O emocionante lado judeu de Viena

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Atualizado em 7 de maio de 2018

Poucas cidades europeias são tão conectadas com a história judaica quanto Viena. Até 1938, a cidade tinha uma crescente comunidade de israelitas. Eram várias sinagogas e casas de oração espalhadas por seu território. Eu fui conhecer melhor o lado judeu de Viena. Agora, mostro tudo o que você precisa saber para entender um pouco melhor essa história e toda a herança judaica.

SOBRE A IDEOLOGIA NAZISTA

Os princípios que nortearam a ideologia nazista foram o ódio aos judeus, a negação da democracia e do comunismo, e a convicção da superioridade da raça alemã sobre qualquer outro povo. Com a ideia de criar uma sociedade pura, livre de outras etnias, os nazistas perseguiram a mataram milhões de judeus, mas não apenas. Eslavos, russos, ciganos, homossexuais e tantos outros grupos foram capturados, escravizados e assassinados nas câmaras de gás, ou simplesmente fuzilados.

Liderado por Adolf Hitler, o Partido Nazista tomou o poder na Alemanha em 1933. Desde então, a política de doutrinação da população por meio da propaganda, que mostrava uma realidade disfarçada, passou a ocupar os veículos de comunicação nacionais.

Isso criou, em parte dos alemães, uma forte simpatia com os ideais defendidos pelos nazistas. Em um de seus famosos pronunciamentos, durante o congresso do Partido Nazista de 1937, Adolf Hitler defendeu o seu modelo nada convencional de formação. “Estamos educando uma juventude diante da qual o mundo inteiro temerá. Eu quero uma juventude que seja capaz de realizar violações, e que seja forte, poderosa e cruel”, declarou o ditador.

Em busca de poder, a Alemanha nazista matou, invadiu territórios e levou a Europa e países como Estados Unidos e Japão a se envolverem na maior guerra de todos os tempos. Uma guerra que não apenas mudou as relações políticas, mas que, principalmente, marcou para sempre a história da humanidade.

As coisas começaram a mudar, em Viena, com a tomada da Áustria pelos nazistas alemães. A partir desse período, todas as propriedades dos judeus foram confiscadas. Temendo o pior, muitos fugiram da cidade, entre eles Sigmund Freud. Os 65.000 que decidiram permanecer foram enviados aos campos de concentração e, lá, assassinados. Um símbolo disso são as placas colocadas nas calçadas onde as famílias de judeus deportados moravam.

O emocionante lado judeu de Viena

As placas que lembram os judeus deportados nas calçadas de Viena.

Essa e muitas outras histórias de pavor e de superação são contadas em museus, memoriais, monumentos e nas sinagogas de Viena. Então, monte o seu roteiro e vá explorar o melhor do lado judeu de Viena.

Conheça o lado judeu de Viena

Museu Judaico de Viena | Este museu funciona no Palais Eskeles, na Rua Dorotheergasse. O Jüdisches Museum Wien é a chave para a gente compreender melhor a cultura judaica, com seus costumes e pilares.

Com uma das mais importantes coleções do mundo, ele mostra a vida cotidiana e a religião judaica por meio de documentos, fotos, vídeos e objetos. Além da exibição permanente, o museu recebe exposições temporárias. Eu visitei uma mostra chamada Estrelas de Davi, que destacava artistas de origem judaica que alcançaram fama internacional.

A visita pode ser feita de domingo a sexta-feira, das 10h às 18h. A entrada custa EUR 10 e vale para o Museu Judaico e para o Museu Judenplatz.

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Uma das salas do Museu Judaico de Viena.

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Em objetos, vídeos, fotos e documentos o Museu nos apresenta a história os judeus na Áustria.

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Um dos melhores acervos judaicos do mundo está aqui.

Museu Judenplatz | Em 1995, arqueólogos encontraram as paredes de uma das maiores sinagogas medievais da Europa. Ela estava exatamente debaixo da Praça dos Judeus – a Judenplatz, em alemão. As escavações, que podem ser visitadas, mostram um pouco de como era a cidade. Isso é feito por meio de vários objetos históricos e animações, que oferecem uma visão fascinante sobre a vida judaica na Viena medieval.

O museu abre de domingo a quinta-feira, das 10 às 18h. Nas sextas-feiras, o horário é de 10h às 17h. A entrada custa EUR 10 e vale, também, para o Museu Judaico.

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Fachada do Museu Judenplatz.

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A maquete que mostra como era a antiga sinagoga.

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Uma visão da Viena medieval.

Memorial do Holocausto | Inaugurado em 2000, esse memorial lembra os 65.000 judeus austríacos que foram assassinados pelos nazistas.  Desenhado por Rachel Whiteread, ele tem a forma de uma biblioteca ao avesso, e na calçada que o cerca a gente lê o nome dos campos de concentração para onde os judeus austríacos foram deportados.

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O Memorial do Holocausto foi construído como uma livraria ao avesso.

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O nome de alguns campos de concentração estão gravados na calçada.

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Mais de 65.000 judeus morreram na Áustria durante o holocausto.

Centro de Documentação da Resistência | Esse pequeno museu – conhecido pela sigla DÖW – tem uma exposição permanente, inaugurada em 2005, que mostra desde o início da história do nazismo até a resistência e a perseguição durante o Holocausto.

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Um dos painéis do Centro de Documentação.

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Fotos mostram como era triste a vida dos judeus naquela época.

A coleção, de fato, não é grande, mas impressiona. Documentos, fotos e objetos nos transportam para aquele tempo de dor e sofrimento, quando tudo parecia se resumir à morte. Os itens que mais me impressionaram foram a lista de deportados e a estrela amarela que os judeus eram obrigados a usar em uma parte visível de suas roupas.

O museu abre de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Nas quintas-feiras, ele fecha às 19h. Visitas guiadas acontecem aos sábados, às 11h e às 14h. A entrada é gratuita.

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Lista com o nome dos judeus deportados.

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Uniforme usado pelos prisioneiros nos campos de concentração,

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A estrela amarela que identificava os judeus era obrigatória.

Memorial Contra a Guerra e o Fascismo | Esse monumento fica em frente ao Museu Albertina, na Albertinaplatz, e, como o nome diz, é um memorial à paz e à igualdade de etnias.

O monumento tem várias partes independentes, como a porta da violência, a pedra da República e o judeu que limpa as ruas, que representa os judeus que foram obrigados a limpar as ruas de Viena, após a invasão nazista, em março de 1938. Naquela ocasião, médicos, professores, acadêmicos e outros cidadãos famosos da cidade foram humilhados e submetidos a serviços degradantes enquanto cidadãos vienenses zombavam deles.

Ao explicar sua ideia, o artista Alfred Hrdlicka disse que as diferentes partes resumem certos aspectos do fascismo na Áustria.

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O monumento contra o fascismo.

Cemitério Central | No principal cemitério de Viena, há uma grande área com túmulos e lápides judaicas do período que antecede a invasão nazista, em 1938. O acesso é feito pelo portão A, e a entrada é gratuita.

Sinagoga de Viena | Essa é a mais importante sinagoga de Viena, já ela que foi a única que resistiu à Noite dos Cristais, uma série de invasões nazistas que resultaram na destruição de templos, lojas, casas e na morte de dezenas de judeus, em novembro de 1938.

Olhando pelo lado de fora, não podemos imaginar o que vemos lá dentro. Mas, para entrar no templo é preciso obedecer aos horários e às regras determinadas. A Sinagoga de Viena abre para passeios guiados de segunda a quinta-feira, às 11h30 e às 14h. A entrada é gratuita, mas é preciso apresentar o passaporte.

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Fachada da única sinagoga que resistiu à Noite dos Cristais em Viena.

Programe-se para conhecer o lado judeu de Viena

Quanto custa | A maioria dos lugares descritos neste post tem entrada gratuita. Apenas o Museu Judaico e o Museu Judenplatz cobram entrada. O tíquete custa EUR 10 e dá direito a visitar os dois museus.

Quando ir | O inverno em Viena é longe e muito frio, principalmente por causa da neve e do vento que sopra sobre o Rio Danúbio. Os meses mais frios vão de dezembro a fevereiro, e a época chuvosa é entre maio e julho, no fim da primavera e no começo do verão. O verão austríaco é ameno, com temperaturas máximas em torno de 25 graus. Nessa estação, os dias são mais longos e a movimentação de turista é maior.

Quem leva | Há várias agências que oferecem passeios pelo lado judeu de Viena. Uma boa opção é fazer sua reserva no site da Viator, que reúne as melhoras empresas de turismo do mundo. Veja as opções de passeios em Viena.

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Estrada que identificada a comunidade judaica durante o Holocausto.

Como chegar | O Aeroporto Internacional de Viena (VIE) fica na cidade de Schwechat, a 18 quilômetros da capital. As principais empresas austríacas que operam neste terminal são Austrian Airlines e a Tyrolean Airways.

Viena está conectada a todas as grandes cidades europeias por voos diretos e, além de servir à cidade de Viena e o resto da Áustria, o aeroporto atende, também, a capital da Eslováquia, Bratislava, já que a distâncias entre elas é de apenas 80 quilômetros.

De ônibus, uma empresa muito conhecida nessa região é a Flix Bus, mas há ainda a Euro Lines, a Westbus e a Blaguss.

Outra opção é viajar de trem. Você pode consultar as tarifas no site da Máv-Start. Partindo de Budapeste, na Hungria, por exemplo, a viagem dura cerca de três horas.

Onde ficar | Viena tem muitas opções de hospedagem, e escolher onde ficar vai depender, também, do quanto você pode pagar.

Na região do centro, estão as principais atrações da cidade como a Catedral de Santo Estevão e o Palácio Imperial de Hofburg, e as ruas que concentram lojas, bares e restaurantes, como a Graben. Aqui também está grande parte das atrações judaicas da cidade. Veja todas as opções de hospedagem de Viena.

Visto e Documentos | Brasileiros não precisam de visto para entrar e permanecer no país por até 90 dias, mas é preciso apresentar o passaporte, com validade de pelo menos seis meses e o seguro viagem. Sem ele, você pode ser impedido de entrar no país.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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