Santuário de Anchieta, o apóstolo do Brasil

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Atualizado em 21 de fevereiro de 2018

Desde que começaram os burburinhos sobre a real possibilidade do Papa Francisco canonizar o padre José de Anchieta, uma preparação começou. A cidade de Anchieta, no Espírito Santo, se pôs a preparar para receber peregrinos que amam e devotam o Apóstolo do Brasil. Foi assim que ficou conhecido o jesuíta defensor dos índios.

E é para saber mais dessa história, que vim até Anchieta, cidade do litoral sul capixaba para visitar o Santuário Nacional de Padre Anchieta. Essa construção, que teve as pedras fundamentais lançados pelo próprio Anchieta, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ela está edificada onde hoje chamamos de Praça da Matriz.

Aqui, ainda acontecem celebrações e a igreja fica aberta diariamente para visitas. As visitas incluem um passeio pelo quarto onde viveu o mais novo santo do Brasil. Chamada estranhamente de cela, a pequena habitação tem vista para o Rio Benevente e para o pátio da Casa Jesuíta. A Casa, hoje, está desativada.

Diferente do que eu pensava, não há mobílias que lembrem os costumes do velho padre. Aqui, estão duas cadeiras, um quadro e um pequeno altar com um pedaço da tíbia de Anchieta, presente do governador, em 1888. Voltados para um crucifixo pendurado em uma parede de pedras, fieis fazem orações e depositam os seus pedidos ao novo intercessor.

Entretanto, a visita não acaba aqui. No prédio há sinais deixados pela restauração que ganhou na segunda metade da década de 1990. O santíssimo, por exemplo, foi restabelecido sobre escavações da fundação original. No templo, o retábulo que cobria toda a parede do fundo foi removido mostrando uma pintura do século 17.

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Fachada do Santuário de Anchieta.

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Interior da Capela-mor.

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Um dos altares depois da restauração.

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O santíssimo: reerguido sobre a fundação original.

Há ainda um museu, que eu não pude visitar porque estava fechado. Isso apesar de que, pelo horário descrito na placa, ele deveria estar funcionando. Criado para preservar imagens e objetos litúrgicos da igreja que estavam fora de uso, o museu funciona no andar térreo da Residência dos Jesuítas.

É aqui, onde “peças de várias épocas estão reunidas no acervo de Arte Sacra que se encontra na primeira sala do Museu. A sala 2 refere-se à arqueologia tanto do Santuário quanto do pátio interno da Residência dos Jesuítas, onde foram enterrados restos mortais dos habitantes da Vila de Benevente, na segunda metade do século 19. Na sala 3, denominada Sala Padre Anchieta, encontra-se o material referente ao Beato: sua história, suas obras, sua personalidade, bem como documentos do seu processo de canonização. Completam a exposição, na varanda do claustro, algumas peças avulsas que pertenceram ao Santuário”, como descreve o site Litoral Sul Capixaba.

História | Anchieta nasceu em São Cristóvão de la Laguna, no arquipélago das ilhas Canárias, território espanhol. Aos 18 anos decidiu participar de uma missão evangelizadora que deixaria Portugal com destino ao Brasil. Depois de ajudar na empreitada de erguer o Colégio Jesuíta de Salvador, na Bahia, o jovem peregrino avançou. Finalmente, chegou, pela primeira vez, à aldeia Reritiba, hoje cidade de Anchieta. Aqui, ele estava rodeado por mais de 40 mil índios. Foi chegando aqui, que o jovem Anchieta percebe que seu maior desafio seria lutar contra os portugueses que escravizavam, torturavam e abusavam sexualmente dos índios.

Um ano depois, em 1554, Anchieta fundou o Colégio Piratininga, onde mais tarde seria a cidade de São Paulo. Passados alguns anos, já ordenado sacerdote pela Igreja Católica, José de Anchieta decide passar um tempo em Reritiba. Foi onde ele lançou as bases da primeira igreja e residência dos jesuítas na região, que só ficaram prontas em 1565.

Com um legado de amor e cuidado pelos índios, o padre morre aos 63 anos vítima de um acidente fatal. Anchieta caiu da escada que leva para o seu quarto ao tentar socorrer um índio doente. Mas a história do homem que escolheu Reritiba para passar seus últimos dias não terminava aqui. São José de Anchieta foi reconhecido santo no dia 3 de abril por um decreto do Papa Francisco, alcançando o maior reconhecimento da Igreja.

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Imagem do jovem Anchieta.

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A Cela: o pequeno quarto com vista para o Rio Benevente.

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Pedaço da tíbia do novo santo do Brasil.

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Fieis fazem oração diante do altar no quarto onde viveu Anchieta.

Programe sua viagem ao Santuário de Anchieta

Quando ir | O complexo do Santuário de Anchieta pode ser visitado de terça a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 17h. Aos sábados e domingos, das 9h às 17h. A entrada é gratuita.

Como chegar | De carro, partindo de Vitória, a cidade fica a 85 quilômetros no sentido sul. Siga pela Terceira Ponte em direção a Vila Velha e, depois, pela Rodovia do Sol no sentido Guarapari. A cidade de Anchieta fica a 28 quilômetros de Guarapari. Na avenida principal do centro – que margeia a praia – você verá o pórtico de entrada para o santuário. Há cobrança de pedágio de R$ 7,20 na Rodovia do Sol

De ônibus, a viagem dura cerca de duas horas. A viação Planeta cobra R$ 25 pela passagem em carro executivo e R$ 17,50 em ônibus convencional.

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Pórtico de entrada para o Santuário.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

2 Comentários

  1. Avatar

    Muito interessante a matéria sobre Anchieta. Já visitei a igreja. Sei também que tem uma caminhada “Passos de Anchieta” que os fieis saem de Vitória e vão até a cidade a pé. Você sabe em que época do ano acontece?

    Att,
    Carlos

    • Altier Moulin

      Oi Carlos,

      Primeiro, obrigado por ter lido e gostado do texto. A caminhada Passos de Anchieta começa no dia 19 e vai até o dia 22 de junho de 2014. A programação completa está disponível neste site: http://www.abapa.org.br.

      Um abraço!

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