histórico de Diamantina, hoje às 4h36. Para quem veio à cidade a passeio, gastar uma vida inteira descendo uma ladeira pode parecer desanimador, mas não me espanto. Exagero é coisa de mineiro.

O sol ainda não tinha aparecido quando comecei a andar pelas ruas do Centro Histórico. A primeira estranheza é a pavimentação das ruas. Mantidas as características de sua fundação, Diamantina é coberta por placas de pedras que por vezes desempenham a função da sinalização horizontal. Não demora muito para os primeiros casarios especialmente bem cuidados aparecerem. Deles seguem ruas e becos, e a iluminação pública adota o enredo arquitetônico clássico acompanhando as fachadas. O comércio parece aquecido o ano inteiro: em cada um das portinhas lê-se uma placa muito bem ajustada à realidade da cidade.

O nascer do sol em Diamantina.

Igreja São Francisco de Assis.

A Catedral Metropolitana de Diamatina.

Cada canto, um pedaço do passado

As igrejas, espalhadas pelos cantos da cidade, contam cada uma a sua própria história. A do Carmo, por exemplo, foi construída a pedido da escrava rainha Chica da Silva. Ela tem a torre do sino na parte de trás da construção. Nos conta a história que, no período colonial, os escravos eram impedidos de passar por debaixo do sino, portanto estavam impedidos de ir à missa. Com a construção de Chica, isso não era mais problema.

O mercado antigo, logo ali ao lado da Catedral é, desde 1835, um dos principais pontos de comércio da cidade. Ali, os tropeiros vendiam ou trocavam seus produtos pelo precioso ouro e diamante. Do lado de fora eram comercializados os animais trazidos de outras terras. A Casa do Muxarabiê, que hoje abriga a Biblioteca do IPHAN, é no mínimo curiosa. Uma das sacadas foi construída especialmente para que fosse possível observar o movimento na rua sem ser percebido (um Big Brother do Século XVIII). A cidade é encantadora: Arte, religião e história não se separam – unidas há séculos, basta botar o pé na rua para elas acompanharem as suas pegadas.

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

A Casa do Muxarabiê.

Aqui o sol nasce por de trás das montanhas e vai, aos poucos, revelando as belezas da cidade. O crepúsculo, com sua mistura de cores, pinta o céu de Diamantina. O dia amanhece. A cidade ganha vida e suas ruas movimento. Estamos na semana JK, que comemora os 50 anos de Brasília e uma série de outros feitos do ex-presidente sonhador. Juscelino é fruto desta terra.

Muitos são os atrativos turísticos de Diamantina. Apenas no Centro Histórico gasta-se, pelo menos, dois dias para conhecer as igrejas, prédios públicos, casarios e afins. A Casa de JK é o local ideal para começar conhecendo o início da história do político e do homem Juscelino. Na casa onde morou, hoje transformada em museu, estão organizados os utensílios da família e o quarto de JK, como realmente era. O prédio abriga, ainda, um modesto acervo dos primeiros planos de JK para aquele que seria o seu maior feito: a construção da capital federal, Brasília.

Fachada da Casa de JK.

Cozinha da Casa de JK.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

1 comentário

  1. Avatar

    Oi.
    Meu sonho é levar essa vida que você leva… rs
    Achei seu blog por acaso porque estou em Diamantina também. Inclusive ajudo na coordenação da Semana JK.

    Quarta-Feira tem Lô Borges, sabia?
    Boas descobertas para você. 🙂

Escreva um comentário