O Cânion do Sussuapara e a cascata dos desejos

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Atualizado em 19 de fevereiro de 2018

O Cânion do Sussuapara – que também é chamado de Cachoeira do Sussuapara – fica a 20 quilômetros de Ponte Alta do Tocantins. Essa cidadezinha também serve de base para os passeios do Jalapão. Aqui, paredões de rocha arenítica com 15 metros de altura se abrem para dar passagem à pequena cascata que dizem realizar desejos. Basta você entrar debaixo da queda d’água, fechar os olhos e ter pensamento positivo.

CLIQUE PARA SABER MAIS SOBRE O JALAPÃO

O Jalapão é uma região de exuberante beleza natural no interior do Tocantins. Fica na divisa com os estados da Bahia, do Piauí e do Maranhão. Oficialmente estabelecido como Parque Estadual em 2001, nos últimos anos, ele tem ganhado fama entre viajantes. É ideal para quem admira a natureza em seu estado mais bruto e sem muita interferência humana.

Nessa terra que ainda tem muito a nos mostrar, a maneira mais confortável e segura de viajar é a bordo de um veículo 4×4. Durante o período de seca a areia fica fofa demais e, na chuva, alguns trechos da estrada podem estar danificados.

O coração do deserto brasileiro, como também é conhecido, tem 34 mil quilômetros quadrados. Ele abrange terras nos municípios de Mateiros, Novo Acordo, Ponte Alta do Tocantins e São Félix do Tocantins.

O Parque Estadual do Jalapão faz parte de um mosaico de unidades de conservação. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, soma mais de três milhões de hectares, o que faz dele a maior área de proteção do cerrado no país.

Entre as áreas ambientalmente protegidas estão, além do Parque Estadual do Jalapão, a Estação Ecológica Serras Gerais do Tocantins, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão, o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, o Monumento Natural dos Cânions e Corredeiras do Rio Sono e a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da Serra da Catedral.

O Jalapão tem esse nome por causa de uma raiz muito comum nessa região, a jalapa. Como muitas outras plantas do cerrado, ela é usada como um remédio natural.

Quem vê o Cânion do Sussuapara, hoje, nem imagina que toda a grande área cercada por paredões já foi coberta pela água. Os moradores mais antigos contam que o lago era bem fundo. Com o tempo, a areia trazida pelo rio foi aterrando o  poço e, atualmente, a gente pode andar sobre ele sem molhar os pés.

O Cânion do Sussuapara e a cascata dos desejos

A abertura da rocha que forma o cânion.

O Cânion do Sussuapara e a cascata dos desejos

A fenda por onde corre o Rio Sussuapara.

Outra história contada pelo povo de Ponte Alta diz respeito ao nome do cânion. Dizem que nessa região era comum ver muitos veados-galheiros, que na língua tupi é suçuapara. Provavelmente, eles eram atraídos pela fartura de água. Por causa da caça, avistar um animal desses por aqui, agora, ficou bem mais difícil.

O Cânion do Sussuapara e a cascata dos desejos

A pequena cascata que dizem realizar desejos.

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A água brota da pedra e parece chuva constante dentro do cânion.

O Cânion do Sussuapara e a cascata dos desejos

A água que corta o arenito.

Nos paredões úmidos, onde a água desce pelas raízes das árvores, crescem samambaias e musgos, vegetação muito diferente da que se vê no restante do Jalapão. Aqui, dentro da fenda aberta na rocha, o clima é bem mais agradável do que o calor sufocante do deserto brasileiro, e a gente pode, sem medo, saciar nossa sede da forma mais natural possível.

Planeje sua viagem ao Cânion do Sussuapara

Quanto custa | A entrada no Cânion do Sussuapara é gratuita.

Quando ir | Você pode visitar o Cânion do Sussuapara o ano todo, mas o melhor período é de maio a outubro, sendo que os meses mais interessantes são de junho a setembro. Outubro é o mês mais quente. Em julho e nos feriados, a chance de encontrar os atrativos lotados é maior. As chuvas são mais frequentes de novembro a abril, mas são raros os dias de chuva constante.

Quem leva | Eu viajei com a Cerrado Dourado e percebi que o serviço deles é um dos melhores do Jalapão. O veículo tem ar-condicionado, é confortável e espaçoso. As pousadas e as paradas para almoço e jantar são escolhidas pela qualidade. As informações e as dicas do guia também foram essenciais para que eu entendesse melhor esse lugar.

O Cânion do Sussuapara e a cascata dos desejos

Placa indicando a entrada da trilha.

Como chegar | Ponte Alta do Tocantins fica a 150 quilômetros de Palmas. De carro, a viagem é feita pelas rodovias TO-030 e TO-130. Da rodoviária de Palmas partem os ônibus da empresa Ponte Alta (que não vende passagens pela internet) e, também, vans que fazem o trajeto. As partidas são frequentes. Da cidade, você pode tomar um táxi até o Cânion Sussuapara. Da estrada ao cânion, você só precisará caminhar por cerca de 100 metros.

Muitos turistas que tentam visitar o Jalapão de forma independente acabam não aproveitando todos os atrativos e, na maioria das vezes, têm o carro atolado. Os problemas são tão frequentes que muitas locadoras de Palmas se recusam a alugar veículos para turistas que têm como destino o Jalapão. A justificativa é que, em caso de pane ou de acidentes, o guincho do seguro não chega aqui. Por isso, a melhor forma de chegar ao Jalapão é contratando uma agência que conheça bem a região.

Para planejar melhor sua viagem, leia Como é viajar pelo Jalapão de carro.

Vai alugar um carro?

Onde ficar | Em Palmas, eu me hospedei no MAC Hotel. Inaugurado recentemente, ele fica no centro, bem perto da Praça dos Girassóis, e tem quartos confortáveis e equipados com ar-condicionado – item essencial no Tocantins – televisão e internet. O café da manhã é básico, mas saboroso. Outro fator importante é que o preço das diárias cabe no nosso bolso. Se preferir, consulte outras opções de hospedagem na cidade.

Em Ponte Alta do Tocantins eu fiquei na Pousada Águas do Jalapão.

O que levar | Como aqui faz sol praticamente o ano inteiro, é indispensável trazer protetor solar, roupas leves e um boné ou chapéu. Repelente de insetos, sandálias, tênis confortável e uma garrafinha de água também devem estar em sua bagagem.

Minha viagem ao Jalapão teve o patrocínio de Cerrado Dourado.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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