O artesanato de Bichinho e a arte de Toti

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Atualizado em 22 de fevereiro de 2018

Oficialmente ele é Vitoriano Veloso, mas todo mundo conhece esse distrito de Prados, em Minas Gerais, como Bichinho. E é assim que ele ficou famoso ao produzir e espalhar por todo o país um tipo de artesanato bastante peculiar e de muito bom gosto.

Para perceber a importância que esse artesanato tem na vida desse povoado, só preciso caminhar poucos metros. Hoje, a cidade é um bando de casas antigas que se transformaram em lojinhas e fabriquetas de produtos artesanais que vão de doces caseiros a bordados, pinturas e esculturas mais elaboradas. Aqui, as peças e pinturas nascem do aproveitamento de materiais de demolição como madeira, ferro, lata, plásticos e tecidos.

É aqui também, um pouco afastada do centro, que está a Oficina de Agosto, um grande ateliê onde o artista plástico Toti, que trocou Embu das Artes pelo pequeno povoado mineiro, cria suas preciosas obras.

Toti é um daqueles homens com alma de artista e é fácil perceber que o produto de seu trabalho é mais do que o resultado de um ofício. Esse paulista que se apaixonou pelas belezas de Minas Gerais parece emprestar um pouco de sua vida às suas obras e assim ele espalha seu jeito simples de viver para os quatro cantos do mundo.

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O artesanato de Bichinho.

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Parte das casas antigas viraram lojas de artesanato.

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A maioria das peças é feita com material aproveitado de demolição.

Foi com sua forma de pensar que Toti me impressionou em dois momentos: o primeiro, ainda em seu ateliê, foi quando vi uma folha pendurara em um varal improvisado onde li: “paz, saúde, uma casinha e uma comidinha boa todos os dias…”. Assim, Toti resumia o que queria da vida.

O segundo momento, esse já em Tiradentes, foi na casa do artesão. Próximo à campainha há um aviso para não insistir depois de três vezes. Toti parece ser um sujeito que pratica a arte de procrastinar. Para ele, sempre há coisas mais importantes a serem feitas e decididas. Quando teve que escolher o nome de sua marca e de seu ateliê, por exemplo, ele preferiu não gastar energias e simplesmente escolheu agosto, o mês vigente na ocasião.

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O nascimento das peças de Toti na Oficina de Agosto.

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Uma das artesãs dá cor às peças.

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De Bichinho para o mundo: o artista tem loja em São Paulo e vendo para vários países.

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Artista: o pensamento que reflete o estilo de vida de Toti.

Para conhecer o artesanato a Bichinho

Como chegar | Bichinho fica entre as cidades de Tiradentes e Prados. Para quem sai de Tiradentes, são 8 quilômetros de estrada com trechos sem calçamento. Para quem sai de Prados, são cerca de 12 quilômetros em estrada de terra. A empresa que faz esse trajeto de ônibus é a Vale do Ouro, que atende pelo telefone (32) 3371-5119.

Quando ir | Os meses mais frios são junho e julho, quando as temperaturas chegam aos 10 graus. Entre outubro e fevereiro as chuvas são mais frequentes, com destaque para os meses de dezembro e janeiro.

Onde comer | O Restaurante Tempero da Ângela é uma boa opção em Bichinho. A comida é preparada em fogão a lenha e sempre há muita variedade: feijão tropeiro, pernil assado, tutu à mineira, frango com quiabo, costelinha com canjiquinha, verduras produzidas na horta e muito mais. O serf service sem balança custa R$ 20. O restaurante não aceito cartões de crédito. Rua Jaques Bonifácio, 62 – Centro.

Onde ficar | A maioria das pessoas que vem a Bichinho fica hospedada em Tiradentes, mas se a sua escolha for diferente, aqui você pode encontrar a lista de pousadas de Bichinho.

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Fachada do restaurante.

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Fartura: o fogão a lenha e o self service sem balança nos fazem pecar.

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O acesso a Prados.

* Minha viagem a Bichinho aconteceu a convite do Instituto Estrada Real e teve o apoio da Bancobras. Outros seis blogs também participaram, são eles: Dentro do MochilãoSegredos de ViagemTerritóriosTrilhas e AventurasViajando com Eles e Viagens Cinematográficas. Para acessar todo o conteúdo publicado, utilize a #BlogueirosnaER.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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