Cinco dias na Chapada Diamantina: roteiro super completo – com preços

Atualizado em 7 de outubro de 2022 – 16 min de leitura

Cinco dias na Chapada Diamantina

Eu preciso ser sincero e dizer que é impossível passar cinco dias na Chapada Diamantina sem se apaixonar por este lugar.

Tudo neste cantinho da Bahia é acolhedor, revigorante, cheio de história e ainda tem uma beleza natural pouco vista em outras partes do nosso país.

Então, antes de prosseguir, vou dar algumas informações básicas para você entender melhor tudo o que vou explicar daqui para frente.

A Chapada Diamantina é uma região de serras que fica no centro da Bahia, onde foi criado, em 1985, o Parque Nacional da Chapada Diamantina, com 152 mil hectares. Só que suas riquezas naturais se estendem por uma área muito maior, que alcança 24 cidades.

Lençóis é considerada a capital da Chapada não apenas por uma questão histórica, mas também por ter a melhor infraestrutura turística.

→ Como chegar à Chapada Diamantina

A cidade fica a exatos 428 quilômetros da capital baiana, Salvador e, infelizmente, só é possível chegar a ela de carro ou de ônibus, já que o aeroporto de Lençóis deixou de operar e não há previsão para que aviões comerciais voltem a pousar e a decolar nele.

Cinco dias na Chapada Diamantina

Quando planejei minha viagem, uma das primeiras coisas de que me dei conta foi: não vai dar para conhecer toda a Chapada em apenas uma viagem.

Depois de ter absorvido essa realidade, me senti mais tranquilo para montar um roteiro possível para aproveitar – com o tempo que tinha – o que a Chapada tem a oferecer.

Meu planejamento foi feito considerando sete dias de viagem – um dia de viagem da minha cidade até Salvador, e de Salvador a Lençóis, e outro para fazer o caminho de volta. Então, eu teria cinco dias inteiros para conhecer um pouco do que é a Chapada Diamantina.

POR QUE ESCOLHER LENÇÓIS?

Como era minha primeira vez na Chapada, escolhi ficar na região de Lençóis – que é o que a maioria dos viajantes faz. Essa escolha não foi por acaso!

Como citei rapidamente, Lençóis tem a melhor infraestrutura turística especialmente para viajantes independentes que estão sem carro. Este era o meu caso: eu não queria alugar carro, mas queria a praticidade de ter tudo por perto quando precisasse.

Isso pode parecer irrelevante de início, mas você vai notar que estar bem localizado faz muita diferença, pois o transporte público entre algumas áreas da Chapada não é regular e, assim, tudo fica difícil e caro.

Além disso, ficar em Lençóis faz todo sentido para entender o contexto do lugar: cheias de restaurantes, bares e cafés, as ruas do Centro acabam sendo o ponto de encontro de todo mundo, e isso é excelente para quem viaja sozinho e para quem gosta de conhecer outros viajantes.

ORIGEM DO NOME LENÇÓIS

Há três versões para a origem do nome Lençóis. A mais aceita por historiadores diz que o nome surgiu por causa dos acampamentos dos garimpeiros, que chegaram à região a partir de 1845. Como não havia muitas casas, eles se abrigavam em tendas que, de longe, pareciam lençóis.

Outra versão diz que o nome nasceu devido à espuma branca que cobre os rios e riachos da região. A ideia é atribuída ao escritor Afrânio Peixoto, nascido em Lençóis, mas eu não consegui confirmar esta informação.

Cinco dias na Chapada Diamantina

A terceira versão conta que o nome Lençóis surgiu por causa das lavadeiras que estendiam as roupas sobre as pedras para quarar – uma técnica usada para deixar os tecidos mais claros a partir da exposição à luz solar.

É possível que você ouça as três versões para a origem do nome Lençóis, mas, como falei, a primeira é considerada oficial. É ela que está no material de divulgação turística da cidade e nas casas de memória que visitei.

Roteiro de cinco dias na Chapada Diamantina

Eu sempre faço mapas dos meus roteiros – acho que todo viajante faz, né? Quando dá, uso pins de diferentes cores para os lugares que vou conhecer no mesmo dia. Assim, economizo tempo e dinheiro.

De olho no mapa, você vai entender melhor por que estruturei o meu roteiro da seguinte forma:

DIA 1

Eu gosto de entender o lugar onde estou.

Por isso, considerei separar a manhã – ou a tarde – do primeiro dia para conhecer a cidade, sua história, me informar sobre lugares imperdíveis e, assim, me senti mais ambientado.

CENTRO HISTÓRICO

A cidade é uma graça, cheia de pontos interessantes para conhecer, desde o tempo em que o garimpo de diamante fazia com que os olhos do mundo estivessem voltados para a pequena Lençóis.

→ História de Lençóis, na Chapada Diamantina

Eu já escrevi sobre a História de Lençóis e com as minhas dicas você vai conhecer os pontos mais importantes do Centro Histórico.

PARQUE MUNICIPAL DA MURITIBA

Depois de passear pelo Centro Histórico e de almoçar, era hora de conhecer cinco lugares muito bem recomendados pertinho de Lençóis: Piscinas Naturais do Serrano, Salão das Areias Coloridas, Poço Halley, Mirante de Lençóis e a Cachoeirinha, que ficam dentro do Parque Municipal da Muritiba.

O Parque Municipal da Muritiba é um dos primeiros lugares que a maioria dos viajantes conhece quando chega à cidade. É que ele fica pertinho da cidade, a apenas um quilômetros de caminhada leve, que pode ser concluída em 20 minutos.

O circuito é tranquilo e como tem várias paradas, dá para relaxar nas cachoeiras e seguir em frente. Eu já vi relatos de pessoas que fizeram a trilha sem guia, mas eu não indico, principalmente se você for inexperiente ou se estiver sozinho.

Eu fiz o passeio com a Diamantina Trip e paguei R$ 130. A entrada no Parque é gratuita e, como tudo é bem pertinho do Centro, nem precisa de carro.

PISCINAS NATURAIS DO SERRANO

É super fácil chegar às Piscinas Naturais do Serrano, porque todo mundo conhece o lugar, que  também é chamado de praia de Lençóis.

Mas o que muita gente não sabe é que foi neste exato lugar que foi encontrado o primeiro diamante de toda a Chapada Diamantina. Então, se este é um lugar de sorte, não faz nada mal começar a explorar a Chapada a partir dele.

Sobre a rocha por onde escorre o rio Lençóis, a natureza esculpiu dezenas de caldeirões onde podemos nos banhar tranquilamente, mas é importante saber que a profundidade das piscinas varia muito. Então, antes de entrar, tenha certeza de que estará seguro.

Cinco dias na Chapada Diamantina

A água é um pouco gelada, e mesmo tendo uma cor escura, por causa da grande quantidade de material orgânico, é limpa e própria para banho.

SALÃO DAS AREIAS COLORIDAS

O Salão das Areias Coloridas é fantástico e, como fica no caminho para o próximo atrativo, a gente acaba saindo no lucro.

São imensas rochas de arenito que parecem ter sido colocadas umas sobre as outras formando enormes cabanas, túneis e passagens misteriosas – que, inclusive, foram usadas como abrigo pelos primeiros garimpeiros.

Cinco dias na Chapada Diamantina

Com o processo de erosão que têm sofrido ao longos dos anos, já foi possível identificar dezenas de cores diferentes nas areias: a gente vai caminhando por dentro da caverna e vendo os diferentes tons.

Hoje, somente um artesão tem autorização ambiental para retirar a areia da Salão. É com esta areia que é feita a mais famosa lembrancinha da cidade de Lençóis: a garrafa de areia colorida.

História de Lençóis, na Chapada Diamantina: do garimpo ao turismo

POÇO HALLEY

Cerca de 400 metros de trilha separam o Poço Halley do Salão de Areia Colorida.

A caminhada é tranquila, seguindo o leito do rio e, em um embrulhado  de pedras a gente consegue ver uma cachoeira que, escondida, despenca de cerca de seis metros.

Como há muitas pedras escorregadias na base da cachoeira, ela acaba sendo mais contemplativa do que para banho. Mesmo assim, vale a pena!

MIRANTE DE LENÇÓIS

Para chegar a um dos pontos mais altos do Parque Municipal de Muritiba, que tem o nome de Mirante de Lençóis, a subida é um pouco cansativa.

Cinco dias na Chapada Diamantina

Como a trilha é feita praticamente sobre pedras soltas, é preciso ter atenção dobrada para não cair ou torcer o pé. Quem tiver o mínimo de preparo físico consegue fazer a caminhada sem muita dificuldade.

Lá do alto, no horizonte, a gente vê o Centro Histórico de Lençóis – que é tombado pelo IPHAN – e os outros bairros que foram dando tamanho á cidade.

CACHOEIRINHA

A descida para a cachoeirinha é rápida e fácil: são cerca de 500 metros de caminhada em uma trilha de descida não muito íngreme.

A Cachoeirinha é a recompensa que recebemos ao concluir a trilha.

Cinco dias na Chapada Diamantina

A queda forma uma piscina natural de água clarinha, perfeita para passar o resto do dia, e foi isso que fiz: só voltei para a trilha quando o guia avisou que estava na hora.

Acho bom contar que havia uma senhora vendendo água de coco e outras bebidas, como água, refrigerante e cerveja na cachoeira. Tinha, também, lanches rápidos, como batata frita e amendoim. Então, deu para curtir de boa.

Meu dia terminou no Centro Histórico, nas famosas ruas Baderna e das Pedras, onde a noite termina cedo: por volta das 23h já está quase tudo fechado, já que o esquema da Chapada é acordar cedo para curtir o dia.

DIA 2

Eu organizei meus dias de forma que eles tivessem menos tempo de deslocamento possível e, ainda assim, me permitissem passar mais tempo nos atrativos – quando fosse possível, já que alguns têm tempo de permanência pré-estabelecido.

No segundo dia, fiz os atrativos que achei interessante na cidade de Iraquara, onde está a Fazenda Pratinha. Ela fica a 47 quilômetros do Centro de Lençóis.

GRUTA DA FUMAÇA

Há muitas cavernas e grutas na região da Chapada Diamantina. Na maioria, o homem não pode entrar, e nas que são abertas a visitação, regras rígidas de segurança e de preservação do ambiente devem ser obedecidas.

Cinco dias na Chapada Diamantina

É preciso usar capacete, lanterna e ter muita atenção para não tropeçar e esbarrar em uma formação que demorou milhões de anos para ganhar forma – isso não seria nada legal.

Cinco dias na Chapada Diamantina

A Gruta da Fumaça é considerada uma das mais completas da região. A gente vai caminhando entre estalactites e estalagmites e descendo até o último salão, onde só é possível entrar agachado, porque o teto é muito baixo. Nesse momento, a gente consegue ver com muita clareza os detalhes das formações.

Se estiver viajando de carro, você pode contratar o guia na recepção da gruta por R$ 150 para até quatro pessoas.

A caminhada dentro da Gruta demora uns 40 minutos e tem um percurso total de 800 metros.

FAZENDA PRATINHA

A Fazenda Pratinha é praticamente um resort de ecoturismo – acho que acabei de inventar esse conceito.

É que, a cada ano, a estrutura fica melhor, com mais opções de entretenimento para a família inteira, além, é claro dos atrativos naturais da fazenda.

Só para você ter uma ideia, as piscinas naturais da Fazenda Pratinha estão entre as mais cristalinas do mundo – segunda a própria Fazenda.

É um lugar que eu indico ficar um bom tempo: uma tarde inteira, por exemplo, por que vale a pena mesmo.

O restaurante é muito bom, tem também uma cafeteria e várias opções de entretenimento, como tirolesa, caiaque, stand up, pedalinho e até uma equipe especializada em foto subaquática para você registrar o seu momento.

A entrada na Fazenda custa R$ 60. Idosos pagam meia entrada e crianças de até nove anos não pagam. As atividades extras, como tirolesa e flutuação, são pagas à parte. A fazenda funciona todos os dias, das 8h às 17h.

Não é obrigatório ter guia para entrar na fazenda, já que todos as atividades são acompanhadas de monitores.

GRUTA DO PRATINHA

Dentro da Fazenda, primeiro a gente desce até a Gruta do Pratinha, onde é possível fazer flutuação. Não é permitido nadar ou mergulhar na gruta por causa de seu solo, formado por micro conchinhas.

A flutuação é feita em grupo e custa R$ 100, por pessoa. Eu preferi ficar tomando sol no lago que se forma logo em frente à gruta.

GRUTA AZUL

A Gruta Azul é um daqueles lugares que todo mundo fala: tem que ir. Então, para não contrariar a opinião da maioria, eu fui lá ver de perto como era a tal Gruta Azul da Chapada Diamantina.

Com mais ou menos 70 metros de profundidade, ela é, de fato, uma das mais procuradas da Chapada. Uma prova disso é a fila que se forma na entrada da Gruta.

E olha que nem é permitido tomar banho. Na verdade, a gente nem chega perto da água: a partir de um pequeno mirante, vemos os raios solares refletirem sobre a águam dando a ela uma cor azulada intensa. Esse fenômeno só acontece entre 14h e 15h.

MORRO DO PAI INÁCIO

Eu posso afirmar categoricamente que a melhor imagem da Chapada Diamantina que você terá na viagem será no Morro de Pai Inácio.

Não é por acaso que ele é considerado o cartão-postal da Chapada: a 1.120 metros de altitude, a gente tem uma vista magnífica das montanhas de cume achatado e dos vales cobertos pela vegetação.

Do alto do Morro do Pai Inácio nossos olhos alcançam tudo ao redor: são 360 graus de maravilhas que somem no horizonte e tudo fica ainda mais especial no pôr do sol.

Na melhor hora do dia, as cores que aparecem quando o sol vai se escondendo deixam tudo ainda mais mágico.

Chegar ao Morro do Pai Inácio é super fácil: o carro vai até bem perto do ponto mal alto e a curta caminhada que precisamos fazer a pé dura pouco mais de 20 minutos.

É uma subida íngreme, com partes de degraus de pedra e partes de escada. Eu vi pessoas de várias idades subindo e descendo o Morro, inclusive idosos. Então, dá para imaginar que é algo totalmente possível – e imperdível.

QUEM FOI PAI INÁCIO?

O nome Morro do Pai Inácio tem uma explicação. Segundo a lenda contada na região, Pai Inácio era um negro escravizado que teve um romance às escondidas com a filha de um fazendeiro da região.

O casal conseguiu esconder o namoro até que a jovem engravidasse e, para a época, isso era algo totalmente inconcebível. Então, o fazendeiro ordenou que seu capangas prendessem e matassem Inácio.

Esperto e conhecedor dos mistérios da Chapada, Inácio fugiu para o alto do Morro que hoje leva seu nome. Lá ficou escondido até que os capangas chegaram. Sem muita saída, Inácio pulou do Morro com um guarda-chuvas aberto e, desde então, nunca mais foi visto.

Dá para fazer a subida ao Morro do Pai Inácio sem guia, mas se precisar de agência, você pode fazer uma cotação com a Diamantina Trip e com a Associação dos Guias de Lençóis, no número (75) 99712-5129.

DIA 3

Voltando para os arredores de Lençóis, existe outro roteiro muito conhecido na cidade: o que vai do Ribeirão do Meio até a Cachoeira do Sossego.

É um percurso que até dá para fazer sem guia, mas você precisa avaliar as suas condições: preparo físico e capacidade de se localizar, principalmente. Se for um trilheiro inexperiente nem pense em ir sozinho. Contrate um guia que será melhor.

RIBEIRÃO DO MEIO

Todo mundo que chega a Lençóis vai ouvir logo de cara sobre as piscinas naturais do Ribeirão do Meio. Elas ficam em uma área protegida, pertinho do Centro Histórico, e dá para ir caminhando tranquilamente: são pouco mais de dois quilômetros até o local de banho.

A primeira parte do caminho é em uma estrada com algumas ladeiras. Depois, é só seguir por uma trilha bem fácil que dá tudo certo.

Cinco dias na Chapada Diamantina

As piscinas naturais são um bom ponto de partida para as maravilhas da Chapada Diamantina. Aliás, é aqui que fica a famosa Escorregadeira de Lençóis, onde muita gente se diverte descendo até se esborrachar na água cor de café do Ribeirão.

Cinco dias na Chapada Diamantina

Na verdade, a “escorregadeira” se forma onde a água desce criando um lodo que deixa as pedras bastante escorregadias. Com a cachoeira mais volumosa a diversão deve ser boa: eu não tive coragem de descer, até por que a cachoeira estava com pouca água e eu não estava a fim de me aventurar sozinho na descida.

Como o nome sugere, além do Ribeirão do Meio, existe o Ribeirão de Cima, que tem cachoeiras e piscinas naturais menores, e o Ribeirão de Baixo, que fica praticamente dentro da cidade e tem uma grande piscina natural com várias pequenas quedas.

CACHOEIRA DO SOSSEGO

No mesmo riacho fica a Cachoeira do Sossego, mas a trilha é bem mais difícil e eu só aconselho fazê-la com guia ou com alguém que conheça bem o local.

Partindo do Ribeirão do Meio, são cerca de 3,5 quilômetros seguindo pelo leito do rio, mas este não é o melhor caminho, já que muitas partes são realmente muito perigosas e cansativas por causa das pedras.

A trilha certa – e mais segura – é um verdadeiro trekking com sete quilômetros e exige atenção, preparo físico e a companhia indispensável de um guia.

Cinco dias na Chapada Diamantina

A primeira parte da caminhada é mais tranquila, com pouco desnível e trilha bem definida.

Depois, o grau de dificuldade vai aumentando e para chegar à Cachoeira será preciso mostrar um bom desempenho: na última parte, a trilha segue por entre as pedras do rio Ribeirão e o risco de acidente é real. Por isso, estar com um guia é essencial.

Depois de 2h30 de caminhada, a Cachoeira do Sossego aparece e aí a gente entende por que ela tem esse nome.

Dá para nadar no posso de água gelada e aliviar um pouco o cansaço das pernas. Alguns minutos de descanso e de conexão com a natureza, em silêncio fazem bem.

Cinco dias na Chapada Diamantina

O caminho de volta é o mesmo, mas o sentido contrário da trilha parece ser ainda mais difícil: talvez seja por causa do cansaço.

Então, se você não gosta de longas caminhadas e não tem prazer em fazer trilhas, fique no Ribeirão do Meio tomando banho que não tem erro.

Para se planejar melhor, você precisa saber de mais algumas coisas: a entrada é gratuita, dá para usar o GPS até o Ribeirão do Meio, onde sempre tem vendedores ambulantes. Então, dá para comprar água e lanches rápidos, mas é bom levar dinheiro.

Você pode contratar o serviço de guia com a Diamantina Trip e com a Associação dos Guias de Lençóis, no número (75) 99712-5129.

DIA 4

No penúltimo dia, o roteiro segue em direção à Cachoeiro do Mosquito, passando pelo Poço do Diabo e terminando o dia no Vale das Piscinas.

POÇO DO DIABO

A primeira parada do dia é no Poço do Diabo, onde também fica o balneário do rio Mucugezinho.

Na verdade, o Mucugezinho dá origem a vários poços onde podemos tomar banho. Alguns são maiores, outros menores, mas são muitos.

O mais impressionante é o Poço do Diabo, que tem esse nome porque realmente é perigoso e, infelizmente, é um lugar muito propício a afogamentos, pois sua profundidade chega a seis metros.

Então, antes de se jogar na água se assegure de que será capaz cruzar o poço, pois não há salva-vidas de plantão.

Para chegar ao Poço é bem tranquilo: o carro para no estacionamento do Restaurante Mucugezinho e, até o rio, tem uma caminhada de apenas cinco minutos.

Depois, seguimos o curso do riacho por mais 1,5 quilômetro de trilha. Sem muito esforço, em ritmo médio, o trajeto é feito em cerca de 20 minutos.

Eu realmente achei esse lugar incrível. A cachoeira é bastante volumosa, tem 20 metros de altura e o poço é bem grande. Mesmo sendo fundo, da para ficar encostado nas pedras ao redor relaxando e curtindo a natureza.

CACHOEIRA DO MOSQUITO

Para chegar à Cachoeira do Mosquito, é preciso dirigir 40 quilômetros – sendo metade de asfalto e metade em estrada de terra. Depois, ainda é preciso fazer uma caminhada de quase 40 minutos.

A trilha não é muito difícil, mas tem algumas descidas e bastante degraus de pedra irregulares. Então, é preciso andar com cuidado e ter a companhia de um guia profissional.

Uma dica é tentar chegar à cachoeira cedo para tentar pegar a cachoeira sem muita gente.

O cenário é realmente espetacular, com uma queda de 70 metros de altura e paredões que a cercam como uma muralha. É realmente incrível!

Existem muitas cachoeiras na região da Chapada, algumas só podem ser vistas depois de dias de caminhada. Então, chegar assim tão facilmente à Cachoeira do Mosquito é um privilégio e tanto.

Na época da chuva, a cachoeira fica bem volumosa e é praticamente impossível entrar debaixo dela. Nessa época, o poço fica mais cheio e bom para banho.

Eu fui na estação seca, mas ainda encontrei um bom volume de água.

A cachoeira ganhou este nome porque nela foram encontrados muitos pequenos diamantes, que eram chamados de mosquito justamente por serem minúsculos. Então, não precisa ficar preocupado porque não tem nada a ver com insetos.

VALE DAS PISCINAS

O Vale das Piscinas fica no caminho de volta para o Centro de Lençóis, no rio Mucugezinho, mas no sentido oposto do Poço do Diabo.

É um lugar super tranquilo, com vários piscinas naturais e pequenas cachoeiras, perfeito para relaxar depois da trilha da Cachoeira do Mosquito.

Tem um bar que funciona a poucos metros do rio, então dá para passar boas horas tomando banho, conversando e curtindo os encantos da Chapada Diamantina.

É um lugar muito bom para quem está com família, porque é tranquilo e tem uma infraestrutura mínima de serviço.

Eu paguei R4 250 para fazer este roteiro com a Diamantina Trip. No pacote, tinha carro privativo, guia e entrada nos atrativos.

DIA 5

No último dia de viagem, o deslocamento será maior.

É que para chegar a Cachoeira do Buracão é preciso dirigir 240 quilômetros até a cidade Ibicoara, na parte sul do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Até agora, eu estava apenas na região de Lençóis, que fica na parte norte.

CACHOEIRA DO BURACÃO

Eu decidi colocar a Cachoeira do Buracão no roteiro porque todo mundo me indicou esse lugar: as duas cachoeiras mais citadas foram a do Mosquito e a do Buracão.

Ela fica dentro do Parque Municipal do Espalhado e a trilha e feita pelo leito do rio, uma caminhada de aproximadamente quatro quilômetros sem muitos desníveis. Então, posso dizer que é uma trilha de nível médio de dificuldade.

Cinco dias na Chapada Diamantina

No caminho a gente passa pela Cachoeira das Orquídeas e, logo depois, começamos a descer uma escadaria de madeira.

Depois de uma parte de vegetação mais fechada, nos deparamos com a Cachoeira do Recanto Verde, que é realmente muito linda, mas ainda falta uma boa caminhada até chegar ao Buracão.

Cinco dias na Chapada Diamantina

Depois de uma parada para lanche, deixamos as mochilas nos paredões do cânion e caminharmos por mais 300 metros até começar a ouvir o som e a avistar a Cachoeira do Buracão.

Acho que esta parte foi a mais emocionante, porque a gente consegue ver a grandeza da cachoeira: com 85 metros de altura, ela despenca do paredão que parece ter sido feito a mão, com lâminas finas colocadas umas sobre as outras.

Cinco dias na Chapada Diamantina

Valeu todo o esforço, porque chegar à Cachoeira do Buracão é realmente encontrar o verdadeiro diamante da Chapada Diamantina.

O passeio com a Diamantina Trip custa R$ 450.

Onde comer em Lençóis

O fato de escolher Lençóis como base para uma primeira viagem à Chapada Diamantina também leva em conta que você terá mais opções de restaurantes, bares, padarias, mercadinhos e tudo mais que nos ajuda na hora de matar a fome.

O movimento fica entre as ruas das Pedras e da Baderna, que são cheias de bons restaurantes.

Durante o dia, você pode procurar os restaurantes que vendem prato feito: com bom preço e comida farta, eles são uma ótima pedida para nos saciar depois dos passeios – os restaurantes sempre colocam placas nas portas com as opções do dia.

À noite, quando os restaurantes colocam as mesinhas nas ruas e tudo ganha mais vida e animação, as opções são muitas e eu tenho alguns lugares para indicar.

Cinco dias na Chapada Diamantina

Minha lista tem o imperdível Sabor da Serra, onde eu comi um delicioso Risoto Baiano. O Lampião Culinária Nordestina também é excelente e eu adorei a carne de sol.

Para quem procura um prato típico, o godó de banana é uma tradição quilombola que está no cardápio de quase todos os restaurantes.

Quem é adepto do slow food vai adorar o Cozinha Aberta. Para comer um doce ou tomar um café, eu indico a Bavarois Café Confeitaria.

Uma dica muito importante é que os restaurantes fecham cedo, por volta das 23h, então não deixe para jantar muito tarde.

Veja mais dicas da Bahia

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Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver outras dicas da Bahia.

Sobre o Autor

<a href="https://www.penaestrada.blog.br/author/altier/" target="_self">Altier Moulin</a>

Altier Moulin

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

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