O Centro Histórico de São Luís

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Atualizado em 13 de dezembro de 2017

Para visitar o Centro Histórico de São Luís é preciso se desfazer de qualquer imagem de cidade colonial que você tenha. Se vier para cá achando que vai encontrar algo como as cidades históricas de Minas Gerais, especialmente Ouro Preto e Diamantina, ou até mesmo a pequena cidade de Goiás, no interior do estado homônimo, você vai se decepcionar.

Pouco cuidado e com vários prédios precisando de restauro, o Centro Histórico de São Luís – Patrimônio Mundial da Humanidade – nem sempre é visto com bons olhos por quem chega aqui. Mas talvez isso tenha uma explicação: as peculiaridades das diferentes regiões brasileiras não podem ser ignoradas, e comparar qualquer lugar com outro é um erro primário. Para entender um pouco como isso funciona é preciso saber, por exemplo, que no Maranhão há apenas duas estações no ano: a da seca e a da chuva. Assim, expostas ao vento e à chuva por quase seis meses as construções históricas se degradam num ritmo muito mais rápido do que a burocracia exigida para seu restauro e manutenção.

Centro Histórico de São Luís

Uma das ruas do Centro Histórico de São Luís.

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Alguns prédios carecem de manutenção e restauro.

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Os sinais do tempo e do clima maranhense.

Apesar disso, caminhar por essas ruas estreitas e ver os prédios que guardam parte da história da cidade e do nosso país é uma experiência prazerosa. Durante o dia ou à noite, o Centro Histórico de São Luís sempre tem uma atração para lhe entreter.

Eu cheguei cedo e fiz uma gostosa caminhada passando pelo Museu Histórico e Artístico do Maranhão, que funciona num casarão do século 19 (Rua do Sol, 302. Entrada: R$ 5). Daqui eu visitei a Fonte do Ribeirão, onde a população se abastecia com água potável (Rua do Ribeirão, S/Nº. Entrada gratuita).

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Fachada do Museu.

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Fonte do Ribeirão

Sigo, então, para o Teatro Arthur Azevedo cujas primeiras ideias para sua construção surgiram ainda em 1815. O nome, que veio bem mais tarde, é uma homenagem a um importante teatrólogo maranhense. Eu não consegui, mas se quiser, você pode conhecer o interior do teatro. (Rua do Sol, S/Nº. A visita guiada custa R$ 2, de segunda a sexta, das 14h às 16h).

Depois de almoçar frutos do mar e de experimentar o saboroso arroz de cuxá no famoso e requintado restaurante do Senac, eu visitei o Museu de Arte Sacra (Rua Treze de Maio, 500. Entrada R$ 2) e fiz uma visita guiada pelo Palácio dos Leões, a sede do governo maranhense.

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O Museu de Arte Sacra funciona ao lado da Igreja da Sé.

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O Palácio dos Leões.

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Arroz de Cuxá – delicioso – e os frutos do mar.

Antes que o dia acabasse, eu ainda passei pela Casa do Maranhão, que funciona num imenso casarão e tem objetos que contam as raízes da cultura do Bumba Meu Boi, a principal atração das festas de São João no estado, e muitos outros temas importantes (Rua do Trapiche, S/Nº. Entrada gratuita).

Outro museu muito interessante é o Museu dos Dinossauros. Aqui, não deixe de fazer uma visita guiada e entenda porque esta região do país é tão importante para a pesquisa paleontológico mundial. Apesar de pequeno, o museu vale a visita (Rua do Giz, 59. Entrada R$ 5).

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Exposição da Casa do Maranhão.

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Parte do acervo do Museu dos Dinossauros.

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As réplicas são incríveis.

Passar pelo Mercado das Tulhas é uma experiência antropológica. Aqui, enquanto alguns comem e bebem tranquilamente, pequenos comércios vendem de tudo um pouco. É tudo muito simples, mas muito rico para quem tem um olhar aguçado para os detalhes da vida cotidiana (Rua da Estrela, S/Nº, Entrada gratuita).

Aqui perto está a Rua Portugal onde ficam os prédios que têm suas paredes cobertas por legítimos azulejos portugueses. Eu tenho certeza que você vai querer tirar uma foto aqui.

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Fachada do Mercado das Tulhas.

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Alguns produtos vendidos aqui.

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A Rua Portugal.

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Os azulejos portugueses dos prédios históricos.

Antes do dia acabar, corra para a beira-mar para assistir o incrível pôr do sol sobre a junção do mar com o rio na Baía de São Marcos. É renovador. Quando a noite cair, volte para o Centro, como eu fiz, e assista o espetáculo do Tambor de Crioula. Essa manifestação cultural imortalizada em gerações de quilombolas tem um ritmo africano em danças e cantos que lembram o passado da escravidão.

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O pôr do sol de São Luís.

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Tambor de Crioula: manifestação cultural quilombola.

Planeje sua visita ao Centro Histórico de São Luís

Como chegar | Pegue qualquer ônibus que tenha acesso ao Terminal da Praia Grande ou que passe em frente a ele. Desça e atravesse para o outro lado da Avenida Vitorino Freire. Pronto, você já está no Centro Histórico.

Cuidados | Fique esperto com seus objetos pessoais e evite ostentar objetos que chamam a atenção de oportunistas, como câmeras, celulares e joias, e mantenha sua bolsa ou mochila sempre bem próxima de você. Á noite, evite ruas mais desertas e escuras. Use um calçado confortável e roupas leves. Não se esqueça do protetor solar e de se hidratar.

Saiba mais | Se quiser conhecer outros lugares de São Luis, dê uma olhada em: 9 dicas do que fazer em São Luis do Maranhão.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

14 Comentários

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    Adorei !
    Sou maranhense e moro próximo a São Luis. Uma das minhas maiores diversões ao visitar a ilha não é it a praia, é visitar o centro histórico da cidade e reviver a historia do meu estado.

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    Sou maranhense natural de São Luis e tenho o seguinte estereótipo da cidade: para quem vem a passeio tudo é muito lindo e maravilhoso, porém, a quem vive 41 anos como é meu caso, não vejo nada belo. Uma cidade repleta de problemas crônicos e inclusive históricos. Por insuficiência mental de portugueses a cidade foi fundada totalmente sem planejamento ocasionando hoje distúrbios em sua mobilidade urbana. Um estado mais pobre da federação, a capital muito pior que muitos interiores de estados das regiões sul e sudeste, está na 19ª de cidade MAIS VIOLENTA DO PLANETA, acreditem não há nada a comemorar…………………………….

    • Altier Moulin

      Oi Fabio,

      Discordo, em partes, de você. Sempre teremos o que comemorar e, claro, sempre teremos o que melhorar. Os problemas de São Luís não são exclusivos da cidade.
      Não sei se você já visitou outras cidades históricas do país, mas quase todas precisam de restauro e de cuidados. Esse é um mal do nosso país.
      São Luis realmente não é a cidade mais linda que conheci, mas, sem dúvida, sua história, desenhada nas ruas do Centro Histórico e nos azulejos das fachadas, e sua cultura, com o ápice no Bumba-meu-boin deveria ser orgulho de todos os maranhenses porque isso não existe em nenhum outro lugar do mundo.

      Um abraço.

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    Oi, Altier Moulin. Gostei demais de suas dicas. Vou em outubro p / São Luís e ficarei hospedado no Centro Histórico. Meu receio maior é com minha segurança, talvez isso se dê por conta do sensacionalismo da imprensa e de alguns turistas. Gostaria de saber se dá para circular tranquilamente pela cidade durante o dia e como faço para me locomover Centro Histórico-centro da cidade-Centro Histórico.

    Grato

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    Adorei as discas Altier! Foi o melhor roteiro que li sobre o sítio histórico do Maranhão! Estarei na cidade amanhã e vou tentar seguir seus passos! kakakaka! Valeu, obrigada!

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    Eu quero conhecer os lençóis maranhenses e fiz várias pesquisas e a sua foi a melhor de todas,só fiquei com uma dúvida eu ir ora passa o fim de semana mas vi que vende camarão e o centro q vc visitou,a dúvida e todos esses lugares funcionam no fim de semana ou só de segunda a sexta-feira?só faltou fala sobre isso , abraços.

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